A Chance for You

66 Electronic Desire - Shuu X Hakuryuu


Notas iniciais
Olá pessoal! Hehe. A última vez que fiquei ativa foi 03/03 pra postar uma one e um personagem de HXH, enfim. Estou voltando a ativa e dando sinais de vida novamente -p O nome dessa One foi inspirado pelo canal do meu Youtuber favorito: Alan Ferreira do ElectronicDesireGE (EDGE). Só pra curiosidade mesmo :V E eu tava sem criatividade pro título. Nota: A pessoinha que me deu a ideia do enredo foi uma leitora muito amiga, fiel e antiga da fic, a PikaGirl (Natacha). Eu esqueci de falar na hora, mas você me salvou! Eu quase não tinha ideia do plot com esses personagens. E você é mesmo uma pessoa Amazing! =^.^= Espero que todos gostem. Tradução: Desejo eletrônico

“Nós falamos como você, sentimos como você e também amamos assim como você.”

Era hora do lazer, então você não perdeu tempo e já foi logo tratando de pegar o aparelho. Algumas propagandas, avisos e informações das empresas. E logo um Menu só esperando você apertar o Play. Retomando o capítulo que estava, um largo sorriso delineia sua face ao ver a imagem de um belo moreno de cabelos curtos e lisos mais escuros que uma noite sem estrelas e olhos de mesma tonalidade, surgiu. Uma feição simpática ele esbanjava só para ti.

Olá _____, estava te esperando para irmos conhecer a ilha como prometido.

>(Claro, estou ansiosa pra ver um pouco do seu lar)

(Se confessar de repente)

Você claramente escolhe a primeira opção. Era muito cedo para confessar seus sentimentos, assim daria a impressão que o garoto era apenas um interesse ou que só o achou bonito. É preciso tempo para que a relação possa fluir, o romance aconteça aos poucos. Depois de escolher a resposta, o personagem deu-lhe um sorriso e alguns corações surgem na tela, indicando que é a opção correta enquanto você dá um sorriso de satisfação por acertar.

À pouco mais de uma semana, navegando nos confins da internet, você descobre um Game: Inazuma Lovers. Um Dating Sim ou Otome Game, um simulador de namoro/encontro praticamente, cujos personagens são nada mais que os participantes do famoso e incrível Anime Inazuma Eleven. Há centenas de milhões de protagonistas que te dão a chance de ter uma história romântica com tal. Dos mais importantes até os menos conhecidos e até esquecidos. De IE Clássico até IE Galaxy e até dos filmes, além de Homens e Mulheres. Você opta por escolher aleatoriamente, havia um botão próprio para isto no jogo. Portanto ele escolheu começar pelo filme: Inazuma Eleven GO: The Ultimate Bonds Gryphon. E o personagem escolhido foi o Shuu.

Até agora ele estava sendo o maior amorzinho, um bolinho doce e gentil. Apesar de ser capitão de um time usando o elemento Trevas, Shuu é um fofo. Toda a sua história não fora revelada, mas ele acabava dando umas dicas, umas brechas. Tudo estava muito interessante, porém ao tentar ir no Menu e selecionar outra rota, o jogo não deixava. Como se estivessem bloqueadas, ou seja, você tinha que terminar aquela de qualquer jeito.

Para se livrar do tédio que o mundo real lhe presenteava, o Otome Game lhe divertia em troca. A curiosidade de saber o passado daquela simples pessoa feita completamente de Pixels, podia ser algo idiota e uma perda de tempo, mas você iria até o fim de tudo.

Às vezes quando olho o céu, me sinto tão melancólico e mesmo assim continuo o olhando. Não entendo o que eu sinto, pode ficar do meu lado?

Chegara a um ponto onde você e o personagem tem um momento delicado na história.

>(Ficar observando o céu junto dele)

(O convencer a voltar)

Obrigado. Sei que parece idiota, mas por algum motivo eu quero ficar assim.

