A Chance for You

50 Friends - Kirino e Shindou


Notas iniciais
Yo gente linda do meu kokoro *-* À quanto tempo não posto uma fic Character X Reader? ^^' Perdões :/ Já terminei tudo que tinha que escrever e etc. Não tem mais fics antigas então estou meio livre, quer dizer meio ^^' Então, eu vou fazer uma pausinha de histórias Personagem X Leitor, por uns motivos. 1º Estou de mudança este mês. De novo Dark? Faz só um ano! Eu sei eu sei, mas creio que essa será a última, quero morar nesta nova casa por pelo menos dois anos. Sério, espero que tudo dê certo dessa vez porque é bem cansativo .-. Então, pretendo arrumar as coisas aqui. 2º Inspiração. Ai gente, minha cabeça foi pro espaço de tanto que me esforcei pra terminar esse capítulo/fic (aliás espero que realmente gostem) primeiro que por escrever ele à muito tempo, tive que reler e pegar o ritmo. E travei em algumas partes. Acho que devo assistir animes, ler mangás, ver doramas pra escrever com entusiasmo porque minha cabeça também não tá muito boa kkkkkkkk Digo, estou tomando uns remédios que mexem muito com meu emocional (estou muito bipolar ^^') e isso infelizmente afeta minha escrita. Fico um pouco descontente com o que estou fazendo de vez em quando. Não, não vou parar de escrever. Só esperar minha inspiração voltar para o romance @.@ 3º Portanto, para escrever coisas que necessitam bastante de meu esforço cerebral, vou dar uma pausa. Mas vou fazer drabbles, ones curtas, homenagens curtas... É vamos ver :) Bem, acho que é só de motivos kkkkk Se eu lembrar, porque estou muito esquecida também '-' Agora falando do capítulo: Er... Foi a pedido da PikaGirl/ Claudine Crystal, conhecida também como Natacha :3 Desculpe a demora absurda, sério >.<' E... Decidi inovar! Uma Personagem X Leitor de triângulo! Estou querendo expandir minhas fronteiras nesse ramo e na escrita Hehe x'D Me inspirei no título da música Friends do Ed Sheeran nunca a escutei. Enfim, acho que é tudo o que tenho a dizer. Ah! Esse deve ser a maior one que escrevi O.O Aproveitando aqui para agradecer à LadyScorsone/scxrsone conhecida também como Nikki. Que fez a terceira recomendação de A Chance for You! Um zilhão de obrigadas, sua linda! Nunca achei que teria 3 recomendações (emocionada) *-* Título: Amigos Enjoy!

Hoje é literalmente um dia de ironia, porque seus dois melhores amigos te faziam companhia. O clima? Lindo, agradável, ótimo para se curtir um verão sereno fora de casa. Obviamente tudo parecia bem demais, o mundo colabora em prol de seu entretenimento. Infelizmente é com grande pesar que não pode dizer o mesmo de Kirino e Shindou. Nenhum deles tinha uma carranca rude nos rostos, mas a pequena tensão por si, já é capaz de abalar ligeiramente toda a animação de alguém. Em sua mente, a única questão é como a situação foi acabar desse modo.

Quem diria que no começo era uma amizade intangível, intacta; sem um mísero desentendimento? O pianista estrategista e o rei da linha de defesa de madeixas peculiares, tinham uma história amistosa, de dar inveja a dois irmãos gêmeos. Brigas e discussões são necessárias vez ou outra; em qualquer tipo de relação. Assim ambos aprendem a amadurecer com seus erros. Porém no caso daqueles dois, praticamente não há espaço para isso, porque simplesmente não tem cabimento, nem fundamento.

É complicado? Sim. Como qualquer assunto do cotidiano, ou pertencente à humanidade. Especialmente se tratando em amor, onde tudo fode. Falando no linguajar mais adequado. É isso mesmo que leu: amor. Esse sentimento que é capaz de enlouquecer ou alegrar alguém infinitamente, uma sensação indescritível. Não faz muito tempo que o rosado chegou primeiro e se declarou querendo ser dono de seu coração. Logo depois veio Shindou, atrasado. Sempre foi assim, Kirino é o confiante da história e quando tem certeza de algo, rapidamente não hesita em fazer. O rosado é capaz de tirar conclusões precipitadas, mas corretas na maioria dos casos, típico de um analista veloz. Shindou, é mais lerdo, porém mais preciso. Demora a pensar e encontrar uma solução, mas quando a faz, é com exímia certeza. Sem sombra nenhuma de dúvidas. A demora dele em raciocinar se deve por suas emoções. Seus sentimentos influenciam muito nas decisões, o que pode ser um atraso desprezível, mas suas confusões emocionais também o ajudam a investigar todos os lados da situação, sem que ele cometa erros drásticos.

