A Chance for You
12 I can't Find the Words - Nagumo Haruya
Notas iniciais
E lá estava ele...
Com aqueles cabelos vermelho-vibrantes e aqueles olhos cor de ouro radiantes como sol e o jeito de bad boy pra completar. Essa era a descrição de Nagumo Haruya, um dos garotos mais desejados pelas garotas da escola incluindo você. Ele tinha tudo o que elas queriam, apesar dele não querer nenhuma. Porém a sorte estava justamente do seu lado, afinal Nagumo é seu melhor amigo e isto torna as coisas mais fáceis. Ou não.
Sentado a seu lado, vocês observavam em silêncio a noite estrelada no gramado de um campo de futebol. Incrivelmente tudo estava perfeito, o cenário, o tempo, a situação, sem falar que não havia ninguém para interromper nada. Só havia um problema.
— Ah! Você queria falar alguma coisa pra mim. O que é? — O ruivo se recorda de suas palavras de mais cedo naquele dia.
"Essa é a hora! Vamos lá garota você consegue!" — Sua consciência lhe incentiva.
— ... É q-que, ah... A l-lua está bem grande e... Redonda hoje! — Neste exato momento, você queria dar um soco em si mesma. O ruivo te olha como se estivesse doida.
— Ah claro, até porque ontem ela estava meio quadrada né? — Ele usou ironia.
— É. — Você responde sem ter prestado atenção na pergunta. Uma gargalhada vinda de seu amigo ao lado chama sua atenção.
— Qualquer dia desses te levo ao psiquiatra. Antes que você acabe se envergonhando ou me fazendo passar vergonha.
— E você fala como se fosse diferente de mim, tulipa raivosa. — O apelido fazia jus à personalidade explosiva de Nagumo, que acima de tudo odiava ser chamado assim.
— Vou fingir que não ouvi isso. — Ele resmunga entre dentes contendo sua raiva.
...
— Como assim não conseguiu, criatura? — Após a fracassada tentativa de declaração, você desabafa com sua melhor amiga no telefone. Era sempre a mesma coisa. Devido à timidez, suas declarações nunca eram ditas. É algo que não dá para explicar. As palavras fugiam de sua boca, e mesmo que sempre dissesse todos os dias que ia confessar tudo, no final o medo te dominava. As chances de ser rejeitada e de perder a amizade de Haruya eram altas, visto que várias garotas querem ele.
— Pois é, mas hoje foi o cúmulo! Sou uma retardada. — Você se inferioriza dando um tapa em sua testa.
— O que disse hoje? — Sua amiga questiona curiosa.
— Que a lua está bem grande e redonda hoje. — Após a resposta ouve-se uma risada escandalosa na outra linha. — Valeu hein?
— Ele te deixa tão idiota assim? — Ela zomba.
— Q-quê? — Seu rosto fica corado com o comentário.
— Deixa pra lá, mas e aí? Vai ficar nessa pra sempre?
— Até eu tirar coragem de não sei onde ou, até outra ficar com ele antes de mim. — Sua voz soou melancólica e sem esperança. É difícil para você sequer pensar nessa última possibilidade, mas não podia fazer nada a respeito. A timidez é um mal que te impediu de realizar muitas coisas.
— Isso não pode acontecer! Faz alguma coisa muié, é o seu homem!
— O que você quer que eu faça então criatura?! E ele nunca foi meu. — Você retruca.
— Você precisa se declarar. Se não fizer isso, EU faço. — Ao ouvir a ameaça você fica em desespero. Seu coração entra em choque de nervoso, porque realmente sua amiga é capaz de tudo.
— Você não pode! — Seu tom foi de pânico.
— Ah, eu posso sim. De preferência amanhã mesmo. Muahaha. — Ela ria maleficamente, provavelmente imaginando a cena.
— Tá, mas de que jeito eu me declaro se toda vez minha língua trava? — No outro lado da linha sua amiga solta um 'hum', sinal que estava pensando.
— Que tal uma carta? Não é possível que não vai conseguir escrever. — Ela sugere.
— Não, acho meio infantil, sem falar que sou um horror em escrever coisas românticas.
— O que é bem estranho vindo de uma garota... Hum... — Pausa para pensar. — Já sei!
— Sabe o quê?
— Já que a senhora não é boa com as palavras, por que não tenta com gestos? — Explica ela.
— Tradução, você quer que eu faça mímica? — Uma gota se forma em sua testa.