Então o você virtual e o moreno ficaram de olhos fixos vendo o por do sol da tarde em sua ilha natal. Na tela do seu dispositivo estava uma CG – imagem do jogo – de um Shuu sentado. A típica e clássica cena de momentos amorosos. Por uns instantes tudo ficou em um confortável silêncio.

Uma lágrima cai devagar do rosto daquele garoto inventado.

>(Ficar em silêncio)

(Secar seu rosto)

Desculpe. Não sei o que deu em mim. Vamos voltar?

A CG desaparece e a figura retorna ao normal com Shuu de olhar triste. Outras duas opções surgem.

(Confortá-lo)

>(Dizer que está com ele)

“Shuu, estou aqui como você pediu, não se lembra? E ficarei em todas as ocasiões, certo?”

Uma coisa nobre de se dizer, mas talvez você poderia ter feito diferente se estivesse cara a cara com o personagem, mas um jogo não possui tanta inteligência pra ter todas as perguntas e respostas. Ele faz uma expressão de tristeza e alegria.

Obrigado, mas eu gostaria de confiar cem por cento e me sentir seguro.

Você levou um pequenino baque por essa resposta, ele pareceu rude agora e foi como seu progresso tivesse diminuído. Além de te deixar intrigada.

(Ficar em silêncio)

>(O pressionar a falar mais)

Xi, errada.

“Somos amigos, não somos? É preciso confiança nesse tipo de relação.”

A sua heroína fala por ti. Uma imagem de um personagem frustrado apareceu, lhe surpreendendo.

Mas confiança leva tempo. Não dá pra sair confiando no primeiro ser que te aparece. É... Difícil. Agora vamos? Está escurecendo.

Do lado havia um medidor de relacionamento. Ele acabou diminuindo por causa de seu erro. Você pragueja ao observar um pouco de seu esforço indo embora. A cena termina.

❣ ✿ ❣

Dessa vez era um momento engraçado. Pra passar o tempo, você quis jogar seu futebol. Soube por outros personagens e alguns NPC’s – non-player character/personagem não jogável. O qual não pode controlar – que Shuu era o capitão do time Ancient Dark. Ele praticamente brincava contigo como gato e rato. Porém é uma excelente forma de se e exercitar e não se render ao sedentarismo, digo... Para sua heroína, porque você na vida real estava sentada, só lendo o que acontecia. Trágico. Shuu derrubava sua personagem e os outros membros davam risadas, mas aparentemente você é persistente e guerreira dentro do jogo. Se recusava a desistir fácil, no entanto ela já estava ofegante de tanto esforço.

(Entregar a partida)

>(Continuar e fazer mais uma forcinha)

“Uff... Já que estou toda suada... Não compensa desistir depois de tanto trabalho. A hora do almoço está chegando também.”

Sendo assim você se focava no capitão, mais nele do que outros. Contudo ele não sorria muito, diferente dos colegas. Você cai de cara na terra e ele lhe estende a mão, qual não recusa.

Está gostando?

“Sim, cof cof. Futebol é divertido, apesar de cansativo.”

S-sim, é mesmo d-di...

“ – O que houve com ele. Shuu parece ter dificuldade de falar, será que está exausto também?”

Você compartilha a mesma opinião de seu eu virtual.

>(Completar a frase)

(Perguntar o que houve

(Ignorar e fingir que nada ocorreu)

Dessa vez lhe veio três alternativas e você escolhe a mais óbvia. E errou de novo. Um bico de indignação contorna sua face. Não dá pra entender às vezes, esses jogos adoram enganar.

“Divertido?”

Ahn sim, é isso. Bem hora do almoço, melhor tomar banho.

Shuu concorda e disfarça logo após se dirigindo aos banheiros antes de comer.

Ah não, você perdeu a oportunidade de desbloquear um evento!”

Aff. Foi literalmente sua expressão. Devia ter perguntado o que houve ali? Mas com certeza não era a terceira. Ou era?

