Cap II

Talento Herdado

A manhã havia sido extremamente entediante, mas isso já era normal. Depois do último período de aula, que para minha sorte, ou azar, fora biologia, eu caminhava pelo estacionamento apressada em direção ao carro de Clay, planejando chegar a minha casa o mais rápido possível, me jogar na minha cama e dormir durante o resto do dia, mas esses planos geralmente nunca davam certo.

–Apressada naniqueth ? — Clay perguntou de maneira sarcástica quando abri a porta do carro.

–Preciso da minha cama- resmunguei- Agora adianta isso ai por que Evangeline já deve estar tendo um infarto na porta da escola por causa da nossa demora- falei olhando meu relógio de pulso.

–E pra já — ele disse acelerando e saindo rapidamente do estacionamento da nossa escola para a rua, chegando rapidamente a Claremonth Hig School, ou CHS como eu chamava, e encontrando uma muito brava Evangeline de pé no meio-fio.

–Desculpa Evy — Clay falou com voz manhosa assim que ela entrou no carro se sentando no banco de trás, em silêncio.

Ele olhou para mim e revirou os olhos disfarçadamente.

Todos sabíamos que Evangeline nutria uma quedinha por Clay, quedinha que hoje em dia ta mais para abismo sem fim, desde seus doze anos de idade mas não tinha coragem para se declarar, e Clay, bem ele não queria se envolver com a irmã de 13 anos da sua melhor amiga, para ele isso estava fora de cogitação. Ai vocês me perguntam, por que você não ajuda sua irmã Aurora? Pessoa má você viu ?

Mas devo dizer que não e tão simples assim, já que sempre que eu tento tocar no assunto com minha irmã ela acaba se desviando descaradamente ou simplesmente correndo e se trancando no quarto, sim ela já fez exatamente isso.

O caminho ate minha casa fora silencioso. Clay com os olhos atentos a estrada, Evangeline com seus fones e eu e estado de hiper sono em meu assento. Ao pararmos a frente da garagem da minha casa eu saltei para fora do carro, passando rapidamente pela porta da frente e largando minha mochila ali mesmo.

Olhei para os lados notando que a sala estava vazia, alguns livros estavam espalhados pelo sofá mas nenhum sinal de vida humana no local, caminhei pelo corredor ate a cozinha e encontrei minha mãe no fogão, a mesa do almoço já estava pronta e ela mexia uma panela de brigadeiro que provavelmente seria nossa sobremesa. Minha mãe era chocolatra de plantão, uma coisa que não faltavam em minha casa era chocolate.

Subi as escadas rapidamente e entrei em meu quarto, me jogando pesadamente na cama, senti um peso cair ao meu lado, certamente Clay também estava ali, sem me importar muito me virei de lado e fechei os olhos, deixando o sono me levar.

Quando abri novamente meus olhos e olhei para o relógio, que estava em cima do criado-mudo ao lado da cama, já eram 18:07. As pernas de Clai estavam jogadas sobre as minhas e ele abraçava um travesseiro, tentei tirar suas pernas de cima de mim com cuidado para não acordá-lo, então sai da cama.

Desci as escadas e notei uma música baixa vinda do jardim, andei sorrateiramente ate la e vi uma cena, que, na minha opinião, era excepcionalmente linda. Minha mãe e meu Pai dançavam juntos pelo jardim um tipo de valsa, seus rosto próximos e seus olhos focados uns nos outros, minha mãe tinha um sorriso genuíno estampado no rosto e meu pai segurava sua cintura com firmeza a girando pelo jardim, com o mesmo belo sorriso. Ao fundo pude ver uma mesa arrumada, pratos e algumas tigelas, eles haviam acabado de jantar.

Mamãe e Papai eram a prova viva de que os opostos se atraiam, eles tinham opiniões totalmente divergentes, seus gostos, os programas de sábado a noite, em tudo eles mostravam as diferenças gritantes que haviam entre os dois, mas eles estavam sempre abrindo mão dos seus gostos para agradar um ao outro, para conservar o amor, e se manterem unidos, acho que foi com eles que aprendi oque é o amor de verdade, como saber quando algo e amor.

