A Chance for You

52 Only You - Vanfeny X Garsha


Notas iniciais
GENTE! Dark não morreu, não aconteceu nada comigo como no começo do ano :V Eu apenas passei por muitos bloqueios tanto de escrita, como de inspiração, muitas mudanças chatas e insuportáveis de humor e desânimo de escrever eu ficava frustrada com o que fazia e nenhuma ideia era boa o bastante e.e Mas eu recuperei um pouco de cada um com dificuldade. Sério, desde a última character x reader que fiz, não me animava tanto como antes ;-; Então, uma vez que senti minha vontade de escrever veio de novo, fiquei quase o mês todo de Outubro nisso apesar de demorar como uma tartaruga digitando. Enfim, uma leitora muito amiga minha me pediu um triângulo com os personagens Vanfeny Vamp e Garsha Wolfein xD Pra quem não conhece, eles apareceram num dos episódio talvez finais (não me lembro :V) de IE GO Chrono Stone. Numa cena bem rápida e depois a Level-5 esqueceu deles kkkkkkkkkkk Provavelmente eles têm uma história no jogo. Enfim, enfim, enfim, eu ia começar a postar fics que tenho prontas, só terça. Mas por insistência dessa amiga x'D e por ter mais de um mês parada decidi postar hoje, eu tbm percebi que desde julho/agosto fiz uma reader .-. De qualquer forma, espero que todos gostem. Tradição do Título: Apenas Você

“Somente você, é capaz de trazer um conforto em meio à essa briga de raças.”

Dois clãs distintos com uma diferença de espécies absurda. Dois lados vivendo em uma guerra interminável, que se recusa a acabar, pois é alimentada pelos membros desses clãs. Inimigos desde as origens do universo. Assim é os dois maiores clãs dos vampiros e lobisomens. Viviam disputando entre si, rivalidades sem sentido, como cão e gato. E infelizmente, quem se via obrigado a suportar, eram os integrantes que se recusavam a participar desses confrontos sem utilidade para ambos os lados. Isso durava muitos séculos, os tempos iam e vinham com cada época mudando; trazendo inovações e depois vindo com outras. Mas os seres noturnos continuavam presos à conflitos passados. Algo tinha que ser feito. Todos estavam cansados; exaustos. Ninguém mais queria guerrear. É por isso que todos a favor de pelo menos uma trégua, se uniram e sugeriram um acordo para os reis das duas espécies. E assim, vampiros e lobisomens puderam seguir suas vidas lidando com as diferenças.

Todavia, as duas grandes famílias ainda tinham problemas para se adaptar, em especial, seus herdeiros não se davam bem de nenhuma maneira. Não importavam que argumentos usassem, ninguém conseguia fazê-los mudar de opinião. A solução para isso, foi obrigá-los a conviver juntos até que percebessem que ficar assim não ia trazer benefício nenhum. Isto tudo é para o futuro dos dois reinos.

Escolheram um castelo abandonado como a moradia dos rapazes. Os arredores eram uma clássica e sombria floresta rodeada de animais noturnos; o clima era congelante, para preferência dos vampiros, que não gostavam de calor. Você estava em um carro rumo ao castelo e apesar de não ser humana, aderiu ao meio de transporte. Observou o local que passaria a morar também. Sua família era de uma linhagem de mordomos e empregadas cujo prestavam serviços à nobreza durante gerações. É praticamente uma tradição. Diante de outros, você foi uma escolhida para servir aqueles herdeiros. Isso é mais do que uma honra. Não era a única, mas muitos a invejavam. Após finalmente chegar, tirar suas malas e adentrar a habitação, você rapidamente se acomoda. Recebe também as instruções de como agir e preparar tudo. Sua primeira tarefa é arrumar os quartos de seus mestres.

— Certo, vamos começar. — Você diz para si, se espreguiçando feito um gato, partindo para organizar o cômodo. Tudo estava indo bem e normal. Até... A porta do banheiro da suíte se abrir. Sua primeira reação obviamente foi olhar, mas em seguida, cobriu o rosto com as mãos e um leve nervosismo tomou-lhe conta. Um homem nu, com apenas uma toalha em volta da cintura, apareceu de repente. Apesar de ter tampado seus olhos o mais rápido possível, você pôde ver que o tom de sua pele era morena.