❣ ✿ ❣

No mesmo dia, ao se deitar, sua heroína estava sem sono e decidiu explorar mais daquela ilha antiga. Pelo menos só nos arredores, porque podia haver perigos desconhecidos. Algumas CGs de paisagens, surgiram e provavelmente foram para a galeria como recordação para ver depois. Tudo estava calmo e tranquilo. Até uma BGM – background game music/música de fundo do jogo – suave, tocava. De repente sem aviso, uma sombra surge e veio um barulho alto. Você leva um susto virtualmente e na realidade, que quase te fez xingar os quatro ventos. É um joguinho de romance não de medo!

E a silhueta da sombra era nada mais nada menos que o seu amado.

Não ande por aí sozinha, tem animais com hábitos noturnos rondando. Eles saem para caçar e não se intimidam conosco.

“Só pra você saber, eu quase morri do coração com você se escondendo aí na mata, amigo! Aliás, o que tá fazendo fora da cama?”

...Perdi o sono.

(Lhe dar sermão)

(Contar que também acordou na madrugada)

>(Fazer uma brincadeira)

Às vezes você tem vontade de escolher respostas sem sentido, só pra ver a reação dos personagens e foi o que fez.

“Será mesmo, não acredito. Me fala a verdade Shuu, ou vou te obrigar.”

O quê? Espera, o que está fazendo? HAHA. Ei, para. HAHAHA.

A heroína fazia cócegas para o jovem confessar ou apenas via nisto uma chance de ser próxima dele e aumentar o medidor de relacionamento. Você riu um pouquinho enquanto o personagem se contorcia pelas cócegas. Até ouvir um barulho de algo caindo, um papel de seu bolso. A heroína automaticamente o pegou e a CG surge: uma garotinha, mais nova que Shuu, mais clara que ele e com o mesmo tom de cabelo. Estava abraçada ao garoto e ambos demonstravam felicidade. Não foi preciso pensar muito para saber que era alguém com um tipo de parentesco. Do contrário, o moreno de fora da imagem estava com um olhar espantado como se fosse descoberto. A tela escreve que a foto é arrancada bruscamente das mãos da heroína.

Você! É errado mexer no que é dos outros! Você não tinha o direito...

“Me desculpe, não foi intenção te deixar bravo.”

Mentirosa. Você quis olhar.

“E-eu achei que não teria problema.”

...Mas tem.

“Essa garota...”

É minha irmã menor.

Ele decide se abrir finalmente.

Ou melhor... Era. Até ser forçada a ser um sacrifício.

Você fica em silêncio na realidade e dentro do game. Respeitando o momento, mesmo sendo falso.

Eu só queria poder impedir ela de ser morta. Mas fui um fraco, um tolo fraco. Eu não consegui ser forte o bastante para vencer. A única solução que achei pra que ela ficasse viva, foi subornar o outro time e dizer pra eles perderem de propósito... Só que eu não esperava que os camponeses descobrissem tudo. E mesmo assim minha irmã não foi poupada.

“...Me desculpe. Não compreendo tudo.”

É que aqui o futebol é usado para decidir o destino de uma pessoa. A escolhida da vez, foi minha irmã.

“Ah...”

As coisas ficaram num silêncio tenso e os três refletiam. Pobre Shuu, tentou impedir a morte da irmã, teria até dado certo se o plano não fosse descoberto. Mas decidir o futuro de alguém com futebol é algo tão errado...

O ruído de um animal selvagem interrompeu o momento. E da escuridão veio uma pantera negra e raivosa. Pronta para os fazer de alimento. Vocês não sabiam o que fazer e apenas queriam correr, mas seria algo idiota, tomando em conta a velocidade do animal. Porém é o único meio de ter uma chance de escapar. Com um sinal, os dois desataram a correr. Digo, foi algo parado, afinal não é um anime. O bicho veio ao encalço dos dois. Não deu muito tempo para chegar a um abrigo. A pantera pulou em Shuu, que teria sido morto se não tivesse pensado rápido e usado sua Kenshin: Ankoku Shin Dark Exodus. Isso surpreendeu a fera, mas que não a impediu de atacar de novo. Ela pulou colocando as garras afiadas na frente. Shuu viraria picadinho.