Sua resposta às declarações foi uma incerteza. Não queria decidir entre os dois companheiros. Primeiro que estava confusa, segundo porque é desagradável decidir entre amigos que você conhece desde a mais antiga memória de sua infância. É impossível negar que haviam se tornado rapazes bem-dotados, tanto em aparência quanto em personalidade. Mas ainda são pessoas valiosas em sua vida, compartilharam momentos bons e ruins, te auxiliaram no que quer que precisasse; a mesma coisa de você, que esteve sempre pronta para ouvir os lamentos deles. Nostálgico era, quando recebia mensagens ou ligações na madrugada de um Shindou choramingando e logo em seguida Kirino já estava na conversa, te ajudando a aumentar a autoestima do moreno. Também se lembrava dos surtos de raiva, que transformavam Kirino em um desesperado. Você e Shindou aguentavam ficar do lado do rosado, o ouvindo amaldiçoar o mundo e seus karmas, às vezes descontando o ódio nos objetos pessoais. Até ele se acalmar e ficar envergonhado pela cena que fez na frente dos amigos. Hoje, ele odiava recordar seus momentos de fraqueza e dava risada de suas paranoias. Os três cresceram juntos; amadureceram e você gostaria que aquela amizade perdurasse para sempre se possível.

Você manteve segredo, mas eles descobriram que o outro estavam a fim da mesma garota. Coisas assim são deveras fáceis de se desvendar, o jeito de olhar; agir, tudo te revela. A situação não podia ficar pior; tensa. Palavras como “eu achei que você é meu amigo” começaram a surgir, suspeita de traição, dúvidas e afins. Você não suportava que eles brigassem, ainda mais por sua causa. Só podia ser um teste da vida, só pode. Era a única explicação. Sendo assim, você estava decidida a contornar isso, de modo que tudo ficaria bem. De certo que haveriam consequências, talvez boas ou ruins.

Kirino e Shindou ainda são amigos, porém tentam brigar por sua atenção. Qualquer ato vale para ganhar sequer um olhar, uma risada. Virou uma disputa. Apesar de ser engraçada as reações de ambos, não deixa de ser irritante. Em todo lugar, à toda hora, eles não perdem tempo nessa tarefa de conquistar. Se tornou quase impossível de curtir um momento juntos, em trio.

Estavam caminhando lado a lado, só para garantir que o suposto rival não tentasse nada pervertido, ou para fiscalizar, saber se você não estava dando mais créditos para um do que outro. Assim, ambos ficariam satisfeitos pensando que estavam empatados. E se um atrevesse a sair da zona da amizade, o outro interferia e acabava com as chances do rival.

O rosado, como é mais confiante e impertinente, aproxima seus corpos numa distância perigosamente atrevida, mas simplesmente passa um braço ao redor de seus ombros sem deixar de caminhar. Não dava para descobrir se é um gesto amistoso ou com alguma pretensão. Seu rosto se ruboriza com a aproximação e você dá uma leve risada divertida, adivinhando o que ele queria. Isso enfurece Shindou, que expressa descontentamento. Podia ver as bochechas do Takuto um pouco infladas e se possível, uma fumacinha saindo de sua cabeça.

— Dia lindo, não? — Kirino questiona em tom desprovido de malícia. Sua pergunta era inocente também, mas seus atos, suspeitos. Até ele continuar sua frase. — Sabe o que seria melhor ainda? Receber um abraço do seu melhor amigo... Ou amiga. Talvez um beijo.

Kirino ri como se brincasse, mas torcia para que você aceitasse a proposta, nem que não fosse uma confirmação de que ele tinha ganho seu amor. Você se diverte, mas se prepara para uma discussão de provocações. Engraçado era que o rosado sempre tomava as iniciativas. Shindou meneou a cabeça negativamente, desaprovando aquilo e se pronuncia, pronto para anular as tentativas do Ranmaru.

