A Chance for You

53 Tramps and Thieves - Zanark Avalonic


Notas iniciais
Um cap do Zanark o/ Eu não quis deixá-lo romântico e meloso, portanto... Sinto Muito, mas não tem beijo dessa vez ^^' E um plot que talvez seja confuso, me perguntem caso não entendam exatamente :V Título: Vagabundos e Ladrões (Sim, gente palavrão, espero que não se importem, mas não tem nada de mais é só ó título, mesmo ¯_(ツ)_/¯ )

“Se quiser sobreviver, venha, mas se adapte ao meu modo e não me julgue.”

A tempestade fria e cortante, regava aquela mata, refrescando a natureza que ali habitava. Mas ao mesmo tempo que ela dava vida às plantas, trazia morte para outro ser vivo. Correndo mais que ofegante, você caçava um abrigo desesperadamente. Seus pés descalços na grama, se sujavam de lama, que a fazia tropeçar e atrapalhar sua busca. Não achava nada e nem ninguém que lhe desse uma esperança. Seu corpo encharcado, era acometido pelos efeitos de pegar chuva. Durante dias, ficara perambulando a esmo na rua. Não suportando mais, você desaba no solo e seus olhos se fecham vagarosamente, mas antes de perder totalmente a consciência, você pôde avistar a silhueta de um indivíduo se aproximando.

Num segundo, sentia que a morte lhe abraçava. Agora ao abrir suas pálpebras, pareceu que tudo não passou de um pesadelo. Podia jurar que acordaria no céu ou no inferno, todavia ao invés de encarar o julgamento divino, se deparou com um quarto minúsculo de teto escuro e sujo e com uma cama simples, que rangia à medida que se movia.

— Já que despertou, sabe o que vai fazer? — Uma voz pergunta e você avista um homem de vestes simples e meio surradas; cabelos verdes num penteado que nunca havia visto ou achado que existia; íris vermelha escuras e pele morena bronzeada.

Estava confusa e não fazia ideia do que responder. Vivia seus dias sem planejar o próximo, pois você nem mesmo tinha como construir um futuro se quisesse. Não possuía moradia, amigos ou pais. Estava sozinha se preocupando como acordar no dia seguinte com vida.

— Eu... Não sei. — Responde ao vê-lo com expectativa no olhar.

— Eu te salvei, portanto, espero que não faça a besteira de se matar. — Adverte o homem com um olhar perigoso e voz de timbre sério, você se arrepia por causa de sua presença intimidante.

— Obrigada. — Foi tudo o que lhe apeteceu a dizer no momento. Apesar daquele homem ter sido seu salvador, você naturalmente tinha receio sobre ele. Ao mesmo tempo que lhe ajudou, podia ter feito isso com interesse em algo. Seu corpo tremula ao sentir o medo de morrer ou outra coisa acontecer.

Um incômodo silêncio domina o ambiente. Você, segura os lençóis da cama, que lhe cobriam; se encolhe entre eles com timidez, esperando o homem tomar uma palavra ou atitude. De repente, ele se levanta da cadeira que estava sentado.

— Bom, faça o que quiser de sua vida. — Ordena frio sem te olhar e se dirige a saída do lugar. Imediatamente você agarra seu braço. A ideia de encarar a solidão novamente, lhe aterrorizou. Você nem ao menos sabia o nome dele, acabou de o conhecer, mas por um segundo sentiu que podia depositar um pouco de confiança nele. Ao te dar a devida atenção, você se depara com seus olhos vermelhos confusos e hesita no que ia falar, ou melhor, pedir.

— E-eu... E-eu... P-por favor, não me deixe sozinha... De novo. — Seu timbre foi suplicante, você temeu que ele recusasse seu pedido pois não sabia o que ia fazer depois. Ao ver que o segurava levemente com força, o solta. Você se acanha, mas o que podia fazer se agira por impulso?

O homem reflete, praticamente navegando em seus próprios pensamentos no que pareceu ser um tempo infinito. O silêncio chato lhe causando ansiedade em saber qual era a resposta, porque dependendo dela é que iria basear seu futuro.

— Sou um ladrão. Roubo pra sobreviver. — Responde por fim, te encarando seriamente. Agora é você quem se põe a pensar.

— Então porque me salvou? — Você o vê abrir a boca levemente por impulso e logo a fechar, disfarçando. Por um instante, previu uma resposta rude. Não estava sendo ingrata, apenas queria saber porque alguém a salvaria sem um motivo certo.

— Se quiser, sinta-se livre pra me seguir, mas aprenda a encarar que as coisas têm seu motivo, mesmo sendo o que parece.