— Hã, quem é você? — O homem indaga com um timbre calmo em meio àquela situação constrangedora.

— Ahn... Eu sou... Apenas uma empregada... Ahn, Mestre? — Você responde hesitante por não conhecer nenhum dos dois ainda e não saber se era seu mestre mesmo.

— O que faz aqui? — Ele continua a perguntar. Era possível ouvir sons. Provavelmente estava se trocando, o que aumentou seu nervosismo. Estava fazendo isso com você no quarto? Ou ele é muito despreocupado, ou muito... Safado.

— M-mil perdões mestre! Não me avisaram que estava aqui. De qualquer forma, irei me retirar agora mes... — Responde e se dirige à porta antes que se encrencasse, porém é impedida.

— Não, fique onde está. — Ordenou com firmeza. Um tom de voz tão autoritário que te paralisou na hora. — Pode olhar, não me importo. — Completou agora tranquilo. Você observa pelas frestas das mãos devagarinho e volta a cobrir.

— M-mestre, por favor coloque suas roupas! — Pediste. Ele estava seminu.

— Eh? Por quê? — O homem volta a questionar. Que tipo de pergunta é essa? Está claro que é um pervertido e quer brincar com sua cara.

— P-porque é embaraçoso! — Responde como se fosse óbvio e de fato é.

— Mas se eu disse que não me importo, não tem porquê se incomodar com isso. Não é como se o olhar de uma simples garotinha me deixasse constrangido, Baka. — Provocou ele, te deixando levemente emburrada. Você continuou cobrindo a visão até ele terminar.

Ao constatar que o homem enfim estava devidamente vestido, nem nu, em seminu, você o observa aliviada. E por um tempo o analisa. O homem era na verdade um rapaz. Os membros musculosos e a pele morena e bronzeada como tinha notado antes; madeixas rebeldes de uma cor entre rosa coral e laranja junto de mechas brancas; olhos azuis grafite; seu olhar denotava provocação e sua expressão, deboche e um pouco de intimidação. Por fim, duas cicatrizes delineavam seu rosto. Você não se deu conta que o fitava demais até o rapaz lhe dirigir a palavra.

— Sei que sou bonito. — Contestou enaltecendo seu ego e exibindo um grasnado de lobo. Suas maçãs do rosto adquiram aquele rubor tímido que a entregou. Foi obrigada a concordar com ele. Soube que os herdeiros eram incríveis em vários aspectos, além de possuírem uma beleza invejável. — Você diz que é uma empregada, sou Garsha. Garsha Wolfein.

Lhe estendeu a mão amigavelmente e sorriu, deixando o lado malicioso de antes. Você infelizmente não retribui o aperto. Ao invés disso, se curva com respeito e educação. Não é aconselhável ter outro tipo de relação com seus mestres, talvez é proibido. E isso significa ser punida.

— É um prazer conhecê-lo mestre Wolfein. — Cumprimentou com um sorriso singelo, mostrando satisfação ao servir alguém como ele.

— Argh. — Garsha grunhiu. Esse gesto a preocupou. Será que fez algo errado no seu primeiro dia? Porém o moreno se aproxima mais e pega sua mão num aperto, a deixando entre a dele, que por sinal é maior. E o toque dela, quente. Agradavelmente quente, por ser um lobo. — Odeio essas formalidades chatas. Mas e aí, o que acha dessa palhaçada toda?

— Como, mestre? — Você Indaga em confusão.

— Você sabe, dos herdeiros morarem juntos. — Explica meio impaciente. Mas se o assunto o deixava assim, por que trazê-lo à tona pra você?

— Bem... — Começa escolhendo as palavras para evitar irritá-lo. — Se for algo que deve ser feito para o bem das duas raças, então não há muita escolha. — Teve que ser imparcial, não o conhecia.

— Você é igual aos outros... — Garsha contesta como um desabafo. A expressão séria e indiferente. Ele a liberou e você voltou à sua posição e suas tarefas.

Garsha Wolfein era estranho. Mas interessante.

