A Conselheira Amorosa
2 Capitulo I
Capitulo I
Desci do carro com meu amigo, mas infelizmente não chegamos a ficar nem cinco minutos juntos por que assim que pisamos os pés no estacionamento uma "nuvem" de garotos energéticos e um coro de "Bom dia Rora " meio bagunçado avisou-me que Clay estava sendo arrastado para longe sem a menor chance de se despedir.
Caminhei pelo estacionamento em direção ao prédio da escola, parando de vez em quando para conversar com alguém ou para orientar alguma Cheer* de primeira viagem que estava perdida. Como o ano ainda estava começando e as admissões das cheerleaders haviam sido feitas a pouco tempo, e, apesar de não ser a líder delas, era a mim que procuravam quando havia dúvidas ou algo do tipo, afinal, na maioria do tempo a "líder" estava ocupada de mais verificando se a cor do seu gloss combinava perfeitamente com seu tom de pele para dar atenção a novatas.
–Aurora!- ouvi a voz razoavelmente fina ecoou pelo estacionamento, uma oitava mais alta que o necessário, chamando mais atenção para sua portadora, como se ela não gostasse disso.
"Falando no diabo"
Então Sharon atravessou a distância que havia entre nós rapidamente, andando de maneira elegante em seus saltos 15, quem, em sã consciência e sanidade mental perfeita, usa saltos 15 para ir a escola?
Pois bem, Sharon usava...
–Bom dia querida — ela me abraçou, me dando beijinhos estalados nas bochechas, seus cabelos loiros perfeitamente alinhados saindo um pouco do lugar.
Não é como se eu a odiasse, só sentia uma forte antipatia pela garotinha popular, perfeita e preconceituosa que ela era. Sharon não escondia de ninguém sua opinião sobre riqueza e pobreza, deixando bem claro para todos o fato de que ela achava que sua condição financeira a fazia melhor do que qualquer um que havia ali, além de achar que sua companhia era um privilégio que nem todos mereciam, isso me enoja. Mas eu não a culpo por ser assim, afinal é uma doença de família pois sua mãe a criou para ser idêntica a ela, só se importar em agradar o macho alfa da casa, abrir as penas para ele e se mostrar elegante e perfeita diante da sociedade.
Meio patético não?
–Como esta querida? — ela me perguntou com um sorriso, que não chegava aos seus olhos, nos lábios rosados.
–Estou ótima — respondi naturalmente — e você, como vai?
–Maravilhosa — falou com voz melodiosa — Oh ! Quase me esqueci — Sharon abriu sua Prada cor-de-rosa e tirou de la um envelope carmim com renda branca e um grande "S" dourado como selo — Sei que ainda falta muito tempo — ela disse me estendendo o envelope — mas achei melhor distribuir de uma vez, a lista e grande e eu não quero me esquecer de ninguém – a loira entregou-me o envelope. — quero que esteja presente querida, os melhores da escola estarão lá — ela disse aos pulinhos — por falar em melhores, depois quero conversar com você! Preciso de um par para minha própria festa — ela fez uma careta de desgosto — veja só, o Dillam esta fazendo birra novamente — ela suspirou dramática e eu me forcei a não revirar os olhos.
Sharon e Dillam eram o tipo de casal de status, não haviam tantos sentimentos entre eles, Dillan gostava de pular de uma boca para outra, de uma festa para outra, de uma cama para outra, mas ele sabia que se desse tudo errado Sharon estaria ali para agradar o glorioso capitão do time de futebol, eleito o mais bonito e charmoso da escola, aquele que pegava todas e não era pego por nenhuma, resumindo ele era um cafajeste. Mas Sharon não se importava em se prestar a esse papel absurdo, ela estava ali para agradar e ser perfeita, como sua mãe, e como ser mais perfeita no Sant's Paul do que tendo o namorado mais bonito e popular ao seu lado ?
–Claro — falei forçando meu sorriso falso mais verdadeiro — resolveremos tudo antes da festa.
A vontade de sair correndo estava me tomando, sabia que chegaria atrasada a minha primeira aula, e além do mais as minhas conversas com Sharon nunca eram as mais saudáveis.
– Tenho que ir agora — falei para a garota, tentando não soar rude de mais, ou muito apressada.
–Até mais querida — ela disse beijando minhas bochechas novamente, e seguindo para um grupo de garotas que vinha logo atrás de mim. Caminhei pelo estacionamento a passos largos e apressados, entrando no prédio da escola e vendo os corredores parcialmente vazios.
–Merda — resmunguei ao olhar no meu relógio e perceber que estava quase dez minutos atrasada. Corri ate meu armário jogando minhas coisas lá dentro e pegando o livro de matemática, depois corri novamente pelos lances de escadas até o terceiro andar, parando ofegante a porta da minha sala e dando batidas leves na mesma.
–Posso entrar? — pergunto quando o professor Franklin abre a porta e me olha com seus olhos verdes penetrantes fazendo uma expressão séria.
O sr: Franklin deveria ter lá seus trinta e seis anos, mas, sem dúvida alguma, parecia aqueles garanhões que aparecem bastante nos filmes. Ele aparecia na sala de aula sempre vestido em um de seus ternos, geralmente pretos, que escondiam seus músculos bem definidos, uma pose séria e um olhar que derretia milhares, sua pele levemente bronzeada revelava a atividade que ele praticava nos fins de semana, o surf, ele sempre fora alguém muito simpático com todos, nunca se envolvia demais, mas mentiria se dissesse que nunca tentei arranjar nenhuma garota com ele, mentiria também se dissesse que alguma delas conseguiram arrancar mais que um olhar de escárnio do professor.
Ele fez uma cara feia e logo abriu espaço para que eu passasse, um espaço que, deveras, era um pouco pequeno, quando entrei na sala, passando perto de mais do meu querido professor de matemática, não tão querido assim, pude sentir seu perfume, uma mistura de hortelã e crene de barbear. Senti minhas bochechas corarem, por conta de todos os olhares estarem voltados para mim. Isso sempre acontece, em qualquer lugar, quando chegamos atrasados, e posso afirmar que não é nada confortável ter quase 42 pares de olhos lhe encarando de maneira questionadora.
Me dirigi rapidamente para meu assento, que ficava sempre no meio da sala, com uma visão privilegiada da janela, de onde podia ver o campo onde o time de futebol e as Cheer treinavam.
–Hoje vamos começar a estudar P.A — o professor disse, se voltando para o quadro branco começando a escrever a definição do novo assunto.
É...
esse vai ser mais um longo dia.
Fale com o autor