A Cor Da Chuva
17 Capítulo 16
Notas iniciais
“Eu te amo... Apenas me leva contigo.”
Minhas mãos tremiam naquele corredor largo e vazio no momento em que as palavras o atravessaram e alcançaram Dimitri, parado não muito distante, me esperando. Agora que eu o via, simplesmente não conseguia entender como havia passado tanto tempo longe dele. Isso parecia parte de outra realidade insana e irreal, porque a mera ideia de girar os calcanhares e deixá-lo para trás era mais absurda que as duas guerras mundiais juntas.
Não achei que Dimitri me beijaria ali, onde qualquer um poderia aparecer e ver a gente se agarrando. A maioria dos meus colegas sabia que o Dimitri era meu irmão, já haviam nos visto juntos, e causaríamos um escândalo se sofrêssemos um flagra. Meu coração deu um salto quando ele começou a se aproximar com um olhar intenso, que me queimou. Mas quando ele segurou meu rosto e nossas testas se tocaram, eu suspirei, experimentando aquela sensação de segurança e conforto que ele me passava, meu porto seguro.
Achava que havia perdido isso, mas não, era ainda mais forte agora. Ou melhor, era como se somente agora eu percebesse o quanto todos os meus sentimentos eram enormes, como não cabiam no peito e extravasavam para fora, formigando na pele. Eu abri a boca para dizer alguma coisa, para dizer que não havia conseguido pensar em mais nada assim que o vi, enquanto discursava – e isso certamente afetara meu discurso de formatura –, mas Dimitri me beijou num rompante.
Eu puxei o ar, entreabrindo os lábios, sentindo que não só minhas mãos tremiam, mas meu corpo inteiro. Dimitri me empurrou, com os lábios presos aos meus, até que minhas costas batessem contra a parede do corredor e eu gemesse fraco, me agarrando a ele. Suas mãos segurando meu rosto me causavam uma sensação extrema de calor, e quando sua língua tocou com fúria na minha, num grito mudo por aqueles cinco meses de distância, eu o puxei com força para que me prensasse com seu corpo maior, mais musculoso.
Eu só conseguia pensar em como era bom poder tê-lo tão próximo, experimentar aquele tipo de contato, sentir sua barba roçar no meu rosto e sua boca não se saciar mesmo após minutos de ânsia. Eu estava derretendo nos braços dele, desfalecendo mesmo que minhas unhas curtas afundassem na camisa em suas costas, sentindo os músculos de seus ombros se contraindo pela força que faziam para me segurar. Não queria me afastar dele, mas me retraí quando senti que meu corpo se excitava. Tive medo de talvez entrar em pânico – eu não sabia como meu corpo reagiria a toques mais íntimos.
De qualquer forma, não podíamos continuar aquilo, ou conversar naquele lugar.
Dessa vez, Dimitri não ofereceu resistência quando coloquei uma mão em seu ombro e o afastei gentilmente. Ambos ofegávamos, e de novo nossas testas se encontraram. Seu cheiro invadia minhas narinas, um perfume tradicional, terreno, com uma essência de madeira e couro que eu adorava – o cheiro de homem dele, que me provocava friozinhos na boca do estômago.
“Está chovendo hoje?” Dimitri perguntou, causando-me estranheza. E isso lá era momento de perguntar do tempo? Eu franzi a testa e o mirei diretamente nos olhos, com dúvida.
“Está... Choveu durante meu discurso, não percebeu?” Eu não acreditava que estávamos tendo uma conversa tão leviana depois daquele beijo que deixara os lábios de nós dois levemente inchados. Eu tinha mania de morder quando beijava, e não o mordi fraco. Já os meus lábios, assim como o resto da minha pele, eram ridiculamente sensíveis. Mas nem chuva, nem lábios eram o mais importante agora; havia tantas coisas mais urgentes que eu queria dizer, coisas pelas quais eu queria me desculpar, palavras dele que eu queria e precisava escutar. Mil maneiras como desejava tocá-lo.
“A chuva parece nos acompanhar em todos os momentos, você nunca percebeu? Mas o que começou com uma tormenta, eu quero que siga como uma garoa, e depois um dia ensolarado. E quando o sol vier, quero olhar pro lado e ver você deitado na cama comigo, sem querer fugir depois de uma noite de amor...” Sussurrou com o tom grave, acariciando meu pescoço, um brilho vivo no castanho-escuro de seus olhos. Eu virei o rosto e soltei uma risada, mesmo que meu peito palpitasse freneticamente com aquele tom dele, aquela paixão. Minhas bochechas esquentaram de uma maneira diferente, ruborizando não simplesmente por vergonha, mas por uma mistura de várias emoções.
“Você não está falando coisa com coisa...” Falei, me arrepiando ao sentir seus lábios finos em minha bochecha, deslizando para minha orelha. Eu parei para pensar um pouco, e percebi que não era tão absurdo assim, eu havia de fato reparado na chuva antes. “Você acha que é alguma espécie de aviso dos céus para que não façamos isso...?”
“Não.” Dimitri negou no mesmo segundo, e me abraçou. “Eu acho que era uma cúmplice nos protegendo enquanto ainda não conseguíamos lidar com isso.”
