A Chance for You
11 Tell me What you Want - Suzuno Fuusuke
Notas iniciais
Mais um show havia terminado. Você desceu o palco glamourosamente enquanto os fãs continuaram gritando por bis. Entrou no carro que te esperava do lado de fora, onde ocorrera o evento e partiu para casa, onde poderia enfim descansar. Ser uma cantora famosa não foi nada fácil, mas você conseguiu e agora desfrutava os bons momentos como podia.
Ao chegar em seu lar, você toma um demorado e relaxante banho; janta e se prepara pra poder dormir. Porém algo lhe chama atenção à janela. Sem hesitar, vai até ela e abre uma fresta. Seus olhos avistam um ponto branco entre as folhagens do jardim de sua casa, na verdade mais pareciam os cabelos de alguém, e ao estreitar as orbes, você vê uma câmera.
Era ele.
Sim, ele que sempre estava presente em todos os seus shows, dentro e fora do país. Sempre lhe seguindo discretamente, esperando o momento para te flagrar em várias situações. Ele que à toda hora carregava aquela câmera e te dedicava inúmeros Flashs. Aquele que você via todos os dias desde o começo da sua carreira, dia, tarde, noite, em qualquer lugar e hora. Ele, o paparazzi de cabelos brancos e olhos azuis gélidos com uma expressão calma e fria. Suzuno Fuusuke.
Você sai da janela rapidamente. Não seria agradável ver uma foto sua de camisola vazando na mídia. Você desliga as luzes e tenta dormir, mas ao saber que ele podia ainda estar no mesmo lugar, algo a incomodava. Sendo assim, você abre uma fresta da cortina de seu quarto novamente e espia.
Inacreditavelmente não havia mais ninguém. Seus olhos percorrem todo o jardim procurando a cabeleira branca e não avistam nada além de plantas. Não conformada, você caminha para fora de casa. Com sua curta camisola de seda, vasculha todo o local sem nenhum sucesso. E enfim dando-se por vencida, começa a voltar para dentro.
Até que um ruído vindo das folhas lhe chama atenção. Viraste repentinamente procurando o que causou o barulho e não achou nada. Assustada, aperta o passo, mas acaba tropeçando em uma pedra.
— Kya! — Você grita antes de desabar no gramado úmido do jardim. Lentamente se levanta e ajeita a camisola, que subiu durante a queda. Então, novamente o barulho só que desta vez mais alto, surge. Sem pensar duas vezes, você corre e entra dentro de casa. Ao espiar pela cortina de novo, apenas vê uma figura correndo para fora dos portões de sua propriedade.
...
Passaram-se alguns dias depois do ocorrido. Você se encontrava em uma cafeteria no momento e por mais incrível que pareça, sua agenda estava vazia hoje, portanto aproveitava ao máximo até retornar à sua costumeira e agitada rotina. Tirando o fato de alguns paparazzi incomodarem-na, as coisas estavam tranquilas.
Um tempo depois, todos eles se retiraram e um começa a vir em sua direção. Cabelos brancos como neve e olhos gélidos.
— Senhorita? — Seu olhar direciona a ele. — Posso me sentar aqui?
— Claro. — Com sua permissão, Suzuno Fuusuke senta à sua frente. Você espera até ele se pronunciar.
— Vou ser direto com você, ok? Tenho aqui um material interessante que pode te agradar. — Dizia ele com tom sério.
— Que tipo de material? — Completamente confusa, não fazias ideia do que isso significava.
— Uma fotografia, gostaria de vê-la?
— ... Sim. — Responde meio hesitante.
Ele tira uma foto da bolsa que trazia e lhe entregou. No instante em que bateu os olhos nela, suas bochechas ficam vermelhas e quentes. Sua boca se abre um pouco de surpresa. Seu corpo ficou estático. Aquela foto mostrava você caída no gramado do jardim, vestindo uma camisola transparente, sua calcinha e suas pernas totalmente expostas. Ainda de bônus estava sem sutiã.
— Então... Foi você... — O impacto causado pela foto ainda estava presente.
— Até agora eu não consigo entender, como uma garota sai desse jeito sabendo que tem um cara no quintal de casa. — O tom do albino parecia ser acusador. — Você é doida?
— ... — Apenas ficaste em silêncio o escutando.
— Eu podia ter te agarrado ali e feito qualquer coisa. Ninguém iria ver nada... — Ao ouvir isso, sua expressão mudou para surpresa, ele tinha razão. — Mas, não sou esse tipo de pessoa. — Concluiu com seu costumeiro tom frio.
— Certo. Mas por que está me mostrando essa foto?
