A Chance to Change [HIATUS]
12 Tudo que está ruim pode piorar
Notas iniciais
Fomos liberados de imediato para ir para as camas, o que era um absurdo, porém ninguém parecia querer se mexer. Todos absortos demais.
O nome de Harry no Cálice de Fogo renderia assunto até a morte. Anotem o que eu digo.
– Não acredito que ele não me contou! Podia ter me inscrito também! – Rony reclamava rabugento.
– Não acredito que você acredita que o Harry se inscreveu! – indignei-me.
– Não só acredito como ele fez... E foi escolhido! Não é o máximo? – ironizou.
– Como ele teria feito isso se ele passou o tempo todo grudado conosco, cabeça de bagre?
– Cabeça de bagre? Não acredito que você está do lado dele, Harriet!
– Eu não estou do lado de ninguém, Ronald Weasley! Você é totalmente desprezível! Tudo que a gente não precisa agora é de um dos seus surtos egocêntricos! — vi as orelhas de Rony ficar vermelhas.
– Harriet! – Hermione me repreendeu.
Já tinha até esquecido que ela estava conosco.
– Estou mentindo? – ela ficou quieta.
– Não fale mais comigo – o Weasley disse sombrio.
– Ótimo! – exclamei sarcástica, mais exaltada ainda, dando meia volta.
– Aonde você vai? – Hermione tinha um tom preocupado.
Fingi não ouvir e continuei andando sem rumo. Meus dedos tremiam levemente, tamanha irritação.
Quando dei por mim, estava sendo perseguida pelo Malfoy.
Que coisa louca.
O que eu tinha feito eu não sabia. Se eu tinha culpa no cartório, também não. Entretanto, quando uma pessoa começa a correr em sua direção de modo ameaçador, semelhante a um gigante enfurecido, seu único instinto é fugir.
Bem, é o que estou fazendo agora.
Lance de escada atrás de outro, acabei encurralada no banheiro interditado do terceiro andar.
– Vocês não tem mais respeito! – esperneou Murta – Eles diziam: “Vamos jogar livros na Murta-Que-Geme, porque ela não sente dor”. Eu posso estar morta, sabe, mas tenho sentimentos – agora choramingava.
– Cala a boca, serzinho insignificante – cuspiu arrogantemente.
Meus olhos faziam revezamento. Hora fitavam a pobre criatura e outra, fitavam outra criatura que de pobre não tinha nada.
– Desculpa... – pedi num fio de voz para Murta, ainda ofegante.
– Você! – vociferou, empunhando sua varinha a mim.
– Eu? – como reflexo, saquei a minha.
– Foi você não foi? – sua fala continha... Amargura? – Eu vi... Foi você quem pôs o nome do Testa-Rachada no Cálice. Toda a atenção de celebridade que ele tinha não bastava, não é? A namoradinha dele precisava de mais!
– Andou cheirando pó-de-flu, florzinha?
– Vocês não vão me ouvir? – Murta-Que-Geme reclamou – Vocês invadem a minha casa e me ignoram? Hunf! – sumiu em um dos vasos.
– Você estava com aquele exemplar avançado da Miranda Ghoshawk e ainda deu uma desculpa estúpida de que foi Flitwick quem pediu – riu ironicamente – Acha mesmo que eu não sei qual é a lista de livros solicitados?
– Mas não fui eu!
– Qual é a sua desculpa então? – seus olhos fixaram-se aos meus em desafio.
– Eu... Eu não posso dizer – mordo os lábios – Não lhe é conveniente o que eu faço ou não!
– Foi o que imaginei... Petrificus Totalus!
Agachei-me assustada.
– Ficou maluco? – balancei a cabeça em negação – Esquece... Você É maluco! A sua inveja de Harry te cega e eu nunca imaginei que fosse tanta! Expelli...
– Bombarda!
E a última coisa que eu vi foi uma pequena explosão me arrastar para trás, antes de a escuridão me invadir.
–... Graças a Deus, Dumbledore!
– Muito bom, Papoula!
– Mas com apenas um Episkey eu não consegui estacar o sangue todo. O que acham que aconteceu?
– Uma barbaridade – foi vez do timbre rígido de McGonagall.
– Certamente a srta. Cattleford estava no lugar errado e na hora errada. Surpreende-me o Potter não estar junto.
Ora... Seu seboso!
– Deixemos a menina se explicar quando acordar, Severo – Dumbledore disse bondoso.
– Hmnh – gemi, remexendo um pouco da superfície macia que suponho ser uma das camas da Ala Hospitalar.
