A Chance for You
27 Seven Days - Oowashi Seiji
Notas iniciais
Dia 0
Estava farta de ser vigiada o tempo todo e em qualquer lugar. Não adiantava tentar se esconder ou fugir. Ele sempre estava lá com seus olhos de águia, pronto para te observar do começo ao fim do dia. Nada escapa de seu olhar penetrante quando o assunto é você. De todas as garotas que existem, por que tinha justamente que a escolher? A mirada constante do moreno obviamente a incomodava. Ele sabe disso e faz questão de deixá-la mais desconfortável.
— Oowashi Seiji... O que você quer de mim?
O garoto mexe a boca, falando algo inaudível deixando-a atônita, afinal ele conseguiu fazer leitura labial de uma longa distância. Você mostra a língua de maneira infantil esperando que ele desviasse o olhar, mas ao invés disso, o fez rir. Seu rosto cora de vergonha fazendo-a se afastar.
Por mais que andasse, não conseguia se livrar dos olhos atentos. Como não suportava mais essa perseguição, teve que perguntar o que tanto lhe chamava atenção. Com passos tímidos, você decide se aproximar do garoto com capuz de águia. Ele mantém a postura de sempre.
— Você tem algum problema comigo? — O questiona recebendo uma expressão confusa de Oowashi. — Ou você virou meu guarda-costas particular? Se sim, até agora não tô sabendo. — O garoto ri da fala.
— Não, não. Eu não tenho nenhum problema. Pelo contrário, te acho interessante. Por isso mantenho meus olhos em você o tempo todo. — Ele confessa com a maior naturalidade.
— Pois então, pare. Já está indo longe demais. — Você ordena séria.
— Não posso.
— Por que não? — Seu tom sai com indignação.
— Porque você é a minha presa. É meu dever te observar e esperar a hora certa para atacar. — Oowashi diz seriamente. Tentava parecer sedutor ao mesmo tempo, mas o que conseguiu, foi te causar espanto.
— Olha, não me leve à mal... — Você coça a cabeça imaginando um modo de falar o que pensava sem ofendê-lo. — Mas acho que esse capuz está fazendo lavagem cerebral em você, Oowashi. Você não é uma águia de verdade. — Conclui com uma ponta de riso.
— Eu sei. — Um sorriso simples surge nele, mostrando que não se ofendeu. — Mas gosto da ideia de ser um caçador. É excitante. — Ele pisca lhe fazendo arquear a sobrancelha. — À propósito, me chame de Washi.
— Washi?
— É. Prefiro assim. Além disso, vejo que não consegue falar meu nome direito. — Você se encabula um pouco.
— Certo então... Washi. Disse que não pode parar de me olhar. — Ele afirma. — Sendo assim, o que quer de mim?!
— Uma chance. — Você murmura um "Ahn?" E espera uma explicação coerente. — Sete dias... É tudo o que preciso pra te conquistar. Se eu não conseguir, te deixo em paz.
O pedido te deixou surpresa, mas decidiu aceitar sem pensar duas vezes. De acordo com sua linha de pensamento, sete dias não seriam suficientes. Você não ia se apaixonar por ele, e sairia ganhando ainda, pois será livre da "perseguição."
— Aceito. — Ambos apertam as mãos e você pensa consigo: "Ele não vai conseguir", porém, não esperava que Washi levasse sua mão aos lábios e depositasse um beijo nela. Não queria corar, mas acabou o fazendo.
Dia 1
Aguardava impacientemente a chegada do garoto. De início estava curiosa para saber que métodos ele usaria e até onde iria pra te conquistar, mas agora, seu interesse foi por água à baixo. Você o vê chegar correndo em sua direção.
— Me chama pra sair e se atrasa quarenta minutos? Péssimo começo. — Você informa fingindo estar muito decepcionada.
— Gomen. — Ele se desculpa e ambos começam a caminhar tranquilamente. — Está bonita hoje, aliás, você sempre está linda.
— Obrigada, mas o elogio não compensa a demora.
— Eu sei. — Sem graça, ele mexe nos cabelos nervosamente.
— Estou brincando. Vamos aonde?