Mesmo com o acidente de antes, você teve que entrar no dormitório do outro mestre, pois não estava arrumado ainda pra recebê-lo. Você abre a porta e já avista um rapaz de pele branca e olhos verdes de um tom muito claro mesclados com amarelo, como se fosse uma heterocromia; cabelos verdes da mesma tonalidade que os olhos, lisos e não muito longos, medindo até os ombros, ligeiramente ondulados; ao contrário de Garsha, ele esboçava uma cara extremamente séria e tão ameaçadora e fria, que seu desejo era se afastar. Estava sentado na cama apoiando uma das pernas na outra e de braços cruzados. Ambos se analisaram rapidamente, até você fazer uma reverência cordial.

— Boa-noite mestre, é um prazer conhecê-lo. — Conclui a cordialidade, mas mantém sua postura baixa, indicando que sabia sua posição perante à ele.

— Igualmente. Meu nome é Vanfeny Vamp. Veio para arrumar esta bagunça, certo? Então queira começar, por favor. — Você assente e se põe a organizar e limpar.

Você fazia isso na frente do vampiro, que te observava atento. Ele parecia rude, mas ao mesmo tempo educado e formal, além de mostrar que é superior. Vanfeny fitava o mínimo gesto que você fazia, te deixando claramente incomodada com aquela mirada constante. Parecia te supervisionar garantindo que estava fazendo certo. Era como se quisesse te repreender o tempo todo. E desde que entrou, sentiu um clima sombrio o rodeando, mas também, curioso e chamativo. Uma atmosfera bem diferente do lobisomem. Quando enfim terminou, você quase deixou escapulir um suspiro aliviado. Queria sair de perto daquele homem estranho.

— Mestre, concluí meu trabalho. Peço permissão para me retirar. — Se dirige à ele. Porém Vanfeny meneou a cabeça negativamente.

— Permissão negada. — Recusou seu pedido, para seu espanto. — Arrume tudo novamente. Do modo que eu quiser. E não retruque. — Ordenou o vampiro.

Você estava frustrada, se estava insatisfeito desde o começo, por que não disse antes de terminar toda a tarefa? Porém, algo diferente aconteceu, ele se levantou e ficou do seu lado, orientando onde cada coisa deveria ficar e como limpar. Ele demonstrou um pouco de mania com limpeza. Pois a fez limpar o mesmo lugar várias vezes. Você se sentiu indignada por isso e oprimida por sua aura assustadora. Todavia, nervosa e tímida pela aproximação.

Finalmente acabado, te liberou dos serviços e você pôde descansar, só que preocupada. Se o primeiro dia fora assim, todos seriam como hoje? Já trabalhou com vários tipos de mestres e também mestras, mas nunca vira uns tão anormais e incomuns como Garsha e Vanfeny. De qualquer forma, essa estranheza era convidativa, talvez perigosa.

❣ ✿ ❣

Toda vez que se topavam pelos corredores, em qualquer canto da mansão, acabavam discutindo. Coisas pequenas e banais, geravam o ódio e a discórdia e raramente havia momentos de paz. Tentavam se evitar ao máximo porque os dois não se suportavam e estavam fartos de ter que brigar, mas era impossível. E cabia aos mordomos e empregadas apartarem tudo. E mesmo assim, terminavam sendo xingados, às vezes machucados. Um mês tinha passado e aquela situação estava mais que insuportável.

— Está claro que você tenta se comparar comigo. — Vanfeny contesta sem perder a paciência. O vampiro discutia de um jeito elegante, só pra desagradar o moreno.

— Que besteira de alguém que não tem argumentos o suficiente... Eu? Me comparar com um vampiro nojento como você? — Ataca Garsha, com ofensas e insultos.

— É claramente notável o quanto você se sente inferior. Tenta mostrar uma aparência forte para esconder seus defeitos. — Rebate Vanfeny, que conseguiu tirar o outro do sério com sua serenidade.

— Há, então quer falar de aparências?! Já se olhou no espelho? Quem te conhece na primeira vez, vai te chamar de Senhora Vanfeny! — Provoca o moreno, chamando atenção do rival, pois seu olhar se mantém nele, raivoso. Um detalhe é que o vampiro é narcisista. Garsha sabia disso perfeitamente. Para deixá-lo possesso de ira, é só falar de sua aparência. — E essas unhas?! Compridas como de uma mulher!

Garsha continua zombando com gosto, se deliciando por deixar o vampiro alterado. Os servos tinham sorrisinhos nos rostos, os segurando à todo custo pra não serem castigados, ou até mortos. Sorte que Vanfeny, ou ignorou, ou não notou.