O que ele queria dizer naquele momento, mais tarde você compreendeu que não devia o julgar pela pessoa que era; demonstrava. Tanto em suas ações, como antes revelara que roubar e também por sua personalidade. Se juntar a ele, significava se adaptar a seu modo de viver. Ou seja, você acabou se tornando uma ladra. Isso é errado? Claramente é, mas se contando de sobreviver, nada importa, pois, vida apenas existe uma. Não roubavam por maldade e sim por pura necessidade. Aquele homem, se chamava Zanark Avalonic, um rejeitado sem futuro, a qual a sociedade o ignorava igual você. Até hoje não entendia a razão de ser salva pelo dito cujo, porém isso é o de menos. Graças a ele, que pôde vislumbrar o nascer do dia mais uma vez. Ele era misterioso, ele era frio e anormal, se analisar sua forma de mostrar que se importa. Contudo sabia que no fundo se importava.

Você não queria que outra pessoa melhor tivesse sido seu herói naquele dia. Zanark era perfeito. O tipo de pessoa que tem mais defeitos do que qualidades, defeitos esse que não fazem diferença quando se admira alguém intensamente. Para você, mais que isso. Ambos amadureceram juntos enfrentando os desafios desse mundo, conheceram e vivenciaram coisas, aprenderam com erros e acertos. Não possuíam dinheiro, não possuíam um teto para sempre chamar de lar ao voltar, mesmo assim, se confortavam tendo a companhia um do outro. Diria até que se tornaram dependente dela.

“Tinham acabado de furtar uma barraca de frutas para comer no desjejum. Ambos formavam uma dupla perfeita quando se tratava dessa situação. Claramente se sentia mal ao fazer isso, mas ou roubava ou passava fome. Porém ao fazer isto, você viu um corte no braço de Zanark. Provavelmente feito na fuga de ambos.

— Não precisa se preocupar, não é um cortezinho que vai me derrubar. — Anunciou com seu jeito sério e de aparência rude ao notar seu olhar sobre o ferimento e fazendo pouco caso.

Mas você já tirou um lenço de seu bolso e começou a limpar o sangue de seu braço cuidadosamente. Ele, pareceu se assustar, porém, permitiu que continuasse.

— Me deixe cuidar de você, é o mínimo que posso fazer pra lhe agradecer. — Você pede tímida.

— Ficar junto a mim é o bastante. — Ouve ele murmurar algo que você não teve certeza e não quis perguntar o que era para evitar constrangimento.”

Foi uma lembrança muito singela e sem muita importância. Mas qualquer momento com a pessoa que gosta, traz felicidade mesmo sendo algo bobo. E haviam discordâncias, opiniões divergentes, que felizmente em nada interferiam.

Essa relação foi nascendo aos poucos e você pôde presenciar as várias faces daquele homem. Primeiro de um instrutor, que zelava pelo seu bem-estar sem mostrar; depois um amigo com quem podia compartilhar segredos; um irmão que podia contar e... Um amante que não correspondia a seu amor. Você estava satisfeita nutrindo um sentimento de apenas um lado. Infelizmente esta satisfação não era o bastante pra lhe contentar.

Tudo estava bem assim, não precisava de mais nada.

Mas, felicidade dura pouco e não vem sem um porém.

Vocês corriam pelas ruas no claro do céu matutino. Carregando sacos fartos de comida, escapavam por somente querer se alimentar; eram perseguidos freneticamente. Ninguém queria entender os motivos de estarem roubando, apenas os julgavam; enxergavam apenas o que faziam. De repente, foi tudo muito rápido. Você tropeça e torce o tornozelo, Zanark estava na frente por ser mais ágil e veloz, saía em disparada enquanto você era capturada pelos cidadãos enfurecidos, que amarraram seus braços e pernas e chamaram as autoridades. Seus olhos assistiam em choque, a visão de seu amado lhe abandonando sem pensar duas vezes. A decepção fora um baque. Depois de tudo achara que tinham criado algum tipo de afeto, laços especiais. Mas Zanark Avalonic, te deixou como um nada, assim como te deixaram naquela mata chuvosa sem ter piedade de sua pessoa.

Sem querer, lágrimas amargas saltaram de seus olhos desapontados.