“Eu não sei se já consigo lidar tão bem com isso...” Admiti num sussurro, voltando o olhar para ele, com certa culpa. Não era o que eu queria, ter nos afastado cinco meses até colocar minhas ideias no lugar para ainda não estar cem por cento. Mas a questão era justamente que, dali em diante, eu não conseguiria mais nada sozinho. Para todo o resto, eu dependeria do Dimitri, como sempre havia dependido para tantas coisas.
Dimitri acariciou meu rosto, levando um arrepio novo à minha nuca e eu fechei brevemente os olhos, retribuindo em sua nuca o carinho.
“Tudo bem... Nós temos todo o tempo do mundo. E enquanto o gastamos, eu vou cuidar de você e te proteger de tudo que vier a te preocupar.” Dimitri murmurou, encarando-me com aqueles olhos que me constrangiam por carregar tantos sentimentos, puros e fortes, inteiramente em minha direção, deixando-me com o coração acelerado, hipertenso.
“Não vai me levar daqui?” Perguntei, abrindo um sorriso pequeno, tentando fingir que duas lágrimas não haviam rolado por meu rosto, uma pelo canto de cada olho. Dimitri segurou meu queixo e ergueu meu rosto, que eu sequer havia percebido que havia baixado.
“Sim...” Ele murmurou, sorrindo também, seu sorriso que foi a primeira coisa nela pela qual eu me apaixonei, quando ainda era ainda uma simples criança birrenta. “Mas primeiro eu preciso de outro beijo.” Seus lábios voltaram a se aproximar e eu prendi o ar, minhas mãos escorregando por seu peito, onde agarrei o tecido de seu blazer. Ambos estávamos bem vestidos, trajes de galã, mas nem por isso deixei de apertar o tecido preto em minha mão, amassando-o quando outro beijo veio, mais intenso que o primeiro, gerando novos tremores violentos através de meu corpo. Suas mãos em minha cintura me puxaram para ele e eu gemi, surpreso, pelo súbito choque de prazer e desejo, um desejo mais carnal que me levou a aprofundar mais o beijo e morder com força seus lábios, causando nele um gemido.
A situação parecia estar saindo de controle de repente, meus dedos pinicavam com a vontade de abrir seu blazer e sua camiseta e sentir o calor de seu peito e abdômen em minhas palmas. As mãos dele roçavam e se apertavam em minha cintura e quadril, parecendo lutar para não descerem para zonas mais ‘perigosas’. Antes que essas vontades tomassem forma, Dimitri forçou-se a diminuir o ritmo, induzindo-me a fazer o mesmo. Eu parei, desorientado e ofegante, já suando na nuca pois era dezembro e o calor era grande, abafado, mesmo que estivéssemos em meio a um temporal de verão.
Dimitri me abraçou gentilmente, prendendo meus antebraços entre nossos corpos, e sorriu contra minha boca enquanto eu ainda me sentia nas nuvens, queimando de uma forma boa e flutuando, leve depois de tantos dias de martírio. Como pude me sentir tão culpado por amá-lo? Como isso pode ser errado? Eu não conseguia mais ver onde estava meu erro, e pensei que meu único erro foi ter demorado cinco meses para compreender tudo que acontecera, e aceitar que o amava independentemente de qualquer conceito.
“Vamos agora.” Dimitri me beijou na testa e me puxou com ele sorrateiramente até o estacionamento do grande salão onde em breve a minha festa de formatura começaria – festa essa que eu não sentia vontade alguma de participar.
XxX
Nós estávamos em silêncio no carro, já chegando ao caminho que eu havia decorado como sendo o que levava ao apartamento do Dimitri. Ele segurava minha mão e fazia carícias circulares nela com o polegar, e eu retribuía acariciando seu dedo mínimo. Ele dirigia sem problemas com apenas uma mão, e eu o fiquei observando, mordiscando a parte interna da boca causando feridinhas pelo nervosismo.
“Por um momento achei que você não viria.” Falei quebrando aquele silêncio terno, mas expectante. “Você só apareceu depois que comecei a discursar.”
“Não queria que a Lydia me visse. Eu falei para ela que não iria na sua formatura...” Dimitri murmurou. “Aliás, desligue seu celular. Ela vai tentar nos ligar quando perceber que você sumiu de lá.”
“Já desliguei.” Informei. Não queria que nenhuma ligação nos atrapalhasse, como da outra vez. Nossa mãe talvez tivesse um ataque cardíaco de preocupação, mas o coração dela sempre fora forte, e eu esperava que continuasse assim por mais uma noite. “Eu não consegui me concentrar no discurso depois que te vi...”
“Mas foi muito bom o discurso. Tu e a Jady tem muita sincronia, ficaram ótimos juntos.” Dimitri levou minha mão até seus lábios e a beijou, me olhando e sorrindo por um momento, mas logo tendo de voltar a atenção ao trânsito. Eu sabia que ele iria me repreender, mas seu elogio me impeliu a afrouxar o cinto e me inclinar na direção dele. Dimitri ofegou baixo quando o beijei e mordi atrás da orelha de maneira lenta, sussurrando seu nome e segurando seu ombro oposto ao meu lado para me equilibrar. Os vidros da caminhonete esportiva dele eram fumê, então ninguém conseguiria ver o que eu fazia.