Corre, eu seguro ela!

(Fugir e deixar Shuu)

>(Pegar um objeto e atacar a fera)

(O proteger)

A segunda opção parecia a mais aceitável. A heroína vasculhou rapidamente e achou um pedaço de madeira afiado, e sem hesitar o cabo furou a pantera, perto do pescoço. Não o suficiente para matar, mas para distrair. O bicho urrou e os dois saíram correndo, conseguindo alcançar a vila. A casa de Shuu era a mais perto, então os personagens prosseguiram até ela. O moreno tivera alguns arranhões e reclamava levemente de dor, mas alegava estar bem.

>(Fazer uns curativos nele)

(Não fazer nada. Ele disse estar bem)

(Pedir ajuda)

A heroína começou a procurar algumas bandagens, curativos e algodões para pôr em prática as pequenas habilidades de enfermagem. Achado tudo, ela pediu para o moreno tirar sua camisa. Os arranhões pegaram seu abdômen.

Não é necessário fazer isso.

Mas a personagem não dá ouvidos e o ignora. Uma CG, mostrando um Shuu sem camisa e a heroína do game tratando suas feridas, fez você quase gritar de fofura a medida que o clima da cena ficava quente.

“Essa é minha maneira de pedir desculpas pela foto.”

Awn. O capítulo fechou com essa CG final. E a tela escureceu por uns segundos. Para logo depois voltar de novo com a imagem de Shuu. O que era isso, um bônus? Nunca aconteceu.

Estou feliz por ter acertado a resposta dessa vez. Sei que posso parecer só um cara estranho, mas tá no Script.

E o jogo fechou com você na vida real assustada. Mas o quê? Ah não, não pode ser um daqueles jogos que os personagens sabem de tudo? Tipo Undertale, Doki Doki ou MysticMessenger? Normalmente essas reviravoltas surpreendem mesmos. Você decide parar de jogar por enquanto e dormir.

Foi mal.

Uma voz sussurrou em seu ouvido no meio da noite, não pode ter sido um fantasma, né?

❣ ✿ ❣

Você reabriu o jogo e um mensagem logo no Menu aparece.

Uma nova Rota está disponível: Hakuryuu.

Quem? A rota do moreno tinha sumido... Isso lhe deu um arrepio na coluna além de ter o medo de ter todo o seu progresso apagado. Porém uma barrinha no canto do game mostrava que seu progresso com Shuu estava o mesmo, o que lhe aliviou. Mais nenhuma outra rota estava disponível, portanto você foi checar a do novo personagem. E cada vez mais esse jogo te intrigava.

A introdução começa com um jovem socando a parede do banheiro masculino onde tomava banho e resmungando algumas coisas sozinho e com raiva. E então sua heroína surge o espreitando do lado de fora, se questionando porque o ódio de Hakuryuu nunca cessava. Então aparentemente ela o conhecia.

Um susto como na rota de Shuu, ocorreu. E um homem de pele alva, cabelos brancos e curtos na frente e um rabo de cavalo longo atrás, junto com um par de orbes vermelho sangue e uma feição irritava apareceu na CG, com a toalha cobrindo a parte de baixo. Você e a heroína coraram juntas e você deu umas risadinhas sem graça. Então a rota dele começava assim?

“Hakuryuu. Boa tarde! Eu apenas ouvi um barulho vindo daqui e achei que você teria desmaiado, ou sei lá.”

Desmaiado? Por que raios eu ia fazer isso?

“Mas esse barulho foi o quê então?”

Só o soco que eu dei na porta.

“E por quê?”

Estava com raiva.

“Você é doido.”

Problema meu.

>(Olhar para sua mão)

(Olhar seus pés)

Uma escolha já de cara. A personagem olha para as mãos de Hakuryuu e vê que uma delas está com sangue. Ele deve ter machucado no box do chuveiro o esmurrando. Uma CG mostra a heroína pegando a mão do jovem e enxugando o líquido vermelho com a toalha que o mesmo usava para se cobrir.