— Você é muito atrevido. Tradução: Precisa tomar vergonha na cara.

— Ora, parece que o senhor comportadinho está revelando seu outro lado. — Kirino estava pronto para refutar qualquer palavra que ele dissesse, mas Shindou não parecia brincar também. Não que fossem brigar seriamente, duvidava que tinham essa capacidade. — Onde tá sua formalidade, Takuto?

— Admito que perdi com você. Mas sinceramente, suas tentativas de cantar alguém são inúteis. — Kirino esboça uma carranca e um muxoxo revoltado. Shindou não era assim antigamente. Quem diria que o capitão chorão, é capaz de ser tão maduro quando quer?

— Pelo menos eu tenho atitude e interajo bastante com as pessoas. E... — Kirino se separa de você e parece se lembrar de uma recordação engraçada, visto que ria com puro deboche. — Quem foi mesmo que fez uma serenata na janela de uma garota? Coisa da idade da pedra.

Sua mão vai direto à boca para segurar o riso enquanto o moreno se encabula todo, parecendo que iria esganar o rosado, qual ria freneticamente. As pessoas começaram a observar. Você teve pena de Shindou ao se lembrar daquele inesquecível dia. Foi quase na época em que os dois se declararam. Depois da briga, as confusões em relação aos sentimentos e no começo de quando os melhores amigos viraram rivais amorosos.

Era um dia de verão, por volta da meia-noite. Inazuma estava tranquila como o habitual, porém ainda havia movimento de várias pessoas na rua, especialmente da vizinhança. Noite estrelada, mosquitos chatos sugando seu sangue, calor infernal, normal. Você se preparava para dormir, até um som de violino vier lhe incomodar, estava alto, cogitou a ideia de ser um ensaio ou uma orquestra de teatro; organização de um evento público. Abrindo a janela com o intuito de verificar, qual não foi sua surpresa ao se deparar com Shindou, vestido com um terno. Provavelmente suando muito. Te dedicando uma canção que ele mesmo compôs.

Seria até legal, se o garoto fosse bom em cantar, o que não é o caso. Shindou é um excelente maestro e pianista, mas possui a voz de uma taquara rachada. Infelizmente era uma agressão aos ouvidos de qualquer pessoa. Todos reclamavam e os animais se afastavam. Você não soube o que fazer e ficou paralisada, sentindo-se obrigada a ficar. Não queria causar constrangimento nenhum para o amigo, apesar dele próprio fazer isto. Infelizmente o moreno estava desesperado para tomar uma ação antes do rosado e acabou não dando certo.

Era possível ver o suor marcado na roupa, diria que a qualquer segundo, ele iria desmaiar de desidratação. Antes disso acontecer, ele foi acertado por uma latinha de alumínio, seguido de mais alguns objetos leves, principalmente de xingamentos e ofensas de pessoas que não aguentavam sua melodia romântica. O coitado acabou tendo que encerrar a serenata, pois foi afugentado pelo povo. E como os boatos correm rápido em uma cidade pequena igual a Inazuma, Shindou foi o assunto do dia, senão do mês. O feito chegou até os ouvidos de Kirino, que faz questão de relembrar do fato, mas se lamenta muito por não estar presente no memorável momento.

Voltando aos acontecimentos atuais, Kirino cessou os risos, porém tentava escapar de um Takuto furioso, que ainda tem vontade de cometer um assassinato em praça pública. Eles quase se agarravam, empurravam um e outro pelos cotovelos infantilmente, mas as brincadeiras começavam a se tornar agressivas à medida que continuavam a se provocar. Você trata de interromper aquilo.

— Ei, pode parar! — Ordena e ambos param de imediato. Apesar de contragosto. — Desse jeito vou embora.

— Bem, podíamos ter vindo só nos dois passear, mas você quis chamar o Shindou... — Kirino ressalta em tom acusador.

— Mas é lógico. Somos amigos. — Você se defende. Sair a sós com o rosado, significava que estava correspondendo ele de certo modo. A verdade é que não queria dar falsas esperanças a nenhum deles. Por isso convidou o pianista.

