A Chance to Change [HIATUS]
11 Os Campeões
Notas iniciais
– Espero que todos tenham uma estadia confortável e prazerosa!
Uma garota da Beauxbatons, com xale, riu debochada.
– Estúpida – praguejei.
– Ninguém está pedindo pra ela ficar – Hermione comentou raivosa.
Beauxbatons: a escola de frescos e exibidos. Tudo nariz-arrebitado.
– Daremos início ao Torneio após o banquete. Convido vocês a se deliciarem e se sentirem em casa.
As travessas se encheram de comida como sempre, porém desta vez, a variedade parecia maior... É, Hogwarts realmente estava tentando se superar.
– Boujilabaisse!
– Pra você também, Hermione! – Rony respondeu e não pude evitar a risada.
– Não seu tonto! É o nome da comida – lhe dei um tapa na nuca – Tem cara de ser boa... – meus olhos desviaram para uma movimentação suspeita na porta atrás da mesa dos professores – Vejam... É Hagrid! – dei um aceno discreto que logo foi retribuído.
– Acho que descobrimos do que os explosivins gostam, não é mesmo? – Rony disse distraído – Os dedos do Hagrid.
– Com licença, vocês von querer a boujilabaisse?
Era a estúpida que tinha dado risada no meio do discurso de Dumbledore. Que cara de pau, hein? O que uma pessoa não faz por comida.
– Não vou querer e nem assim quero dar pra você – respondi com má educação.
Ela tirou o xale, revelando uma cabeleira loira com um brilho de invejar, lisa e comprida; olhos grandes e azuis e um sorriso genuinamente branco.
Uma verdadeira Barbie humana.
Rony parecia hipnotizado. Sua boca estava demasiadamente aberta, mas nada saía dela. Que vergonha! Comendo ela com os olhos e nem pra disfarçar.
– Ela está brincando – Harry sorriu amarelo – Pode levar.
Apanhou a comida e voltou para a mesa da Corvinal.
– Eu não estava brincando, Potter! Ela merecia ficar sem os preciosos boujilabaisses depois de ter dado aquele riso escroto.
– Ela é uma Veela! – concluiu Ronald.
– É mesmo é? E eu sou uma filha perdida de Godric Gryffindor!
– Estou dizendo! Ela não é uma garota normal!
– Não vejo mais ninguém olhando pra ela com a boca aberta feito um tonto – Hermione se intrometeu, raivosa.
– Diga o que quiserem – erguia a cabeça de um lado para o outro, tentando conseguir uma vista privilegiada da Barbie sem nenhuma cabeça atrapalhando – Eu continuo com a minha opinião. Não se fazer garotas assim em Hogwarts.
Ok. Vou tomar como um elogio talvez?
– Deveria agradecer por essas simplórias palavras? – sussurrei a Hermione, revezando meu olhar entre os garotos.
– Fazem sim garotas legais em Hogwarts – Harry o contrariou com desdém.
Ótimo! Dois bobões apaixonados.
Decepcionada contigo, Harry. Você é da Gina e Gina é sua, assim deve ser. Não pode olhar com cobiça pra a mulher dos outros. Tudo bem que vocês possam não ir muito com a cara do Cedrico, muito menos com o pai bocudo que ele tem, mas olhar para namorada? Isso é ruim.
– Quando vocês voltarem pra esse mundo, poderão ver quem acaba de chegar.
Bartô Crouch se sentou ao lado da mulher grande, Madame Maxime enquanto Ludo Bagman sentou-se ao lado de Karkaroff.
Opa! Eu pensei Ludo Bagman? Acho que duas pessoas conhecidas vão ficar muito contentes com a visita dele.
Depois que esvaziamos as travessas e enchemos o estômago, o diretor tomou a palavra novamente.
Já podia sentir a aura de excitação dominar o ar. Fred e Jorge se inclinaram para frente para prestar mais atenção no que seria dito.
