A Comando Do Rei
2 Explicações e mais confusões
Notas iniciais
Sentada na borda do lago, com os dedos tocando a água fria, me sinto perfeitamente bem. Mas lembro-me que tenho que contar muita coisa a Ron, explicar toda uma situação, e isso me deixa desanimada. Não acho justo ter que envolver Ron nessa história, mas se ele não souber por mim, saberá pela Julie, e é melhor ouvir de lábios conhecidos e amigáveis algo que ele não suportará. Sei exatamente como ele vai reagir. Vai rir, apertar meu nariz e dizer que estou maluca. Quando perceber que estou séria, vai segurar meus ombros e ficar com raiva. Vai quebrar algumas coisas e sentar, segurando os cabelos. Depois vai erguer o rosto pra mim, e dependendo da minha expressão, ele vai sentar e chorar, ou fazer algo inesperado.
Aceno pra Ron vir ao meu encontro. Ele senta e pega o celular. Dou um tapa em sua mão e ele me olha com um ar confuso e divertido.
_Por que fez isso?_diz ele contendo um sorriso.
_Se alguém vir você com isso estamos mortos. Não poderia nem estar usando jeans. Como vamos explicar como isso foi feito se ELES chegarem aqui de surpresa?_eu digo olhando nervosamente para todos os lados.
_Relaxa... Prometeram-me uma tarde normal no lago._disse ele sorrindo irônico
_Estamos em 2053 D.C. e não usamos nem um barco a vapor. Nada aqui é normal. Pra nós é ainda melhor por que o Clã contrabandeia nanotecnologia pra nós. Mas as crianças mortas de fome na aldeia não sabem nem usar um tridente.
_Eu sei de tudo isso. Sei também que você está nervosa e está me escondendo algo. Quando vai parar de reter informações?
_É que Julie descobriu uma coisa sobre você. Uma coisa que envolve o professor Angus_ ele acena com a cabeça para que eu prossiga_ Ele é... Seu pai biológico._ Ele começa a rir, exatamente como imaginei, e me abraça_ Ron é sério! Ele tinha prestígio com a corte quando você nasceu, mas se envolveu com uma escrava austríaca que tinha sido exilada de seu país. Ela morreu no seu parto. Se ele continuasse com você os dois seriam mortos. Então ele te deixou perto daqui, pra que minha mãe o recolhesse. Eu sinto muito.
Ele não reage como eu imaginei. Apenas pega um punhado de areia colorida no bolso e joga na água. De um tom escuro entre cinza e azul, passa para rosa fluorescente. Logo em seguida joga o pó neutralizante, que deixa a água com um tom de rosa claro. Posso ver as lágrimas descendo por suas bochechas e os espasmos por culpa dos soluços contidos. Passo um braço pela cintura dele e deito a cabeça em seu peito. Em vez de animá-lo como qualquer pessoa faria eu simplesmente o jogo na água.
Ele ri um pouco e me puxa também. Joga água em minha roupa e meu rosto. Eu chuto um pouco de lama da direção da sua cabeça. Ele joga muita água em meu rosto e meus cabelos e então lembro que a água estava rosinha. Meus cabelos estavam mais ruivos que nunca, realçados pela água rosada. Pareciam chamas alaranjadas. Ele dá uma risada alta quando repara no meu estado. Eu estava com o vestido pesado e molhado, os cabelos ruivos que iam até a cintura estavam encharcados e colados ao meu corpo e meu rosto.
_Você está linda._diz ele contendo uma gargalhada.
_Calado!_Eu digo enquanto gargalho. Tiro o grande vestido creme e fico com um short jeans e um top que sempre uso de emergência embaixo de todas as roupas. Minha pele branca se destaca tanto na floresta e no contraste com o sol que fico com medo de nos verem a distância.Começo a boiar e Ron se aproxima sentando logo ao lado da minha cintura. Conversamos durante um tempo, e quando ele fica em silencia só tenho tempo de computar sua cabeça sobre a minha e seus lábios vindo ao encontro dos meus.
Seguro sua nuca e mantenho o beijo, enquanto suas mãos estão pousadas em minha cintura. Eu me separo dele e abro os olhos, e encontro o sorriso genuinamente feliz pelo ocorrido. Eu sorri de volta e lhe dei mais um beijo. Ouço uma flecha passar por nós e atingir um alvo próximo. Levantamo-nos e eu me dei conta que a flecha havia atingido uma árvore muito próxima para ter sido lançada como engano. Logo outra veio, e passou a vinte centímetros do meu rosto. Ron voltou-se na direção da nossa casa, mas eu o puxei na direção contrária. Enquanto corríamos, eu podia sentir o quão confuso ele estava.
Não era pra ninguém saber da existência daquele lago, ou que eu estava lá com Ron, mas por algum motivo alguém sabia que nós estávamos lá e tinha provas suficientes contra nós pra atirar lá. Quando vi uma das flechas no chão próximas a meu próximo passo, as peguei para examinar mais tarde. O que mais me assusta é a possibilidade de serem do Rei George.
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