A Chance for You

19 Nyan Nyan - Kariya Masaki


Notas iniciais
22... Vinte e dois dias! Gente, em primeiro lugar eu não morri! (Na verdade sempre tive medo de acabar morrendo e não postar minhas histórias, kkkkk Deus me Livre! Cruzes >.<) Chip: Ela é doida '-' Não imaginava que tivesse passado tanto tempo :O Só tenho a pedir mil desculpas a vocês leitores >.<' Entretanto, tenho motivos para essa demora MONSTRUOSA. 1º - Meu computador deu pau, mandei-o pra concertar e os caras fizeram a maior enrola. 2º- Meu irmão ficou doente e passou gripe para mim, fiquei com febre (uma coisa que nunca imaginei aos 18 anos) e durante esse tempo ñ consegui escrever quase nada. 3º - O computador deu pau de novo, após três dias de concerto! kkkkk Pode uma pessoa ser tão azarada feito eu? E demorou um pouquinho pra arrumar de novo. Mas agora tá td bem e voltei à ativa. Bom td o que tenho a dizer é que este capítulo ficou Gigantesco! Maior que o Entre Sarcasmos e Ironias que era o maior cap da fanfic. Ah o Kariya neste está bem OOC (pelo menos pra mim) mas isso eu fiz de propósito. Curiosidade: Nyan em japonês é o som do miado dos gatos caso não saibam ;) Boa leitura.

Gotas e mais gotas de água caíam incessantemente do céu, encharcando a cidade. Pessoas corriam tentando se abrigar desesperadamente. Outras usavam guarda-chuva. Você é uma delas e andava calmamente pelas ruas. Gostava da chuva por trazer um ar pacífico a qualquer hora. O barulho relaxante das milhares partículas de água tocando o solo, trazia uma sensação gostosa para seus ouvidos. Não é à toa que se aproveitavam deste som para dormir tranquilamente.

O anoitecer trouxe mais escuridão juntamente das nuvens negras e carregadas. À medida que os pingos ficavam mais fortes e intensos, todos se apressavam para chegar em casa, exceto você, que apenas aproveitava aquele fenômeno da natureza com gosto.

Um objeto à vista chama-lhe atenção. Estreitando os olhos, percebe que era uma caixa de papelão situada embaixo de um ponto de ônibus. Cada passo a fazia chegar mais perto. Algo se movia dentro e gostaria de checar. Finalmente de frente a caixa, vê um gato.

O animal, muito estranho por sinal, tinha os pelos azuis. Nem tão claros nem tão escuros. Eram de uma coloração média. Os olhos castanhos claros. Estava enrolado em uma manta fina, um pouco molhado. No pescoço uma coleira com um pingente de prata escrito o que provavelmente seria o nome do felino. Kariya Masaki. E na aba da caixa, a frase: "Por favor me adote".

Você se admirou com a fofura dele e se abaixa. Sua mão se move para tentar fazer um carinho, mas recebe um arranhão em troca. Apesar de ser pequeno, causou-lhe uma sensação de ardência. Enquanto isso o gato simplesmente se encolheu, parecia estar se defendendo.

Pena... É exatamente o que sentia ao ver aquela cena. Sua mente imaginava apenas as coisas horríveis que poderiam acontecer com ele se continuasse ali. Podia ser atropelado, maltratado por pessoas maldosas, perseguido por cães, etc.

Não queria deixá-lo naquele estado para morrer, portanto, você decide levá-lo para sua casa. Suas mãos se movem para pegar o gatinho, ainda em posição defensiva. Ele levanta a pata pronto para te arranhar e mostra os dentes.

— Aqui gatinho, venha. — Ele continua atento a cada movimento seu. — Não vou te machucar.

Você deixa a mão estendida na direção do animal. Kariya, relutante, chega mais perto sentindo seu cheiro várias vezes. Arriscando um carinho, você afaga a cabeça e as orelhas dele, que parece gostar. Após ganhar a devida confiança, suas mãos pegam o corpinho miúdo, aproximando-o do seu. Retomando a caminhada, você se dirige à sua moradia, dessa vez com um novo hóspede que ronronava.

...

