A Chance for You

54 My Medicine - Alpha


Notas iniciais
A inspiração, veio de um efeito do Photoshop (Action) que uso em minhas capas ^^' Título: Minha Medicina/ Meu Remédio Sem criatividade pra notas da história e.e

“Me mandaram ir num cardiologista, talvez eu tenha sido mal interpretado ou não tenha explicado direito, mas agora não importa, porque foi a melhor coisa que fiz.”

Dez horas da noite, fim de período, ou quase. Faltava mais um paciente para concluir seu turno e descansar em sua cama, a qual já devia estar lhe chamando, mas tinha que acabar seu serviço. Especialmente porque é um que exigia o máximo de cuidado com as pessoas e atenção. Então mesmo que quisesse partir para casa, devia atender mais esse ser humano. Ajeitando seu jaleco branco e olhando a tela de seu monitor, você decide o chamar. Um rapaz, um moço sendo mais específica, de idade entre vinte e poucos anos adentrou seu consultório. Madeixas roxas num penteado bem incomum que lhe despertou atenção; olhos cinza grafite que pareciam não possuir brilho, sem vida e de uma frieza intimidante; uma pele branca rosada de aspecto saudável, mas uma aura tensa. Porém o corte de cabelo por sua vez, espantava toda sua tensão porque a lembrou de... Um Coala. Tratou de ignorar ao ver o jovem se acomodando na cadeira à sua frente.

— Então... Alpha, certo? O que há de errado? — Indagou após se apresentar e lhe apertar a mão mostrando um sorriso acolhedor.

O rapaz pensou um pouco ao responder, mas logo soltou a voz.

— Doutora, eu... Meu coração... — Começou e você já notou o quanto ele tinha uma voz serena. — À algum tempo tenho sentido umas dores.

— Desde quando exatamente? E onde? — Você pergunta, digitando em sua ficha médica, as queixas.

— Na verdade há alguns anos... — Responde passando as mãos pelos cabelos. — E bem aqui. — Apontou para o lado esquerdo.

— Anos? E você nunca foi num médico saber dessa dor? — Indaga espantada. Como alguém pode esconder algo sério como dores no coração? É um órgão delicado.

— Não. Foi por isso que me recomendaram vir aqui. — Explicou meio hesitante ao falar.

— Certo Alpha. Você vai ter que fazer alguns exames para mim. — Informa enquanto prescrevia digitalmente o pedido para ele os fazer. — Volte quando pegar os resultados. Quanto à essas dores, por enquanto não poderei fazer nada.

— Tudo bem. Se já suportei por anos, posso aguentei mais um tempo. — Concorda decepcionado.

Se despedem e enfim, ambos podem ir para seus lares. Você sente pena daquele paciente, sentir uma dor durante anos... Mas por que ele nunca tentou sequer ir à um médico? De qualquer forma, não podia dar nenhuma medicação até que constate se ele não tem problemas mais graves ou a situação se agravaria para os dois. É isso o que uma cardiologista faz. Você seguia a profissão de seus sonhos após finalmente terminar de estudar com tanta dedicação. Tantas noites mal dormidas; tantas festas deixadas de lado. Tudo por uma carreira que a deixava contente. Com tantos ramos e áreas da medicina, você optou por cardiologia por querer desvendar os segredos do coração, nos dois sentidos: físico e emocional, apesar da ciência nos explicar o primeiro.

❣ ✿ ❣

— E então? — Questiona Alpha com muita expectativa no olhar. Se passou uma semana e ele havia feito os exames. E esperava enquanto você examinava os resultados.

— Praticamente não há nada de errado. — Anunciou o vendo abrir um pouco a boca em surpresa. — Sente-se aqui. — Indicou a maca, a qual ele sentou.

Você coloca seu estetoscópio por debaixo de sua camisa e ele parece se arrepiar pelo toque frio do instrumento além de demonstrar incômodo pela proximidade. Logo após, examina a pressão arterial. Nada fora do normal em uma pessoa.

— Bom, realmente não há nada. Ainda sente as dores? Em que intensidade são?

— Fortes. — Alpha estava perplexo por dentro. Disseram-lhe que seu problema seria resolvido ali.

— Sendo assim, terei que pedir exames mais detalhados.

❣ ✿ ❣

O mesmo homem de cabelos roxos retorna ao seu consultório. E a mesma situação da semana passada acaba se repetindo. Exames totalmente normais e as mesmas queixas dele. Novamente você conferiu sua pressão e os batimentos. E de novo ele se comportou de maneira incômoda perto de você.

— Isso não faz o menor sentido. — Você confessa e tenta não deixá-lo nervoso. O que estava acontecendo afinal? Não poderia ser um daqueles casos enigmáticos de séries televisivas, poderia?

Você se põe a anotar tudo o que ele se queixava e todos os exames. De repente, Alpha começou a falar.

— Não entendo. Desde que Beta terminou comigo, essa dor não para. Eu só queria que isso passasse de uma vez porque fazem anos, isso me atrapalha. — Cuspiu tudo aquilo num desabafo. Você parou o que fazia no mesmo segundo. Aquele mistério estava solucionado.

— Espere, como assim? — Perguntou em confusão, era o que estava pensando mesmo? Alpha fitou seus olhos e se explicou.