“Diego... Você vai causar um acidente.” Dimitri falou num tom de quem se controlava, e sua mão antes segurando a minha encontrou minha coxa e apertou a ponto de doer, mas eu não queria que ele a largasse.
“Dirija direito, e não haverá nenhum acidente.” Resmunguei, sem querer me afastar dele. Cinco meses! Eu precisava colocar o tempo perdido em dia, era como se minha mente me obrigasse a grudar em Dimitri e não soltá-lo mais. Eu havia sentido medo que nossa intimidade construída ao longo dos anos houvesse esmorecido, que acabássemos nos sentindo como dois estranhos ao nos reencontrar, e mal conseguira dormir nos últimos dias por culpa disso.
Eu estava enganado.
Nossa ligação parecia ainda mais forte, a corda que nos unia mais estreita, e por isso eu precisava ficar perto dele, muito perto, aspirando o cheiro viciante de seu pescoço. Isso me deixava tão aliviado e contente que eu não queria mais nada na vida. E eu teria continuado até que chegássemos ao prédio dele, porém Dimitri moveu rápido a direção para o meu lado e o carro deu uma guinada para a direita. Eu voei à força de volta para o banco por culpa do movimento súbito.
“Hei! Por que fez isso?!” Perguntei indignado.
“Por mais que eu estivesse adorando, eu prefiro chegar vivo com você ao meu apartamento, para fazermos bem mais que isso. E precisamos também conversar, antes que eu perca as estribeiras.” Dimitri disse, agora apertando a direção com as duas mãos, dirigindo rígido. Eu notei o volume em suas calças e senti meu rosto esquentar. Eu havia causado aquilo no Dimitri. Ainda era um pouco difícil assimilar, mas eu próprio não estava muito diferente.
Suspirei e fiquei comportado no banco, olhando para fora. Quando paramos no estacionamento do prédio, no subsolo, Dimitri desceu rapidamente do carro e, quando eu recém estava fechando a porta do meu lado, Dimitri a empurrou atrás de mim e me virou. Mal tive tempo de raciocinar antes de ser prensado contra o carro e ter sua boca esmagando a minha. Arfei entreabrindo as pernas ao sentir a coxa musculosa dele entre elas.
“D-Dimi.” Gaguejei abafado, me sentindo aprisionado entre o carro. “Aqui não... Qualquer um pode ver.”
“Você tem certeza de que quer isso, Diego? Porque se não tiver, eu te levo pra casa e te dou mais um tempo... Eu não quero te forçar a nada, mas não confio em mim quando subirmos naquele apartamento. Não quero que você saia correndo com medo de mim e arrependido de novo.” Dimitri falou, recostando a testa na minha. Toquei seus fios de cabelos curtos. Droga, eu não saberia medir todo o sofrimento dele, havia pensando somente em mim, o que era normal, já que eu era mesmo um idiota auto-centrado, mas Dimitri se controlava há tanto tempo, e eu nem fazia ideia do que ele passara sozinho. Ou o que sentira naqueles cinco meses em que o deixei no vácuo, sem nenhuma resposta.
“Minha única certeza é que não posso ficar longe de você de novo.” Falei abraçando-o, conseguindo sentir seu coração batendo forte contra as costelas.
“Você pode ficar perto de mim sem que nossa relação seja dessa forma... Sempre estivemos juntos antes de toda essa confusão.” Dimitri murmurou, o bastardo altruísta. Ele não mudaria nunca, seria sempre o lado altruísta, e eu o egoísta, e nisso nos equilibraríamos. Balancei a cabeça, soltando um suspiro de irritação por sua ideia de que poderíamos esquecer tudo e voltar para o status ‘somente irmãos’. Ele mesmo já havia dito que não dava mais para se segurar, e bastava de obrigá-lo a isso.
Peguei o pulso dele e levei para o volume em minha calça.
“Não posso. Por causa disso, e por vários outros motivos.” Falei, tremendo nervoso, por ter a mão dele sobre meu membro. Estava há cinco meses sem nenhum contato íntimo como aquele, e com medo de ser tocado, e esse receio se instaurou de leve no meu peito, mas lutei para que não me assustasse, concentrando meus olhos na imagem de meu irmão, a pessoa em quem eu mais confiava e amava. Com ele, tudo estaria bem.
“Diego...” Dimitri sussurrou meu nome de uma forma que lançou um disparo de arrepios em minha nuca, e apertou a mão em meu pênis, me roubando um gemido agoniado e ofegante. “Você não imagina o quanto eu-“
“Shhh! Não aqui, vamos subir, Dimitri.” Eu relutantemente me afastei dele, puxando-o em direção ao elevador. Esperamos em silêncio, nossas respirações parecendo mais altas do que nunca naquela garagem escurecida. “Pare de me olhar assim.” Murmurei, envergonhado. O elevador chegou e nós entramos. Se não houvesse câmeras ali, tenho certeza de que Dimitri voltaria a me agarrar.