Já tentara de tudo para achar um abrigo, ou alguém que estivesse interessado em adotar Kariya, mas no fim, você acabou ficando com o felino. No início, a relação de ambos foi complicada visto que ele se mostrara agressivo e arisco, não a deixando se aproximar e muito menos acariciar. Ainda não conseguia ter cem por cento da confiança, além de que Kariya é teimoso.

Sem mencionar o fato de que o azulado é um bagunceiro. Adora fazer traquinagens e até parece gostar de te irritar com isso. Algumas vezes se deparou com lixeiras reviradas; comida espalhada; roupas; tecidos e papéis rasgados; os móveis cheios de marcas de arranhões.

— Kariya Masaki! — Esbraveja ao ver a enorme bagunça em sua casa. O gato azul, ouviu seu grito e correu imediatamente se escondendo. Você vai atrás dele tentando pegá-lo para dar uma merecida bronca, entretanto, o encrenqueiro foge a todo custo. Por mais que o perseguisse, não conseguia alcançá-lo. — Você realmente me odeia não é, danadinho? — Ele, ao ouvir sua voz, sai de onde estava escondido. Em resposta à sua pergunta, sobe em cima da mobília e derruba os objetos que nela se situavam, em seguida dá um miado fofo. A boca dele se curva um pouco dando a impressão de que sorria.

Pouco a pouco você o domava. Mesmo sendo constantemente mordida e arranhada, arriscava brincar com ele. É engraçado vê-lo tentar pegar o fio de suas mãos, ou correr atrás de uma bolinha rolando pelo chão. De todos os modos tentava agradá-lo. Vez ou outra ele gostava, outras te rejeitava. Parecia bipolar, mas tinha que admitir, a bola de pelos azuis te encantava à cada dia.

Especialmente nos raros momentos que Kariya ficava carente...

Não conseguia acreditar no que estava testemunhando com seus próprios olhos. Kariya havia subido no sofá em que você se sentava e simplesmente se aninhou a seu lado encostando a cabeça em seu colo. Em seguida começa a ronronar calmamente. Sua mão acaricia o pelo macio do gato, que abre os olhos castanhos, mas fecha-os sem demora. Ele apenas continuou no lugar aproveitando o chamego.

...

— Miau. — Kariya dá um miado. Você o observa de esguelha e disfarça. Outra vez ele aprontara fazendo uma de suas "brincadeiras". Agora, o azulado derrubou seu celular. O aparelho ficou com alguns arranhões na tela. Apesar de estar com muita raiva, você procura não descontar no animal. — Miau...

Novamente um miado, porém, apenas o ignora. Percebendo seus atos, Kariya mexe em sua perna com uma das patas tentando inutilmente ganhar sua atenção. Subiu em seu colo, bagunçou seus cabelos, encostou o focinho gelado em sua pele. Até que se viu obrigada a render-se quando ele tentou lamber seu rosto.

— Ai, o que é? — Questiona o pegando nos braços e ajeitando-o no colo. O gatinho azul apenas lhe acaricia com a cabeça. Não resistindo à fofura, você o abraça carinhosamente. — Tá bom, eu te perdoo.

...

Aquela criaturinha fofa, já se tornou parte de sua vida e não conseguia se imaginar sem Kariya. Não importava se era um gato, você conversava com ele, dizia oi e tchau, dormia junto, entre várias outras coisas que pessoas em seu juízo perfeito não fariam, todos riam e te chamam de doida.

— Tadaima! — Diz entrando em sua casa. Seus olhos primeiramente avistam Kariya sentado te esperando na porta. Ao te ver, rapidamente avança em seus pés, se esfregando. Se não o conhecesse, jamais diria que o gato azul tinha sido agressivo.

Ambos jantaram juntos, assistiram e até mesmo tomaram banho. Incrivelmente ele não tem medo e fica quieto enquanto era ensaboado. A água morna caía limpando todo o sabão e a espuma que se formaram. Kariya estava com o olhar fixo no chão como se não quisesse te observar. Ao se vestir, ele cobre o rosto com as patas. Você não estranha nem dá importância ao ato mesmo sendo anormal um felino fazer esse tipo de coisa.

Como de costume, você se deita com ele do seu lado. Antes de enfim dormir, você o acaricia esperando-o fechar os olhos castanhos primeiro. Do lado de fora, uma chuva fraca e suave começa a molhar a cidade. Lentamente a doce sensação de moleza toma-lhe o corpo.