O destino chegou: o cinema. Nada como ver um filme na companhia dos amigos, só que não. Mal pisaram lá, começaram a querer implicar um com o outro, parece que não levam jeito; e mesmo com você ameaçando se retirar e voltar para casa, eles insistiam em continuar a ver quem é o melhor. A começar com o filme. Brigavam entre romance e comédia, você optou por terror para evitar escolher entre um lado. Discutiram entre pipoca com manteiga ou não; Coca-cola ou Pepsi; Chocolate Branco ou Preto. E assim cada mínima decisão era uma burocracia, disputaram especialmente as cadeiras. Diria que fora um sacrifício para convencê-los a sentar de cada um de seus lados, porém enfim, vocês conseguiram entrar nas salas de sessões. Você revira os olhos e tenta ser parcial naquele meio, estava quase saindo só para fazê-los parar com essa besteira. Quem sabe não se sentiriam culpados e pensassem melhor?

Durante o filme, Shindou dava um leve pulo da cadeira com os sustos, causando momentos engraçados; Kirino encarava tudo com tédio. Derrubaram a pipoca em você quando tentavam pegar mais do que o parceiro e debaterem sobre o filme. Comentavam sobre o enredo, partes técnicas, sustos e personagens. Sabia qual era o motivo por trás disso: queriam lhe impressionar e chamar sua atenção. Foram ignorados lindamente por causa disso e pra piorar, às vezes se exaltavam tanto que as pessoas pediam por silêncio, na verdade quase os matando. Com a paciência de um pingo d’água, você se levanta e começa a se retirar da sala, sorte que a cena estava quase no fim, mesmo assim não dava para assistir desse jeito!

Kirino e Shindou correm a seu percalço implorando por desculpas. Você os perdoa dando um sermão em troca. Entretanto uma ideia rapidamente percorre sua mente para aliviar a situação. Propôs um jogo em que ambos não podiam falar de forma alguma. O que perdesse, levaria uma punição. Enfim, um agradável silêncio tomou o ar enquanto se dirigiam para o parque de diversões de Inazuma. O lindo entardecer resplandecia no horizonte, mas com este cenário de fundo, apenas se lembrou do goleiro e capitão Endou Mamoru. Por causa dele que a Torre da cidade ficou famosa e provavelmente o fanático por futebol estava treinando lá com a ajuda de seus gigantescos pneus. Mesmo com o jogo de se calar, o rosado e o moreno usufruíam das expressões faciais e gestos para xingar ou zoar o outro. Quando percebiam que estavam sendo notados, disfarçavam descaradamente e de forma ridícula. Até uma criança podia ver o que estavam fazendo. Você ri e meneia a cabeça negativamente, não adiantava fazer nada.

Não tardou até o divertido parque de diversões lhes alcançar as vistas. Dessa vez os dois tinham um olhar meio aflito com os brinquedos. Não costumavam frequentar lugares assim, mas por você fazem de tudo. Não falo somente por interesse romântico e sim amizade, com os amigos é prazeroso fazer coisas mesmo que não te agradem muito; algo pode passar a ser de seu gosto.

Vocês três se aventuraram na montanha russa radical, que espirrava água e lhes molhou um pouco; sentiram as espinhas dorsais se arrepiarem na Big Bang Tower, um brinquedo que subia até a altura de um edifício de vários andares, e depois descia com toda a velocidade do mundo; por último, seus corações quase pararam no Kamikaze, que ia para cima, para frente e para trás, te jogando com força para o alto, de costas. Te fazia rodar sem um sentido certo, deixando as pessoas até de cabeça para baixo, arrepios no estômago, nas costas, cabeça.

Kirino por sua vez optou por não ir, ficando de fora e por incrível que pareça alegou que realmente estava com medo. Então Shindou te acompanhou e foi o que mais se divertiu, inclusive teve vontade de ir de novo, mas você os puxou para a roda gigante, algo mais tranquilo.

Apesar de ser meio romântico, você tratou de não deixar que nenhum deles arriscasse qualquer coisa. Aperto de mãos, abraços nem nada disso. Primeiro que seria muito fácil se fosse assim, segundo que não decidiu se queria amar um dos amigos, terceiro que era clichê. Se gostassem mesmo de você como demonstravam, teriam que se esforçar.

Beliscaram algumas guloseimas antes de ir embora. E finalmente o passeio acabou para desgosto dos garotos que não conseguiram nada. De repente, Shindou fez uma sugestão um tanto indecente.

