A Cor Da Chuva

15 Capítulo 14 _ Dimitri Parte II


Notas iniciais
Agradeço IMENSAMENTE à Álefe, konichiwaclara e Marymee pelas recomendações. Me mataram de felicidade, sendo sincera, jamais esperaria que essa história recebesse tantas recomendações! OBRIGADA! :D

Eu estava sentado ao balcão da cozinha americana, em estilo rústico, lendo uma revista sobre administração e forrando o estômago com uns cereais com leite naquele final de tarde, quando escutei uma barulheira na escada e então o som de rodas de skate arranhando o piso da casa.

Revirei os olhos quando Diego chegou à cozinha, andando displicente naquilo, e evitei olhá-lo ao dizer:

“A Lydia vai ficar puta da cara contigo. Você sabe que não é pra andar com isso pela casa.” Meu tom saiu monocórdio e meus olhos continuaram voltados para a revista, porém minha visão periférica captava contra minha vontade a imagem do Diego.

Ele saiu de cima do skate e pisou na parte de trás dele para erguê-lo rapidamente e apoiá-lo no balcão longo que havia contra a parede. Apenas deu de ombros, ignorando-me ao seguir para a geladeira. Eu suspirei, enfim tirando meu olhar da revista.

Diego deveria estar tentando me torturar mascarado em inocência.

“O que está fazendo andando de skate só de bermuda pela casa?” Perguntei com meu olhar cravado em suas costas quando abriu o refrigerador e pegou dali um picolé de uva. Era seu sabor preferido, e também o meu preferido.

Eu ainda me lembrava de quando havia comprado um para ele quando não tinha nem dois anos. Depois disso, Diego raramente se interessava por algum outro sabor.

“Não torra, é domingo e ‘tá calor.” Diego rebateu, no tom típico de um moleque revoltado de treze anos, fechando o refrigerador e se voltando para minha direção, porém sem buscar qualquer contato visual. Ele vinha agindo assim, agressivo, desde três semanas atrás quando avisei sem nenhuma grande explicação que iria largar o judô.

Meu irmão ficou furioso e agora mal olhava na minha cara. Eu não sabia se isso era bom, ou ruim. Em meu inferno pessoal, eu não conseguia não olhar para ele. Aquele desfile apenas de bermuda – e uma bermuda curta, de ginástica – na minha frente não me ajudava em nada, apenas me causava uma sensação desagradável de secura na boca e nos lábios, e um formigamento no ventre e mais abaixo.

Diego tinha o corpo esguio, mas firme, marcado pela musculatura que os cinco anos de judô haviam lhe proporcionado. A pele era pálida, com poucos pelos dourados nos antebraços, e no momento havia um roxo amarelado em seu ombro por culpa de uma queda no judô.

“Vá colocar umas roupas.” Mandei mesmo sabendo que seria inútil ordenar-lhe qualquer coisa. Diego simplesmente se apoiou no balcão e abriu o picolé, levando-o à boca tão logo o tinha desnudado. Só então olhou para mim. Senti uma necessidade de correr dali antes que minha sanidade desse lugar a algo sombrio e desconhecido; algo que eu não queria conhecer.

Algo errado.

Aquelas três semanas vinham sendo as piores da minha vida. Uma culpa esmagadora e mordaz me consumia toda a vez que eu me pegava pensando em Diego, sonhando com ele, observando a maneira como caminhava, como seus lábios se moviam, como arrumava os cabelos ou se estirava despreocupadamente no sofá da sala para ler algum livro. Tudo nele, tudo, absolutamente tudo, me atraía a atenção e me absorvia por completo num vício interminável.

Não ouse tocar no Diego com essas mãos sujas.

Diego não tinha a mínima ideia do quanto eu queria conspurcá-lo com minhas mãos sujas.

“Não manda em mim.” Ele declarou rebelde, arrancando um pedaço do picolé com os dentes. A cor forte da uva arroxeou de leve seus lábios ligeiramente carnudos, deixando-os um brilho úmido quando colocou a língua para fora e capturou um pingo que teria escorrido para a mesa. Meu estômago se retorceu e eu voltei a olhar para a revista, sentindo o suor escorrer pela minha nuca. De fato estava quente. Quente demais.

“Sou teu irmão mais velho, é claro que mando em ti. Ainda mais quando a Lydia não está em casa.” Declarei colocando mais uma colherada de cereal na boca, olhando para revista sem absorver nada do que havia escrito ali. Diego se aproximou, parando ao meu lado e, quando dei por mim, arrancava a colher da minha mão.

“A mãe comprou esse cereal pra mim, sabia? Disse que tenho que cuidar da alimentação agora que estou competindo a valer.” Ele roubou uma colherada para si, como se tentasse me desafiar a brigar por um mísero cereal.

Lydia vinha mimando-o mais do que o normal. Aliás, ela vinha fazendo isso de maneira crescente desde que eu havia contado que era gay. Era como se agora apenas Diego fosse o filho perfeito que lhe restava e ela o colocasse num pedestal. Não à toa ele estava virando um adolescente bastante mimado, excessivamente protegido e com a falsa ideia de que governava aquela casa. Isso na verdade ele já achava desde que era um pivete e Rogério ainda estava vivo.

