A Constante da Bad
6 Capítulo 6 - Raffa, a Mãe do Vinny e Buda.
Notas iniciais
Acordei em um lugar estranho pra mim. Fazia a mínima ideia da onde eu estava. Olhei para os lados e não tinha ninguém. Sentei-me na cama, e vi que estava totalmente coberto, e tinha um cheiro masculino muito bom. Era bom mesmo. Quando pensei em me levantar, um menino apareceu:
– Você é o Gan?
– Isso – Eu disse um pouco zonzo – Ai minha cabeça, quem é você?
– Sou Raffael. Um amigo do Vinny – O Raffael era lindo, ele tinha um cabelão que era penteado para o lado, usava um moletom do Slayer e uma calça escura. Seus cabelos eram bem escuros, pretos como o ébano, mas seus olhos eram claros como o Mar Cáspio. — Ele pediu pra eu ficar um pouco de olho em você porque ele foi ao mercado com a mãe dele, mas já faz algum bom tempo, logo mais ele retorna, fica tranquilo. Você é namorado dele?
– O que? – Estava muito zonzo e com uma dor de cabeça fudida – Não, não sou namorado dele, sou só um amigo dele e do Matheus... Falando nisso, cadê o Matheus? Cadê a Durga? Tainá? E o Jesus? Onde ele está?
– Você não se lembra?
– Não. Não me lembro de quase nada, apenas de vomitar nos pés do Vinny.
– Ah, quem nunca vomitou no pé dele – E o Raffael deu uma risada – Bom, a Durga foi para casa. O Math ficou na delegacia acompanhando a Tainá. E bem... Jesus... Ele caiu com a cabeça na beira da estrada, quando um carro passou e atropelou a cabeça dele e foi embora sem prestar socorro. Não preciso nem comentar o que houve com ele.
– Nossa, mas, Jesus era tão legal cara, ele não devia ter morrido.
– Às vezes, nem sempre as pessoas ruins morrem. Não importa o deus que existe, ele é tão misericordioso que ele sente dó das pessoas boas que sofrem aqui e levam elas para um lugar melhor.
E então, ouviu-se um barulho no andar inferior. A porta se abrindo e uma voz masculina e uma feminina conversando com entusiasmo, barulho de sacolas, logo após barulho das coisas sendo colocadas na mesa da cozinha: eles haviam chegado. O Raffael colocou a cabeça no corredor e gritou:
– Vinny! O Gan acordou!
E ouvi-o sair correndo pelo corredor até chegar à beirada da escada, e seus passos foram bem rápidos nos degraus, como se quisesse chegar logo no andar de cima e ele finalmente chegou ao quarto. Estava ofegante e com um pouco de suor. Tirou a camiseta e ficou só de calça na minha frente. Podia estar na ressaca mais ainda sou eu porra.
– Você está bem Gan?
– Estou sim. Só estou bravo por ter ficado bêbado e não ter podido ajudar Jesus, ter abandonado ele lá, e o deixado morrer, nem pude tentar puxar o corpo dele ou algo assim, se eu não tivesse bebido e ficado sóbrio... Você também não teria me visto bêbado, odeio ficar bêbado na frente das pessoas. Nossa como eu me odeio, que raiva, eu, eu, não sei o que fazer. O que vou dizer pra Tainá? Eu o influenciei a beber, eu disse que queria beber, eu que sugeri a praça, se eu não tivesse sugerido nenhuma dessas coisas, nada teria acontecido. Eu podia ter falado não também, e falar pra eles ficarem lá em casa, mas nãããão, eu sou tão trouxa que eu tinha que levar eles pra rua, pra alguém MORRER! MORRER! ALGUÉM MORREU POR MINHA CAUSA!
E então o Vinícius se aproximou de mim o suficiente pra ficar colado em mim. Ele colocou a mão direita em minha coxa, nisso eu me assustei um pouco, e virei o rosto, e foi quando ele me beijou.
– Você me beijou apenas para eu me calar?
– Em partes, sim. Mas eu te beijei, porque queria te beijar.
