A Chance for You
17 O garoto do curativo - Kurumada Gouichi
Notas iniciais
Assistente de enfermeira. Onde estava com a cabeça quando decidiu aceitar esse trabalho? Você se questionava, mas agora não tinha volta. A enfermeira da escola realmente precisava de muita ajuda com os vários alunos que chegavam machucados na enfermaria. Seria chato abandoná-la nesse momento.
Geralmente, você costuma somente organizar, limpar e fazer pequenas ações. Entretanto, ultimamente cuidava de ferimentos simples e problemas não muito sérios. Mas o que te chamou atenção, foi o fato de um certo garoto. Umas duas vezes por semana ele aparecia ora machucado ora passando mal. Às vezes tentava puxar assunto com você, mas sempre estava observando-a discretamente. Isso tornava-se incômodo, porém, você nunca se atrevia a perguntar o porquê.
Cabelos pretos e espetados; olhos da mesma cor; pele bronzeada, mas o que era esquisito e chamativo sem dúvida é aquele curativo no nariz, o qual ele jamais tirava. O nome do garoto? Kurumada.
E por falar nele, ali estava o dito cujo parado em frente à porta. Uma das mãos cobria um ferimento na testa e parecia sangrar.
— De novo? Já é a terceira vez essa semana! — A enfermeira indaga. O garoto apenas dá um fraco sorriso enquanto adentrava a sala.
Você apenas volta a seus afazeres. Uma ligeira timidez toma conta de seu corpo ao sentir a mirada constante do moreno sobre si. Qualquer gesto, ação ou mínimo movimento que executava, era visto por ele. Seu nome é chamado.
— Pode cuidar de Kurumada-kun para mim? Estou ocupada agora. — A enfermeira pede.
— Hai... — Sua voz sai hesitante, mas decide aceitar. Ela agradece e se retira deixando-os a sós.
Você o conduz gentilmente até uma cadeira. Em seguida pega um lenço limpo e o usa para limpar o leve corte na testa. Ambos estavam com os rostos muito próximos. Você tentava não fitar os olhos dele, mas não pode deixar de notar um leve rubor em suas bochechas.
Constrangedor é a palavra para definir esse momento, sendo assim, decide quebrar o silêncio.
— E isso aí? — Você indaga apontando para o band-aid do nariz dele. — Também é um machucado?
— Eh? N-não, é só um enfeite. — Explica passando a mão nos cabelos nervosamente.
— Ah. — Você responde estranhando. Para quê usar algo assim como um acessório? Pensava.
— Está meio sujo. — Ele comenta.
— Que tal se... — Você delicadamente retira o band-aid causando espanto nele, mas coloca outro novinho no lugar. — Pronto.
— Arigatou. — Um sorriso contorna o rosto de Kurumada. — Eu sabia que você era uma pessoa legal.
...
As visitas dele se tornam frequentes.
— Qual a novidade dessa vez? — Pergunta ao vê-lo na enfermaria como de costume. Ele apenas mostra o braço com sangue, entretanto, algo parece estranho. Você o manda se sentar e já pega os itens que provavelmente iria utilizar. A começar por limpar aquele sangue, que tinha uma espessura estranha.
— Espere, mas o quê?! Não tem nenhum ferimento. — Você examina o sangue que acabara de limpar. — Isso é... Ketchup? — O olha esperando explicações.
Kurumada simplesmente inclina-se para frente dando-lhe um selinho. Você fica sem reação ao ser pega desprevenida.
— Dessa vez não consegui me machucar. — A resposta a deixa confusa. Antes que indagasse o que queria dizer com aquilo, ele continua. — Eu tinha que achar um outro jeito de te ver.
O moreno sai da sala, enquanto você, abismada, fica com muitas dúvidas na mente.
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