Na prisão, você teve seu coração destroçado por ver que durante quatro dias ele não deu sinal de vida. Na manhã seguinte, você veria seu destino e julgamento pelos crimes que cometeu. Mesmo que apenas roubassem comida, atos assim eram intoleráveis, para a tão chamada justiça. Contudo nada lhe importava ao cair na realidade e constatar que estava enganada sobre a única pessoa que depositou plena confiança. Durante o tribunal, você nada ouviu pois não queria saber de mais nada, só ia viver cada dia a partir de agora como se não ligasse; à toa. Uma explosão estrondosa destrói tudo e espanta todos, inclusive você. Uma cortina de fumaça se forma enquanto tenta se proteger da destruição. Dela, simplesmente aparece um Zanark de expressão raivosa.

— Se vocês ignoram nossa existência, pelo menos nos deixem viver! — Esbravejou alterado. E então, você viu algo que jamais imaginou. Zanark faz raios saírem de suas mãos e uma espécie de energia poderosa lhe apossou o corpo. Era chocante, todos no local se encolheram amedrontados. À medida que o rapaz chegava perto de onde você estava, as pessoas evitavam contato com ele. Você apenas esperou até Zanark se aproximar. Não houve palavras entre ambos, ele apenas a pegou no colo ao estilo noiva e saiu lhe carregando. Esboçava uma feição indignada e feroz, mas não a olhava. Você não fazia ideia do que ocorria, apenas se deixou levar. Ninguém ousou impedi-los.

Finalmente num lugar seguro, onde não existia quem os criticasse e os excluísse da sociedade por serem diferentes, você ansiava por uma merecida explicação. Ambos se acomodaram no alto de uma montanha longínqua.

— O que foi aquilo, Zanark? — Indaga mantendo o olhar para ele sempre.

— Eu já disse pra você que sou um rejeitado. — Ressaltou o óbvio, fixando num ponto morto do chão. — Isso não queria dizer só por não me darem esmola pra poder comer. — Explica com tom de voz denotando amargura e desprezo durante o relato. — Eu sou anormal. Tenho poderes e tudo mais. Não falei nada porque... Uma parte egoísta de mim queria que ficasse a meu lado. — Sua face adquiriu uma tímida cor rosa. Na verdade, o rosto de ambos. Com essa confissão, você sentiu que enfim, poderia deixar de continuar essa relação que apenas um sentia em segredo. — Mas... Ao mesmo tempo não queria complicar as coisas pra você. — Contestou abaixando o olhar, as palavras saíam dificultosas para ele. Um detalhe que notou, foi que o Avalonic não é bom com elas, nem gestos afetivos.

— Zanark, está na hora de me contar sua história. Ou parte dela. — Pediste com olhar implorante. Há anos que se conheciam e o moreno se fechava debaixo de sete chaves. Agora mostrava ser uma caixinha de surpresas.

— Certo. — Assentiu suspirando para criar coragem. — Por causa dos poderes que me escolheram, a humanidade resolveu me excluir como se não existisse. — Fitou o céu enquanto cruzava os braços reflexivo. — Já tentaram me controlar... Me exterminar. Não deu muito certo. Me prenderam e eu fugi. — Zanark mexe nos cabelos verdes num leve sinal de nervoso. — Aí depois de muita burocracia, falatório e acordo, deixaram que eu pudesse viver, mas como um completo invisível.

— Por isso ninguém se aproxima de você. — Ressaltou pensativa unindo os pontos da história.

— E por isso também passaram a te excluir. Eu não quero isto pro seu futuro. — Admitiu quase se engasgando no processo; olhar jamais encontrando o seu. — Se viver comigo, terá que suportar a exclusão de todos. Então?

— Então tudo bem. Contanto que a gente fique junto, não ligo, porque mais ninguém se importou comigo como você, Zanark. — Responde sem pensar duas vezes, mencionando cenas de seu passado quando vivia implorando e quase gritando de fome e não atendiam sua ajuda, mesmo não sendo “anormal” como ele. Sua resposta rápida o assustou e dessa vez, o obrigou a te encarar. Ficaram assim um lapso de tempo. Aquele que te deixa constrangida e tensa. De repente o moreno chega perto de seu corpo lhe aquecendo com seu calor, apesar de aparentar que era frio por dentro. Braços muito fortes agarraram-na a forçando a sentir seu ar masculino de perto. Agarraram como se não pudessem soltar, com desespero e vontade. Você estava contente, mas não totalmente. Esperava um beijo e uma confissão direta. Porém teria todo o tempo do mundo, Zanark Avalonic era um ladrão, que acabou roubando seu coração e você, trazendo felicidade ao dele.

Notas finais
PS: A partir da one anterior eu adquiri o hábito de criar frases de início, eu ia fazer uma capa de capítulo também, mas não achei imagens boas :/ Beijos e Abraços da Dark - See Ya!