— É, de fato, minhas garras são grandes mesmo. Até femininas sim, mas é com elas que vou rasgar sua garganta, lobo! — Exalta o vampiro, partindo para cima do lobisomem, fazer o que falou. As tais garras, cresceram ainda mais.

Estavam na mesa de jantar, que foi meio destruída por esta briga sem sentido. Todos tentavam fazê-los parar, em vão. Porém de longe. Não arriscavam a se intrometer, quando isto acontecia, ambos não se seguravam. Lutavam com todas as forças pra se matarem. Mas alguém tinha que fazer algo, caso se matassem, a cabeça de todos ali sairia rolando por vingança, não só das famílias, como dos reinos. Uma guerra ia começar de novo. Seria uma tragédia. Infelizmente todos estavam amedrontados demais. Quem ia culpá-los? Queriam viver. Sendo assim, você tomou a decisão de apartar os dois.

Se aproximando com cautela, você vê Garsha em cima de Vanfeny, o enforcando. Suas mãos lhe rodeiam a cintura em prol de o afastar do vampiro. Apesar de pesado, você conseguiu. Em seguida tentou conversar com o lobo e trazer juízo à ele, mas, enquanto se concentrou nisto, não viu o outro ainda furioso, chegar pronto para atacar Garsha e revidar. Com tanta cólera, que pareceu nem ver que você estava ao lado. O resultado foi que ao tentar impedir uma tragédia, você pós um braço na frente do lobisomem e foi arranhada. O sangue jorrou pelos carpetes, cortes profundos ardiam sua pele. Felizmente não perdeu o braço. Vanfeny retomou a consciência e se afastou olhando as próprias garras, cobertas de sangue. Garsha te deu suporte a impedindo de cair. Os mordomos e empregadas te ofereceram ajuda, após não ter mais perigo pra chegarem perto. Você foi levada para seu quarto e lhe fizeram um curativo. Apesar do ferimento enorme, não foi fatal. Mediante à sua situação, te deixaram descansar, se recuperar e não fazer mais tarefas.

❣ ✿ ❣

No outro dia, recebeste a visita inesperada do vampiro.

— Posso entrar? — Você lhe dá a permissão e o convida a sentar em sua cama, qual recusa. — Peço perdões por ontem. — Vanfeny reverencia educadamente, mas seu tom era frio. — Mas... Não faça mais isso. Não garanto que vou segurar minha força na próxima vez. — Alertou te deixando decepcionada. A primeira impressão com ele já não fora boa. Por um momento, você o achou uma pessoa sensata. Até completar aquela frase.

— Não podem entender um ao outro? — Com coragem, indaga. Vanfeny te olhou pasmo com a sugestão. Desacreditado.

— E depois nos tornarmos amigos? Quer dizer? — Continuou irônico.

— Não exatamente. Apenas... Compreender o lado do outro, aceitar as diferenças. Todos já fizeram isso. — Você argumenta com cuidado pra não irritá-lo.

— Vampiros e lobisomens nasceram pra guerrear. — Refuta ele, indignado. Foi ensinado dessa forma.

— Mas as duas grandes famílias concordaram. — Você continua a retrucar, seria mais que ótimo se aqueles dois se dessem bem, afinal é para isso que viera.

— Calada! Não quero mais ouvir suas besteiras. — Esbraveja te surpreendendo. É ruim ver alguém geralmente tranquilo, se alterar. — Se coloque em seu lugar de serva e não desobedeça seu mestre.

Se retira após a ameaça sem te olhar. Você queria falar umas poucas e boas para aquele... Garoto mimado. Porém os familiares dele fizeram isto por ti. A mansão recebeu a visita dos Vamp e dos Wolfein. Seus líderes convocaram uma reunião entre todos ali, por causa do acidente de ontem. Deram um baita sermão nos dois herdeiros, houve discordâncias dos rapazes e apesar de ser maldade, você gostou. Todos eles já aceitaram a união antes, só Garsha e Vanfeny que não. Sua alegria durou pouquíssimo tempo. Fizeram um enunciado que não esperava.

— Como um pedido de desculpas, os dois terão que ser os criados dela por duas semanas até que esteja cem por cento recuperada. — Ordenou o rei lobisomem.