Eu e Lydia nos dávamos bem, tínhamos uma boa relação, mas no fundo a cumplicidade se esvaíra e nossa relação ainda carregava certa frieza. As palavras dela de três anos atrás me atormentavam mais do que nunca agora, e era impossível esquecer, ou não notar como ela algumas vezes parecia até mesmo tentar sutilmente afastar Diego de mim. Quando soube que eu largaria o judô, pareceu-me contente, apesar de tentar disfarçar. Ou quem sabe fosse eu quem estivesse ficando paranóico.

“Não vá virar aqueles idiotinhas esnobes só porque ganhou um campeonato importante.” Falei, pegando a colher de volta. Diego havia ganhado um torneio nacional para a faixa etária dele na última semana e vinha esfregando isso na minha cara. No fundo eu sabia que fazia isso para me instigar a voltar ao judô e ‘ganhar dele’, mas eu não voltaria. Não depois de conseguir uma ereção lutando com ele no tatame. “E vê se come esse picolé que já está derretendo todo.” Avisei.

Um pingo do picolé caiu no peito do Diego quando ele o levou à boca novamente, tentando reparar o dano, e escorreu chegando ao mamilo. Desviei o olhar novamente, irritado com a torrente de imagens que se passaram pela minha imaginação, as quais consistiam em eu puxando Diego pela cintura e capturando seu mamilo adocicado pela uva com a boca. Me levantei e fui despejar o resto de cereal no lixo, não sentindo mais nenhuma vontade de comer pela maneira como meu estômago se contorcia e minha garganta pulsava pelas batidas rápidas no peito.

“Não sou esnobe. Só estava comentando... Eu quero virar profissional, então tenho mesmo que me cuidar.” Diego rebateu, na defensiva, enquanto eu lavava o prato. Uma janela ampla ficava aberta bem acima do balcão da parede, enchendo a cozinha com os raios de sol do fim da tarde, que pareciam vir direto cegar-me as retinas. Talvez o melhor fosse mesmo ficar cego e não ter mais nenhuma tentação em forma de meu irmão caçula passeando perante meus olhos todos os dias.

“Certo.” Falei simplesmente, querendo ir pro meu quarto, pegar chave e carteira, e ir pro aeroporto de uma vez. Iria encontrar Afonso lá e me despedir. Alguns problemas haviam atrasado sua viagem, mas agora seria definitivo. Nós já havíamos terminado há alguns meses, mas continuávamos bons amigos enquanto nos restava tempo. Era difícil pensar que não o teria mais por perto. Fora meu melhor amigo, antes de namorado, desde os meus dez anos.

Quando me virei para sair da cozinha, Diego estava parado bem à minha frente. O encarei com uma sobrancelha erguida, notando sua expressão irritada e não gostando da forma como meu corpo reagiu àquilo. Por que todas as expressões do Diego tinham de mexer comigo?

“Qual o seu problema?” Diego perguntou, empurrando-me de leve e deixando-me confuso.

“O que quer dizer?”

“Primeiro você larga o judô, e desde então não conversa mais direito comigo, mal olha pra minha cara e parece fugir toda a vez que temos um tempo sozinhos!” Despejou aproximando-se mais, erguendo a cabeça para me olhar nos olhos. Quis fugir de seu contato visual, sentindo-me tremer por dentro por ele ter percebido tudo isso, mas se o fizesse, apenas confirmaria suas palavras. Eu era assim tão óbvio? Quanto tempo demoraria então para que ele descobrisse o que realmente se passava? O pensamento deixou-me à beira do pânico.

Um arrepio forte subiu pela minha coluna quando Diego me abraçou pela cintura, colando-se a mim e apoiando o queixo no meu peito.

“Me diz o que eu fiz de errado, Dimi...” Pediu manhoso. Era incrível como mudava de rebelde para irritado, e então carinhoso em um espaço tão curto de tempo. “É porque você acha que eu estou virando um esnobe? Eu não me importo com as competições, eu só queria que você voltasse a treinar. Eu pensei-“

“Diego...” O interrompi, segurando seu rosto com ambas as minhas mãos e mantendo meus olhos nos dele. Suspirei e deixei-me inclinar, encostando minha testa na dele e fechando os olhos. “Não é isso... Eu sei que você ama competir, não precisa mentir quanto a isso. E nem parar. Eu adoro que você seja um campeão.” Escorreguei minhas mãos e acariciei seus cabelos finos, mais macios do que cetim.

“Então o que é?! Eu sei que eu devo ter feito alguma coisa. Não mente pra mim, Dimi.” Diego pediu, agarrando minha camiseta. Quando abri meus olhos, os dele estavam bem próximos, e eu voltei a me perguntar como suas íris podiam ser tão claras e bonitas, com um fino halo azul-escuro em suas bordas. Eu simplesmente amava aqueles olhos, e me doeu vê-los umedecerem com o brilho tênue das lágrimas.

Por minha culpa.

Dei a primeira desculpa que me veio à mente enquanto o afastava, antes que aqueles olhos me tragassem para mais perto e eu o consolasse com um beijo que apenas pioraria tudo.