“Assim como?” Dimitri perguntou, com requintes de bom-humor na voz, aproximando-se um pouco.
“Não sei... Dessa maneira que me deixa constrangido.” Rebati, evitando contato visual. Dimitri sorriu e não disse nada, e tampouco mudou seu olhar. O tempo da subida conseguiu me deixar nervoso de repente, pois da última vez que havíamos feito amor eu estava entorpecido pela droga e pela culpa, e não me lembrava de tudo.
Agora eu não tinha mais nenhuma desculpa para fugir do que eu queria e sentia.
“Você se lembra da noite depois que você ganhou o mundial e nós saímos para comemorar?” Dimitri perguntou quando o elevador estava parando. Nós saímos dele, entrando no apartamento. Eu estava de frente para Dimitri, andando de costas enquanto ele avançava na minha direção, seus olhos parecendo escurecer de maneira sugestiva. Eu quase tropecei em meus próprios pés.
“Sim... Eu bebi demais naquela noite, no outro dia estava com uma ressaca dos infernos.” Lembrei do restaurante onde havíamos jantado, numa torre de observação cujo nome não me recordava no momento. Não me lembrava de nada após o jantar.
“Você quase me beijou depois do jantar, quando já estava bêbado, e falou um monte de coisas sobre me amar e me querer só pra você...” Dimitri contou, deixando-me perplexo. Eu parei de caminhar, estando já no centro da sala sobre o tapete felpudo.
“E-Eu fiz isso?” Perguntei, descrente, e Dimitri assentiu. O meu eu bêbado sabia mais sobre meus próprios sentimentos do que meu lado sóbrio, ao que parecia. Eu ri internamente da ironia disso. “Por que não me contou?!”
“Podiam ser apenas delírios de um bêbado idiota.” Dimitri disse, com um sorriso matreiro, mas depois ficou sério. “Mas foi por causa da dúvida que você colocou na minha cabeça que um mês depois eu agi estranho no meu aniversário e quase te beijei também... Ainda mais por você ter a ideia de experimentar transar com algum homem.”
Eu levei minha mão aos cabelos, apertando meus fios pela raiz. Eu me lembrei do que ele havia me dito antes ‘...Eu fiquei cinco anos me segurando, Diego. Mas agora parece que não dá mais.’ Cinco anos, como era possível? E em que momento eu havia também me apaixonado? Eu não saberia dar uma data exata, apenas a data em que conscientemente notara esses sentimentos.
Balancei a cabeça e tirei a parte de cima do meu smoking, jogando-o no sofá. Estava quente demais e o ar condicionado ainda estava desligado.
“Você não é errado.” Eu murmurei, e Dimitri me olhou com uma sobrancelha erguida. “Você disse isso naquele último dia em que conversamos. Você disse que sabia que era errado, por me amar assim. Mas você não é, e nem eu. Eu entendi isso nesses cinco meses. Eu ainda tenho medo da opinião e julgamento dos outros? Infelizmente eu tenho, tenho medo do que a mãe faria se descobrisse, o que meus amigos diriam, até mesmo como estranhos me olhariam. Eu sou fraco nesse ponto... Mas desde que eu tenha você do meu lado, eu posso ser forte e vencer esses medos.”
Eu tirei minha camiseta, jogando-a no chão, e caminhei até Dimitri, que não estava a mais do que três passos de mim. Segurei seu rosto e ergui meus pés para beijá-lo – ele ainda era onze centímetros mais alto que eu, afinal. Dimitri me agarrou no mesmo instante, suas mãos foram para a parte de trás das minhas coxas e ele me ergueu para seu colo. Não me surpreendi por ele me segurar com tanta facilidade mesmo que eu pesasse um pouco mais de 70 kg.
Envolvi a cintura dele com as minhas pernas e seu pescoço com meus braços, enquanto nos beijávamos com pressa, urgência. Ele caminhou até o quarto e me soltou na cama, ajoelhando-se à minha frente, suas mãos ainda na minha cintura nua.
“E aquele garoto – Viktor?” Dimitri baixou o olhar, como se sentisse medo de minha resposta. “Você esteve bem próximo dele nesses últimos meses.”
Não me surpreendi por ele saber disso, Fernanda ou nossa mãe deviam ter falado algo sobre isso para ele. Pensei em Viktor por um momento, pois havia me esquecido completamente dele, ou de qualquer outra pessoa além do meu irmão. Viktor havia me ligado antes da formatura, dizendo que precisava me ver, que eu fosse ao ginásio encontrá-lo. Eu tinha que sair de casa em cinco minutos, ou chegaria atrasado para a cerimônia, e para Dimitri.
Disse a Viktor que poderíamos nos ver no dia seguinte, para conversar. Viktor sabia que meu irmão era apaixonado por mim, por ter entreouvido minha conversa com ele uma noite, mas não sabia que a recíproca era verdadeira. Eu nunca havia lhe dito nada e talvez agora fosse o momento de admitir.