— Espera, cuidar de uma empregada? Não é o contrário, velho? E por que eu tenho que fazer isso se até a ajudei na hora? — Se defendeu o lobo, grunhindo em discordância.

— Porque, é por culpa da imprudência de ambos que esta moça foi ferida. Nada mais justo do que retribuir de tal maneira, especialmente porque ela concordou em prestar serviços para nós e vocês a feriram sendo que estava ajudando. — Esclareceu o rei dos lobisomens autoritário.

Você estava nervosa. A serva ser servida. Isso nunca lhe aconteceu. Parece que o jogo virou.

❣ ✿ ❣

Ficar em repouso não era lá a perfeição que todos dizem. Descanso é bom, mas quando o tédio se torna presente, é melhor trabalhar do que encarar as paredes. Batidas na porta a obrigam permitir a pessoa entrar. Um lobisomem moreno adentra o dormitório trazendo-lhe uma bandeja com o desjejum. Tinha uma carranca no rosto.

— O seu desjejum... M-me... Mestra. — Gagueja Garsha a contragosto. Por um momento se sentiu mal por vê-lo forçado a fazer isso.

— Não é necessário falar assim. — Você o acalma sorridente. — De qualquer forma, obrigada.

— Não quero mais ouvir sermão do velho, então é preciso sim. — Esclarece emburrado se referindo ao pai. Mas logo parece que uma ideia lhe passa a mente, como uma lâmpada acesa. O olhar do lobo se torna malicioso e se volta para encarar o seu. — Mas... — Ele se aproxima perigosamente, cortando a distância exigida por entre duas pessoas. — Talvez eu possa tirar proveito da situação.

Estava perto; perto demais. Você tenta recuar por impulso, aquilo parecia ser um jogo para ele. Garsha chega mais até quase sentir sua respiração. E... É empurrado bruscamente, caindo no chão. Não foi por você. Um certo vampiro enrolava uma mecha do próprio cabelo enquanto encarava o inimigo com desgosto e a você, com certo desprezo.

— Vamos acabar logo com isso. Antes que minha paciência se esvaneça. — Exigiu Vanfeny, se sentando e pegando seu braço, retirando as faixas sujas para enrolar novas. Porém, acabou hesitando e parou, apenas observando. Não disse nada e não fazia nada, simplesmente ficou estático.

— Maldito! — Urrou Garsha, que iria partir para brigar com o rival se você não o impedisse.

— Por favor, mestres, o dia mal começou... — Pediu suplicante. Era desanimador isto ocorrer toda hora.

— Uma serva não tem nenhum direito de me ordenar nada. — Garsha retruca não se importando em te magoar ou não. — Se bem que... Você é bonitinha. Talvez eu reconsidere seu pedido se me pedir com jeitinho.

— É um idiota que só pensa em diversão. — O vampiro provoca sereno. — Me deixe acabar o que tenho que fazer, a sua parte do trabalho terminou.

— Mas EU estava fazendo uma coisa antes de você surgir do seu caixão de onde deveria estar e nunca mais sair. — Rebate Garsha.

— Mestre Garsha, por favor se retire. E obrigada por trazer a refeição. — Você toma a atitude para terminar aquilo.

— Hã?! Por que eu? — Retrucou o lobo indignado.

— Estou lhe pedindo mestre... — Você implorou fazendo uma cara de cachorrinho. Por incrível que pareça, adiantou. Na verdade, o deixou confuso. Não fazia ideia do porquê. Ele acata seu pedido, antes, deixando claro para o outro que não estava fugindo da briga por causa dele.

Já Vanfeny, havia se preparado para continuar seu serviço, mas paralisou de novo. Ele não sabia o que fazer, ou seja, precisaria ensiná-lo.

— Nunca fez isso, mestre Vanfeny? — Indaga o vendo se constranger e disfarçar.

— Não quero arriscar te machuc... Piorar seu machucado. — Ele reformula suas palavras; se corrige rápido querendo não causar impressões erradas em sua mente. — Minhas unhas são compridas por natureza, você sabe.

Sendo assim, o auxilia passo a passo em como fazer curativos. Achava que ele ia sair assim que ouvisse o necessário para fazer o mesmo até você melhorar, mas ele prestou atenção naquilo, interessado. Nunca tinha falado algo diferente com Vanfeny além da típica conversa entre mestre e empregada. Já era um começo.