— É isso também. — Você dá um suspiro de impaciência. Não é fácil aturar sua amiga tão maluca.
— VOCÊ TÁ DE BRINCADEIRA COMIGO NÃO É?! — Você berra perdendo a cabeça. — Mímica? É sério?! Se quer que eu passe vergonha diz logo!
— AH NÃO QUERO SABER! — Sua amiga retribui gritando. — Arruma um jeito ou eu arrumo! Até amanhã sua baka!
— Espera! Não desliga... — Ela não te ouve porque já havia desligado.
— Ótimo e agora? Estou perdida.
Durante o resto daquela noite, você fica desesperada pensando em como se declarar, senão sua amiga ia fazer isso por você. E seria o fim de sua vida. O mais natural para uma garota tímida é escrever uma carta, mas não fazia o seu tipo, sem falar que não conseguiria se expressar direito por uma folha e Haruya não parecia se agradar com essas frescuras. Então, hora de pensar em outra coisa.
Após quebrar a cabeça, todas as ideias que saíam eram horríveis. Não importava quanto esforço fazia, inclusive estava até com dor nas têmporas de tanta reflexão. "Preciso de ajuda" admite para si, porém não podia ligar para sua amiga novamente, ou pior, para nenhuma. Já era tarde da noite e provavelmente todas estavam do décimo quinto sono e não acordariam nem se uma bomba nuclear caísse. Sendo assim, ainda tinha seus pais. ''Nem pensar!'' a ideia ficou fora de cogitação. Seria muito constrangedor. Teria que explicar toda a situação, falar quem é o garoto e de brinde levar um sermão especialmente do pai. "Meu irmão e minha irmã... Talvez. AH! Onde tô com a cabeça, é claro que não!" Te zoariam por toda a vida e ainda contariam para seus pais, sendo assim a única opção restante foi... "A internet."
"Formas de se declarar para um garoto." — Você aperta enter no teclado e aparece milhares de sugestões. Algumas eram tradicionais e antiquadas. Outras inovadoras como mensagens SMS. Criativas como montagem de fotos e outras ousadas e loucas, como fazer um strip-tease para seu amado(a). Mas a que mais viu, foi se declarar de forma sutil e calma. Infelizmente a mais sensata foi esta mesma.
"Não tenho escolha, vou ter que falar."
Você caminha até ficar em frente ao espelho de seu quarto. Dá um suspiro longo encarando a si mesma. De repente começa a rir sem motivo ao imaginar o que iria fazer. "Sem risos, isso é sério." Seu rosto fica sério novamente. "Haruya, eu preciso te dizer... Não! Muito óbvio. Haruya, eu queria conversar com você... Ah também não. Haruya, você me vê como? AH! Horrível, ele vai perceber. Quer saber, esquece. Eu só quero dormir!" Termina a fatídica noite deitando em sua cama e dormindo em um longo e profundo sono.
...
Você ouve o barulho de seu celular tocando e pode jurar que era o alarme, mas era sua amiga que tinha acabado de enviar uma mensagem dizendo: Não esqueceu do que disse ontem né? Porque eu não tava brincando. E nem pense em faltar à aula pra se safar! Completamente desanimada, cansada e nervosa, você se levanta e vai para a escola.
Chegando na sala, a primeira pessoa que vem te cumprimentar é justamente Nagumo Haruya.
— Ohayo! — Diz ele em seu tom de voz normal.
— O-ohayo, Haruya. — Você cumprimenta tímida.
O resto do dia se passava e a cada aula que ia, sua aflição e desespero aumentavam. Sequer havia pensado em como se declarar. Por um instante, quis desistir, entretanto como se lesse seus pensamentos, sua amiga lhe lança um olhar de 'nem pense em desistir'. Você é tirada da linha de pensamento quando sente alguém lhe chacoalhar de leve, era o ruivo.
— Ei, tô te chamando faz tempo, fez uma viagem pra lua? — Você faz não com a cabeça. — É que você anda muito quieta hoje. Instintivamente você percebe seu rosto inteiro corar e o coração acelerar, afinal, Haruya estava com um olhar preocupado e isso era muito fofo.
— N-não é n-nada. — O ruivo abriu a boca para te contrariar, mas o sinal do intervalo tocou.
Você decide fugir dele o tempo todo e claro, levando sua amiga pelo braço só pra garantir que ela não ia dar com a língua nos dentes.