“Afonso vai para a Alemanha hoje. Eu andava chateado com isso, desculpe se dei a entender que era algo com você.” Tentei passar por Diego, mas ele me segurou o braço. Quando olhei por cima do ombro, a expressão dele estava muito séria.

“Foi por isso que largou o judô?”

“Larguei o judô porque não é meu sonho, Diego. Agora que entrei na faculdade preciso me dedicar a outras coisas. Mas isso não quer dizer que não esteja torcendo por você tanto quanto antes.” Falei para amenizar sua mágoa e acariciei sua bochecha com as costas dos dedos. “Não acredita em mim?”

“Eu...” Ele hesitou, mordendo os lábios, mas então disse desviando o olhar: “Eu acredito. Desculpe, estou sendo egoísta. Sinto falta de treinar com você.”

“Você vai se acostumar.” Baguncei seus cabelos. “E leve esse skate daqui, antes que a Lydia chegue. Sabe que vai escutar umas poucas e boas quando ela ver esses riscos no chão.”

Diego fez uma careta, mas largou meu braço e pegou o skate, afastando-se. Eu observei sua silhueta, a cintura mais fina que os ombros, a bunda arrebitada levemente marcada na bermuda, e voltei a suspirar disfarçadamente, passando as mãos por meus cabelos e bagunçando-os. Eu era um péssimo irmão.

“Promete que é só isso mesmo?” Diego parou no meio do caminho e perguntou, sem se virar para mim.

“Sim.” Menti, na cara dura. Precisava mentir. Aquilo era algo que eu tinha de enterrar, que eu esperava ser apenas uma fase, uma maldita fase que não passaria de um sonho. Porque a maioria dos sonhos são facilmente esquecidos e, uma vez esquecidos, difíceis, senão impossíveis, de lembrar.

“Então mande um abraço pro Afonso.” Diego falou com os ombros enfim relaxados e, teimoso, colocou o skate no chão e, pegando impulso, subiu nele e sumiu pela casa, provavelmente indo para o pátio.

XxX

Havia bastante gente no aeroporto. Encontrei Afonso antes de ele ir despachar as malas. Havíamos combinado de encontrar-nos mais cedo e conversarmos um pouco num dos cafés no aeroporto. Agora ele estava na minha frente e, não pude deixar de perceber, algumas coisas nele me lembravam Diego. O formato dos lábios, a maciez dos cabelos, a cor da pele e o sorriso. Teriam esses pequenos detalhes inconscientemente me atraído? Não, quando começamos a namorar Diego era novo demais... Eu ainda o via somente como a um irmão.

Mas como eu o vejo agora?

“É difícil acreditar que você está mesmo indo...” Comentei, encostando-me mais na cadeira. “Acho que é o único amigo que tenho. Os outros são apenas companheiros de momentos.”

Afonso soltou uma risada breve e passou a mão pelos cachos cor de areia. Ele também havia crescido nos últimos anos. Era quase da minha altura e, desde que começara a malhar, seu corpo de desenvolvera, deixando-o mais musculoso, ainda que continuasse esbelto. Era um adolescente bonito, cuja barba por fazer o ajudava a parecer mais velho, e provavelmente se tornaria um homem ainda mais bonito.

“Você é alguém difícil de conquistar.” Brincou. “Tão fechado em si mesmo, raramente contando aos outros sobre seus problemas, seus medos. Se você baixar um pouco a guarda, conseguirá facilmente fazer novos amigos, sabia?”

“Está aí o porquê de querer fazer psiquiatria.” Revirei os olhos. Afonso faria medicina na Alemanha. Já havia sido aceito numa boa faculdade de lá e começaria na metade do ano. Já algum tempo ele estudava psicologia e psiquiatria por interesse próprio. Era um jovem aplicado e inteligente. Eu o admirava muito.

“A essas alturas, já deveria estar acostumado com isso.” Sorriu, apoiando os antebraços na mesa e se inclinando para frente. “Vou sentir muito a sua falta.”

“Vou sentir a sua também.” Falei, torcendo as mãos nervosamente sobre meu colo. Havia algo que queria dizer a ele, que era a única pessoa próxima o suficiente de mim. Eu queria ajuda de alguém para entender o que se passava comigo, ou simplesmente alguém para me escutar quando eu precisasse. Mas era difícil contar até para um melhor amigo que se está apaixonado pelo próprio irmão.

Porque eu não tinha dúvidas que estava apaixonado. Que a sequência natural de fatos se invertera. Normalmente apaixona-se antes de começar a amar. Com Diego, primeiro eu o amei, e então me apaixonei, e agora os dois sentimentos se misturavam como água e vento numa tempestade.

“O que foi?” Afonso percebeu minha apreensão. “Há algo que queira dizer? Sabe, mesmo que implore, não vou desistir dos meus planos.” Brincou novamente, tentando amenizar o clima tenso que eu instalei sem nem mesmo perceber. Puxei o ar e o soltei rapidamente, inclinando-me também para frente. Busquei a mão dele e a segurei sob a minha, sem me importar se isso poderia atrair olhares curiosos.

