A Chance for You
41 Smirks - Gamma
Notas iniciais
Aquele albino idiota. Tão pálido que mais parecia um vampiro dos olhos cinzentos e frios como um robô. E o sorrisinho típico e imensurável que possui. Todo o conjunto que atende pelo nome Gamma, te provoca ódio.
Duvidava que existisse uma só criatura que pudesse gostar, ou que até mesmo o infeliz tivesse afeto. E de tudo o que mais tem para desagradar, o sorriso é o pior. Em todo lugar, a todo tempo, ele surgia e te aborrecia. Se Gamma não tivesse boca seria muito mais fácil tolerá-lo.
Mas não... Tinha que nascer com aquele sorriso quase maior que o seu ego. Impossível saber como conseguia expressar tanto sentimento, a maioria ruim em sua opinião; com este simples gesto.
Um exemplo, ele sempre aparecia debochando de suas fraquezas, te deixando doida para esganá-lo.
O sorriso sádico te acertava como uma flecha por trás. Parece que estava pronto para te machucar, causando-lhe arrepios de medo.
Provocação era o que mais irritava, semelhante ao de deboche. Mas a diferença é que junto do olhar, dizia: Você vale alguma coisa? Mostre pra mim que estou errado.
Por mais que detestasse admitir, o sorriso sexy lhe atiçava a ponto de perder a compostura e se humilhar para ele.
Era assim e jamais mudava. De dia, na frente de todos, o albino e você travavam uma guerra fria. O orgulho sempre de pé, os mistérios muito bem escondidos debaixo de sete chaves, ninguém sabia de nada. À luz do sol, ambos combinavam de se esconder com máscaras.
Agora...
Na calada da noite trazida pelo crepúsculo, você aguardava deitada na cama, a cabeça apoiada na mão. Ele estava atrasado. Na verdade fazia questão disso só para deixá-la irada.
— Esperando muito tempo, amor?
O cara de pau aparece na porta fazendo pose. Sorriso sacana, pervertido, com direito a lambidinha nos próprios lábios. Felizmente nessas horas não há conversa ou enrolação, nada existe. Provocação virava beijos quentes, arrogância dava lugar às palavras doces e ambos perdiam os escrúpulos.
Entre quatro paredes de concreto, onde só a lua era testemunha, você e ele se entregavam aos delírios do prazer, ignorando as máscaras diárias. Não tinha mais segredos. Ambos se revelavam um ao outro e a verdade que tanto ocultavam dos outros, aparecia ali, nua e crua.
As palavras rudes e orgulhosas se transformavam em sussurros carinhosos ao pé do ouvido, que te arrepiam com o toque da respiração dele em seu lóbulo. Os gestos variam entre tocar, mordiscar, lamber. Com intensidades tão diferentes, que não conseguia conter seus próprios gemidos. Às vezes suaves e outras, selvagem, ou até uma mistura dos dois.
Você também procura não ficar para trás. Gostava de apertar com força a pele alva dele só para ter o deleite de vê-lo com suas marcas, sejam chupões ou arranhões. Mas acima de tudo, preferia bancar a dominadora. Provar que não tinha que ficar só a mercê do albino nessa brincadeira de bagunçar a cama.
E aquele sorriso que tanto detestava, estava ali presente, mas com o intuito de apimentar e não de irritar, de dar amor. A noite agitada é finalizada quando a aurora intrometida dá as caras. Apenas um dos dois permanece deitado contemplando o espaço vazio. Hora de recolocar as máscaras, a diversão viria de novo daqui há algumas horas. Enquanto isso, à luz do dia, vocês se comunicam entre tapas de desprezo.
No entanto, algo inusitado aconteceu. Você tem a cintura enlaçada por uma mão firme. Seu corpo é virado para que seus olhos encontrem duas orbes cinza grafite, qual você conhece como ninguém. Curiosa e confusa, decide encará-lo como se o albino estivesse louco. Rapidamente pensou que se tratava de uma competição de olhares.
Porém após um tempo, você indaga aquilo que poderia ser mais plausível.
— Você bebeu?
— Estou mais sóbrio do que nunca.
— Não quero saber dos seus joguinhos, Gamma. Não aqui, não agora e não desse jeito. — Você deus ênfase na última palavra. Isso é para a noite, de dia ambos precisam manter sigilo.
— Apenas vim dizer algo que esqueci noite passada.
Sua boca se encontra se encaixando obrigatoriamente na dele. Foi bem repentino e por isso teve que se virar para alcançar o ritmo daquele beijo surpresa; se adaptar melhor. Diferente do habitual, quase sempre voraz e faminto, este se manteve doce e gentil o tempo todo. Fato estranho. Não faz o tipo dele ser assim.
Ao se separar, se perguntou o que Gamma pretendia quebrando a regra dos dois em público. A resposta não tardou a vir.
— Eu te amo.
O timbre da voz dele não possuía resquício algum de intenções ruins. Era impossível detectar deboche ou falsidade. Soou o mais claro e verídico que podia expressar. E se não fosse pelo sorriso humilde que o rapaz dedicava só a você, jamais acreditaria nas três palavrinhas que na realidade não a surpreenderam muito, pois inconscientemente, você já suspeitava deste sentimento.
Mas se aquele sorrisinho não existisse...
Fale com o autor