– O Torneiro irá começar... Antes de lhes apresentar as regras, gostaria de apresentar para os que ainda não conhecem: Sr. Bartolomeu Crouch, Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia – aplausos educados foram ouvidos, mas o rosto dele não se contraiu nem em um pequeno sorriso – e o Sr. Ludo Bagman, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos.
Esqueceu-se do: grande pilantra do ouro de leprechaun.
A salva de palmas para o segundo homem foi bem mais viva e alegre. Talvez pelo fato de:
Um: Ludo ser um antigo batedor;
Dois: A expressão sorridente dele ser mais convidativa à cara fechada e inexpressiva de Crouch.
– O Sr. Bagman e o Sr. Crouch tem trabalhado incessantemente nesses últimos meses para a organização do Torneio Tribruxo, por tanto, se juntarão à mim, ao professor Karkaroff e à Madame Maxime na banca de jurados que avaliará os campeões.
As pessoas pareceram ainda mais interessadas só de ouvirem a palavra: “campeões”.
– Sr. Filch... – sorriu.
Filch se aproximou carregando uma arca de madeira com pedrinhas incrustadas.
A curiosidade tomou conta dos alunos. Vi Dênis ficar de pé no banco para enxergar melhor, inutilmente, já que seu porte pequeno mal conseguira ultrapassar uma cabeça dos estudantes mais velhos. Se fosse por mim, levantava-me agora e te carregava nos ombros, garoto.
– As tarefas para o Torneio já foram decididas e avaliadas pelos senhores Crouch e Bagman. Trata-se de três tarefas que serão distribuídas no decorrer do ano, todas servirão para testar os campeões nos mais diferentes quesitos... Habilidades com magia, coragem, poder dedução e agilidade para enfrentar os perigos.
Todos prenderam a respiração. Ninguém sabia ao certo, do que se tratava o perigo, mas todos temeram mesmo assim, pois a seriedade na voz de Dumbledore mostrava que não seria nenhuma coisa boba.
– Três campeões. Um de cada escola. O campeão com nota mais alta pelo desempenho no final levará a Taça Tribruxo. O juiz imparcial será o... Cálice de Fogo!
E então a arca se abriu com uma batidinha da varinha na madeira, revelando um cálice de madeira com as bordas azuis e brancas, incandescentes.
– Para os que quiserem se candidatar... Deverão escrever seu nome em um pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice até amanhã à noite, onde descobriremos quem são os escolhidos.
Escolhidos... Bah! Eu já sou uma e isso basta.
– Lembrando que menores de idade não poderão se sujeitar a uma candidatura. Eu mesmo traçarei uma linha etária para que ninguém caia em tentação. Não é permitido participação de menores de dezessete anos.
Fred e Jorge sintam a indireta. Quero ver como vocês vão fazer pra passar por cima de Dumbledore... Digo, ele é O Dumbledore!
– Ninguém deve entrar no Torneio por entrar. Uma vez escolhido, permanecerá até o fim da competição. É isso. Creio que já está na hora de nos recolhermos. Boa noite a todos.
– Uma linha etária... – Fred tinha os olhos brilhando perigosamente.
Hm... Cara de quem vai aprontar.
– Uma Poção para Envelhecer deve bastar, não é? – desta vez foi Jorge.
– Vocês são doidos de pedra pra acreditarem que Dumbledore não vai prever essa – balancei a cabeça divertida – Quem vocês acham que vão ser os escolhidos?
– Bom, precisaríamos saber quem vão ser as pessoas que querem ser escolhidas, primeiramente, minha cara Harriet. Mas aposto em mim ou no Jorge, óbvio.
Falando em escolhidos... Alinhei-me ao lado de Harry.
– Harry – chamei por ele, discretamente – Harry! – ignorou-me – Potter! – puxei sua manga das vestes pesadas.
– O que... O que foi? – despertou de um transe.
– Preciso que me empreste sua capa de invisibilidade.
– Pra quê?