“Viktor é alguém muito especial. Eu amo ele, mas é um amor de amigo. Mais forte e diferente do que sinto por outros amigos, mas nunca será como o que eu sinto por ti, Dimitri.” Me surpreendi por tocar o rosto de Dimitri e senti-lo molhado. Um apertou me afogou o peito. “Não chora, Dimi...”
“Estou chorando de felicidade. Eu nunca acreditei realmente que isso pudesse acontecer, apesar de fantasiar com frequência.” Dimitri confessou, respirando fundo e começando a tirar meus sapatos. Me surpreendi com a gentileza de seus atos, o cuidado que teve em me despir inteiro, com a minha ajuda. Em poucos segundos eu estava completamente nu sobre o colchão, e ele continuava com toda a roupa.
Quando Dimi se ergueu, começou a retirá-la também, em pé à frente da cama, observando-me em silêncio enquanto se despia. De repente parecia tão calmo, tão centrado e decidido, que eu acabei por ficar justamente o contrário – extremamente nervoso e acanhado.
“Dimi... Eu... Nesses últimos meses... Eu não consegui deixar ninguém me tocar.” Admiti. Era melhor falar agora, do que ter de explicar depois de meu corpo rejeitá-lo, algo que eu não queria que acontecesse, mas corpo e mentes pareciam brigar sobre isso dentro de mim nos últimos tempos. Eu ia falar mais, mas Dimitri me interrompeu.
“Eu sei. Depois de mais calmo percebi a maneira como você reagiu quando nos beijávamos, antes da Fernanda aparecer naquela tarde. Você me beijou, parecia querer aquilo, mas seu corpo começou a ficar tenso, rígido, suar frio... Você estava com medo.” Dimitri afirmou, já apenas de calça. “Com ajuda de um amigo, percebi o que causei em você por ter me aproveitado da situação quando você estava drogado, após o momento traumatizante com aquele filho da puta do Bernardo...” Ele parou de se despir, adquirindo um ar arrependido. “Me desculpa, Diego. Eu jamais... Jamais iria querer causar algo assim em você.”
“Eu sei.” Falei, consternado pela dor em seus olhos, guardando a pergunta de quem era esse tal amigo para depois.
Me ajoelhei na cama e levei as mãos para o zíper de suas calças pretas, abrindo-o. “Mas eu também queria aquilo, mesmo que não estivesse plenamente consciente, eu te beijei primeiro. Eu queria... Eu quero você.” Murmurei e beijei seu abdômen; rocei os lábios em cada um dos quadradinhos de músculo em sua barriga que pareciam pedra por trás da pele. Dimitri arfou e acariciou meus cabelos. As calças dele caíram e eu toquei seu membro rígido por baixo da cueca, sentindo seus músculos se contraírem ainda mais.
“Diego...” Ele chamou, e mais um arrepio varreu minha espinha. O jeito com que chamava meu nome era tão sensual que eu não precisava de mais nenhum estímulo para também ficar excitado. Dimitri segurou meu maxilar e afastou meu rosto, livrando-se da cueca antes de começar a subir na cama sobre mim, também me empurrando mais para o centro do colchão. “Eu causei essa fragilidade em você... Então serei eu quem irá curá-lo disso. Apenas se concentre em mim e na minha voz.”
“Okay...” Murmurei nervoso, sentindo-o se posicionar sobre mim. Dimitri puxou um travesseiro e colocou atrás da minha cabeça. Um de seus antebraços servia de apoio para seu corpo, e sua mão livre deslizava pela lateral do meu corpo. Ele estava nu sobre mim e sua respiração batia em meu rosto, e era quente, vibrante. “Dimi...” Murmurei, enchendo pela boca meus pulmões de ar ao sentir o membro dele roçar-se contra o meu.
“Abre mais as pernas, Diego.” Ele pediu baixo, sua testa contra a minha, seus dedos acariciando com cuidado minha cintura. Meu rosto ruborizou, mas eu acatei o pedido, abrindo timidamente as pernas. Meu coração pulava tanto que era tudo que eu escutava, meus batimentos reverberando por meu corpo inteiro. Dimitri se moveu lentamente e eu gemi, passando os braços por seu torso, colando nossos abdomens. Eu só via os olhos de Dimitri e me afundava nos estímulos que ele me causava, nada mais atraía minha atenção ou concentração.
Quando meu corpo começou a reagir de maneira tensa, naquela sensação de perder o controle, ele beijou meu rosto, murmurando que me amava, e eu voltei a desfalecer, relaxando. Seus gestos e palavras eram tão calmos e gostosos, que aquilo poderia ser um sonho no qual tudo parece mais leve, onde não há gravidade ou pesos, medidas, lembranças ruins. Dimitri começou a beijar meu rosto e meu pescoço quando principiei a mover também meu quadril, aumentando o atrito entre nossos corpos. Nós dois gememos juntos, nos tocando e beijando o máximo que podíamos, como se nada fosse o suficiente para expressar o quanto queríamos aquilo.