As semanas passaram depressa e sua recuperação também. Os desentendimentos se tornaram menores, menos agressivos e menos frequentes. Eles, não mais a desprezavam tanto e não a tratavam tão cruelmente com palavras malvadas. De todas as servas dali, você era a mais chamada. De início após todos os problemas anteriores, ordenavam afazeres normais que você já executava. De organizar os quartos e camas, limpar a poeira, passou a ouvir: “Me ajude a vestir essa roupa”; “Me fale sua opinião”. Entre outras.

— Talvez esta, Garsha-sama. — Você responde ao analisar as vestes que ele lhe mostrava, não era tão vaidoso como o Vanfeny, mas também não é tão relaxado.

— Quantas vezes tenho que falar pra me chamar só de Garsha? — Questionou, meio decepcionado. Você evitava o chamar de mestre todo o tempo, mas ainda o devia respeito por ser seu superior. — Enfim, você sairia com um cara vestido assim? — A questão te fez hesitar por um momento.

— Ahn... Sim. — Afirma simplesmente, tentando mesmo saber por que ele perguntou isto.

— Então saia comigo. — O pedido soou como uma ordem que não poderia recusar. Você se espantou. Aquilo é sério ou o lobo brincava de novo? — Agora. Num encontro.

Na verdade, ele nem te esperou responder. Te pegou com selvageria a jogando nos ombros e correndo numa velocidade anormal, até parar em qualquer canto da floresta mística, que cercava o castelo. Qual era o objetivo de Garsha afinal? Sua primeira impressão dele, foi... Pervertido. E ao passar dos dias, essa impressão não mudou. O lobisomem aparenta ser amigável e mais tolerante, porém sempre com segundas intenções em troca de demostrar sua amizade. E a maioria delas, maliciosas. Queria te usar para se divertir e distrair do tédio?

— O que acha da gente pular umas partes? — Sugeriu com um sorriso pervertido após te colocar no chão e insinuar te beijar de primeira, sem amor. Apenas um gesto sem sentido. Você o afasta.

— Garsha, o que pensa de mim? — Pela primeira vez, o chama somente pelo nome, sem honoríficos. Provavelmente o deixando surpreso. Fez isso para deixar aparente a sua seriedade quanto ao assunto. — O que sou pra você?

O lobisomem esboça uma cara confusa e pensa antes de responder.

— Você é... Você? — Responde em dúvida com ar de brincadeira. Você revira os olhos não achando muita graça.

— É sério. Desde o primeiro momento que me viu e saiu pelado do banheiro, o que se passou na sua cabeça pra fazer brincadeiras comigo? Por que eu quando se há várias empregadas para isso? — Indaga de um jeito não tão sério ao lembrar da cena do lobo de toalha. Ele deu um riso descontraído.

— Hum... — Esfregou os cabelos rebeldes e te chamou para dar uma volta na floresta enquanto conversavam. — No começo, era só um interesse, nada demais. Você é uma moça bonitinha, então pensei em brincar contigo. — Você procurou não tirar conclusões precipitadas com aquele motivo; o esperou terminar. — Depois que se intrometeu naquela briga, eu senti... A-aquilo me chamou atenção. — Garsha se atrapalhou com as palavras, mas disfarçou assim como o rival. — Ah! Você também conversou comigo, digo, me respondeu dando sua opinião. Aquela pergunta eu fiz pra todo mundo antes de você chegar. E todos falavam: “Sinto muito mestre, não tenho permissão de responder.” Tinham, ou melhor, têm medo de fazer uma coisinha errada e serem punidos. Você não. É uma empregada, mas demonstra seu ponto de vista. Seus antigos senhores deviam gostar de ti.

— Obrigada, Garsha. — Agradece lisonjeada para logo depois comentar sobre tudo o que ele falou. — Agora te entendo um pouco. Então... Se sou diferente e interessante pra você, é porque...

— É especial no meu coração. — Garsha admitiu, te deixando meio perplexa. É uma confissão? E mais surpreendente foi quando o rapaz pegou sua mão e a colocou em seu próprio peito. Sentia as batidas dele; sentia um carinho em seu olhar. — Sabe, nós lobisomens, quando estamos muito atraídos por uma pessoa, costumamos fazer isso.