– Digamos que preciso fazer uma visitinha clandestina à biblioteca – dei lhe um olhar sem-graça que foi correspondido com um suspeito – Ah, vamos, Harry! Não seria a primeira vez...
– Tudo bem – suspirou – Me aguarde na sala comunal, depois que todos já tiverem subido – concordei com a cabeça.
– Onde é que está ele? Onde será que eles vão dormir?
Reviro os olhos. Esses fãs obcecados são fodas, hein? Desista, Ronald. Com certeza, Krum não vai aceitar dormir na mesma cama que você, ponto final.
Para sua sorte, estávamos passando bem ao lado da mesa da Sonserina no momento e Karkaroff andando em direção contrária, para chegar aos seus alunos.
– Voltemos ao navio, então. Está se sentindo bem, Vitor? Comeu o suficiente? Talvez queira um pouco de quentão...
– Eu gostaria de beber um pouco de vinho, professor! – outro garoto, de sobrancelhas grossas e malfeitas se pronunciou.
– Não me lembro de ter te oferecido nada, Poliakoff – retrucou grosseiramente – Vejo que derrubou comida em suas vestes novamente, seu porco!
Porque algo me diz que existia certo favoritismo com o Krum? O melhor... O que uma estrela mundial do Quadribol fazia em uma escola ainda?
Encontramos a Durmstrang na porta e Harry fez questão de parar, para que eles passassem primeiro. Que gentil...
– Obrigado – agradeceu rabugento, quase passando reto.
Eu disse quase.
Milésimos de segundo depois, Karkaroff parou estático, obrigando seus alunos a pararem também.
– É o Harry Potter sim. Ele mesmo... – uma voz surgiu atrás de nós. Moody.
– Você! – o diretor dos dentes amarelos, exclamou num misto de surpresa e terror.
Uhh... Senti cheiro de antigas intrigas no ar. Os homens mais velhos trocaram farpas por olhares.
– Se tem algo que queira dizer a Potter, diga logo – falou sério – Está bloqueando a passagem da porta.
O que não era de fato, mentira.
Esperei todos irem dormir para dar um pulo na biblioteca. Tinha esquecido completamente do que aquela mulher tinha me dito.
A primeira coisa que eu deveria fazer era me proteger. Não existe melhor maneira do que a de atacar o inimigo, certo?
Aqui estou eu, em meados de uma noite de lua cheia... Mentira, nem olhei pra lua hoje. Enfim, estou metida de baixo de uma capa, com a varinha em mãos apontada para a Sessão Reservada, tentando procurar um livro de feitiços que preste.
Livro de Feitiços, por Miranda Goshawk.
Os títulos são tão convidativos [ironia]. Se eles realmente quisessem que as pessoas ligassem para os livros, deveriam começar a pensar em nomes melhores... Até “Feitiços Bam-bam-bam” apela mais que simplesmente: livro de feitiços.
Cadê a emoção, Hogwarts!? Cadê?
Tirei a capa sobre mim e a pendurei em meu braço. Com a mão livre, pego o exemplar com cautela e folheio algumas de suas páginas.
Ninguém iria aparecer agora, de supetão, mas eu é que não queria testar as leis de Murphy; Peguei o exemplar e saí de fininho.
Espero mesmo que Madame Pince não dê falta do livro.
– Miaaaaau!
– Quem está aí? – a voz veluda de Filch me assusta.
Droga! Madame Nora se aproximando, melhor eu me cuidar, porque ela pode ser pequena, mas é uma grande estraga prazeres. Perdi a conta de quantas vezes ela já apareceu pra me deixar em detenção. Odeio-a.
Tomara que um dia ela engasgue com uma bola de pelos!
Agarrada ao livro e sendo guiada pelo pouco de luz que emanava da minha varinha, vou perambulando pelos corredores, de costas, certificando-me que a gata desgraçada não apareceria para me pagar mais uma vez.
Mais um miado. Acelerei meus passos ainda de costas, vez ou outra virando minha cabeça para olhar pra frente.
