A Constante da Bad

8 Capítulo 8 - Xama o Xhamu.


Notas iniciais
Entendam que os erros no título foram propositais.

Da mesma forma que tudo sumiu diante dos meus olhos, tudo voltou. Foi clareando, clareando até finalmente eu ter uma visão completa. Estava em um lugar todo branco, meu corpo estava deitado. Será que eu morri? Eu estou no céu? Preciso me levantar.

E então meu corpo começou a doer de uma forma incontrolável e eu cai no chão e soltei um urro de dor, e aí, percebi que não estava no céu, muito pelo contrário, estava em um inferno, um inferno chamado hospital. E então uma voz que eu conhecia, mas, eu não conseguia reconhecer gritou no corredor:

– ENFERMEIRA! ELE ACORDOU! ELE CAIU NO CHÃO!

E nisso veio mais duas enfermeiras e dois enfermeiros me colocarem na cama de novo. Eu ainda estava meio zonzo, tentando entender o que raios estava acontecendo... E então, no meu campo de visão, puder ver o Vinny. Quase sem forças, peguei na mão ele, olhei nos olhos dele e meio molenga disse:

–Vi-Vi-Vinny... O-Obrigado...

– Não Gan, nada de obrigado, nada mais justo do que eu vir ver como você estava, você apanhou por minha causa e por causa do meu irmão, então, eu tinha que vir ver como você estava. Você é importante pra mim Gan, como eu ficaria pensando que você levou aquela surra por minha causa, e eu estava em casa jogando Playstation? Não, não, não. Estou aqui a quase quatro dias já, só esperando você...

E então apaguei.

Quando dormi novamente, parecia que eu continuava a enxergar a sala só que, eu continuava a dormir. Eu via o Vinny na cadeira de parentes, com um celular nas mãos, e então, o Raffael entrava na sala. Eles se cumprimentavam com um selinho, depois eles se beijavam de forma muito fogosa. Eles fecham a porta e se pegam de forma mais constante. E então eu acordo, mas fico na paralisia de sono... Não consigo me mexer... Estou acordado, mas estou dormindo ao mesmo tempo, e fico naquela dúvida tentando entender o que está acontecendo.

E o que mais me aterrorizou até hoje aconteceu.

Eu tentava gritar, forçava minhas cordas vocais a produzirem o máximo de som, no tom mais alto possível, mas nenhum som saia. As pessoas ali conversavam naturalmente, como se nada estivesse acontecendo, ouvia minha mãe falando com o Vinny, mas não entendia ao certo o que ela dizia para ele. E então, eu vi uma criatura. Ele parecia ser feito todo de pano, com a boca costurada e os olhos dele eram vazios, e quando ele foi para cima de mim, eles começaram a vazar e caíam em mim. Eu não conseguia entender: isso era um sonho? Um pesadelo? Estava mesmo acontecendo? Era outra realidade? Eu só sentia aquilo e sabia que o que estava acontecendo comigo, eu estava consciente do que estava acontecendo, mas, eu não conseguia diferenciar se é real ou não. Eu tentava gritar, mas não conseguia, tentava me mexer, mas não conseguia, eu estava ficando desesperado, o que eu faria? A coisa se moveu para cima de mim e por mais que seu rosto não pudesse ter muita expressão, eu notava que ele estava rindo. ELE ESTAVA RINDO DE MIM! Mas, por quê? O que eu fiz para merecer isso? E então a coisa veio para o meu lado e sussurrou três nomes que me deixaram desesperado: “Jesus Antônio Cardoso”. Será que ele era o Jesus que morreu e ficou daquela forma? Não, não pode ser eu duvido essas coisas não existem.

E então, o único membro do meu corpo que eu queria que se movesse se moveu: minhas pálpebras. Elas se fecharam e logo se abriram novamente, e eu saltei da cama com um berro. O Vinny veio me abraçar desesperado com o que tinha acontecido. Eu só conseguia chorar, gritar, espernear, eu podia tentar explicar o que tinha acontecido, mas, como você pode explicar uma coisa que nem você entende o que aconteceu?

Ficamos quase uma hora abraçados quando o Dr. Tate veio ver o que havia acontecido, como eu estava, como minha pressão estava, coisas assim...

– Olá Ganesha, como você está?

– Ótimo. Só internado com todos os meus ossos doendo e tendo mais pesadelos que qualquer outra coisa e isso me impedindo de dormir, mas tirando isso, ótimo.

Ele riu.

– Isso deve estar sendo causado por uns dos remédios que estamos injetando em você para que fique melhor. Uma das coisas que poderia acontecer é pesadelos, mas fique tranquilo, hoje é o ultimo dia que o colocaremos em você, depois dessa dose – Disse ele injetando algo no tubo – Você voltará a ter seus sonhos normais.

A minha mãe entrou no cômodo correndo com um copo da Starbucks na mão. Parece que ela estava realmente se divertindo enquanto eu estava apagado.

– Oi filho! Como você está? Eu e seu pai só fomos ali comprar um café para ficarmos mais tempo acordados.

– Estou internado e não sei o porque.

– Ele não se lembra, Doutor? – Meu pai perguntou – Eu achei que ele se lembraria, afinal, ele apagou um tempo depois.

– Devem ter batido com muita força na cabeça dele, porque se ele não se lembra, ele teve algum tipo de amnésia. Qual é a ultima coisa fora do hospital que você se lembra?

– Eu estava saindo de casa, indo para a escola e resolvi ir pela rua, porque por mais que ela fosse um pouco mais deserta era mais perto. Como nenhuma amiga minha ia pra escola, resolvi ir pelo caminho mais curto... E aí eu apaguei e só me lembro quando acordei aqui e... E caí da cama.

– De qualquer forma, você ainda está melhor que seu companheiro aqui do lado, ele tentou introduzir um pepino no anus e ele quebrou lá dentro. Ele vai ter que passar por uma cirurgia para removê-lo.

– Doutor, você poderia por favor explicar pra ele só o porque dele estar internado, por gentileza?

– Tudo bem. Quando chamaram o Samu, você estava caído no chão, envolto em uma pequena poça de sangue. Os vizinhos dizem que vários meninos agrediram você por algum motivo, mas ninguém sabe dizer ao certo.

– Certo, e quanto tempo vou ficar aqui?

– Isso é muito relativo. Você não quebrou nenhum osso, mas está com vários músculos danificados, então, no mínimo vamos pedir pra você ficar por aqui uma semana.

– Êh Gan, acho que você está evitando ir assistir Man of Steel comigo... Se você não queria ir assistir era só me dizer né?

E nós dois demos risada.

Notas finais
Peço o favor que entre em contato comigo para que eu saiba se devo continuar a história ou não . Facebook: Vinícius André Junqueira Email: viihzin@hotmail.com, eu ficaria muito grato. De verdade.