— Pode ser ao cinema? — Você concorda.
Durante o trajeto, Washi puxa assunto diversas vezes sobre milhares de coisas. A maioria delas foi sobre você. A seu ver, a "estratégia" dele é coletar o máximo de informações a seu respeito.
O tempo todo ele sorria e procurava ficar animado, sem falar que ainda estava com o capuz. Essa é uma das curiosidades que adquiriu nesse tempo, o fato de Washi sempre estar com aquilo. Por mais que quisesse perguntar sobre isso e outras coisas do garoto, você somente ficou o respondendo.
Aquele dia não foi tão especial ou marcante. Houve bastante conversa interessante, contudo nada realmente lhe fez se sentir atraída de alguma forma por ele. No fim, Washi tentou te beijar de brincadeira. Você apenas colocou um dedo em seus lábios, o impedindo.
Dia 2
No segundo dia, ele a implorou para que assistisse a partida de seu time. Você não teve escolha e resolve atender o pedido.
— Torça por mim.
— Não sei, vou pensar.
— Por favor, serei o cara mais feliz da Terra. — Admite dedicando um sorriso maroto a você.
— Que exagero.
— Mas, é verdade.
— Ok, vou torcer, mas faça um gol para mim. — Pede brincando.
— Claro.
A partida chamou sua atenção e você gostou de poder observá-la. Torceu para Washi como prometera e ele fez um belo gol em sua homenagem. Algumas garotas também torceram junto te causando estranheza. Tirando isso, teve que confessar que o garoto águia jogava bem.
— Não sabia que tinha fãs. — Diz ao vê-lo depois do jogo.
— Eu tenho sim, por quê? Isso te deixa com ciúmes?
— Ciúmes de alguém que não é meu namorado?
— Em breve serei. — Você ri. Realmente ele possui muita e certeza no que diz confiança, mas ao menos te arranca sorrisos.
Dia 3
Uma coisa, ou melhor, várias que acabou aprendendo, é sobre águias. Não precisa ser um gênio pra adivinhar que Oowashi Seiji ama esses animais e que se pudesse, seria uma delas na próxima vida.
— Já ouviu falar do ritual de renovação da águia?¹ — Ele lhe indaga. Você nega. — É algo interessante. Uma história de superação. Basicamente, conta que, quando uma águia chega na metade da sua vida, as unhas estão curvadas e compridas, ou seja, não consegue mais agarrar as presas, o bico desgastado e as penas velhas. Portanto, ela tem que tomar uma decisão: morrer ou passar por um processo doloroso. Ela se recolhe numa montanha, onde não precise voar, bate o bico na parede até arrancá-lo.
— Ai. — Você murmura imaginando a cena.
— Depois de esperar o novo crescer, ela o usa para tirar todas as unhas, em seguida tira as penas velhas e após cinco meses, faz um voo de renovação onde vive por mais trinta anos.
— Não sabia que águias faziam isso. — A história te faz ficar admirada, nunca tinha parado pra pensar.
— E não fazem. É uma história falsa. Demora mais do que cinco meses para um bico e unhas crescerem. Durante esse tempo, a águia ia morrer de fome e perder muito sangue ao tirar todas as penas. Uma só, leva um ano para crescer, imagina todas!
— Ah entendo. Mas e você? — Ele sussurra um "hum". — Se considera uma delas? — Indaga por curiosidade. — Digo, pela força, coragem, etc?
— Sinceramente... Não. — A resposta lhe deixa abismada e você o olha ansiando explicações. — Todos dizem que me "pareço", principalmente ao jogar, por causa dos meus "olhos de águia", mas estou longe de ser como elas. — Apesar de não esclarecer devidamente o motivo, você se conforma. Washi se aproxima e levanta seu queixo repentinamente. — Agora, se estiver falando sobre eu gostar de ser caçador... Nesse caso digo sim.
Dia 4
Nunca pensou em ver o moreno assim, tão triste e deprimido. Ele sempre esteve com seu costumeiro sorriso e agora a expressão séria dominava-o. Não se atrevia a falar absolutamente nada, o que claramente é anormal. Algo definitivamente está errado.
— O que você tem hoje?