Foi em uma das viradas que tudo deu errado. Fui jogada para frente, deixando o livro voar pelo ar e segundos depois, ir de encontro ao chão, causando um baque absurdo que ecoou pelos corredores vazios.
Minha varinha se apagou e saiu rolando para outro lado do corredor, ficando esquecida em um canto da parede.
– ALUNOS FORA DA CAMA! – Filch berrou.
– Mas que merda... – murmuro.
– Sangue-ruim?
– Malfoy seu idiota! – amaldiçoei-o com voz baixa, engatinhando no chão para pegar o livro e esconder a capa, antes que Filch o encontrasse – Isso são horas?
– Digo o mesmo.
– ALUNOS FORA DA CAMA! – o grito parecia se aproximar.
– Filch seu abestado, será que podia parar de gritar? – pisquei pesadamente – Cadê a consideração com as pessoas que estão dormindo?
Pego o livro, mas não encontro a minha varinha.
– O que ainda está fazendo no chão? Ele está vindo e vai nos pegar! Levante-se! – apontava a varinha pra mim.
– A minha varinha, seu animal! Não sei onde ela está...
– Procure depois, vamos...
E saiu me arrastando, desleixadamente, até uma das gárgulas do longo corredor.
– Eu sei andar. Eu tenho pernas que a propósito, funcionam muito bem. Será que se importaria de parar de me puxar feito um saco de batatas? – resmunguei.
– Cala a boca! Filch está vindo.
Prendi a respiração, tensa.
– Onde eles estão? Apareçam! Vou encontra-los de qualquer maneira!
Esprememo-nos atrás da enorme gárgula.
– Vai mais pra lá, cretino! Assim ele vai ver uma das minhas pernas.
– Se eu for mais ainda, ele vai me ver por inteiro, Cattleford! – contestou impaciente.
– Seu gordo!
– Não sou eu quem leva praticamente a metade da Dedosdemel a cada visita em Hogsmeade – retrucou.
– Mas como é que...
– Silêncio!
E novamente fiquei tensa.
O zelador estava há alguns metros atrás, com Madame Nora no seu encalço.
Só não saía daqui com a capa e deixava o Malfoy se lascar por motivos de eu ter uma grande consideração por Harry e saber que ele não gosta de espalhar para o mundo que ele tem em posse: uma capa de invisibilidade.
Coloquei metade da cabeça pra fora do esconderijo para dar uma espiada leviana na situação atual.
Filch permanecia empacado no mesmo lugar, movendo a cabeça de um lado para o outro, procurando por indícios que incriminassem. Madame Nora ziguezagueava de um canto para o outro até parar em um ponto específico – metros à frente do zelador — e começar a bater a pata na parede, miando ao mesmo tempo, como se quisesse atenção do homem; Bem no lugar em que nos esbarram... MINHA VARINHA!
Senti meus joelhos fraquejarem e meu rosto perder a cor. Eu estava definitivamente ferrada.
– Eles acharam a minha varinha – encarei-o apavorada, a fala saiu fina e falha.
– E eu com isso? – divertia-se com a situação.
Pensa Harriet, pensa...
Arranquei a varinha de suas mãos e murmurei um:
– Diffindo! – vi metade de uma perna das calças ir ao chão, revelando a panturrilha fina e peluda do homem – Diffindo! – e a outra perna caiu.
Que coisa horrorosa!
Draco ameaçou a rir, porém o censurei.
– Ora! Esses alunos malcriados vão me pagar! – praguejou aos quatro ventos – Vamos, Madame Nora – pediu olhando os estragos da calça.
– Miaaau! – continuava tentando atrair a atenção do dono para o canto.
– Vamos! – ordenou rígido.
Quando eles saíram do nosso campo de visão, saí correndo para recuperar a minha varinha.
– Enfim de volta pra mamãe! – acariciei a varinha – Toma! – devolvi a do Malfoy – Vai me dizer o que fazia fora da cama à esta hora? – perguntei, olhando para o lado onde Filch acabara de sair.