– Oh! Ela acordou! Pretendia a deixar em repouso até amanhecer... Mas a conversa deve ter a despertado. Sei que quer explicações, Dumbledore; mas não é uma hora muito propícia agora. A menina precisa da poção e isso provavelmente a deixará sonolenta. Voltem amanhã.
Sem mais nenhuma palavra, os professores sumiram pela grande porta de madeira. Madame Pomfrey os acompanhou e depois se dirigiu para outro canto da Ala para pegar a tal poção, enquanto olhava para o teto todo trabalhado.
Sentia um calor incômodo em minha testa... E esse incômodo estava me dando uma vontade imensurável de coçá-la. Minha mão se ergueu habilidosa em direção, pronta para aliviar a coceira, quando outra mão a impediu.
– Nem pense em fazer isto!
Bufei pesadamente.
– Mas coça!
– Não importa! – o tom foi severo o bastante para que eu não tentasse novamente – Beba – ordenou – Vai amenizar um pouco da coceira.
Começou a enfiar o líquido à minha goela abaixo, sem nenhum consentimento. Eca! Tem gosto de terra com sapo mergulhado! Não que eu tenha experimentado esta mistura tão exótica em algum momento de minha vida. Apenas presumi.
– Urg! – limpei minha boca com uma das mangas – Horrível!
– Descanse. Boa noite – ignorou o meu comentário e foi embota, simplesmente. Trancando-me, só, neste local silencioso e solitário.
Não demorei muito a encontrar o sono, visto que a Ala Hospitalar não era nenhuma grande fonte de diversão.
Na manhã seguinte, como o combinado. Dumbledore apareceu acompanhado por McGonagall e Snape como combinado. Eu, sem nem pensar duas vezes, acusei Malfoy quando as cenas me vieram a mente.
– Foi o Malfoy! – dedurei ensandecida – Aquele trasgo me atacou com um Bombarda!
– Tenho certeza que Cattleford não está se sentindo muito bem e está dizendo besteiras – Morcegão-Seboso me contradisse.
– Não estou pirando! Podem perguntar pra Murta, ela nos viu!
Minerva tinha uma cara de espanto; Dumbledore me encarava risonho; Snape tinha o semblante ainda mais fechado. Lançou-me um olhar de desagrado e deu um giro de 180º, deixando sua capa esvoaçar em um movimento gracioso e saiu em passos pesados e apressados.
– O professor Snape é o diretor da Sonserina. Ele tomará as medidas necessárias contra o menino Malfoy. Até logo.
E a diretora da minha casa saiu em seguida.
Já Dumbledore, continuava a me encarar.
– Como vai, Harriet? Presumo que não tenha recebido mais nenhuma visita, estou certo?
Assenti sem entender.
– Depois que você me relatou... Tomei medidas de segurança para evitar maiores incômodos.
Pois eu tenho certeza que essas coisas foram mais por Harry que a mim. É óbvio que alguém estava tentando matar O-Menino-Que-Sobreviveu; não seria a primeira vez. Se um aluno do 7º ano mal aguenta o Torneio Tribruxo, imaginemos um aluno do 4º então...
– Hm. Obrigada – fui educada.
Dumbledore seu mentiroso! Você mesmo tinha me dito que as aparições eram inofensivas, logo não precisaria de segurança, logo seus argumentos são inválidos.
O resto do final de semana não foi muito mais animado.
Meu incidente com o Malfoy foi abafado devido ao grande bafo da noite da nomeação dos campeões.
Além disso, Harry estava brigado com Rony, eu estava.
Ninguém estava alegre com o fato de Potter estar entre os campeões além dos alunos da Grifinória e este não sabia que agradecia o apoio ou saía xingando a todos por realmente crerem que ele fora capaz de colocar seu lindo nome em um pedaço de pergaminho e ainda ter tido a audácia de passar por cima do diretor.
Realmente, algumas pessoas têm problemas.
Harry estava começando a me preocupar. Tendo em vista que estava sendo alvo de comentários e olhares maldosos. Passava maior parte do tempo desolado ou irritado, pronto para explodir como um explosivin. O que nos animou um pouco foi ter descoberto que 50 pontos sumiram da ampulheta da Sonserina misteriosamente. Era óbvio que tinha sido por causa de Malfoy – que estava detido – e ele, obviamente também, não ousou em abrir a boca para ser lixado... Ou será que abriu? Ganhar fama por ter atacado uma sangue-ruim... Arg!
Falando em Malfoy, estava assustada com ele. Madame Pombrey me contou que não havia sido nada grave, mas que o machucado que eu tinha na testa tinha me feito perder mais sangue que o normal. E se tivesse sido mais grave? E se não tivessem me encontrado tão rápido? Eu teria perdido tanto sangue que poderia ter morrido.