...

De manhã, acorda sentindo um peso extra na cama, juntamente da sensação de uma presença. Susto, choque e surpresa. Não sabia definir ao certo sua reação. O que causara isso, fora o fato de um garoto totalmente nu estar deitado a seu lado. Não estava somente de camisa ou só de calça e sim como veio ao mundo.

Sem saber o que fazer exatamente, se levanta e dá um grito que o acorda. Ele a observa assustado por ter sido despertado dessa maneira. Já você, coloca uma das mãos na frente de sua vista evitando olhar as partes íntimas dele.

— Kya! Mãe, pai! Tem um tarado no meu quarto! — Continua gritando até seus pais atenderem seu socorro.

— O que foi filha? — Sua mãe questiona aflita.

— Tinha um garoto pelado aqui! — Repete o que dissera anteriormente.

Mas, surpreendentemente ele havia sumido. Vocês tentam procurá-lo somente para checar se não estava escondido no quarto. E acabam não encontrando sequer um vestígio de onde o suposto tarado poderia ter ido.

— Tem certeza que viu esse garoto? — Sua mãe indaga. Você afirma meneando a cabeça. — Talvez possa ter sido um pesadelo...

— Não, não foi. Eu realmente o vi, não posso estar louca.

— Hum... — Os dois põem a mão no queixo e começam a refletir.

— Hey! — Resmunga indignada, até seus pais pensavam assim de você.

— Mas não lembro de ter ouvido ninguém invadir nossa casa. — Sua mãe argumenta. — Nem de ouvir nenhum barulho de noite ou madrugada e olha que tenho o sono leve.

— O que importa agora é que esse tal tarado não está mais aqui. — Seu pai diz. — Só precisamos ter mais cuidado e dar queixa contra ele.

...

Após abrirem um boletim de ocorrência, vocês retornam para casa sem muito sucesso, pois você não conseguiu dar muitas informações sobre o sujeito. Ao entrar em seu dormitório e fechar a porta, um par de mãos tampa sua boca a impedindo de gritar.

Olhando para ver quem fazia isto, seus olhos se arregalam; o corpo paralisa. O garoto de antes voltou e o que mais te assustou, foi o fato dele ainda estar sem roupa alguma. Pensamentos ruins vieram à sua mente, você esperou pelo pior.

— Miau... — Ele mia te confundindo. — Gomen mestra, não queria te assustar. Mas... não sei por que isso aconteceu. Eu só... acordei desse jeito. — A voz dele é chorosa. Enquanto você ouvia o choramingo do garoto, seu cérebro bugou pelas palavras e pensava em uma explicação. — Não se lembra de mim? — Ele indagou e você acena negativamente. — Sou eu, Kariya, o seu gatinho.

A expressão que se passava em sua mente era: Mas o quê? Além de confusão, medo, vergonha e principalmente um sentimento incômodo por estar pertinho das partes íntimas dele.

— Vou tirar a mão, mas você vai ter que prometer não gritar. Não vou fazer nada. — Ele jura. — Agora, promete ficar quieta? — Você afirma. — As mãos libertam sua boca. O garoto se afasta.

— Será que pode se cobrir, por favor? — Pede jogando um cobertor, o qual ele se enrolou. Em seguida você pega um objeto para se defender caso ele tentasse algo. — Me explique que história é essa de ser o meu gato de estimação.

— Aqui, olhe. — Ele aponta para a própria cabeça, que tinha um par de orelhas de gato da cor azul e mostra uma cauda da mesma tonalidade. — Ah, tem a minha coleira também. — Ele entrega o objeto contendo o nome Kariya Masaki.

— Mas... Como? — Não tinha nem como contrariar. Observando atentamente, o garoto se parecia muito com o seu Kariya. Possuía os mesmos olhos, cabelos curtos e azuis como os pelos do felino e a coleira comprovara que de fato é ele. — É possível isso? — Questiona sem reação. Ele dá de ombros. Você se aproxima receosa e toca-lhe o rosto, examinando-o. — Meu amado Kariya... Virou humano. É difícil acreditar. Mas... Por hora, você precisa se vestir. Não é muito agradável mostrar sua intimidade por aí.