– Não é que seja da sua conta... Mas estava confraternizando com a Durmstrang. Um pouco de quentão, conversa fora. Vitor Krum é um grande amigo meu. Diga ao Weasley que eu cheguei primeiro – cerrei os olhos.
O maldito só me deu satisfações para poder se exibir.
– Isso não impede o Krum de ser amigo do Rony, Malfoy.
– Se você acha... – deu os ombros – E você?
– Eu o quê? – perguntei distraída, enquanto dava batidinhas nas minhas roupas que estavam amassadas e desalinhadas.
– O que você fazia no meio do corredor, sem olhar pra frente... Pra variar – seu tom era entediado.
– Não é da sua conta – revelei petulante.
– Vejamos se não é... – arrancou o livro dos meus braços com o mesmo atrevimento que eu tive para arrancar sua varinha.
– Me. Devolve. Agora – exigi, pausadamente.
– Livro de Feitiços? Pra quê um livro tão avançado?
– Err... Ãn... – fitei meus dedos – Flitwick! Isso, ele pediu para que lêssemos uma lista de livros que ele passou e...
– Mas não tem esse título na lista... Quer saber? Não sei por que ainda estou aqui na companhia de uma Sangue-ruim – me deu as costas – Foi a primeira e última vez que cooperamos um com o outro. Não se acostume – tacou o livro pra trás, fazendo-me sofrer para pegá-lo.
– O mesmo vale pra você. Na próxima, será você na detenção e eu rindo da sua cara. Guarde minhas palavras.
Era um sábado anormal. A maioria dos alunos só tomava o café da manhã mais pra tarde, contudo, a curiosa taça exposta no meio do Salão protegida por uma fina linha dourada, conhecida como Faixa Etária.
– Aposto que alguém depositou o nome ontem, na calada da noite... Bem, eu faria isto. Não me sentiria nada confortável com esse público todo me olhando.
Gargalhadas nervosas na escada atraíram a nossa atenção. Era só Fred, Jorge e Lino correndo, aparentemente muito excitados.
– Acabamos de tomar a poção! Uma gota para cada um. Dividiremos os mil galeões em três caso algum de nós ganhe – Lino contou.
– Prontos? – Fred questionou, com um pedaço de pergaminho com o seu nome em mãos.
Os três saltaram pela linha e por um segundo, as coisas pareceram dar certo. Jorge até grunhiu vitorioso. Todavia no segundo seguinte, foram arremessados quinze metros atrás.
O Salão inteiro ecoou de risadas. Até eles mesmos se permitiram rir. Donos agora de uma barba grande e volumosa.
– Caramba! – exclamava entre risos – Vocês estão muito mais velhos!
– Eu avisei vocês – uma voz risonha surgiu na entrada do Salão – Sugiro que procurem por Madame Pomfrey, ela já está cuidando de outros alunos que também resolveram envelhecer um pouco. Uma pena que a barba deles não tenha ficado tão bela quanto à de vocês.
Pelo resto do dia não aconteceram grandes coisas. Angelina se inscreveu, assim como Cedrico – como muitos já especulavam – e boatos de que Warrington da Sonserina também havia entrado nessa.
Quando deu a hora do almoço, Harry, Hermione e Rony partiram rumo à casa de Hagrid para almoçar. Recusei o convite, pois queria privacidade para fuçar o livro de feitiços que havia pego emprestado ontem.
– Mandem um oi a Hagrid por mim!
O Salão permaneceu o restante do dia cheio de alunos fuxiqueiros interessados em saber quem mais iria ter a coragem de jogar o nome no Cálice de Fogo.
Mais tarde o mudaram de lugar, depositando o cálice bem diante do lugar de Dumbledore na mesa.
Guardei um lugar para os meus amigos que ainda não haviam aparecido desde a hora do almoço. Porém não tardaram a chegar.
– Espero que seja a Angelina – Fred foi franco.