— Você quer dormir em casa? — Dava para notar a malícia e a timidez de Shindou ao sugerir a proposta. O moreno tinha um rubor lhe adornando as maçãs do rosto. Kirino interviu, com ciúmes predominando seu o ser.

— Então você precisa me convidar também, Takuto. Ou ela vai dormir na minha casa? Qual prefere? — Questionou Kirino travesso notando a expressão de puro desgosto de Shindou.

— Antes que os dois briguentos iniciem uma discussão, é melhor tirar no pedra, papel, tesoura. — Você já chega autoritária novamente, aceitando o convite de ambos. Aquele dia não fora tão bem como antigamente era. Quem sabe teria uma chance de ainda curtir com eles?

Kirino acabou vencendo de Shindou.

— Humpf, não pense que só por estar no “seu território” deixarei você abusar. — Alertou Shindou sério.

— Veremos Takuto, veremos. — Respondeu o rosado super confiante. — Ah! Vou ignorar o “seu território”. Sou um animal por acaso?

— Talvez, um cachorro carente. Muito carente. — Shindou enfatiza o adjetivo com uma quase gargalhada. O que ele queria dizer é que Kirino é atrevido, isso se nota pelas tentativas desesperadas de ele obter um abraço, beijo ou um carinho.

— Vocês realmente falam como se eu não escutasse. — Foi sua vez de falar cansada dessa disputa interminável.

A caminhada foi tranquila por mais incrível que pareça. A residência do rosado é humilde, porém receptiva; a família Kirino igualmente. São o verdadeiro significado de fazer uma pessoa se sentir em casa. Esbanjam prazer em dar hospitalidade.

A noite se passou de um modo calmo até. Os garotos descontavam sua fúria e desejo de ser melhor que o outro no pobre videogame; na hora da refeição, Kirino se pôs a apresentar a família para a “namorada” obviamente fazendo graça para você; entre outras coisas simples. Sempre refutando, sempre debatendo. Será que teria que se habituar à essa situação e escolher um sem machucar o outro? De qualquer forma a tão aguardada hora de dormir chegou. É isso que queriam afinal das contas.

Estavam deitados em colchões na sala de estar. Os pais de Kirino praticamente mandaram os três descansarem onde podiam vê-los para evitar qualquer cena sexual. O rosado resmungou como uma criancinha por ter seus planos impedidos. E logo ele e o melhor amigo, se é que por um milagre ainda eram, se puseram a trocar farpas.

— Poxa, vocês não sentem falta daqueles tempos? — Você pergunta completamente farta dessas brigas e discussões. Não sabia dizer se eles te amam como dizem, ou se é um pretexto só pra se sair vitorioso. — Por que tinham que se apaixonar por mim?

— Não existem respostas para esse tipo de pergunta sabia? — Kirino lhe dedica um sorriso consolador e um olhar meio triste. Parece que tinha os mesmos pensamentos que você. Um detalhe é que os três são tão unidos que adivinhavam como mágica o que um queria; falava, além de se compreenderem como ninguém.

— E sim, sentimos falta disso. — Shindou se pronuncia olhando o teto.

— Então por quê? — Você se refere a como tudo mudou por culpa de um sentimento destruidor em alguns casos. Não queria ver ele acabar com essa história de amizade.

Após sua pergunta veio um silêncio aterrador. Nenhum deles respondeu nem disse uma palavra de provocação. Apenas assistiram um filme de comédia apesar de ninguém aparentar ter clima para isso. Tudo de repente se tornou tenso e triste. Suas pálpebras enfim pareciam pesar; serem vencidas pelo sono inebriante. Quando quase se fecharam, a voz de Shindou foi ouvida, porém sua consciência foi levada de vez.

— Será que ainda somos amigos?

❣ ✿ ❣

A vida segue seu percurso, dias vêm, noites vão tranquilamente. Mas não podia dizer o mesmo de vocês três. Coisas aconteceram, coisas essas que toda amizade deve passar, cabe a nós a maneira de conduzir a situação. Os que antes eram amigos inseparáveis acabaram rompendo seus laços amistosos de uma vez por todas. Você tentava de tudo para os garotos pararem com essa infantilidade de querer sua atenção, e se culpava por terem se separado. De certo que estão apaixonados, mas tinham que agir com maturidade, e o pior é que ambos faziam uma pressão absurda em sua mente sobre qual deles amava.