“Esse é um dos momentos raros que você comentou, em que compartilho algum medo ou problema. Há algo que eu preciso desabafar com um amigo. Algo que por três semanas vem me deixando maluco, confuso, incapaz de dormir ou relaxar. Estou com a sensação de que vou perder a razão em algum momento...” Admiti, deixando meu desespero vir à superfície pela primeira vez, tão bem escondido eu o mantinha. Afonso arregalou os olhos, adquirindo um semblante preocupado.

“O que houve, Dimitri?” Ele apertou minha mão em retorno. “Pode me contar qualquer coisa, mesmo que eu esteja viajando pro outro lado do mundo, ainda espero que possamos continuar sendo amigos e manter algum contato...”

“Não sei se vai querer manter contato comigo depois do que eu falar, mas justamente porque você está indo viajar que decidi me expor para você. Se sentir nojo de mim a ponto de nunca mais querer olhar na minha cara, será mais fácil, porque estará do outro lado do Atlântico.” Olhei firme para o rosto dele, preparando-me para os minutos seguintes.

Eu não sei como ele poderia me ajudar, mas não queria continuar passando por aquilo sozinho. Eu já havia passado por várias coisas sozinho, mas não aquilo. Aquilo era demais.

“Você é o único em quem confio.”

A expressão do Afonso era uma mistura de surpresa, perplexidade e confusão antes mesmo que eu lhe dissesse o que se passava. Senti receio de no que ela se transformaria dali a pouco. Afonso piscou e assentiu, umedecendo rapidamente o lábio inferior.

“Você pode confiar em mim. Eu jamais te julgaria, Dimitri. Você é uma pessoa maravilhosa.”

Eu gostava da maneira como Afonso conseguia ser sincero com as palavras. Quando ele gostava de alguém, não se importava em demonstrar com palavras, ou elogiar. O contrário também era verdadeiro, quando não gostava de alguém, não conseguia fingir simpatia, apesar de não ser grosseiro, apenas polidamente educado. Naquele momento, porém, suas palavras me fizeram sentir ainda pior.

Uma pessoa maravilhosa...

Esse seria o último adjetivo que eu me daria. Ou melhor, esse adjetivo nem estava mais na minha lista.

Eu havia pensado por horas na última noite em como diria aquilo, mas enrolar nunca fora meu forte, e tudo que eu queria era despejar aquilo, como se despejasse um pecado em um confessionário e esperasse, então, pela sentença. Uma sentença que dificilmente seria agradável ou condolente.

“Sinto desejo pelo meu irmão.” Falei, e esperei alguns segundos, para que Afonso digerisse aquilo. “Desejos sexuais. Eu... Estou apaixonado por ele. Eu amo ele. Amo mais do que consigo suportar.”

Estava feito.

Afonso permaneceu estático pelo que pareceram incontáveis minutos, encarando-me com os lábios entreabertos, os olhos claros sem piscar. Meu coração batia tão forte no peito que eu já me sentia passando mal, enjoado pela ansiedade da espera por alguma resposta. Quando começou a demorar demais, soltei a mão dele e me levantei.

“Entendo.” Disse, escondendo meu ressentimento, mesmo que soubesse que não merecia a aceitação, e sim a repugnância das pessoas.

Desejar o próprio irmão...

Onde eu estava com a cabeça?

“Tenha uma boa viagem, Afonso.”

“Dimitri!” Afonso pareceu acordar e segurou-me pelo pulso. ”Sente-se. Não fuja quando depois não vou poder ir atrás de você.”

Eu me sentei, como um culpado em um tribunal ainda que surpreso, e abaixei a cabeça, nervoso na espera do que ele diria. Afonso parecia ainda pior que eu, um peixe fora d’água, um padre num ritual pagão, qualquer coisa fora de foco ou perdida no tempo. Mas eu me sentia melhor por ele ter me impedido de ir.

“Dimitri... Eu nem sei o que dizer.” Afonso escondeu o rosto entre as mãos. “Eu tento não ter preconceitos porque, afinal, sou homossexual e já sofro bastante com o preconceito alheio. Mas isso... Eu nunca... Eu nunca pensei muito sobre o assunto, mas sempre achei algo inaceitável.”

Eu apertei meus punhos sobre a mesa, sentindo uma raiva que não era direcionada a ele.

Uma raiva sem direção.

“E você acha que eu acho aceitável? Que antes disso eu ouviria falar sobre dois irmãos tendo relações e acharia normal?” Perguntei, retórico. “Acha que não me sinto doente?”

“Dimitri, acalme-se.” Afonso pediu, e só então notei que alterara meu tom de voz. Tentei relaxar, desviando o olhar. “Desculpe por não conseguir aceitar facilmente. Eu não estava esperando por isso! Meu Deus, mesmo que a relação de vocês fosse uma das mais próximas que eu já vi, eu jamais pensaria... Dimitri, quando isso começou?”

“Eu percebi e se tornou insustentável há umas três semanas, mas se eu parar pra pensar, já havia começado há mais de um ano.” Murmurei com um aperto no peito. Havia pesquisado na internet sobre incesto, olhado por cima os comentários sobre o assunto em fóruns e outros lugares. A maioria esmagadora das pessoas tinha uma única opinião: O incesto é abominável em qualquer forma que seja.