Aos poucos, esse novo tipo de intimidade entre nós não me pareceu nem de perto estranho, tornou-se tão natural e bom quanto um abraço afetuoso, apenas mais uma forma de demonstrarmos o carinho e amor que sentíamos um pelo outro. Mas essa forma também causava prazer, um fogo, uma necessidade de dar e receber e aproveitar cada segundo. Quando me senti confiante, transbordando de satisfação por ter vencido qualquer resquício de trauma por uma sequência não muito correta de acontecimentos há cinco meses, eu inverti as posições e fiquei sobre o corpo de Dimitri, abrindo um sorriso para ele.
“Eu tenho mesmo um irmão bonitão. Que sorte a minha.” Comentei malicioso, passando os dedos por seu maxilar quadrangular e rindo da careta dele. Dimitri ergueu o corpo, de modo que fiquei sentado no colo dele, as pernas dobradas e minhas coxas nas laterais de sua cintura.
Dimi beijou meu pescoço e desceu, lambendo minha pele até meu mamilo, deixando-me agitado com o formigamento intenso que sua boca causava em qualquer parte que tocasse. Olhei para baixo, vendo-o abocanhar meu mamilo, e gemi, erguendo a mão para passar por seus cabelos negros e curtos.
“Dimi...” Meu corpo se inclinou para trás, e usei uma mão para me apoiar, deixando todo meu torso exposto para ele.
“Você que é lindo... E está proibido de fazer qualquer outra propaganda mostrando partes desnecessárias do corpo.” Dimitri disse, apertando com mais força minha cintura. Minha cabeça pendeu para trás e um gemido subiu para o teto quando ele segurou nossas ereções juntas e começou a nos masturbar. Eu tremi, sentindo-me como uma virgem em sua primeira vez. E nem é a primeira vez que fazemos isso...
“Eu só estava sem camisa...” Murmurei, ainda observando com as pupilas dilatadas ele lamber meu peito, meu quadril movendo-se como que por vontade própria para ajudar o que ele fazia com a mão. Sua outra mão estava em uma de minhas nádegas, apertando-a com força calculada numa carícia forte.
“Não tem que estar nem com uma meia a menos.” Ele disse, enciumado, e de novo me deitou completamente no colchão. Seus lábios começaram a descer atenciosos por meu abdômen, e meu coração acelerou com a perspectiva do que iria fazer. Gemi o nome dele, arqueando o quadril. Meu pênis pulsou e doeu pela necessidade de sentir a boca dele e, quando ele o segurou e colocou na boca, eu gemi mais alto, levando minhas mãos aos meus cabelos, puxando-os.
Não me lembrava de ter sentido tanto prazer com aquilo; aliás, nunca havia amado tanto, sentindo como se um vento forte me sufocasse e eu não fosse capaz de respirar, só conseguindo puxar o ar em golfadas curtas, mas frequentes. Dimitri segurava minhas coxas para mantê-las afastadas enquanto sua língua me enlouquecia com toda atenção que dava àquela parte em especial do meu corpo. Em algum momento ele ergueu mais meu quadril e sua língua foi para baixo, percorrendo meu períneo até alcançar o ponto em que forçou a entrada, me penetrando.
Eu gemi verdadeiramente alto, me surpreendendo com a sensação e com o som que soltei. Não era comum eu gemer assim, ao menos nunca havia feito com minhas ex-namoradas, ou até mesmo com o Viktor. Mas nada parecia se aplicar de maneira trivial com Dimitri, com ele eu era muito mais eu mesmo, como também não o era – com ele, eu descobria partes de mim que desconhecia.
Gemi ainda mais e me virei quando pediu. Quando ele afastou meus glúteos, eu ergui o quadril e apoiei minha testa no colchão, ofegando e quase chorando de prazer. Queria retribuir e causar nele o mesmo prazer, mas conseguia apenas mover meu quadril e aproveitar ao máximo o que ele me oferecia – suas mãos percorrendo minhas costas e abdômen, tocando minha ereção, sua língua preparando-me para a penetração, seus dedos se afundando em mim para tocar minha próstata.
Tão gostoso...
“Dimi, espera, não quero gozar ainda.” Pedi com um lamento, mas Dimitri apenas soltou um resmungo rouco e continuou com mais intensidade, me fazendo puxar os lençóis da cama e arfar até gozar sobre o colchão. Estremeci inteiro e, com um grito abafado, senti que iria desfalecer na cama – já estava cansado por ter ficado cinco noites dormindo mal, e passado os dias ansioso e inquieto; porém Dimitri impediu isso ao me abraçar pela cintura, de joelhos puxando-me para ele, e meu corpo descansou sobre seu peitoral.
“Não tem problema. Tudo que eu quero hoje é te dar prazer e compensar pela outra vez, em que pensei mais em mim do que em você...” Ele sussurrou. O Sr. altruísta nunca iria esquecer aquilo, obviamente, e eu revirei os olhos, mesmo que meus lábios quisessem subir num sorriso de olhos fechados. Apoiei minha cabeça no ombro largo dele e virei meu rosto para ele, erguendo a mão para acariciar sua bochecha, a barba rala roçando em meus dedos.