O moreno afastou sua mão delicadamente e com as próprias, penetrou o lado esquerdo do peito e simplesmente tirou seu órgão que ali pulsava, lhe assustando e o estendendo.

— O que... É isso? — Era meio bizarro, talvez loucura. Nenhuma gota de sangue escorreu e não havia um buraco. O que Garsha quer mostrar?

— Revelamos nosso coração e o deixamos vulnerável como prova de que queremos nos entregar. Você aceita? — Esclareceu como algo extremamente natural. Você não sabia o que falar e fazer. Sentiu o rosto se aquecer com aquilo.

— E... Está tudo bem fazer isso pra mim? — Pergunta se sentindo atraída pelo moreno. Não esperava algo do tipo vindo dele. — Não é perigoso?

— Você é especial o suficiente pra cativar meu coração. — Agora o seu estava acelerado. — E não morremos tão facilmente. — Ele guarda o órgão em si e chega perto. — Não arriscaria perder minha vida agora que...

O resto da sentença parou em pleno ar sem ser completada porque seus lábios foram tomados pelos de Garsha. A primeira coisa que percebeu foi o quão quentinhos eram, além de macios. E te deixou quente da mesma maneira. Mas antes que pensasse em corresponder o gesto, ele se afastou com uma feição preocupada.

— Desculpe, eu nem perguntei se você queria isso. — Garsha diz e se transforma em lobo, correndo pela mata, te abandonando sem reação.

❣ ✿ ❣

Seus pensamentos estavam desordenados depois daquilo. Garsha, estava ligeiramente constrangido e te evitava a maior parte do tempo. Provavelmente por achar que você o odiava ou pela decepção de ser rejeitado. Deve ser por isso que fugiu aquele dia. E você o evitava também por não saber ao certo como prosseguir. Especialmente porque não foi apenas o lobo que fez algo sem sentido.

Seu corpo estava sendo prensado por Vanfeny, contra uma das paredes do quarto dele. Você viera limpar como de costume, porém como da primeira vez, ele ficou a vigiando minuciosamente e supervisionando. O problema foi quando ele passou a repreendê-la; a corrigir. Mesmo que fizesse exatamente como ele mandava, aos poucos o vampiro começou a se irritar. E agora te imobilizava.

— Por quê? — O pergunta. Sempre cautelosa com ele.

— Exatamente, por quê, Vanfeny? — Se auto indagou com deboche. — Por que agir de um jeito anormal como você nunca agiu? Por que a manter presa sendo que não fez nada? Por que... Deixou que ela despertasse sentimentos? — O vampiro parecia ter um conflito consigo mesmo. Você tentava o entender a duras penas, mas ele mesmo não se compreendia.

— Talvez... — O interrompe, numa tentativa de o acalmar e retomar juízo. — Seja porque... Necessita dessas emoções. — Arrisca, mesmo que possa o deixar mais desequilibrado com sua resposta.

Vanfeny era um rapaz solitário, recatado e introvertido diferente de Garsha, que é sempre rodeado de pessoas. Ambos são respeitados e temidos, mas um era mais fácil de se manter uma amizade, por exemplo, enquanto o outro repudiava todo tipo de aproximação. Era frio por dentro e por fora.

O vampiro lhe dedica um olhar como se estivesse atordoado. Suas mãos se fecham em sua garganta num gesto de te enforcar, mas não o faz, apenas finge. Você o fita em desespero. Vanfeny se mostra mais agressivo quando está raivoso.

— Eu poderia te matar agora mesmo. — Seu olhar era frio. Uma das mãos solta seu pescoço e uma das unhas passeia por seu rosto te arrepiando pelo toque ousado. — É o que eu geralmente faria. Mas não consigo... — Confessou baixando o olhar se concentrando num ponto morto. Tinha dificuldade de falar. — E não quero.

Os olhares se cruzam novamente. E ficam assim um período de tempo interminável.

— Ao invés disso, prefiro mostrar o quão quente eu posso ser. — A feição muda para uma levemente maliciosa.

Tudo indicaria que um beijo iria acontecer, contudo não aconteceu. Beijo rolou, mas não na boca. Apenas no cantinho dela. E num piscar de olhos Vanfeny sumiu assim como Garsha fez.