...

Precisou "roubar" uma muda de roupas do seu pai, levar Kariya até o banheiro e agora, tinha somente que banhá-lo por mais que fosse constrangedor. Você pega a esponja enchendo-a de sabão e a entrega ao garoto dando instruções de como se esfregar, porém, ele ao menos sabia segurar o objeto.

— Você não pode me ensaboar, mestra? — Kariya questiona da forma mais inocente possível.

— Não! Você tem que fazer isso sozinho! — Responde virada de costas.

— Mas a mestra sempre me deu banho. Até tomávamos juntos algumas vezes. — Esse argumento a fez corar um pouco.

— É que... Agora é diferente. Você é meio humano e... Um garoto e uma garota tomar banho juntos, é errado.

— Ahn... Okay. — Kariya aceita a justificativa desapontado.

— Desculpe Kari.

Depois de lavar o corpo; cabelo; orelhas e cauda; e enxaguar, você ajuda-o a se secar. O próximo passo seria vestir e sair rumo ao quarto sem serem vistos.

— Coloque um pé de cada vez, assim como eu faço. — O azulado obedece enfim conseguido colocar a cueca e fazendo o mesmo com as calças e camiseta. Um suspiro de alívio escapa de sua boca. Tivera de fechar os olhos e segurar a roupa enquanto ele se apoiava em seus ombros, pois não estava habituado a se equilibrar em duas pernas, nem usar cinco dedos.

De volta ao dormitório, ambos conversavam sobre toda a situação.

— Bom, até voltar ao normal, vai ter que ficar em meu quarto. — Explica para o menino-gato que ouvia tudo enquanto rolava entre os lençóis da cama como costumava fazer sempre. — E isso significa, dormir, comer e não sair daqui. Ah, sem falar que meus pais não podem te ver.

— Não poderei sair? — Indaga meio espantado. Você balança a cabeça em sinal negativo. Uma expressão tristonha se forma no rosto de Kariya que a fez sentir pena. Um ronco interrompe o clima melancólico formado. — Estou com fome. — Ele informa massageando a barriga.

— Vou trazer comida, espere aí.

Caminhando até a cozinha, o delicioso aroma da comida de sua mãe invade suas narinas. Você chega até ela e pergunta se o jantar estava pronto. Ela afirma e lhe diz para se servir, pega um prato e o enche formando uma pequena montanha de alimentos. Discretamente coloca outro prato vazio embaixo do primeiro, além de pegar mais um talher.

— Filha, onde está aquele seu gato bagunceiro? — Sua mãe pergunta curiosa.

— Não sei, talvez passeando na rua. — Responde retornando ao quarto, mas é impedida.

— Espere, pra que serve esse prato embaixo?

— Ah! Bem... É que o de cima está quente demais. Esse é para não queimar minhas mãos. — Dá qualquer desculpa esfarrapada e sai apressada antes que ela fizesse mais perguntas.

A comida foi repartida entre os dois pratos. Um deles foi entregue à Kariya juntamente de um dos talheres. O azulado deixa o utensílio de lado e literalmente come como um animal, abocanhando tudo. Você o faz parar dizendo que não é desse modo que se come apropriadamente e tenta ensiná-lo.

— Miau, já chega. — Kariya desiste derrotado ao ver que não tinha progresso.

— Tente de novo. — Insiste incentivando-o.

— É difícil! Nunca aprendi a comer com as patas, nem tive um polegar. — Ele reclama a fazendo suspirar.

— Acho que só tenho uma escolha.

Você pega um punhado de comida com o garfo. Mandando-o abrir a boca, leva o alimento a ele que mastiga e engole. O gesto repete-se várias vezes até o prato estar limpo. Foi um momento engraçado, fofo e meio esquisito, seguido de um pequeno arroto dele e uma crise de soluços por comer rápido demais. Isto a fez rir.

Hora de dormir. A cama estava prontinha para ser amassada e desarrumada por um corpo, mas sua preocupação no momento é outra. Decidir onde Kariya vai deitar.

— Mas sempre dormimos juntos. — Protesta enquanto você arrumava um colchão para o azulado.