“Me beija...” Pedi, preguiçoso. Ainda sentia a ereção de Dimitri entre meus glúteos, suas mãos acariciando meu abdômen e tórax com desejo, então, quando ele me beijou, comecei a ondular o quadril, atritando-me contra seu pênis, querendo retribuir o que me oferecera. Dimitri me beijou de uma maneira que me surpreendeu, me devorando, mal me deixando acompanhar seu ritmo. Me senti tão especial e completo por ser amado com tamanha intensidade que, assim que meu corpo deixou de moleza, me virei para Dimitri, sentindo meus olhos transbordarem novamente.
“Diego. O quê-” Dimitri segurou meu rosto, com preocupação, mas eu ri e sacudi a cabeça, colocando minhas mãos por cima das dele.
“Também é de felicidade.” Falei e lhe dei um selinho, e outro, e outro, até que nossas bocas não quisessem mais se separar. Caí por cima dele no colchão e quis descer para também dar-lhe prazer, mas ele me segurou e impediu, deixando-me confuso. “Você não quer...?” Perguntei, inseguro.
“Não é isso.” Dimitri roçou os lábios nos meus. “Eu só não consigo mais esperar. Quero você inteiro. Quero que seja só meu, não quero que mais ninguém te toque, ou que você toque outra pessoa além de mim. Me prometa isso.” Ele pediu, de um modo possessivo que destoava de seu jeito altruísta. Mas se ele fosse altruísta com isso, eu provavelmente lhe daria um soco na cara. Deitados de lado um para frente do outro, eu me acomodei mais contra ele, mirando seu rosto.
“Eu te prometo isso. Ninguém mais importa além de ti, seu bobo. Você realmente acha-“
Dimitri me beijou antes que eu começasse a censurá-lo por ele achar que, depois do que estávamos fazendo, eu fosse simplesmente encontrar alguma outra namorada, ou voltar a ter sexo esporádico com o Viktor. Ele deve ter previsto isso, pois me agarrou forte e eu esqueci o que iria dizer. Nós ‘namoramos’ um pouco sobre o colchão, nos beijando impetuosamente, chegando ao limite do que as pessoas chamam de tesão, até que Dimitri alcançasse na gaveta do criado-mudo uma camisinha e lubrificante.
Eu peguei a camisinha da mão dele e a toquei longe.
“Não quero nada entre a gente.” Falei, sem me importar com sexo seguro. “Não fiquei com ninguém desde que nós dois transamos, e antes disso sempre transei com camisinha. Estou limpo, e confio em você se disser que também está.”
“Eu estou também. Fiz o teste depois daquela noite, justamente por que fiquei com medo de ter passado algo para você sem saber. Desde então também não transei com ninguém.” Dimitri admitiu e me puxou pela coxa, sorrindo. “Como posso te amar tanto?”
“Porque eu beiro a perfeição.” Falei brincando, fazendo nós dois rirmos. Dimitri assentiu e eu revirei os olhos, antes de gemer baixo por sentir seus dedos lambuzados de lubrificante insinuando-se por entre meus glúteos. “Era para você ter discordado, idiota.” Murmurei, passando mais a perna ao redor de seu quadril. Ele subiu por cima de mim e me penetrou mais com o dedo, pressionando minha próstata. “Awn, Dimi...” Ronronei em aprovação.
“Por quê? Se eu concordo plenamente?” Dimitri perguntou rente à minha boca, antes de me beijar. Eu me agarrei a ele, deixando minhas pernas circularem seu quadril, permitindo que ele me explorasse mais fundo. Gemi arqueando o corpo, me contorcendo. Peguei o tubo de lubrificante e passei pelo membro dele, estremecendo com o tamanho e grossura. Lembrava do estado em que eu havia ficado da outra vez, mal conseguindo me sentar no dia seguinte.
“Vá com calma.” Pedi de novo, nervoso, mas não com medo. Confiava em Dimitri.
“Sempre.” Dimitri garantiu e, quando soltei seu pênis lubrificado, ele me ergueu mais pelos glúteos e se encaixou em mim. Lentamente se empurrou contra mim, me penetrando com lentidão. Eu ofeguei, me abraçando a ele, mas não reclamando da dor. Sabia que ficaria melhor, e ela também era pequena demais frente ao arrebatamento de estar me unindo ao Dimitri. Queria tanto aquilo, tanto, tanto. E depois de tanta negação, raiva, culpa, conflito, era tão libertador e inexplicável simplesmente me entregar, abaixar as barreiras e me permitir.
“Eu te amo, Dimi...” Falei, quando me senti completo. Eu e Dimitri nos encaramos novamente, ofegantes, nos segurando um ao outro para não perdermos a noção de realidade. “Me desculpe por te fazer sofrer durante todos esses anos.”
“Não, Diego.” Ele me abraçou e se moveu lentamente dentro de mim, causando-me um espasmo dolorido que demorou um pouco a se dissipar, mal eventualmente cedeu conforme meu corpo relaxava após a invasão. “Você não tem que se desculpar por nada. Eu nunca me achei com direito de exigir nada, e me sentiria a pessoa mais sortuda do mundo se te tivesse tanto antes, quanto agora, como daqui dez, vinte, trinta anos, porque jamais pensei que seria retribuído em qualquer que fosse o momento...”