Ainda é impossível lhes dar uma resposta concreta. E eles parecem não se importar em como sua decisão vai influenciar no escolhido. Não queria machucar o outro em troca, muito menos ganhar amor e ter que testemunhar a decepção daquele que tanto te esperou corresponder.

Ou seja, você está numa encruzilhada.

É o que passava em sua cabeça atordoada enquanto você e Kirino caminhavam durante uma tarde fresca de primavera. As cerejeiras já faziam questão de desabrochar, encantando a todos e dando aquele toque de beleza em qualquer lugar. Os fotógrafos com certeza ficam agraciados em poder tirar lindas fotos nessa época do ano. Kirino tinha uma expressão amena no rosto, provavelmente por estarem a sós. Porém outro detalhe você percebeu. O fato de parecer um cenário romântico de um anime shoujo.

As pétalas delicadas caíam suavemente, deixando o chão como um tapete. Não havia ninguém além de vocês. Kirino a convidou ali com a intenção de roubar um beijo, disso tem certeza. Kirino aperta o passo e para em sua frente de maneira brusca, te fazendo desequilibrar e cair nos braços dele. Suas mãos a seguram pela cintura. Você é obrigada a mirar seus olhos turquesa; faziam conjunto com a cara de satisfação por tê-la perigosamente assim. Não existia mais distância corporal, ambos estavam colados.

— Seu maluco. — Você diz surpresa e ruborizada pelo gesto brusco e sem sentido. — Perdeu a noção de juízo?

— Isso? Foi só pra ver você caindo em cima de mim. — Respondeu o rosado com uma piscada e um tom maroto sem soltar sua cintura.

Kirino é mesmo um abusado.

E você, caía por seu atrevimento. Por mais que fosse seu melhor amigo, é claro que não podia deixar de o notar com outra visão de vez em quando. Seu queixo fora forçado a observar o rosto calmo e travesso do garoto. Seu corpo passa a ser tomado de nervosismo e calafrios, em especial por ele a apertar ainda mais. A temperatura facial já alcançou seu ponto de constrangimento.

— Você sabe o quanto eu queria isso? — Indagou ele retoricamente enquanto parecia ansioso para separar essa distância tentadora. — Não né? Então me deixe mostrar o quanto a desejo.

Os lábios enfim se uniram. Seu coração saltou apesar de esperar isso. Sem muito escolher, fechou os olhos e o correspondeu sem demora. Kirino estava desesperado tal como dissera. Rapidamente se encaixando de forma desengonçada pela ferocidade. Ameaçava querer experimentar sua língua, mas se conteve. O beijo se tornava carinhoso em certo ponto e meio quente. Uma sensação que só o rosado parecia mostrar. Se separaram apenas para ele chupar seu pescoço como um vampiro. Um gemido foi forçado a escapar de você. Seu rosto parecia uma pimenta de tão ardente.

— Se quiser outro desse, tem de sobra. Não esqueça que este rosado é só seu. — Brincou se referindo ao beijo e o chupão. Encerrou o momento e foi para sua casa, te abandonando frustrada por ter que esconder a marca.

Kirino realmente é um atrevido. Como não cair por ele?

Mesmo assim não é o bastante para te ganhar.

❣ ✿ ❣

Kirino e Shindou se ignoravam feito água e óleo sempre que podiam, é de se lamentar comparando com antigamente. Depois da briga, pelo menos pararam de implicar por sua atenção e sempre discutir. Uma semana se passou desde que o rosado safado te agarrou. A marca saiu de sua pele. Ele ainda teve a audácia de pedir pra você não a esconder.

Os três se encontravam na biblioteca da escola. Faziam um trabalho juntos, forçados. Até a danada da professora viu que o defensor e o estrategista da Raimon estavam brigados. E confessou ter os colocado juntos pra ajudar pois de acordo com ela, uma amizade assim não pode acabar por algo tão banal. Você contou tudo o que ocorreu desde que recebeu uma declaração dupla. Kimi com certeza é uma professora bacana, se não a melhor. Entendia os alunos ao mesmo tempo que impõe ordem. No entanto é uma adolescente em corpo de adulta. Talvez por ser mais jovem que os outros colegas de profissão. Por isso não viu nenhum problema em confiar nela. Kimi rapidamente se alegrou e admitiu que shippava vocês três. Sim, ela é um pouco doida e engraçada.