“Seu irmão sabe sobre isso?” Afonso perguntou, com cuidado. Estava medindo as palavras, como fazia quando ficava desconfortável. Me senti culpado por colocá-lo naquela situação, mas se ele conseguisse aceitar minimamente... E pudéssemos talvez continuar mantendo contato por email, seria o melhor para mim. Eu sucumbiria sem nenhuma ajuda, e era a primeira vez que eu tinha uma sensação como essa.

“É claro que não.” Resmunguei, contrariado, cruzando meus braços sobre o peito. “Ele nem ao menos beijou na boca ainda, pelo que sei. Mal entrou na adolescência e não é homossexual. Como poderia falar qualquer coisa sobre isso para ele?”

“Eu não sei, Dimitri...” Afonso passou a mão pelos lábios e queixo. “Eu não sei. Eu só sei de uma coisa, algo que passei a pensar em relação à homossexualidade a partir do momento em que me aceitei e, parando para pensar, se aplica bem para o momento.”

Eu o aguardei organizar as palavras.

“Veja bem, tudo que é chamado de imoral é assim considerado por não ser algo aceito pela sociedade. Já algo antiético pode ser qualquer tipo de coisa que causa dano às pessoas envolvidas. No entanto tudo é dependente da época e cultura em que se vive. Homossexualidade já foi vista como algo comum em outros tempos e outras culturas. Penso então que se uma pessoa está plenamente ciente do que esteja fazendo e aceite relacionar-se sexualmente com quem quer que seja, sem nenhum constrangimento, mesmo que seja um adolescente, isso não pode ser considerado antiético. Logo uma relação homossexual também não é, se todos estiverem cientes e optarem livremente por ela. Acho que isso funciona também para poligamia, por exemplo, e até para o incesto.” Afonso terminou tudo com um ar abatido, como se lutasse com seus próprios conceitos. Ele voltou a esfregar o rosto, cansado. “Droga, Dimitri! Você me coloca numa situação em que me vejo como um hipócrita! Porque... É impossível evitar um amor secreto uma vez que ele se estabelece, e isso certamente não pode ser considerado errado, imoral, ou antiético.”

“Então... Qual sua palavra final?” Perguntei, confuso com todo aquele discurso.

Tudo aquilo era bonito em palavras e, eu tinha de admitir, me acalmou quando eu parecia prestes a explodir em uma supernova, mas ainda assim estava ali – a dificuldade em aceitar estava nos olhos de Afonso. Era o meu próprio reflexo em olhos alheios.

Afonso mordeu os lábios.

“Eu também sou um hipócrita, Afonso. Eu concordo com você e, ainda assim... Preferia mil vezes amar o Diego apenas fraternalmente.” Falei, quebrando o silêncio.

Afonso concordou, parecendo um pouco distante, pensando consigo próprio. Ele também sempre havia sido uma pessoa muito compreensiva e reflexiva, outro motivo porque eu havia decidido contar àquilo a ele. Se ele não pudesse aceitar, ninguém mais poderia. Eu nunca me sentira tão depende da opinião de outra pessoa, que não a minha, como naquele momento.

“Minha palavra final é que não tenho palavra final. Não me peça para dar uma opinião quanto a isso quando tenho tão pouco tempo para pensar, Dimitri!” Disse, exaltando-se. “Que droga. Eu não quero te julgar. Eu te amo, Dimitri! Você é meu melhor amigo, foi quem me ajudou a descobrir minha sexualidade e aceitá-la...” Ele voltou a procurar minha mão e a apertou com força. “Vamos manter contato. Mantenha-me informado sobre seus sentimentos, e as coisas relacionadas a isso. Vou tentar te ajudar da melhor forma, vou ler mais sobre o assunto, não sei, qualquer coisa! Eu só estou... Muito surpreso agora.”

“Obrigado.” Falei, apertando a mão dele em retorno, com um carinho suave. Fora melhor do que eu esperava, para falar a verdade. Nós saímos do café pouco depois e eu o acompanhei até o máximo onde poderia chegar sem uma passagem. Afonso me abraçou forte na despedida, quando já havia outras pessoas ali com ele, um amigo que iria junto e as famílias de ambos.

“Escuta, Dimitri. Não se ache uma pessoa ruim por isso. Esqueça tudo, esqueça essa nossa sociedade hipócrita e cheia de preconceitos, como você me disse uma vez para esquecer quando me preocupei por ser gay. Mas não esqueça que dessa vez há outra pessoa envolvida nisso, que a decisão não é apenas sua... Que tudo que for difícil para você, também será para o Diego, que você precisa sempre respeitar as decisões e a individualidade dele.” Afonso se afastou e acariciou meu rosto, com um sorriso fraco. “Droga, eu vou sentir muito a tua falta.”

“Você é mesmo estranho, Afonso... Como pode estar aceitando isso tão fácil?” Perguntei, sem conseguir acreditar. “Nem eu consigo aceitar...”

“Estou tentando te ajudar como me ajudou. O que eu sei de você é pelo que conheci nesses vários anos, e em nenhum momento você me deu motivos para te achar ruim, censurável, doente, o que for que você possa achar que é. Caramba, não, eu não estou aceitando fácil. Eu estou me forçando aqui, se quer saber, porque... Eu só quero que você seja feliz, com ou sem o seu irmão. E sinceramente, espero que consiga sem ele, para que as coisas não sejam tão difíceis até isso se resolver, porque nunca vão ser, mesmo que vocês fiquem juntos...”