— Há dois anos eu terminei um namoro com uma garota. — Manteve seu olhar baixo pela vergonha. — E desde então, não consigo deixar de pensar nela por mais que queira. Isso chegou ao ponto de atrapalhar minha vida. Não posso mais fazer nada direito. Por isso, disseram que seria melhor vir aqui. — Concluiu calmamente, mas era possível notar sua ansiedade e timidez.

Você não sabia o que fazer ou dizer. Será que ele estava zombando de sua cara e fazendo brincadeiras? Não. Aquele rapaz não parecia fazer esse tipo de coisas, mostra maturidade no olhar. Foi aí que num baque, se lembrou. Aquele penteado lhe foi familiar desde o princípio, como esquecer do garoto na faculdade que vivia respondendo às perguntas com “Yes” e “No”?

— E... Quem foi que lhe disse pra vir aqui? — Tirou a dúvida que faltava para juntar as peças.

— Gamma... E Fey, dois amigos meus. — O moço responde pensando na cena dos dois amigos quando o ajudaram.

— Tá explicado. — Você confirma tudo. E volta a dirigir a palavra à ele. — Alpha... Sou uma cardiologista. Isso significa que eu cuido de corações...

— Então pode dar um jeito no meu? — Questiona sério ao te interromper, mas demonstrando uma pontada de esperança. A pergunta te pegou de surpresa. Suas bochechas coraram. Era uma confissão direta?

— Er... Não é bem isso que quero dizer. Eu trato da parte física, Alpha. O seu problema é emocional. — Esclareceu com cuidado.

— Não entendo. — O rapaz estava claramente confuso. Mexeu nos cabelos tentando interpretar com clareza.

Lembrou-se totalmente. Alpha estudou com você junto de Fey Rune; Gamma e Beta. Todos colegas antes de entrar na faculdade, mas seguiram diferentes cursos. Alpha era um rapaz introvertido de poucos amigos. Extremamente calado e por vezes isolado. Mas o que mais lhe chamava atenção era o fato de ser lerdo em certos assuntos e agir como se não tivesse mesmo emoções. O motivo disso provavelmente deve ser por culpa de problemas pessoais que ele jamais revelou pra ninguém. Enfim, Alpha não compreendia ao certo seus sentimentos.

— Significa que eu vejo se o coração ainda bate e cumpre sua função bombeando sangue, porque você sabe, todos fazem isso, certo? — Ele assente entendendo aos poucos. — É diferente da dor que você se queixa. Ela exige mais cuidado com outro profissional.

— Entendo. — Afirma o de cabelos roxos, absorvendo todas as informações em silêncio. — Desculpe essa situação incômoda e toda a confusão. — Se desculpou arrependido. E já ia sair, quando você o impediu.

— Espere. — O chamou tendo aqueles olhos frios para si. Imediatamente você paralisa um lapso de tempo. — Sei que não sou a pessoa certa pra resolver seu problema. Mas... Se quiser posso tentar.

Alpha refletiu um pouco. Olhou para você e se aproximou. Um instante se passou como uma eternidade até o rapaz rodear seus braços e colar seu corpo no dele num gesto amável.

— Obrigado. — Agradeceu e saiu.

Corações são fascinantes. Por isso quis trabalhar com essa área. Desde os tempos de faculdade, você não entendia a complexidade daquele rapaz. Isso despertou algo na época, que manteve em sigilo até hoje e decidiu esquecer. E agora lá vinha o passado novamente acordar isso. Talvez seja uma nova chance de fazer o que queria antes? Você devia estar com raiva e indignada por se dedicar à um paciente que pareceu brincar com algo sério, porém era impossível ficar com raiva dele. Alpha sempre foi um enigma.

❣ ✿ ❣

Era como ensinar uma criança sobre o amor. Alpha queria saber coisas simples. Tinha que ter paciência. Mas se recusava a dar esse “caso” por assim dizer, para outra pessoa, não lhe agradava a ideia dele ser tratado por outra médica além de você.

Porém Alpha acabou reclamando daquelas dores de novo.

— Alpha? O que aconteceu? — Indagou ao vê-lo no consultório.

— Aquela dor nunca passa. Eu gostaria de um remédio especial. — Exigiu calmo.

— Remédio especial? Como o quê? — Você estranhou seu pedido.

Porém como um gato sorrateiro, ele chegou tão perto que nem percebeu direito e tomou sua boca para si, separando para responder.

— Você. Eu quero você sendo minha medicina. — A chama antes esquecida por anos em seu corpo, se acendeu num segundo. — Porque só quando estou do seu lado, eu melhoro. — Completou.

— Claro. — Aceita de imediato sentindo paixão lhe dominar. — Serei seu remédio pra sempre.

Como da primeira vez, ele foi o último do dia a ser atendido. Porém, nenhum de vocês teve qualquer pressa em voltar para casa. A porta estava bem trancada. E somente as paredes do consultório testemunharam a médica dando sua medicina especial e o paciente de cabelos roxos desfrutando dela ao máximo pois não é um remédio que todos odeiam, é um que ele queria cada vez mais.

Notas finais
Beijos e Abraços da Dark - See Ya!