Deu certo no fim das contas? Obviamente que não. Foi só estarem no mesmo quadrado, que espíritos de cão e gato se apossaram de seus corpos. E o trabalho, incompleto. Mas sabia que Kimi lhes daria mais uma chance de o terminar.

Saíram da biblioteca e andavam distraídos e mal-humorados; carrancudos. Alcançaram uma ferrovia, mas que não tinha sinalização para os pedestres atravessarem; era uma região um pouco afastada. Com toda certeza, não é seguro passar. Infelizmente tinham que fazer isso, visto que só em breve o devido semáforo será instalado. Vocês caminhavam sem rumo certo até parar naquela área meio rural.

Ao passar pela linha do trem, sua perna se enroscou num dos trilhos e se recusou a soltar. Estava presa. Kirino e Shindou automaticamente foram te socorrer.

— E agora? — O rosado perguntou começando a ficar aflito. A qualquer segundo, um trem pode vir.

Tentaram de todos os modos, mas foi em vão. E o pior, o veículo começou a se aproximar.

Vocês entraram em pânico.

Ali perto por sorte, havia um casebre abandonado.

— Kirino, pode ter uma ferramenta lá! — Exclamou o moreno tenso, mas contendo o desespero. Nessas horas ele conseguia a proeza de raciocinar com calma.

— Já entendi! — O rosado partiu com toda a velocidade até o casebre enquanto Shindou ficou a seu lado. Ranmaru achou um pé de cabra e chegou correndo como um louco.

Ambos trabalharam juntos com a ferramenta, mesmo assim, não desprendeu sua perna. Seu coração parou, ele estava chegando cada vez mais perto à todo vapor.

Iria morrer?

Daquele jeito?

Seus dois melhores amigos estavam ali.

Amigos...

Uma lágrima escapuliu de seus olhos.

Se lembrou de quando se conheceram. Eles eram muito fofos quando crianças. Essa memória agradável invadiu sua mente sem motivo. Os três se tornaram inseparáveis desde então, sempre unidos. Estas imagens a levaram com a nostalgia de uma foto antiga. Deu uma última olhada no trem. Ele era todo negro e aparentemente forte como uma bala de canhão. Seus olhos se fecharam esperando a morte te abraçar.

Um impacto fortíssimo golpeou sua perna e te jogou para fora dos limites ferroviários.

Seu rosto sente o solo frio e pinicante da grama em volta. Os olhos escutam o trem percorrer o metal atrás de si.

Não morreu.

A figura de Kirino e Shindou, surge do outro lado dos trilhos. Correm até você mais preocupados do que nunca.

— Meu Deus... Conseguimos Shindou! Não dá pra acreditar. — Kirino exclama, a adrenalina do susto quase rasgando seu peito.

— Eu sei. — Concordou Shindou da mesma forma.

— V-vocês... Me salvaram... — Você, totalmente boquiaberta e desacreditada. Mas confusa pelo que aconteceu. Certeza que seria atropelada! Foi aí que avistou uma bola. Soltava fumaça e parecia ligeiramente derretida. Associou tudo. — Me salvaram juntos...

Os dois foram incapazes de usar o pé de cabra para forçar sua perna a sair; faltava lhes força nos membros superiores. No momento que o veículo veio, Kirino se recordou da bola que usara no treino e que por um milagre carregava consigo. Em parceria com o moreno, ambos chutaram sem piedade e sua perna foi libertada do trilho assassino. Por um triz.

— Takuto... Ranmaru... Eu amo vocês. — Agradece infinitas vezes abraçando, ou melhor, agarrando os garotos, que retribuíram o carinho. — E respondendo sua pergunta Takuto, ainda somos amigos. Nós três.

Seu sapato foi perdido no acidente e a dupla te levou até sua residência revezando entre quem a carregaria.

❣ ✿ ❣

Após aquele baita susto feito pela vida, o trio voltou mais unido do que antes, o que era tudo que desejava. Kirino e Shindou se acertaram. Claro que ainda nutrem sentimentos amorosos por você, porém aceitam isso um do outro mais pacificamente.