“Você está começando a piorar as coisas. Estava indo bem até então.” Tentei brincar, mas minha voz saiu falha e eu notei que algumas lágrimas haviam me escapado, assim como escaparam dos olhos de Afonso. Ele riu e segurou meu rosto e, sem se importar, me deu um selinho prolongado, carregado de sentimentos de despedida.

“Faça algo por você, Dimitri: aceite-se. Poucos serão os que aceitarão, ou compreenderão. Então seja o cara forte que não se importa com a opinião alheia e não se odeie. Dê ao menos isso para si mesmo. E foda-se o resto.”

Deixando-me sem palavras, Afonso pegou as malas, despediu-se dos pais e atravessou a catraca, seguindo para a Alemanha e seu sonho. Acho que eu nunca mais encontraria na vida alguém tão incrível e especial como ele, e mais do que nunca sua partida me entristeceu.

Eu esperava que ele fizesse ideia do quanto suas palavras me ajudariam a partir daquele dia.

XxX

“Você deveria casar de novo, mãe.” Diego falou para Lydia, enquanto assistíamos a um filme na TV por assinatura.

Lydia olhou surpresa para Diego, o comentário sendo tão aleatório. Na verdade, Diego contava-nos sobre a garota em quem estava de olho, uma tal de Gisela. Eu me remexia no sofá desconfortável, e fiquei aliviado por o assunto desviar-se para Lydia.

“Ou encontrar um namorado, sei lá! Você não namora desde a morte do pai... Mas você é nova ainda, mãe. E bonita. Poderia encontrar outra pessoa.” Diego tagarelou, metendo pipoca na boca. Lydia estava com 45 anos, era alta, esguia, e se cuidava, mas há cinco anos não fazia nada além de trabalhar e dedicar-se aos filhos como conseguia.

E por falar em filhos, eu e ela vínhamos conversando muito sobre a ideia de colocar a Fernanda em uma clínica de reabilitação. Há alguns dias Fernanda havia, incrivelmente, me pedido para ajudá-la. Mesmo que o pedido viesse em momentos raros de lucidez, e ela voltasse atrás depois, foi algo que me chamou atenção.

Nós havíamos decidido por interná-la, mesmo que à força, numa clínica. Há um pouco mais de ano que a situação se tornara verdadeiramente insustentável, já que Fernanda começara a envolver-se com pessoas perigosas e a drogar-se mais do que com apenas maconha e outras porcarias mais leves.

“Minhas preocupações no momento são outras, Diego.” Lydia comentou, balançando a cabeça com um sorriso suave, contente com os elogios do caçula. “Já tive dois grandes amores da minha vida. Não sei se meu coração aguentaria um terceiro... Ou perder um terceiro.”

Diego ficou sério e pensativo. Encostou a cabeça no ombro de Lydia e pegou a mão dela.

“Tudo bem então. Por enquanto eu e o Dimitri seremos os seus amores.” A beijou na bochecha e a abraçou. “Mas eu vi o gerente da loja do centro de olho em ti, hein!” Provocou, abrindo um sorriso sarcástico.

“Diego!” Lydia o repreendeu. “Não diga bobagens, ele tem uns trinta anos.”

“E daí? Melhor que aquele velhote de mais de sessenta que deu em cima de ti no aniversário da tia Mira!”

“Hei! Calem a boca, estou tentando ver o filme.” Falei, aumentando o volume. Aqueles momentos ‘família’ me pareciam estranhos. Eu começava e me sentir deslocado naquela casa, como se eu não pudesse estar ali, não merecesse já que não me sentia unicamente irmão de Diego, e nem ao menos conseguia chamar a Lydia de mãe.

Diego reclamou e ainda continuou a tagarelar. Raramente conseguia ficar completamente quieto durante um filme, o que o tornava companhia insuportável para esse tipo de coisa. No fundo eu gostava disso nele. Mas naquela noite saí da sala antes que o filme terminasse, alegando estar achando-o ruim.

Fui para o meu quarto, recolhendo-me cedo, antes das dez.

Tinha um trabalho da faculdade para fazer, mas decidi deixar pro dia seguinte. Tomei um banho demorado, querendo apenas me deitar tão logo colocasse um pijama. O dia seguinte ao menos era feriado, poderia descansar um pouco já que o clima estava feio, de chuva, e eu dificilmente sairia de casa. Toda aquela tensão mental de agir naturalmente com Diego, enquanto por dentro queimava pela vontade de abraçá-lo, beijá-lo, admitir como me sentia, era estafante, cansativa. Precisava estar alerta e ser cuidadoso a todo o momento em que estava com ele; não era natural como antes, e isso me entristecia pouco a pouco.

Havia duas semanas que Afonso partira e nós já havíamos trocado alguns emails, porém nenhum deles sobre Diego. Eram emails mais sobre a Alemanha, a nova vida dele ali, a minha faculdade. Ele provavelmente estava esperando que eu entrasse no assunto, mas eu estava postergando isso também.