– E você que disse que não era namorado ele – Disse Raffael.
– Cala a boca, Raffael. Ele não é meu namorado. Não por enquanto, certo?
Corei e fiquei sem responder.
– Mas, ainda está marcado nosso Homem de Aço? Não fomos ver hoje, mas podemos marcar pra amanhã, ou algum dia depois se você preferir.
– Não, não me importo. Já tínhamos combinado, então vamos ver amanhã mesmo.
– Tudo bem... Eu te chamaria Raffa, mas, sabe como é – E deu uma risada – Foi mal. Outro dia a gente marca um role nós três. Quer que eu te leve pra casa?
– Não...
– Você vai levar ele em casa sim, nem precisava perguntar Vinícius. – Disse Raffael – Coloca uma blusa e leva ele lá agora se ele já quiser ir.
– Você já quer ir? – Perguntou o Vinny.
Não, não, não, não, não, não, quero ficar aqui com você seu babaca.
– Pode ser. Tenho que ir logo.
E então ele se trocou, e descemos a escada, eu já estava melhor, quando a mãe dele se aproximou:
– Oi, como é seu nome.
– Ganesha...
– Ah, você é o Ganesha... Os meninos falaram muito bem sobre você. Venha cá, me dê um abraço. – E então ela me abraçou – Não tem porque você ficar mal por causa da morte do seu amigo. A morte é algo constante, é a única certeza da vida. Uma vez, eu ouvi uma história, que teve uma mulher que um dia o filho dela morreu por alguma doença, e ela ficou desesperada, porque ele era a única família que ela tinha o homem a abandonou, largou ela e foi embora com outra. E então, um homem do seu vilarejo disse para ela ir até Buda, que ele a ajudaria. Chegando ao templo, ela contou toda a sua história a Buda ele a disse “Vá até o vilarejo e procure uma casa onde ninguém tenha morrido, caso ache, eu ressuscitarei vosso filho”. E então, desesperada a mulher começou a procurar por todo o vilarejo uma casa onde ninguém tinha morrido, mas, em todas, ao menos uma pessoa já havia morrido, e então ela percebeu que, por mais que Buda trouxesse seu filho de volta, ele morreria novamente, podia ser no mesmo minuto, uma hora depois, um dia, um mês, um ano, um século, mas, um dia ele morreria novamente, e ela pensou o quão egoísta ela seria se o trouxesse de volta. E quando ela voltou ao templo, Buda a disse: “A única coisa que é certeza, seja no plano dos deuses ou dos humanos é: nada dura para sempre”.
Fiquei algum tempo em silêncio, realmente refletindo pelo o que a mãe dele havia me dito, porque aquilo realmente me chocou em partes. E o Vinny começou a dizer coisas sobre como nós não éramos obrigados ouvirmos as baboseiras dela e etc., que eu já havia superado os acontecimentos. E então eu o interrompi e disse:
– Obrigado. Precisava ouvir uma palavra amiga.
– De nada. Disponha. Sempre que estiver triste, ou mal, por qualquer motivo, pode falar comigo.
– Tudo bem mãe, agora ele REALMENTE precisa ir embora.
– Sim sim, vão lá, está ficando muito tarde. Vão pela sombra.
E então saímos e me deu um pouco de tontura e acho que o Vinny percebeu e me segurou pelo braço, e foi com o braço dado comigo até minha casa (o que não ficava muito longe). Chegando em casa, meus pais começaram a gritar e discutir comigo, me xingando, falando que era culpa minha que ele tinha morrido. Quando o Vinny interferiu e contou exatamente a mesma história que a mãe dele. Meus pais ficaram quietos por algum tempo e minha mãe disse:
– Podem ir para o quarto. Só não fique muito Vinícius, porque, por mais que você more perto, já está ficando bem tarde.
– Sim senhora.
E subimos para o meu quarto. Ele me colocou na minha cama, me deitou, e me beijou mais uma vez, mas agora, foi de uma forma mais selvagem, e antes que você me xingue, eu não recuei.
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