— Lembra do que te falei no banheiro? — Ele acena que sim. — É a mesma coisa agora.

— Ser humano é algo chato. — Reclama deitando-se no colchão já pronto.

— Eu sei. Bem, já podemos dormir. Boa noite. — Você diz, mas Kariya fica te olhando sem falar nada. — O que foi?

— Esqueceu meu beijo. — Diz em tom pedinte e manhoso.

— Ah...

— Não me diga que humanos não dão beijos de boa noite? — Ele parecia indignado.

Você apenas pega o rosto dele com as duas mãos e dá um suave beijo em sua testa causando um sorriso junto de uma expressão boba. No meio da noite, quando descansava tranquilamente, você é despertada ao sentir algo mexer em seu cobertor como se estivesse se acomodando a seu lado.

— Kariya? Tá fazendo o quê? — Sua voz era sonolenta.

— Me deixe dormir com você, mestra. Por favor.

— Não sei...

— Por favor. — Implora choramingando, o tom de quase pena a fez se derreter. — Tenho medo do escuro.

— Certo, certo.

Com a permissão concedida, Kariya se acomoda abraçando sua cintura. A respiração dele pôde ser sentida em sua nuca. Como estava sonolenta, você não dá muita importância, mas uma coisa é certa, uma sensação aconchegante lhe dominou enquanto seus olhos fechavam-se lentamente.

...

A partir daquele dia, a relação de ambos tornou-se fria. Depois de Kariya transformar-se em humano repentinamente, não conseguia tratá-lo como antes. Estava acostumada a ver um gatinho azul correndo pela casa, ou, dormindo preguiçosamente em um lugar macio. Agora, tinha um garoto com cauda e orelhas de felino.

Não havia mais a liberdade de pegá-lo no colo, acariciar os pelos fofinhos. Sem mencionar o fato de ter que se esconder dele ao trocar de roupa. Kariya pode falar, conversar e expor suas vontades, porém, de longe era a mesma coisa. Sentia que era um estranho.

Já o azulado não mudara em nada mais além da aparência. Abraços eram constantes, brincadeiras também e velhos hábitos como te esperar na porta e sempre chamar atenção, continuaram. Contudo, por mais carinhoso que fosse, você rejeitava os gestos afetuosos.

Isso acabou deixando Kariya cada dia mais triste e depressivo. Notava-se pela falta de animação e alegria. Não gostava de vê-lo assim, mas mesmo que tentasse aceitar, na sua visão ainda é anormal e espera que ele voltasse à sua antiga forma.

Exatamente por esses motivos, você o procurava louca e desesperadamente pela cidade, pois quando chegou em casa, Kariya não se encontrava por lá. Sequer havia vestígios de onde poderia estar. Em sua mente apenas se passava o pior. Alguém podia sequestrá-lo e vender como aberração da natureza; ser agredido e principalmente se perder. Sentia culpa e muito arrependimento. Devia ter dado mais atenção à Kariya e não se importar com a nova mudança, afinal, seu amado Masaki continuava a ser o de sempre.

Prestes a abandonar as esperanças e desatar a chorar, seus olhos veem uma cabeleira azul meio ao longe. Sem pensar duas vezes, corre até o dono dela. Alívio preenche toda sua alma. Kariya estava sentado no balanço de uma praça. A cabeça baixa. Dos olhos transbordavam lágrimas cristalinas. A cena corta seu coração, aumentando a culpa.

— Kariya! Por que está aí? — Vai até ele com expressão e voz aflita.

— M-mestra... — Os olhos dele fitam-na com surpresa. — Você não gosta mais de mim. — Desabafa entre soluços. — Então fugi.

— Eu nunca disse isso, eu...

— É tudo culpa minha. S-se eu não f-fosse azarado... As coisas estariam normais.

— Não Kariya, a culpa é minha. Eu feri seus sentimentos e só me importei comigo mesma. Você não tem culpa de nada, ou melhor, sendo humano ou gato, eu sempre vou te amar.

— Mestra... I-isso, isso é verdade? — Os olhos de Kariya brilhavam de emoção.

— Me perdoa? — Contesta realmente arrependida. Em resposta, o garoto vai para cima de você abraçando-a fortemente. — Prometo ser mais carinhosa e atenciosa com você, meu Masaki. — Faz uma promessa retribuindo o gesto.