E se antes sua mente estava confusa, agora estava completamente desordenada. Vários dias se passaram desde então, nenhum deles tocava no assunto e você tentava, mas também tinha dúvidas quanto a isso. Se de fato, os dois te amavam, cabe a você escolher quem amar de volta. Entretanto não conseguia. Portanto, deixou o assunto quieto e se focou em tentar aproximá-los um do outro, afinal, foi para isso que foi mandada ali além de impedir que se matassem, claro.

Mas por mais esforço que colocasse em tal tarefa, as diferenças entre suas duas raças ainda os deixavam em pé de guerra.

Pelo visto, jamais se dessem bem.

Todavia, uma situação poderia mudar o jeito de ambos pensarem.

❣ ✿ ❣

Enquanto aquele castelo abrigava os dois maiores herdeiros, que mantinham sua atenção a seus problemas pessoais, fora dali, inimigos de outras raças e clãs, ameaçavam atacar os dois reinos em busca de domínio. Planejavam desestabilizar os dois grandes líderes. Para isso, procuravam uma fraqueza; uma brecha. E ela foi encontrada.

Você.

Pois descobriram sobre sua relação com os dois rapazes. E te usariam como isca para primeiro atrair os filhos e obrigar o rei vampiro e o rei lobisomem a abdicar seus reinos, ou humilhá-los perante a seus povos.

Tudo aconteceu num dia simples em que estava fazendo suas tarefas diárias, mais especificamente lavando a louça. Estava sozinha na cozinha, quando um pano cobriu seu nariz e você sentiu um odor forte que fez sua consciência te abandonar. Ao recobrá-la, despertou em uma cela. Gelada e o chão mais duro que pedra. Provavelmente não dariam a menor hospitalidade para você.

E realmente não deram.

Te ofendiam e xingavam; te oprimiam todo o tempo, além de ameaçar. Para sua sorte, não te torturavam, mas lhe acorrentaram. Apesar de não ser castigada fisicamente, passava fome. Te alimentavam com o necessário. Chorar, gritar, tentar fugir, era em vão. Sendo assim, nem se dava ao sacrifício de tentar. Ninguém iria escutar.

Porém aquilo só durou três dias. Você pode ser fraca em comparação com seus sequestradores, mas para Garsha e Vanfeny, que souberam de tudo rapidamente, aqueles seres não os incomodavam nem como mosquitos. E mais espantoso foi vê-los trabalhar juntos para te salvar.

— Idiotas. Pensavam que uma ideia fraca como essa iria nos derrotar. — Grunhiu Garsha quando os dois a levavam de volta.

— Falta de inteligência, acharam que eram capazes de mexer com os dois maiores herdeiros dos clãs. — Concordou Vanfeny.

— Apesar de tudo... Estou feliz. — Você confessou. — Porque vocês dois vieram juntos, me salvaram juntos e até agora, estão se referindo aos dois o tempo todo como nós. — Explica sorrindo enfatizando a palavra juntos, pode-se notar que os dois se constrangeram. Entretanto, se fizeram isto tudo, era sinal que finalmente aceitavam a presença do outro.

— Foi totalmente desnecessário. Eu poderia acabar com esse clã sozinho, mas o lobo quis vir. — Vanfeny se explicou calmamente e o rival retruca.

— E você não fez nada pra impedir, senhor. — O provocou.

— Não descarto sua ajuda nessa situação. Foi mais rápido assim. — Admitiu o vampiro ajeitando o cabelo sedoso e Garsha grunhiu como de costume.

A partir daí, continuaram rebatendo e retrucando sem parar, argumentando e se explicando, trazendo até assuntos que não condiziam com nada. Você deu um beijo nas maçãs do rosto de cada um. Era uma forma de parar a discussão. Sua vida mudou após conhecer Garsha e Vanfeny. Não sabia qual deles iria ser o mestre de seu coração, tinha bastante tempo para decidir. Seu objetivo não havia sido concluído. Iria ficar com eles dois mais um pouco até que se dessem bem e aprendessem a se aceitar, mas... Ao parecer, discutiam de propósito ocasionalmente. E tudo isto tem um porquê.

Porque era só você que os deixava assim.

Notas finais
Agora, eu só queria fazer uma perguntinha, não é obrigatório responder x'D Acham que eu regredi em escrever, comparando não só essa one como também outras recentes? É só, terça, começo a postar mais ^^ Beijos e Abraços da Dark - See Ya!