— Sei o que quer dizer. Eu podia ganhar um bom dinheiro vendendo isso à uma imprensa... — Suzuno explica em tom pensativo, provavelmente imaginando se devia fazer isso ou não.
— Mas não vai! — Você pega a fotografia e a rasga em mil pedaços. Com um sorriso vitorioso, fita o albino à sua frente. — Agora a preciosa foto já era.
— Hum... Você fez isso mesmo. — A expressão dele estava indiferente. Você alargou ainda mais o sorriso esperando que Suzuno ficasse em choque pela "relíquia" partida em pedaços na mesa. Porém, em vez disso, um sorriso sacana se formou nos lábios dele. — Infelizmente, devo lhe dizer que esta aí era apenas uma cópia. A original está bem guardada.
— O... Quê? — Seu sorriso de vitória se transformou em um de derrota.
— Eu sabia que iria fazer isso, então decidi me prevenir. Fiz pelo menos umas três cópias tirando a original.
— E o que quer me dizendo tudo isso?! Me irritar? Já não basta você me perseguir feito um stalker todos os dias, quase vinte e quatro horas?! — Esbraveja um pouco alterada.
— Eu queria fazer um acordo. — Propõe ele seriamente.
— Acordo? Explique. — Pediste impaciente.
— É o seguinte, eu não irei mostrar a foto a ninguém, mas... — Ele fez uma pausa te deixando curiosa. — Vou querer algo em troca.
Ao ouvir essas palavras, seu alívio foi imediato, porém durou pouco. O que esse paparazzi podia querer de você? Dinheiro? Provável. Mas, se tudo isso for mentira? Quer dizer, se este stalker maluco estiver aprontando algo?
— Você disse que a original está guardada? — Questiona.
— Sim, por que a pergunta?
— Quero vê-la, pra garantir que não está mentindo.
— Bem, ela está em minha casa. Se você quiser que eu te leve...
— Sim. — Sem pensar responde de imediato.
...
Vocês se dirigiam de carro a suposta casa. Os vidros do veículo eram escuros de modo que não se podia ver nada dentro. A viagem seguia silenciosa. Você se distraía com seus próprios pensamentos. Afinal, como exatamente se meteu nesta situação? Admitia para si que a culpa é sua, nada disso teria acontecido se ficasse dentro de casa naquela noite, ou melhor, podia ter chamado a polícia. De fato, sempre andas se queixando desse garoto que não lhe dava privacidade, mas você nunca fazia nada contra ele.
Contudo a pergunta que mais lhe cutucava a mente era: Por que tanta dedicação com você? Existem milhares de celebridades por aí dando sopa, prontas para serem flagradas pelos paparazzi, mas Suzuno Fuusuke apenas continuava tirando fotos comuns e sem sentido de sua pessoa.
"Talvez ele seja um fã." — Cogitava uma ideia. — "Um daqueles fanáticos."
Fugindo um pouco de suas reflexões, você começa a observar o mencionado pelo canto dos olhos. Jamais havia parado pra reparar detalhadamente nele. Os cabelos, na verdade eram uma mistura de branco com cinza claro, prateado seria a cor mais exata. Estavam sempre em uma forma impecável, jogados de lado. A íris dos olhos não era azul como imaginavas ser e sim teal*, uma cor bem peculiar e atraente. O rosto mantinha uma expressão fria e sem demonstrar emoções. A voz sempre calma. Todo este conjunto fazia dele alguém interessante de ver.
Tanto que você ficou perdida observando e não notou quando Suzuno virou em sua direção. Neste momento você consegue finalmente ver aqueles olhos de maneira melhor. Os cílios, as sobrancelhas, o formato, completamente perfeitos. Suas bochechas ficaram quentes quando percebe que ele havia te notado. Envergonhada, você vira o rosto para o lado oposto.
— Algo errado? — Indaga Suzuno com um ar meio confuso.
— N-não. Nada. — Evitou olhá-lo. — Posso fazer uma pergunta?
— Claro. — Respondeu indiferente.
— Há quanto tempo é paparazzi?
— Bem, há uns três anos.
— E... Por que escolheu fazer isto?
— Digamos que é satisfatório ver a cara dos famosos quando são flagrados sem perceber. É um trabalho extremamente difícil e até perigoso, mas o resultado compensa o esforço. — A voz continuava calma e um sorriso quase imperceptível surgiu na expressão dele. — Chegamos.
Suzuno foi na frente, te convidando em seguida. Você educadamente pediu licença e o seguiu até o quarto.
— Pode esperar até eu encontrar? — Questiona, ele se referia a foto. Você apenas faz sim com a cabeça.