Suas costas são encurraladas pela parede dura e um par de braços bloqueia sua única saída em meio àquele moreno, que exibia um sorriso amável, mas com uma leve sedução presente em sua face; escondida. Se estivesse bêbada, nunca, em hipótese alguma diria que era Shindou Takuto te prendendo ali, daquele jeito com cara de... Abusado. A luz graciosa da lua fez o favor de disfarçar seu rubor. Lidar com Kirino e seu atrevimento era muito fácil de se aceitar, mas Shindou é totalmente incomum. Desconhecia essa faceta dele, e... Estava gostando.

— Ahn... Shin... — O chama pelo apelido carinhoso. Usava em momentos especiais entre vocês três, geralmente num dia único ou diferente. Não sabia certo por quê o fazia. Talvez por estar muito feliz.

Um doce e demorado selinho te calou.

— Gosto de sua voz falando isso... Diga de novo. — Shindou pediu ao mesmo tempo em que ordenava.

— Shin... Você está diferente. — Você contesta num meio riso descontraindo sua timidez. Estava curiosa dessa nova personalidade que lhe foi apresentada.

— Sempre fui assim. Eu só não encontrava oportunidades pra mostrar esse meu lado. Mas agora é a hora perfeita. — Esclarece o pianista encurtando a distância.

Antes disso, é você quem o beija.

Shindou tinha um ritmo harmonioso; suave. Cada segundo era aproveitado com a devida lerdeza. Nenhum queria encerrar o ato tão cedo assim. Entrar em sua melodia não foi difícil. A sincronia perfeita de um maestro; a delicadeza de um cavalheiro. Sua mão acariciava suas bochechas e penteava seu cabelo.

Até o ar exigir a interrupção. O pianista terminou com selinhos apaixonados.

E como um exímio cavalheiro, te acompanhou em seu caminho para casa.

Aquela noite para você foi mágica... E decisiva. Estava mais que na hora de acabar essa situação. Mesmo sabendo que nenhum deles aceitaria algo tão absurdo como o que pensava. Mais uma vez, relembrou o beijo entre as flores de cerejeira; mais uma vez relembrou o beijo sob a luz lunar.

É isso. Finalmente tomou sua decisão.

❣ ✿ ❣

Os dois aguardavam impacientes pela sua demora. Sentados na sala de sua casa, te olhavam aflitos em descobrir quem cativou seu coração. A coragem pra falar algo assim ainda não viera, portanto você optou por demonstrar em gestos primeiro, que poderiam te ajudar a continuar com o que quer.

— Ranmaru. — O chamou vendo sua tensão e se aproximou dele. — Eu te amo.

Terminou dando lhe um selinho que o deixou com um ar sonhador. Shindou não suportando a cena, se levanta caminhando até a saída, triste. Você agarra seu braço, o vira para si e dá um selinho como o do rosado. O pianista adquiriu seu rubor nas maçãs do rosto. Kirino ficou entre confuso e estático.

— Acho que... Você ficou doida. — Alega Kirino sem compreender nadica de nada.

Agora é sua vez de explicar.

— O fato é que... Não consigo amar apenas um só. — Hesita, mas decide abrir seu coração. — Então... Se nenhum de vocês não puder aceitar o sentimento que tenho por ambos, ficarei sozinha.

O silêncio chato fez cada um refletir e encarar aquela situação do seu jeito. Você poderia ter cometido um dos maiores erros com essa proposta anormal, perdendo os dois garotos. Porém não conseguia mesmo escolher um só. Se conheceram a tanto tempo que se tornou impossível imaginar uma dupla. Cada um de vocês preenche um espaço; um lugar, que certamente faria falta para os outros.

— Eu... Gosto de nós três. — Você admitiu por fim.

E de surpresa, o defensor e o pianista te abraçaram calorosamente. Você sentia a doce fragrância de ambos.

— Meio que nos sentimos assim. Não consigo viver sem vocês. — Takuto pronuncia tímido. — E isso pode dar certo.

Eles aceitaram.

— Claro que vai! Qualquer coisa é só fazer um ménage. — Ranmaru sugere abusado como de costume, tornando o clima agradável levando um tapinha de vocês dois.

Amizade é algo fantástico. Tem seus momentos variados assim como no amor. Cabe a nós como ela vai fluir ao longo do tempo.

Notas finais
Que tal irmos para o Próximo? Sim, eu fiz dois pra compensar a demora x3