Quanto drama, Harriet!
Mas o que importa é que eu poderia ter me machucado seriamente e esse imbecil completo teria me deixado estilhaçada no chão, agonizando até não poder mais.
Ele não pensou duas vezes para me atacar. Isso é o que me choca! Tudo fruto das ilusões em sua mente doente ou era o ódio pelo meu sangue mesmo? Na manhã em que fui liberada para voltar à Sala Comunal, tive tempo o bastante para refletir.
Até aquele momento... As briguinhas e desentendimentos com a Loira-Oxigenada eram apenas uma diversão pra mim. Eu não o odiava de verdade. Não mesmo. A rixa era entretenimento pra minha alma com fogo.
MAS tudo mudou no momento em que eu percebi que ele teria me deixado pra morrer. Quase que podia entender os sentimentos de Rony em relação a ele, agora. Eu teria o salvo – acho. Eu não teria o ferido, pra início de conversa... Não TÃO seriamente.
– Pela décima vez... Harry não tem tempo para autógrafos, Creevey! E você Dênis? Não devia estar se sujeitando a essas coisas, preocupe-se com os estudos! – saí pelo buraco do retrato da Mulher-Gorda.
Estava atrasada para a aula de Trato das Criaturas Mágicas. Para ser franca, não estava muito animada. Sabia que Harry estava, pois Hagrid era um dos poucos que ouvia e acreditava em suas palavras; porém, ter aula com o Hagrid era sinônimo de topar com as cobrinhas e bem, se Harry já achava os comentários vindo da Lufa-Lufa e da Corvinal, ácidas, não queria nem ver das cobrinhas.
Dentro das perspectivas, Malfoy e seu bando começaram a debochar de Harry e só pararam quando viram Hagrid surgir do fundo de sua cabana com caixotes enormes, contendo um explosivin em cada.
– Levar essa coisa pra passear? – repetiu a instrução, enojado – E aonde a gente amarra essa coisa? No ferrão, no rabo explosivo?
– No meio. Venha me ajudar, Harry! Ah! – exclamou como se recordasse de algo crucial – Acho melhor vocês calçarem as luvas de couro de dragão.
Calcei as minhas luvas e saí para caminhar com o meu explosivin. Na realidade, esse troço era mais que a metade de mim e me arrastava pelo jardim sem maiores esforços.
– Melhorou rápido, infelizmente – sussurrou em meu ouvido, fazendo meus pelos se arrepiarem. Contudo, como sou uma ótima atriz, soube disfarçar muito bem o susto.
Ignorei-o, empinei o nariz e continuei o meu trajeto com o explosivin.
– Corrigindo: é uma pena que melhorou – tornou a provocar, fazendo-me cravar os pés na grama.
– O que você... Quer? –perguntei seriam ao mesmo tempo em que lutava para manter a criatura da coleira parada.
– Vingança. Por culpa sua, estou de detenção com a McGonagall – enfureceu.
– Mais do que merecido depois da tentativa estúpida de me explodir pelos ares – cerrei os olhos – Além disso – suavizei minhas expressões – Eu te disse que na próxima em que nos víssemos, seria você em detenção e eu rindo da sua cara.
Permanecemos quietos e parados no mesmo lugar durante um bom tempo, até minha boca insistente quebrar o silêncio.
– Você ia me deixar lá pra morrer, não ia? – perguntei, fraca.
– Não seja dramática. Você está viva, não está? – retrucou em um tom debochado.
– Eu tenho uma cratera em minha testa e Madame Pomfrey disse que nunca tinha visto tanto sangue perdido!
– Aquela velha... – rolou os olhos – Acredita mesmo em nisso? Você só está brava, porque a situação não foi o contrário e eu tive a grande oportunidade de quase explodir uma Grifinória.
Suas palavras saíram tão assustadoramente firmes que calafrios se apossaram de meu corpo.
– Alguma coisa errada aqui? – Hagrid surgiu de supetão, ao meu lado.
– N-não – balancei a cabeça apressada, vendo Malfoy se mandar rapidinho.
– De verdade? – o professor sorriu amigável.
– Nada que eu não dê conta! – pisquei marota.
– Não é o que eu fiquei sabendo... – indicou minha testa com o queixo – Caso precise de ajuda, sabe que eu posso dar uma palavrinha com o professor Moody, hum? – piscou de volta.
As semanas pareceram parar no tempo. Harry só ficava pior e nada do Rony voltar a falar conosco. Passava a maior parte do tempo comigo e Mione na biblioteca, mas eu sabia que não era a mesma coisa.