– Tudo menos o Warrington. Ninguém merece aquele trasgo representando Hogwarts como Campeão – fiz uma cara de nojo.
Pelo segundo dia consecutivo, fomos presenteados com um grande e extenso banquete. Com todas as delícias de Hogwarts e muito mais especiarias. Entretanto, ninguém parecia muito interessado na comida. Os estômagos reviravam, mas não de fome e sim de ansiedade pelo grande e tão aguardado anúncio.
O Salão todo se calou ao ver os três diretores de pé, lado ao lado. Ludo Bagman e Bartô Crouch também os acompanhava.
– O Cálice está quase pronto para decidir. Gostaria que os nomes dos Campeões que forem chamados se dirigissem para a câmara logo ao lado da mesa dos professores – apontou.
Com um movimento leve da varinha, todas as velas se apagaram, exceto as escondidas dentro das abóboras. O Salão ficou mergulhado em escuridão e a taça, mais que nunca, brilhava.
De repente, as chamas do Cálice ficaram vermelhas e faíscas começaram a chamuscar o ar; uma chama se sobressaiu do objeto e com ele trazia um pedaço de pergaminho.
– O campeão de Durmstrang será... Vitor Krum!
O Salão inteiro vibrou; Rony mais que qualquer um apesar de não estar surpreso.
Krum se dirigiu à câmara, como foi passado pelo diretor. Os parabéns de Karkaroff foram tão estridentes que qualquer um ouviu apesar das palmas.
Novamente as chamas do Cálice tornaram a se avermelhar e, um segundo pedaço de pergaminho foi cuspido pra cima.
– O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour!
A garota era a mesma dos boujilabaisses, a mesma do risinho idiota... Ela mesma: a Barbie humana.
– Não se emocione Rony! – brinquei – Espera que seja fiel à Hogwarts e não passe para lado inimigo, ruivo!
– Muito engraçada, Harriet – repreendeu-me com os olhos fixos na figura que fazia o mesmo trajeto que Vitor ainda pouco, graciosamente.
– Muito mesmo, ‘tá? – dei leves tapas em suas costas.
– Parece que eles não estão muito felizes, olhem – Hermione indicou com o queixo o canto onde a Delegação de Beauxbatons estava localizada. Duas garotas em especial, debulhavam-se em lágrimas.
Pela terceira e última vez da noite, as chamas ficaram vermelhas e o campeão de Hogwarts foi escolhido...
– O campeão de Hogwarts é Cedrico Diggory!
Hogwarts vibrou com a decisão.
Rony ficou decepcionado.
– Ótimo, teremos um idiota como Campeão – resmungava só.
A salva de palmas foi tão longa que demorou em escutarmos a voz de Dumbledore de novo.
– Excelente! Espero que todos apoiem os seus campeões e deem todo o apoio necessário...
Para a surpresa geral, o fogo tornou-se a ficar vermelho. Era como se o Cálice tivesse instável.
Todos ficaram tensos. Algo havia dado errado...
Vi Dumbledore capturar o pedaço de pergaminho misterioso com receio e ao abrir, seus olhos saltaram da órbita. O choque foi grande.
Ai meu Merlin! Fala logo homem!
Pestanejou várias vezes, por fim pigarreou e deu uma pausa irritante:
– Harry Potter.
Meu queixo despencou. Ri nervosamente.
– Isso é uma peça de Halloween que estão pregando, não é?
O Salão se encheu de burburinhos. Todos encaravam Harry, este estava perplexo.
– Não fui eu. Não coloquei o meu nome ali, vocês sabem disso! – desatou a justificar.
– Harry Potter – o professor chamou – Harry Potter. Aqui, Harry!
– Vai lá – incentivei-o com pena, sorrindo solidariamente.
O choque ainda era muito grande.
Pobre Harry... Por que tudo com ele?
NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
"- Você ia me deixar lá pra morrer, não ia? — perguntei, fraca.
– Não seja dramática. Você está viva, não está?"
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