Quando saí do quarto, Diego estava na minha cama, já com um pijama cinza e lendo uma revistinha da turma da Mônica de bruços no colchão.

“Que banho demorado... Demorou mais do que eu!” Diego falou, erguendo a cabeça da revista. “Estava pensando que faz tempo que não dormimos juntos. Você tem de me contar mais sobre a faculdade. Desde que a começou não me contou nada. Como são seus novos amigos?”

“Diego... Estou cansado hoje. Vá pro seu quarto.” Falei, realmente esgotado. Não o queria na minha cama. Não era uma boa ideia. Não era seguro. Era até mesmo apavorante a ideia de tê-lo dormindo junto comigo quando eu sonhava a noite com nós dois em momentos íntimos.

Diego não ficou feliz com as minhas palavras.

“Droga, Dimitri! Você falou que era por causa do Afonso, mas ele já foi embora e você continua igual!” Ele se ajoelhou na cama. “Não vou sair daqui.” Decretou e se enfiou embaixo dos lençóis, virando para o lado oposto ao que eu estava. Eu suspirei sabendo que não teria como tirá-lo daqui sem criar um grande estresse.

Desliguei a luz e deitei também.

“Só tente não se mexer muito.” Pedi, ficando bem longe dele, olhando para o teto com meu corpo tenso, suprimindo minha vontade de puxá-lo e abraçá-lo, como costumava fazer antes.

Diego fez isso por mim. Se aproximou e se aconchegou contra meu corpo, acomodando a cabeça sobre meu braço.

“É verdade que vão internar a Fernanda?” Perguntou, num tom baixo.

“Acho que sim. A situação não pode continuar como está, ou ela vai acabar se matando...”

Diego não disse mais nada, apenas assentiu de leve e, depois de um tempo, estava ressonando baixinho. Eu me encontrava incapaz de relaxar e dormir. Estava tão consciente do corpo e calor do meu irmão, que poderia fechar os olhos e continuar vendo-o através de minhas pálpebras, todos os detalhes secretos de seu corpo.

Em algum momento Diego se mexeu no sono e passou uma perna por cima da minha cintura, enquanto me abraçava com mais força. Olhei para o relógio e vi que já passava da meia noite. Eu quis levantar e tomar um banho frio porque, de um modo muito estúpido, apenas aquilo conseguira me excitar.

Há quantas semanas eu não sentia Diego tão próximo a mim?

Só que ao mesmo tempo em que me sentia em meio a um martírio, não conseguia me mover, incapaz de me afastar daquele contato. Acabei virando de lado para Diego e o abraçando pela cintura, trazendo-o para perto de mim. Meu pênis havia endurecido e eu sabia que deveria nos apartar... Mas meus membros não me obedeciam. Fiquei olhando para Diego enquanto dormia, não ousando tocá-lo mais do que na cintura. Ele ainda tinha uma perna por cima de mim, enroscada entre as minhas.

De novo eu perdi a noção do tempo, apenas olhando-o, amando-o... Deixando meus dedos acariciarem o contorno delicado de seu quadril. Diego tinha um sono pesado, não acordava com toques leves ou sons não muito altos, de modo que me perdi tocando seu rosto e cabelos, seu braço e cintura. Teria ficado assim por toda a madrugada, admirando o semblante angelical, não fosse a respiração dele começar a acelerar e seu sono tornar-se mais agitado.

Pensei que ele estava tendo um pesadelo, ou que iria acordar, mas no lugar disso Diego se aproximou ainda mais de mim, colando nossos corpos com um gemido fraco. A partir daí foi como se uma névoa anestesiante entrasse no quarto. Diego roçou-se contra mim, e eu pude sentir sua ereção contra meu abdômen através do pijama fino. Olhei para ele, assustado, achando que estava acordado, mas percebi que ainda dormia, os olhos fechados, os lábios cheios entreabertos e a respiração nervosa.

Diego tinha treze anos.

E estava tendo um sonho molhado.

Levante. Afaste-se dele. Minha mente determinou, mas de novo meu corpo não obedeceu. Minha própria ereção virou pedra e o puxei mais contra mim, perdendo-me naquelas sensações. As portas do inferno se abriam para mim e as chamas eram convidativas demais para que eu as negasse arderem meu corpo. Diego gemeu fraco de novo, perdido em seus próprios devaneios e sonhos, e eu fechei os olhos, abraçando-o trêmulo, com medo que ele acordasse.

Meus lábios pararam no pescoço de Diego.

Senti a pele fina, o aroma que me lembrava um pomar de laranjeiras. Eu era viciado naquele cheiro, e tentei sentir-lhe o gosto ao lamber aquele pedaço de fruta proibida. Diego gemeu de novo, deixando-me perplexo com a perfeição daquele som. Quis ouvi-lo gemer mais, mais alto, gemer contra meu ouvido, chamar meu nome.

Afaste-se dele. Afaste-se dele...

O que fui foi afastar o pijama de seu ombro e beijá-lo ali. Minha ereção latejava enquanto Diego acidentalmente roçava a coxa contra ela. Estaria eu na verdade sonhando? Outro dos vários sonhos que vinham me assolando nos últimos tempos? Poderia avançar o sinal que depois simplesmente acordaria e poderia me culpar à vontade, mesmo que os danos não fossem reais?

