A Constante da Bad
9 Capítulo 9 - Na casa de Jesus não existe Satanás.
Notas iniciais
Branco...
Como eu odeio o branco, principalmente depois de ficar uma semana infernal, socado naquele hospital de merda. Veja, eu fiquei sete dias internado com dores no corpo todos os dias, eu não podia (nem conseguia muito) me mexer, afinal, ele estava todo lesionado, eu não podia comer comida como gente normal faz, tinha que comer aquele mijo misturado com merda e um pouquinho de vômito que eles misturam, as visitas tinham um horário pra vir e um horário para ir embora, apenas uma pessoa podia ficar comigo no quarto durante a noite. (e por mais que eu ache errado, foi o Vinny que ficou todos os dias. Minha mãe que devia ter tomado a iniciativa de ficar internada comigo, não ele, ele não tinha culpa nenhuma, o irmão dele tinha). Fora que a gente não consegue dormir quando se está internado, porque de meia em meia hora, vem uma bendita enfermeira medir sua pressão, ver como você está, tirar seu sangue, colocar novos remédios e por assim vai.
Imagina uma mulher mexendo no seu braço... Às duas da manhã. Filha, você não tem família? Você não tem mais o que fazer pra ficar vindo socar agulhas no meu braço? Você tá bem louca? Como eu estava muito dopado nem falava nada, porque eu sabia que se eu falasse algo, mais dopado do que eu já estou, eu ficaria, então me mantive em silêncio apenas. E como eu odeio essa roupa cara, que lixo, eu prefiro ficar nu. Não, mentira, não é pra tanto, só queria poder usar uma cueca sem que viesse uma mulher gritando loucamente comigo dizendo que não posso usar. CARA! É SÓ UMA FUCKING CUECA! UMA CUECA! Pro meu pau não ficar balançando de um lado pro outro aqui dentro mano. Se você não tem um pau, não sabe como é chato aquele negócio ficar indo de um lado pro outro. Irrita muito. E marca, sabe? Então é muito ruim. Sem contar que o Vinny já deve ter visto minha bunda, o que em partes é bom, mas por outras é ruim cara, a gente só se beijou três vezes e ele já viu minha bunda. Porra!
E outra coisa que agradeço todos os dias era que minha mãe levou um cobertor meu pra eu dormir, porque se eu tivesse que usar um daqueles do hospital com cheiro de defunto, meu amor, eu ia lavar na pia e estender na janela porque eu não sou obrigado a usar esse cobertor com cheiro de necrotério. Em nome da santa Germanota, eu sou obrigado? Não, não sou. Não sou obrigado a nada, a nada.
Apenas, não estou disposta.
Mas não tomei aquele mix de mijo, merda e vômito todos os dias. No penúltimo dia que fiquei no inferno eles começaram a me servir comida... Com talheres de plástico. O que é que custa me darem uma merda de talher de ferro? É tão difícil assim? Acham que o quê? Que eu vou me matar com uma faca de ferro? Se eu quiser me matar eu pulo pela janela, gata. Mais rápido e fácil. Muito menos doloroso. Se bem que minha janela aqui, no oitavo andar, tem grades. Não acho que seja pra impedir de entrarem, e sim impedir de saírem. Mas eu não pularia, não não, não pularia, não antes de dar pro crush, porque né. Sabe a listinha de objetivos na vida:
– Viva feliz;
–> Plante uma árvore;
–> Seja bondoso e carinhoso com o próximo;
–> E dê para o crush. Dê muito. Dê até o ponto de seu cu ficar tão largo que fique parecendo uma pepeca.
O Vinny sempre conversava comigo, ele vinha, ficava em pé ao lado da cama, segurava minha mão e sempre puxava qualquer assunto, sobre qualquer coisa, independente do que fosse, ele sempre arrumava um assunto. Não ficávamos em silêncio um só minuto. Infelizmente, um fetiche meu não pode ser realizado, que era fazer sexo na cama de hospital, porque nem beijo a gente não dava. Eu não sabia quando minha mãe iria entrar por aquela porta. Imagina se ela entra bem quando o Vinny acabou de meter. Complicado né? Se ele tiver acabado de gozar até vai, mas logo no começo? Ele NUNCA mais iria querer transar comigo. NUNCA. Pior do que minha mãe, só se enfermeira flagrasse. Ai sim eu ia ficar com uma puta vergonha e querer morrer.
Embora nós tivéssemos conversas nesse nível, alguns sentimentos, até acontecimentos, fatos, ele até agora não me fez o pedido. Estou aguardando okay? Estou bem ansioso pra quando você vai fazer o pedido tá? Porque cara veja bem, ele só ficaria comigo no hospital, se ele realmente gostasse de mim, certo? Porque nenhuma amiga veio aqui ver como eu estava, se eu estava vivo. Nem o Matheus veio. Ainda bem, porque eu o estrangularia. Mas vê, nem a Tainá veio. Todos os dias de manhã eu inventava uma forma de me auto convencer de que, a Tainá só não veio me visitar por algum motivo muito foda, como ela ainda estar de luto, os pais não deixaram ela vir, os pais não deram dinheiro, ela quebrou a perna, ela está em depressão e não sai de casa, porque, se ela só não veio me visitar porque não quis, de verdade, eu vou ficar muito chateado. Ficaria só pelo fato que eu sei que se ela ficasse internada, eu iria visitá-la todos os dias. Todos os dias mesmo iria ver como ela estava. Nem que eu ficasse apenas meia hora ou o dia todo, mas eu iria todos os dias. Ela é minha amiga poxa. Mas ela não veio. Esperei, esperei, esperei mas ela não veio.
Acho que foi no quarto dia, quando eu estava deitado, o Vinny ficou ao meu lado como sempre e eu disse:
– Vinny, antes deu morrer, tenho um ultimo pedido.
– Ganesha. Você não vai morrer. Mas diga se estiver em meu alcance, juro que cumpro...
– Eu gostaria de passar minha mão na sua barriga. Você deixa?
– Claro, porque não?
E então ele segurou minha mão e a conduziu por toda a barriga dele, da mesma forma que ele levou-a até o seu pênis e eu fiquei tipo: “Aí é sua barriga querido?”. Mas eu fiquei chocado com o fato dele estar excitado. E o negócio era grandinho até gente.
Finalmente era quinta-feira, o último dia da internação.
O médico veio até o meu quarto, olhou os exames de sangue e urina atuais, mediu minha pressão, minha febre, viu como eu estava fisicamente, como eu me aparentava, perguntou sobre minhas dores, e fui bem sincero sobre terem diminuído consideravelmente, mas não sido anuladas totalmente.
– Ótimo – Ele disse – Nós vamos ligar para a sua mãe vir dar a baixa na papelada, e hoje mesmo você já vai poder retornar para casa. Vou te deixar com alguns remedinhos, mas, do hospital, se ela vier hoje, você já pode ir embora. Se quiserem ir adiantando as suas coisas que você trouxe para cá, evita ficar menos tempo aqui. Porque, por mais que eu seja medico e tudo mais, quem gosta de ficar internado? Às vezes é preciso, como no seu caso, mas é muito ruim ficar aqui, longe dos amigos, sem poder jogar futebol na rua, né? Quando chegar em casa repouse, mas amanhã sua vida já poderá voltar ao normal. Ou ao quase normal.
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