Dona Victoria tinha seus 16 anos quando conheceu o senhor Paul, que já tinha seus 19 anos, não foi amor a primeira vista, pelo menos ao que se diz respeito a Vicktoria, ela sempre foi durona. Me lembro de quando ouvi a história dos meus pais, minha mãe me contou como eles se conheceram, é essa e uma história realmente melhor do que muito romance por ai.

Olhei novamente para o jardim, eles estavam no meio de um beijo, cheio de amor e carinho porém muito feros, acho que estava na hora de subir novamente as escadas rapidinho, não queria atrapalhar, então foi isso que fiz.

Me lembro de quando era bem pequenininha, e ia todos os dias ao trabalho do meu pai, naquela época era só eu, Evangeline ainda não havia nascido, minha mãe sequer sonhava em estar grávida dela, desde sempre eramos próximos, ele sempre me fascinou com sua profissão, eu achava ele um herói pois ajudava pessoas todos os dias, ainda acho isso. Lembro-me do dia em que conheci Clay, nessa época Evangeline já era nascida, nesse dia eu pedi ao meu pai para me ensinar a ajudar pessoa como ele fazia. Acho que foi uma das poucas vezes que o vi chorar, desde então ele me ensina e me faz entender as pessoas, ate as piores pessoas.

Quando eu fiz mais ou menos treze anos eu passei a visitar um pouco mais o trabalho da minha mãe, algo que meu pai me privava desde então, por que me achava muito nova para aprender as obscenidades que a senhora Vicktoria chamava de profissão.

Olhando para mim hoje percebo que sou a mistura perfeita de Vicktoria e Paul, cabeça e coração, aprendi a ajudar pessoas com eles. O amor deles me inspira todos os dias sabe...

Fechei a porta do meu quarto e me joguei novamente na cama, dormir mais um pouco não faria mau.

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A noite estava só no começo.

A música alta enchia meus ouvidos e a pista estava cheia de gente, em sua maioria putas se jogando em cima de caras cheios de grana, ao menos elas pensavam que eles tinham grana. Estava sentado em um dos bancos do bar com uma dose de Vodca na mão e um cigarro nos lábios, sentada ao meu lado havia uma loira que usava uma saia preta que tinha menos de um palmo, sua blusa deixava a maior parte da barriga exposta ela estava praticamente nua. Um sorriso de canto tomou meus rosto.

–Sou Natalia — ela disse se inclinando sugestivamente para o meu assento, deixando seu decote bem a mostra – quer vir pra pista? — ela perguntou sorrindo maliciosa.

–pode ser – levantei do banco e tomei a mão da garota a levando pra pista, que tocava Paradise, e dançando com a mesma. A música combinava com o momento, ao menos em parte. Com certeza eu a levaria para o paraíso.

Ela colava exageradamente seu corpo ao meu, eu a segurava pela cintura com uma mão em quanto a outra corria por seu corpo, que era muito bonito por sinal, esbelto e cheio de curvas.

A loira rodeia seus braços peço meu pescoço e toma minha boca, seu beijo era quente, sabia que não havia nada mais que desejo ali, mas aquilo não importava, nem um pouco.

Desde quando sentimentos importam quando se tem uma loira gostosa em sua cama ?

Minhas mãos foram para a nuca da loira, agarrando seus cabelos e os puxando de leve, ela arfou.

–Acho melhor sairmos dessa pista e irmos para um lugar mais reservado não ? — perguntei fazendo uma trilha de beijos pelo pescoço dela.

–Como posso recusar com você sob minha pele ? — ela perguntou — me tire dessa pista antes que eu monte em você aqui mesmo — Natalia disse, rodeando uma das pernas pela minha cintura. " Assim tão fácil ? " pensei ao arrastar a loira para fora da boate aos beijos. Andando pelo estacionamento ate minha moto e montando na mesma, entregando o meu segundo capacete para ela.

–Moto preta — disse ela montando e se apertando a mim — que Sexy — falou dando uma leve mordida em minha nuca antes de pôr o capacete e então eu dei partida.

Hoje era segunda, havia perdido o meu primeiro dia de aula, provavelmente também não iria a porra da escola amanhã, mas quem se importa ? A noite e uma criança, e eu vou aproveitar dela o máximo que posso, se pra isso vou ter que acordar com uma ressaca infernal amanhã e uma loira gostosa ao meu lado na cama de um motel qualquer, que seja.

Notas finais
Oiee gente *~* bem mais um capitulo pra vcs u.u espero que gostem