“Como faço para parar de me apaixonar por ti uma vez atrás da outra?” Perguntei abismado, de certa forma imitando a pergunta que ele havia me feito. Dimitri sorriu de uma maneira linda e nós voltamos a nos beijar. Ele estava parado, esperando eu me acostumar com a penetração depois do gemido de dor que eu havia dado quando ele tentou se mover, mas logo notei que já havia me acostumado, então parei o beijo e sussurrei:
“Sou teu... Então pegue o que te pertence.” Movi o quadril para sentir o atrito prazeroso.
Dimitri não esperou mais; afundou a boca na minha com ânsia e passou a se impulsionar com mais cobiça, ainda cuidando a velocidade, mas colocando mais ritmo. Nosso encaixe parecia perfeito, nossos corpos rapidamente entraram em sincronia e eu gemi abandonado, sem me importar em estar praticamente gritando em alguns momentos. “Faça isso de novo.” Exigi quando Dimitri atingiu o ponto perfeito. Ele obedeceu e correntes elétricas pareceram passear por nós, como se os trovões do temporal estivessem caindo naquele quarto, naquela cama.
O temporal em realidade já cedia e, enquanto buscávamos todas as formas de prazer naquele cômodo escurecido, o mundo lá fora ia se acalmando. Toquei todo corpo de Dimitri, beijei-o em todas as partes que consegui alcançar, querendo senti-lo, redescobri-lo, amá-lo. Em alguns momentos era puro êxtase, a força sobrepujava o carinho e deixávamos marcas um no outro, ou ele investia tão forte contra mim que eu sentia que não iria aguentar tanto. Em outros, acalmávamos e nos acariciávamos sem pressa, numa cadência de ritmos lentos, preguiçosos.
Senti como se fizéssemos parte das forças da natureza que agiam do lado de fora, e me pareceu que ficamos horas nesse fogo, impregnando a atmosfera do quarto com nosso suor, cheiro, os sons de nossos gemidos, saciando nossa fome um pelo outro.
Quando eu atingi o clímax pela segunda vez e Dimitri gozou dentro de mim, o tempo estava calmo – eu não escutava mais nenhum trovão reverberando pelas paredes. Nós estávamos suados, a pele de Dimitri parecia brilhar tênue e a minha, branca, parecia marfim umedecido.
Encontrava-me tão cansado, que só percebi que havia fechado os olhos e sorria sem mostrar os dentes quando senti a mão de Dimitri em meus cabelos úmidos, acariciando-os lentamente, não querendo atrapalhar o início do meu sono.
“Isso foi incrível.” Eu murmurei, me encolhendo contra ele quando ele passou um braço por mim, mantendo-nos próximos. “Foi assim da outra vez?”
“Sim, mas hoje foi ainda melhor, porque nós dois sabemos e aceitamos o que fizemos aqui, não há nenhuma culpa e não vai existir nenhum arrependimento...” Dimitri sussurrou, me beijando a testa ao afastar os cabelos ali grudados. “Você vai querer se lembrar disso quando acordar, não vai?” Ele perguntou, em parte brincando, em outra não tanto assim, disfarçando a insegurança.
“Dimitri... Eu realmente sinto vontade de te bater em alguns raros momentos da minha vida.” Suspirei, beijando-lhe o peito, próximo do mamilo. Ele tinha poucos pêlos ali, apesar de ter alguns, e havia um ‘caminho da felicidade’ em seu ventre que eu achava muito sexy. “Eu jamais vou querer esquecer o que fizemos hoje, e nem nada do que fizermos a partir daqui.”
“Então... Acho que teremos um belo dia de sol amanhã.” Dimitri sugeriu alguns segundos depois, causando-me uma risada que sacudiu meus ombros.
Eu deitei de costas, bem acomodado nos travesseiros.
“Vem cá, bonitão.” Chamei Dimitri com um sorriso e o beijei entre os cabelos quando ele descansou a cabeça em meu peito e me abraçou de uma forma que parecia querer me impedir de respirar, como se sentisse medo que eu escapasse sorrateiramente daquela cama pela madrugada. Acariciei seus fios negros por vários minutos, até que o cansaço e sono se tornassem mais fortes que eu.
Com um suspiro apaixonado, de olhos já fechados, ainda pude ouvir Dimitri sussurrar próximo ao meu ouvido:
“Eu te amo.”
Dimitri. Dimitri. Di-mi-tri. Impossível não te amar também – meu irmão, meu sangue, minha metade.
Look into my eyes...
You will see what you mean to me
Search your heart, search your soul
And, when you find me there, you'll search no more
Don't tell me it's not worth trying for...
You can't tell me it's not worth dying for...
You know it's true: everything I do, I do it for you...
Notas finais
.
Obrigada a quem comentou último cap.: Bruna Uzumaki, Guima, Alice, Nora Norram, JSAeVM, Dark Lace, Vilma Drumond, Luca Soares, Sally Black, konichiwaclara, Bellakun, Nanda Chan, Rafaella Lima, Lilian Hummel, Lady Jun, Nath, Lucca James!
.
Beijos! ♥
ps.: usem camisinha, seus safados. ;*
Fale com o autor