— O tempo tá acabando, já pensou em algo? — Ela indaga. Você apenas diz não com a cabeça. Após quarenta minutos, o intervalo termina. E mais tarde o sinal toca indicando o fim da última aula.
"Certo, dessa vez eu consigo, é só dizer, se a resposta for não, paciência."
— Você vem? — Haruya te chama. Vocês sempre vão embora juntos.
— S-Sim, mas eu... E-eu quero te dizer uma coisa. — Corada e com as mãos inquietas, você diz.
— Fala. — Ele pede.
— V-vamos andando primeiro. — O ruivo concorda e ambos caminham.
...
Era por volta de meio dia e o sol reluzia no céu. Os raios não estavam tão quentes. Um dia agradável de primavera. Caminhando em seu próprio passo, você ainda não abrira a boca para falar absolutamente nada e Haruya também não, por mais que ele odiasse ficar em silêncio. Entre vocês dois havia um clima de tensão.
No momento passaram em frente à um pequeno parque da cidade que se encontrava deserto. Imediatamente você puxa o garoto até um dos bancos alegando que queria descansar um pouco.
"Coragem. Agora eu consigo." — Diz a si mesma com determinação. Você olha Haruya pelo canto dos olhos e percebe que ele está distraído.
— Nee Haruya... — Chama sua atenção e ele te olha. Sua boca se abre e fecha várias vezes, mas nada sai. As mãos tremiam de leve e suavam nervosamente. "Por que tem que ser tão difícil assim?" Nem precisava mencionar como seu coração estava, incontrolável. Parecia até que iria infartar. A boca continuou abrindo e fechando procurando as palavras certas, mas não adiantou. Dizer ou não dizer? Novamente o pensamento de desistir lhe veio à tona, entretanto você não queria sem pelo menos tentar.
— Tá tudo bem? — Ele pergunta ainda preocupado e notando o estado em que você estava.
Neste instante, as palavras de sua amiga passam pela sua cabeça e te surge uma ideia, só era preciso muita coragem, ousadia e determinação, além de velocidade nas pernas.
"Sei que vou passar a maior vergonha da minha vida, mas não tem outro jeito."
— Ei. — Haruya tenta falar contigo novamente. Você simplesmente vira o rosto e cola seus lábios no dele.
Ah, que indescritível sensação era ter aqueles lábios doces e quentes como verão. Um choque percorre seu corpo da cabeça aos pés, além do agradável perfume que ele usava. Mas tudo isso durou pouquíssimo tempo pois você se separa. Completamente envergonhada, seu olhar vai direto para o chão.
— G-gomenasai. — Sem pensar duas vezes, levanta e corre o mais rápido que podia. Para seu desespero, Haruya também corre atrás de ti. Infelizmente como jogava futebol, a resistência dele é maior que a sua e você se cansa em menos de um minuto e para, recuperando fôlego. O garoto põe uma mão em seu ombro. — Certo... Pode me chamar de doida... Maluca, louca. Na verdade... Pode rir, sei que sou idiota. — Você diz sem olhar para trás.
— Você é louca... — O ruivo afirma quebrando seu coração. Seus olhos estavam prestes a transbordar lágrimas. — Mas... Por ser louca que eu gosto de você. Com os olhos arregalados você se vira e é surpreendida. Haruya vem por detrás, te vira e levanta seu queixo com um dedo somente para te beijar profundamente.
Por causa do susto seus olhos ficam abertos durante um tempo, mas aos poucos começa a relaxar com a gostosa sensação de antes novamente. Mesmo que não tenha muita experiência com beijos, você tenta retribuir da melhor forma encaixando seus lábios no dele e vice-versa. Vez ou outra seus narizes se encostavam. Por um instante seus olhos se abrem somente para confirmar que tudo não passava de um sonho ou algo parecido. Ao ter certeza absoluta, você passa seus braços em volta do pescoço dele aproximando-o mais. Ambos se separam, com as respirações ofegantes.
— Por que você... — Com o rosto ainda queimando de timidez, você começa a falar, mas é cortada.
— Eu já sabia. — E uma sensação de nervosismo percorre sua espinha. — Sempre achei estranho o fato de você sair comigo e no final dizer só coisas esquisitas.
— Ta-tava tão na cara assim? — Indaga assustada com as novas informações.
— Tava. — Ele afirma com um sorriso.
— Então... Por que não me falou nada antes?
— Eu queria ver como você ia dizer declarar seu amor por mim.
Haruya ri de sua cara de espanto e antes que você possa reclamar ele te beija outra vez.
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