Enquanto isso, você começa a reparar nas coisas a seu redor. A casa não era luxuosa e muitos menos precária e sim limpa e organizada. Podia-se descrevê-la como confortável e habitável. No quarto a mesma coisa, sendo que até a tinta das paredes davam uma sensação de tranquilidade. Tudo parecia normal, entretanto seu olhar focaliza em algo. Ao analisar, percebe que era um CD com suas músicas, na verdade não apenas um, mas três.
— Eu já volto. — O albino diz e lhe deixa sozinha no cômodo.
Antes que ele voltasse, você aproveita para checar aquilo melhor e de fato estava certa, eram seus CD's.
— Bem, acho que não há nada demais. Ele só ouve minhas músicas.
Mas ao avistar uma pilha de revistas, sua opinião começa a mudar. Muitas tinham uma foto sua na capa ou, simplesmente faziam alguma menção de você em um artigo. A maioria era sobre notícias no mundo das celebridades, porém, absolutamente TODAS continham algo sobre você.
— Ok, agora isso está ficando estranho.
Movida pela curiosidade, começas a vasculhar o quarto procurando mais vestígios e com sucesso, encontra uma caixa média que aparentava ser pesada. Ao abrir, tinha três álbuns com várias fotos. Alguns objetos que te pertenciam acompanhados por pôsters, mais CD's seus, vídeos de shows e mais revistas.
— Hey, esse é meu perfume! Como ele pegou isso? — Você analisou o frasco e observava mais coisas da caixa. — E esse é o brinco que caiu enquanto fazia um show... Hã? Minha escova de cabelo velha? Tem até alguns fios nela! E olhe, essa caneta... Me lembro de tê-la usado para assinar alguns autógrafos ano passado. Depois de terminar, dei de presente para uma fã. E agora está aqui? — À cada item achado era uma surpresa maior, até que chega a vez de verificar os álbuns.
Não havia nenhuma foto neles que fosse de outra pessoa ou outra coisa. Somente você presente nos três! Nenhuma fotografia era repetida, se via de todos os tipos e situações. Você nos shows; na praia; andando na rua; fazendo compras; em eventos; comendo; rindo; lendo; além de vários ângulos como rosto; corpo; de costas; perfil; etc. Eram muitas, aquilo tudo era bizarro, realmente uma obsessão confirmada.
— Então... Você descobriu... — A voz fria e cortante de Suzuno faz um frio percorrer sua espinha. Rapidamente você se levanta e o encara.
— O que significa isso? Essas fotos, revistas, objetos meus...
— São itens da minha coleção pessoal sobre você.
— Coleção, sobre mim? — Cada vez mais a situação ficava confusa. — Não entendo. — O albino suspirou antes de começar a falar.
— O verdadeiro motivo de eu ser um paparazzi... Foi para ficar perto de você. Não sei quando e nem como essa paranoia começou... Só sei que cada vez mais, eu fazia de tudo para vê-la pelo menos uma vez todos os dias. — Ele chegou perto e pegou um dos álbuns examinando-o. — Todas essas fotos... Eu nunca mostrei nenhuma a ninguém, poderia faturar um bom dinheiro, mas, preferi guardar somente pra mim.
Você o ouvia em completo silêncio, sem saber como reagir à esta grande revelação. Nervosismo na verdade descrevia exatamente como se sentia.
— Mas, só as fotos não foram suficientes. E daí comecei a furtar suas coisas. — Concluiu ele meio cabisbaixo mantendo a postura.
— Suzuno... Eu nem sei o que dizer... — Seu coração parecia acelerar com tudo o que ouvira. Acabara de receber uma declaração indireta de Suzuno Fuusuke. Certo que sempre tinha algumas suspeitas das estranhas atitudes dele, porém, mesmo assim ainda era impactante. Mais esquisito foram suas reações internas. Sentia aquela sensação de como se tivesse borboletas no estômago, sem falar que de repente seu rosto ficara quente. Será?
— Como pode ver, eu tenho tudo... Na verdade quase tudo... Falta apenas uma coisa que estou querendo há muito tempo. — Dizia ele enquanto se aproximava.
— E o que é? — Você pergunta apesar de duvidar a resposta. Suzuno estava tão próximo à ponto de ambos sentirem a respiração do outro. Em seu ouvido ele sussurra.
— Tudo o que quero... É você.
De repente as mãos frias dele rodearam sua cintura e em seguida vieram os lábios. Diferentemente do resto do corpo dele, a boca não tinha nada frio ou gélido, pelo contrário, era quente e macia e tinha um delicioso hálito de menta. Sem resistir às tentações, você decide se entregar. Se ele era um paparazzi ou não, nada importava agora. Suzuno te queria e você também queria ele.
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