— Não é nada. — Ele responde sorrindo forçadamente.
— Mentira. Quer desabafar? — Questiona gentilmente a ele.
— Não. Arigatou
Naquele quarto dia, o silêncio precisou prevalecer. Palavras não se encaixavam, portanto vocês simplesmente caminharam, contemplando o céu do amanhecer, entardecer e anoitecer. Sentiram a brisa do vento e rumaram a qualquer lugar que tivesse chão para pisar. Cada um com o próprio pensamento. Por mais que ele a "mandasse" embora alegando que não queria gastar seu tempo, você permanece.
— Gomenasai... Te chamei, pra no fim, terminar o dia assim. — A melancolia ainda o tomava. Você o abraça carinhosamente chocando-o. O gesto é retribuído e ao se separar, se explica.
— Não pense que já me conquistou. — Você anuncia brincando. — É que você sempre me faz sorrir Washi, só estou devolvendo o favor.
— Bem... Eu ainda não sorri. — Ele aponta ao rosto. — Então, pode me abraçar de novo?
— Acredito que um só, é suficiente. — Washi faz manha e começa a pedir o abraço diversas vezes.
Dia 5
E para quem sentia-se deprimido, Washi se contorcia de raiva, além de ficar praticamente colado a seu lado. Só porque te viu conversar animadamente com outro garoto, bem atraente por sinal. Tinha que confessar, é hilário vê-lo com ciúmes.
— Mas só estávamos conversando. — Se justifica achando graça do estado do moreno.
— É assim que tudo começa. E eu percebi o jeito como ele te olhava. — Washi diz com uma ponta de ódio. — Ah! E aquela distância?! Ele estava a menos de cinquenta centímetros.
— Se é assim, nem quero imaginar se fôssemos namorados. Não há necessidade disso.
Washi te leva à um local mais afastado e meio escondido dos outros. Te encurrala numa parede próxima e olha no fundo de seus olhos, com uma expressão de seriedade.
— Você é minha, somente minha. Não vou deixar ninguém roubá-la de mim... Porque eu te amo.
Seu rosto se avermelha e o garoto encurta a distância dos rostos. Por pouco, houve um beijo se ele não tivesse parado.
Dia 6
— Eu sugiro que pare com esse atrevimento e comece a pensar em outra coisa. — Você o adverte depois dele morder o Pocky que comia e quase encostar os lábios nos seus. — Faltam dois dias.
— Sei, por isso tenho que tentar te roubar um beijo. — Você revira os olhos. — Estou ficando sem ideias... O que sugere?
— Para alguém que tinha certeza que iria me conquistar... — Você diz em decepção.
— Se dependesse de mim, estaríamos casados. Mas é você quem decide no final.
— Casar, que entusiasmo. Mas tenho uma pergunta... Caso não consiga, vai fazer o quê?
— Te deixar em paz, como prometido. Mas não vou ficar triste. Porque tive o privilégio de passar uma semana só com você!
— Washi... Você é muito fofo. As garotas gostam disso. — Os olhos dele brilham.
Dia 7
O último dia foi estranho. Diferente de todos os outros, Washi não tentou te abraçar, beijar ou fazer nada, apenas agiu normalmente. Talvez quis ver sua reação diante disso. Por pensar que seu cotidiano voltaria a ser o mesmo da semana passada, um sentimento confuso lhe atingiu e a fez perceber que não queria isso.
Ao retornar para casa, você reflete sobre a última frase do moreno.
— Eu pensei muito no que dizer hoje... Mas acabei não encontrando nada, afinal eu ainda vou te ver, só não poderei mais agir como fiz todos esses dias.
Depois daquilo, ele cumpriu a promessa e simplesmente parou de te perseguir. Contudo, é claro que não estava contente com essa situação e foi procurá-lo, já tendo certeza do que queria de verdade.
Ao avistá-lo, você o abraça por trás, sentindo seu cheiro e apertando-o mais. Ele se vira encarando seu rosto corado.
E finalmente, Washi sela seus lábios nos dele, te saboreando de um modo meio selvagem e ao mesmo tempo suave como um caçador capturando a presa.
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