“Aaah, não...” Diego gemeu e se virou, ficando de costas para mim, mas se mantendo colado ao meu corpo. Ele começava a suar com a agitação do sonho, ainda respirando pela boca como se houvesse corrido uma maratona. Esfregava uma perna contra a outra, parecendo em busca de alívio.

Não faça, Dimitri. Não faça. Pensei quando Diego segurou meu pulso e empurrou para baixo minha mão em sua barriga. Era um reflexo involuntário, ele não estava de fato pedindo para que eu fizesse aquilo. Eu não deveria. Era assédio, eu seria tão baixo quanto os pais que abusavam dos filhos pequenos. Mas os glúteos do Diego roçavam contra minha ereção, ele gemia baixo, e minha mão escorregou para dentro da calça larga do pijama cinzento.

A respiração de Diego ficou em suspenso enquanto eu o tocava, com um nervosismo enorme, uma culpa gigantesca, e um prazer imensurável. Ele arqueou as costas, de olhos apertados, e com isso pressionou-se mais contra meu pênis. Eu gemi também, agoniado, acelerando o ritmo da minha mão, mirando-o com o pânico que acordasse e a satisfação por vê-lo sentindo tanto prazer. Diego gozou rápido com aquilo, seu corpo amolecendo por inteiro, e eu me afastei tão logo aconteceu.

Diego parecia desmaiado na cama quando me levantei, me afastando de costas alguns passos como quem vê um fantasma, mas não tem coragem o suficiente para correr. Fui para o banheiro e me masturbei, e o orgasmo apenas me deixou miserável. Depois lavei as mãos, me olhando no espelho e não me reconhecendo.

Não ouse tocar no Diego com essas mãos sujas.

Lavei novamente as mãos.

O que eu havia feito?

Não podia ter feito aquilo! Havia abusado de Diego e ele nem sequer sabia disso! Voltei para o quarto suando frio e me recusei a olhar para Diego pelo medo de algum instinto primitivo em mim sentir-se satisfeito por tê-lo na minha cama, exausto pelo orgasmo, como um amante adormecido...

Sentei na escrivaninha para ligar meu notebook, vendo-me obrigado a escrever um email para Afonso.

No dia seguinte, suas palavras foram peremptórias nas últimas linhas da longa resposta.

Dimitri, o que quero dizer é isso que você fez não foi certo, a convivência e proximidade extremas com Diego estão te fazendo perder o controle. Meu conselho é este: encontre outro lugar para morar. Afaste-se um pouco, ponha as ideias no lugar, busque um equilíbrio antes que acabe em um redemoinho de culpa e ressentimento que estragará, talvez em definitivo, a relação fraternal de vocês.

Naquele mesmo dia, comecei a procurar um apartamento à venda, ou para alugar.

Notas finais
Galeria:; http://www.flickr.com/photos/93271186@N02/sets/72157634532774264/with/8996705177/
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Ok, eu não ia postar agora, minha ideia era terminar a história antes de voltar à postá-la, mas eu PRECISO da opinião de vocês pro próximo cap.! Ele AINDA será narrado pelo Dimitri, porque, como podem ver, o cap. ficou grande e tive de dividir de novo. Mas quero saber se vocês querem cenas que já aconteceram na visão dele, ou se só querem as cenas novas! Me digam isso em review, por favor. Isso é algo que prefiro escrever ao gosto de vocês, já que para mim tanto faz, heehehe! :)
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Outra coisa, eu andei relendo a história e vi que ela tinha MUITOS errinhos de continuidade. Então, ajeitei-os e vou colocar alguns pontos aqui:
-Diego competiu no mundial no ano atual da história, mais ou menos por maio (apesar de esses campeonatos acontecerem geralmente em agosto, mas vamos ignorar isso). A história inicia-se ali por junho.
-Próximo ano Diego irá competir o Pan-americano e, no ano seguinte a isso, as Olimpíadas. É o sonho dele.
-Diego entrou para o judô aos oito anos. Logo ele já começou a competir, mas em campeonatos juvenis, bobinhos. Aos dez competiu mais, mas somente aos treze a coisa se tornou mais séria, não apenas brincadeira de criança.
-Tinha colocado no início que a Fernanda pensava em fazer Enfermagem, e ela queria, mas estava em dúvida, e optou por continuar os negócios da mãe.
-Isso não errei, mas só pra ficar mais claro: Fernanda aos 14 começou a fumar, aos 15 fumar maconha. Aos 17 é que a família realmente notou que a coisa estava ficando séria. E pelos 18 ela começou a usar coisas bem pesadas. Até que perto dos 20 anos dela, eles a internaram. Ela ficou internada por dois anos, e depois mais dois anos em tratamento psiquiátrico, psicológico, até resolver dar andamento pra vida.
-Uma coisa: Dimitri nunca contou para ninguém que namorou o Afonso. Por isso o Diego nunca falou disso, ele achava que o Afonso era só amigo do Dimitri...
Ok, é isso, obrigada por relevarem meus errinhos, anjos! Beijos! ♥