...

Inseparáveis, essa é a palavra perfeita para defini-los. Desde o dia em que ele quase desapareceu para sempre, você passava o tempo com Kariya seja passeando, conversando ou simplesmente olhando um para a cara do outro.

Como antes era um gato, ele não sabia de nada. Tudo tinha a necessidade de ser explicado, com direito a muitas perguntas e dúvidas. Também o ensinara a ler, escrever, se virar sozinho com algumas coisas. Porém, outras tornam-se constrangedoras demais para falar e Kariya acabava deixando tudo ainda mais vergonhoso.

Estavam assistindo televisão. Um filme de comédia romântica passava. Tudo aparentava estar normal até o casal dar um longo e provocante beijo, o que fez a atenção de Kariya redobrar. Ele observa a cena com uma cara confusa e interessada ao mesmo tempo.

— O que eles estão fazendo? — Masaki lhe indaga.

— Se beijando. — Sua voz hesitava, pois já adivinhava ter que responder um questionário do assunto.

— Beijando? O que é isso?

— Ahn... Como posso explicar... — Você encontrava as palavras certas. Era como dizer à uma criança inocente. — Se beijar é... Um gesto. Que duas pessoas apaixonadas fazem.

— Mas, por quê?

— Porque se gostam muito. É por isto que se beijam, para demonstrar o quanto se gostam. — Você solta um suspiro por conseguir explicar de um modo que ele entendesse corretamente.

— Ah... — Ele faz uma pausa refletiva até se dirigir à sua pessoa com um sorriso de orelha a orelha. — Então vamos nos beijar mestra! — Kariya avança em seus lábios dando um selinho suave e delicado, te pegando de surpresa.

— Kariya, por que me beijou? — Instintivamente seu rosto cora.

— Você acabou de dizer que pessoas que se gostam muito, se beijam. — Responde com a maior inocência.

— Sim, mas não desse jeito. Quando disse gostar, me refiro ao amor de um casal. — Explica novamente, ainda em choque pelo ato.

— Ah... Entendi. Não podemos fazer isso porque somos amigos? — Você afirma. — Mas, mestra, me sinto estranho, é normal?

— Estranho? Como?

— Não sei descrever bem. É uma sensação desconfortável na barriga, parece que tem bichinhos se mexendo dentro.

— Oh, isso é anormal. — Um pensamento se passou por sua mente, logo você tratou de esquecer, afinal, não poderia ser possível. — Talvez foi algo que comeu.

...

Se perguntava quanto tempo havia se passado desde que absolutamente tudo começara. Analisando bem, parecia bastante se começar a contar daquela noite chuvosa em que achara Kariya Masaki. Depois de vê-lo passar por uma transformação radical literalmente, você pensa sobre o futuro desta pobre criatura. Até o momento, ele ainda não voltara ao normal. Talvez ficasse na forma meio humana pelo resto de seus dias.

Se isso for verdade, teria que cuidar de Masaki; ensiná-lo a se ajustar no mundo. Como teria de explicar muita coisa, obviamente precisaria de ajuda. Seria como cuidar de um filho. Você ri com a ideia e abandona a linha de raciocínio.

Ultimamente, Kariya assistia muitos filmes de romance e também novelas. Sempre quando passavam cenas de beijo ou carícias, o azulado se concentrava mais, como se esperasse desde o início para ver somente aquela parte em especial.

Sem mencionar os animes e mangás shoujo, o qual ele te pedia para comprar e lia e assistia junto de você. Outro fato esquisito no comportamento do garoto, é que as várias perguntas sobre namoro.

— Kariya, por acaso tá apaixonado é?

— Sim. — A resposta te deixa espantada.

— Eu posso saber por quem? — Uma ponta de curiosidade lhe atinge.

— Não. — Ele foi curto e seco. — Digo, melhor não. — Um olhar triste contornava seu rosto.

— Por quê? — Indaga estranhando.

— As coisas ficariam diferentes entre nós. — Você o encara como se esperasse uma explicação melhor. — É que, nos conhecemos há muito tempo e sempre fomos amigos. Não acho que ela vai gostar de mim da mesma forma que eu gosto dela.