Os assuntos que nos apeteciam não eram interessantes aos seus olhos. Tinha uma vontade enorme de discutir Quadribol, como sei que era seu desejo... Porém não tinha essa habilidade. Hermione abominava o esporte e eu... Bem, já havia deixado claro que só sabia torcer e gritar feito: enlouquecida.
Em uma das aulas de Poções, tudo só piorou.
Conosco era assim: pior que está, fica sempre. Infelizmente, é.
Quando cruzamos a porta das Masmorras, vimos os alunos da Sonserina com distintivos no peito. Por instantes, achei ter tido delírios por cogitar a hipótese de eles terem entrado para o F.A.L.E.; uma puta ilusão.
Todos exibiam um: “Apoie CEDRICO DIGGORY e o VERDADEIRO campeão de Hogwarts”.
– Gostou, Potter? – a Doninha disse em voz alta, chamando a atenção de seus colegas – Olha só...
Apertou o distintivo contra o peito e a mensagem girou, sendo substituída por um: “POTTER FEDE”.
Oh, Harry!
As cobrinhas rolavam de rir.
– Muito engraçado!
– Engraçadíssimo – Hermione falou sarcástica para Pansy e as outras garotas da Sonserina que riam mais que qualquer outro, escandalosamente.
Rony estava na batente da porta, juntamente a Dino e Simas. Não ria e tampouco defendia o melhor amigo. Idiota!
– Querem um, Cattleford e Granger? – ofereceu um daqueles objetos monstruosos – Talvez depois, mas não toquem em minha mão, acabei de lavá-la, não quero que duas sangue-ruins me sujem.
Suas palavras venenosas pareceram ser o estopim para Harry. Ele pareceu ler a minha mente, já que sacou a varinha quase no mesmo instante. Pessoas ao nosso redor recuaram assustadas.
Goyle se alinhou ao lado e Draco e empunhou a sua também.
– Harriet! Harry! – alertou-nos.
– Tentem... – sorria convencido – Agora não vai ter Moody nenhum para te defender e Cattleford... Eu já te derrotei uma vez, não seria difícil uma segunda.
Minha mão começou a apertar tão forte a varinha que ficou branca.
Fuzilamo-nos e nos segundos seguintes, um show de feitiços foi proferido.
– Furnunculus! – berrou Harry.
– Densaugeo! – berrou Malfoy.
– Nasus Spongifus! – berrei.
– Rictumsempra! – berrou Goyle.
Foi aí que tudo deu mais errado, ainda. Nossos feitiços ricochetearam no ar e acabaram acertando o alvo incorreto. O de Harry atingiu Goyle que me atingiu e o aceitei de volta. O de Malfoy foi o único que não seguiu o ciclo e foi em Mione.
– Hermione! – foi a primeira vez que Rony se intrometera no dia.
Rony tirou a mão do rosto dela, possibilitando nos ver que seus dentes – antes já meio desproporcionais – cresciam assustadoramente a cada minuto. Os olhos de Mione estavam marejados, não sabia onde enfiar a cara.
Fiquei de coração partido. Ela não tinha nada a ver com isso e acabou levando a pior... Falando em coisa ruim, cutuquei meu nariz, agora esponjoso e senti meu estômago afundar.
– Urrh! – minhas pernas quase vacilaram e minha boca tremeu – Isso é muito assustador – murmurava sozinha.
– Que barulheira é essa?
Ótimo! Tudo de que precisávamos agora era do Morcegão!
– Nós nos atacamos, não é óbvio? – respondi-lhe com petulância.
Snape contemplou Goyle e o mandou para a Ala Hospitalar.
– Malfoy atingiu Hermione! – a forçou a mostrar os dentes que insistia em omitir para diminuir a crise de risos da Pansy e as outras.
– Harriet também!
Snape analisou Hermione, friamente e concluiu:
– Não vejo nada de diferente – foi maldoso.
Mione saiu correndo, pronta para desabar em lágrimas e o que veio a seguir foi mais briga...
Harry, Rony e eu começamos um berreiro insano sobre o quão injusto e grosso ele havia sido.
–... Seboso! – foi tudo que se pode distinguir da gritaria ensurdecedora.
Desgraçados! Calaram-se neste momento, por quê?
Comprimi meus olhos, aguardando a sentença.
– Vejamos... Cinquenta pontos a menos para a Grifinória e detenção para os três – andou até sua mesa.
Maldito. Era tudo ressentimento pela bosta que Malfoy havia aprontado comigo.
– Ah! – levantou o dedo, de costas para nós – E você, Cattleford... Para Ala Hospitalar também!
Tudo que eu precisava!
Fale com o autor