A Chance for You
42 The question - Ryugel Baran
Notas iniciais
O natal é sempre uma época de alegria e felicidade, onde famílias e amigos se encontram para comemorar, dar presentes e ceiar juntos. Não tinha como alguém ficar triste nesse feriado tão especial para todos certo? Só que não. Infelizmente para você seria apenas mais outro dia comum, pois você encontrava-se sozinha em sua casa, sem amigos, sem família, apenas com seus próprios pensamentos fazendo-lhe companhia.
Para expulsar o tédio, você tenta encontrar algo na televisão, mas só havia programas especiais de natal; filmes natalinos; notícias; etc. Na internet pior, mensagens de Feliz Natal, pessoas comemorando animadamente ou esperando até dar meia-noite pra mandar felicitações para todos nas redes sociais. A única coisa a se fazer... Era nada, ou rezar para algo inacreditável acontecer; ou alguém aparecer para lhe distrair.
E neste momento a campainha de sua casa toca. Abismada com o acontecimento, você corre para atender a porta se perguntando quem seria e ao abri-la, uma surpresa literalmente.
— SURPRESA! — Você olha paralisada para seus dois amigos loucos, os irmãos Ryugel e Gandales Baran, com gorros vermelhos na cabeça vestidos de papai noel e com dois presentes nas mãos. Ambos foram entrando sem pedir licença.
— Err... — Você fecha a porta atrás de si e tenta encontrar as palavras certas para perguntar o que diabos era aquilo, mas simplesmente inspira e expira. — O que vocês dois estão fazendo? — Com um tom de voz normal você pergunta. Não queria ser rude ou arrogante.
— Viemos te fazer companhia. — Gandales responde com um grande sorriso no rosto.
— Aliás onde vamos dormir? — Ryugel questiona te deixando confusa.
— Como assim? — Você responde com outra pergunta.
— Como assim? 'Como assim'? — Seu cérebro buga por um segundo e o albino continua. — Vamos dormir aqui oras! Não tem ninguém em casa também.
— Pelo menos vocês têm um ao outro... — Você lamenta tristonha.
— É por isso que viemos. Dizem que não é legal ficar sozinho nesse feriado. Ryugel-nii e eu nunca comemoramos o natal. Essa vai ser a primeira vez. — Gandales diz ainda sorrindo.
— Oh... — Sua expressão era de surpresa.
— Ah sim, quase esquecemos! — Ryugel exclama e lhe entrega um presente. — Feliz Natal! — Antes a expressão dele que estava meio séria, agora se torna alegre.
— Eh?! Pra mim? Sério? — Ele afirma, sem graça. Você pega o embrulho. — A-Arigatou.
— Feliz Natal, aqui tem o meu! — E Gandales mais sorridente que antes, também vem lhe entregando outro presente. Novamente você agradece. — Vai abre! — Ele pede.
A princípio você encara os embrulhos receosa e hesita um pouco em abrir. Vindo desses dois podia ser algo esquisito, como no dia de seu aniversário em que recebera uma pequena Madowashisou* como presente. A planta vinda do planeta Ratoniik se mostrou furiosa por ser retirada de seu lar e destruiu quase tudo ao redor. No fim, tudo acabou bem e ambos os irmãos se desculparam dizendo que apenas fizeram aquilo por você gostar muito de flores e plantas.
Você fecha os olhos e abre o primeiro, ao constatar que não era nada perigoso ou explosivo, termina de abrir o resto e se depara com um objeto brilhoso. Uma gargantilha de ouro com um pingente de rosa que tinha pedras de várias cores. Algo lindo sem dúvida, seus olhos se admiravam.
— Gostou? — Ryugel pergunta ansiando a resposta.
— Adorei. — Você responde sorridente. Ele se oferece para colocá-lo em seu pescoço, você autoriza.
— Ficou bonito em você. — Seu rosto cora com o elogio dele.
— Agora abra o meu! — O irmão mais novo pede.
Ainda hesitante você abre pois havia ainda a possibilidade de algo ruim sair de dentro. No entanto era apenas mais outra jóia, dessa vez uma pulseira bem diferente e peculiar. Tinha um fecho dourado e um enfeite no meio, circular como se fosse um relógio, mas no lugar dos números havia uma nebulosa, cheia de estrelas e cores coloridas e alguns planetas. Era uma pulseira tipo galáxia.
— Que lindo! — Você elogia e dá um abraço no moreno causando uma expressão emburrada no outro.
— Gandales acabou escolhendo o melhor presente... — Ele diz. Você também o abraça dizendo que tinha gostado dos dois.
— Vamos comer? — Você os arrasta para a cozinha.
...
A ceia de natal não tinha sido extravagante, na verdade fora apenas um jantar normal.
— Gomenasai. — Você se desculpa após terminarem. — Se soubesse que viriam, teria feito uma coisa mais especial, e até dado um presente para vocês. — De fato se sentia um pouco triste por não ter se lembrado de seus dois amigos, que realmente se importavam com você e se incomodaram em passar o natal em sua casa.