— Hum... — Me fale mais sobre essa garota. — Pede, querendo mais informações.

— Ela é... Bonita e linda, inteligente, carinhosa, faz qualquer coisa bem... Ah! É engraçada... — Kariya começa a falar incontáveis elogios com um sorriso sonhador.

Enquanto isso, você tentava desvendar quem tinha conquistado o coração de seu amado Masaki. De repente ciúme lhe vem à tona. Saber que ele amava uma garota, mudava tudo. Ela poderia levar seu gatinho para longe, ou pior, machucá-lo e decepcioná-lo. Mas mesmo que não fizesse nada disso, ainda sim, só de imaginar Kariya abraçando, beijando ou... Tendo relações com essa tal garota, era bizarro, no mínimo.

— Mestra? — O garoto te chama, despertando-a de suas reflexões. Você o agarra pelos ombros firmemente e mira os olhos castanhos e confusos.

— Kariya, você não pode amar essa garota! Eu o proíbo.

— Eh?! Por quê? — Ele pergunta assustado com seu tom.

— Porque... Porque eu te amo. — Por um instante, hesita antes de falar isso, mas confessa, descobrindo que é exatamente o que sentia. O encontro na chuva, a transformação súbita, os momentos que compartilharam juntos, talvez seja o destino.

Durante todo esse tempo unidos, uma espécie de amor, porém mais intenso lhe vinha à mente ao ver a imagem de Kariya. Até de pensar neste nome, um sorriso bobo, bochechas coradas e as temidas borboletas no estômago apareciam. Você descobriu esse sentimento, mas demorou para admitir. Por um tempo procurou ofuscar essas sensações e julgou a si própria, dizendo que é errado, inapropriado ou proibido.

Agora, já não podia mais ignorar. Especialmente que seu medo de perdê-lo para outra se tornou real. Não poderia deixar isto acontecer sem pelo menos dizer que o amava com todas as forças. Kariya te olhava abismado, as orelhas de gato mexiam-se levemente. Ele sempre faz esse gesto quando está muito confuso e surpreso.

— Você... Me ama mesmo? Digo, como namorado?

— Sim, muito. — Ele sorri de orelha a orelha. — Eu só queria que ficasse sabendo, caso realmente queira ficar com essa garota.

— Não precisa se preocupar com isso. Porque a garota que eu amo é você, mestra. — Uma coloração rosa aparece nas bochechas do azulado, sua vez de ser surpreendida. Não imaginou que podia ser correspondida. — E já que, nós dois nós amamos, eu devo te beijar certo?

Após sua afirmação, Kariya te beija de verdade, deixando o lado inocente de lado, mas movendo os lábios contra os seus lentamente como se quisesse aproveitar cada segundo daquele gesto de amor. Entretanto, por uns segundos, Kariya paralisava parecendo não saber o que fazer por falta de experiência.

— Gomen. — Ele se desculpa interrompendo o clima.

— Apenas seja você mesmo e relaxe.

Você retoma o beijo, dessa vez o guiando a seu modo. O azulado parece se soltar, tomando a liberdade de te puxar para mais perto. Depois de se separarem, ambos deitam na cama abraçados.

...

— Eu acho que eles são fofinhos. — Haviam acabado de pegar num sono pesado. Você ouve a voz de sua mãe, mas como estava muito sonolenta, não teve forças para despertar completamente.

— Humpf, ela devia ter nos contado. — Agora quem diz é seu pai.

— Pare com isso, eles estão felizes e é isso o que importa.

— Estou de olho em você, menino-gato.

— Vai acordá-los! — Sua mãe exclama sussurrando e fecha a porta.

Enquanto isso, você e Kariya apenas continuam dormindo sem se importar com nada a não ser um ao outro.

Notas finais
Obrigada por ler ^^ Não faço ideia de qual irei postar, estou bem inclinada a postar do Atsuya ou do Tenma, talvez até um outro do Terumi que fiz. Dúvidas, dúvidas... Chip: Que diferença vai fazer se postar de um e não do outro? O.o Dark: Ao invés de me questionar vc devia me ajudar a escolher! ù.ú Enfim, até o proximo pessoal Beijos e Abraços da Dark e do Chip (antes que ele fale reclame) - See Ya!