— Ficar junto de você já é especial, então não se preocupe. — Gandales diz sorrindo como sempre. A honestidade e a inocência com que ele disse essas palavras lhe tocaram o coração.
— Isso mesmo, afinal como dizem, não é os presentes que mais importam e sim as intenções e os sentimentos da pessoa que está sendo presenteada. — Ryugel fala com ar de inteligência e um sorriso também.
— Ryugel-nii você é um gênio! — Gandales elogia o irmão.
— Não diga mais nada Gandales. Não diga mais nada. — Você dá uma breve risada e em seguida abraça os dois calorosamente.
...
A noite se passou. Vocês jogaram, assistiram filmes e até observaram pela janela a neve cair. Até o mais novo dos irmãos dar um longo bocejo e coça os olhos levemente.
— Estou com sono... — Ele diz e você sai para arrumar as camas pra dormirem. Ao voltar, se depara com os dois em frente a sua árvore de natal e aparentemente mexendo em um dos enfeites.
— O que estão fazendo?
— Só observando. Essa árvore de natal tem muitos enfeites. — Ryugel disse analisando. — Pra que tanta coisa?
— Pra deixar a árvore cheia e bonita. Vocês sabiam que ela tem um significado? — Eles negam com a cabeça. — A árvore simboliza paz, alegria e esperança e quanto mais decorada, simboliza também a vida. — Você conclui percebendo o quanto eles ficavam admirados.
— E cada um desses enfeites significa o quê? — O albino pergunta.
— Bom, não sei se todos têm um significado, mas sei que a estrela representa a estrela que guiou os três magos até o local onde Jesus nasceu. Vocês ficam em silêncio alguns segundos até outro bocejo os interromper.
— Eu já arrumei as camas. — Você então leva os dois até um quarto contendo uma cama de casal. — Vocês se importam de dormir juntos? — Você questiona sem graça, ambos dizem não.
— Mas e você? — Ryugel te pergunta com um tom preocupado.
— Eu durmo na sala.
— Não parece confortável. — O albino analisa.
— Por que não dorme com a gente? — Gandales pergunta inocentemente. — Não é mesmo Ryugel-nii?
— Grande ideia Gandales. — Ryugel elogia.
— Não, não, tudo bem eu fico na sala mesmo. Boa noite.
— Boa noite. — Você ia se dirigir a sala quando o mais novo lhe dá um beijo nas maçãs do rosto. Você retribui e sai do quarto.
O mais velho dos irmãos também sai e te acompanha até a sala.
— Não vai dormir? — O albino diz não.
— É que eu queria perguntar uma coisa...
— Pode falar.
— Você realmente gostou do meu presente? — Ele coça os cabelos sem jeito. — É que foi mais simples que a pulseira de Gandales...
— Claro que gostei. Como você disse não é o presente que importa. Eu pensei que ia passar esse feriado no maior tédio, mas vocês vieram aqui só pra não me deixar sozinha. Isso pra mim vale mais que qualquer presente.
— V-verdade? — Ele pergunta parecendo feliz com suas palavras. Você afirma. — Ah mais uma coisa... — Ryugel vai até a árvore.
— E esse enfeite aqui? É uma fruta? — Ryugel aponta para um visco pendurado na árvore.
— Isso é um visco. — Você responde meio confusa, não se lembrava de ter colocado aquilo.
— E tem um significado? — O albino pergunta mais curioso.
— Não exatamente... É meio que uma tradição.
— Como assim? — Ele pede, mas você hesita não querendo explicar o que significava.
— Não é nada importante, eh... Vamos assistir alguma coisa? — Você tenta desviar o assunto.
— Mas eu queria tanto saber... — Novamente ele pede com um tom manhoso.
— É constrangedor...
— Onegai? — Rendida, você desiste sabendo que o albino insistiria a noite toda se possível.
— Certo... Esse enfeite representa uma tradição. Quando duas pessoas estão debaixo de um visco de natal, elas devem se beijar, é isso. — Você conclui corada. — Agora vamos?
— Então temos que nos beijar? — Ele pergunta pensativo.
— Sim, digo NÃO! É uma tradição levada bem a sério, mas não é necessário. — Você retruca desviando o constrangimento.
Entretanto você apenas sente algo tocar suavemente a sua boca e se separar. Fora algo rápido, mas o suficiente para você poder sentir o sabor e o calor daqueles lábios macios.
— Vamos? — Ainda sem reação ele te puxa para o sofá e assistir um filme qualquer, o qual você não prestou atenção, pois estava pensando ainda naquele curto gesto de antes. Até o albino lhe chamar atenção. — Ano... Toda vez que passarmos debaixo do visco temos que beijar?
— Eh?! Não. — Você nega corando mais ainda.
— Que pena... — Ryugel diz com um ar de decepção.
— Digo n-não é necessário... Mas, você pode. — Você completa a frase e recebe um abraço apertado.
Enquanto isso escondido em um canto escuro do cômodo, Gandales observava a cena com um sorriso. Realmente fizera bem em colocar aquele visco na árvore.
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