HEY! Me chama de louco e faz isso?

“Não tem nenhum outro pano aqui.”

Eu não pedi pra que você fizesse isso! Agora minha toalha tá suja de sangue! Vai parecer que eu menstruei nela, idiota!

>(HAHAHA)

(A culpa é sua por ter arrebentado sua mão)

Você e a heroína riram.

Hey! Não tem graça, você vai lavar.

“Certo. Acho que já parou de sangrar. Se vista e venha conversar comigo.”

Não me dê ordens...

A CG escurece aos poucos.

Ainda mais porque eu que fiz tudo.

Quê? O que significa isso?

— Ou esses personagens são burros ou muito complexos. — Você diz em voz alta. O jogo tinha voltado ao Menu e um leve Tsc é ouvido. Você se convence de que não é nada e encerra o game.

❣ ✿ ❣

Ao reabrir na outra noite, agora o capítulo era da heroína falando com Hakuryuu, sobre por que ele continuava a se torturar por causa de rivais ou caçar brigas pra descontar sua raiva excessiva. Aquela rota não estava lá muito interessante, portanto você moveu o cursor do mouse para fechar.

Espere aí, mocinha!

Você interrompe a ação intrigada.

— Não. Não. Esse jogo deve ser no estilo de Doki Doki e está tentando me ludibriar.

Doki Doki o caramba! Eu lá tenho cara daquelas menininhas bizarras?

Silêncio de sua parte.

O que foi, o gato comeu sua língua? Ah e você me chamou de BURRO noite passada! Vou te bater, garota.

— O... Que... Está... Acontecendo? — Você balbucia, assustada. Aquilo era muito real.

Vou te dizer o que tá acontecendo. EU, Hakuryuu, tive que mexer na programação do game pra tirar aquele idiota do Shuu do controle central naquela hora e me colocar como administrador, ou melhor, Game Master. Assim a MINHA rota estaria disponível como a principal e a do retardado, bloqueada. Desse jeito, posso ficar o tempo que quiser no comando.

— Meu Deus... É um sonho bem realista. Podem me acordar, pessoal! — Você clama com a cabeça virada aos céus. Não podia ser verdade. E o que raios ele queria dizer com Programação, Administração, Ficar no comando?

Suas dúvidas internas foram cortadas por um baque virtual, a figura de um moreno revoltado adentrou a cena e empurrou o branco, o fazendo gemer.

Você não é o único que descobriu os segredos do jogo. Mas e você? Como pôde me trocar por esse ridículo?

A imagem de Shuu se vira para você, com tristeza e indignação. Você olhava para trás e os lados, na verdade tudo ao seu redor.

SIM, falo com você, moça!

— Ahn... Ah... Er... — Estava sem palavras, não tinha o que pensar.

Nós estávamos indo tão bem... Você me salvou e não hesitou! Escolheu a resposta certa de primeira. Acho que comecei a me apaixonar ali, mas aí esse burro estragou tudo pra ficar no meu lugar e você já quis se engraçar com ele?

— Mas... Mas. — Estava levando sermão de um ser feito de pixels. Isso era mais do que seu cérebro podia aguentar. E durante um momento ao absorver aquela informação, você se sentiu mal. Se fosse na vida real, seria traição.

Mas nada! Eu até te revelei minha história, que você tanto lutou pra saber, não foi?

NINGUÉM ME CHAMA DE BURRO, seu maldito!

E assim, uma discussão eletrônica se inicia. Você desliga o dispositivo e tenta dormir, quem sabe era um pesadelo?

❣ ✿ ❣

Você religa o aparelho e fica à um metro de distância com uma vassoura. Abre o jogo e a rota em que estava. Nada aconteceu. Tentou chamar os personagens, falar e conversar, mas nada. Um suspiro aliviado escapa de seus lábios. Talvez tivesse fumado drogas ou bebido sem querer.

— Graças! Graças! Achei que estava delirando.

Hey, por que está agradecendo?

— Ah, meu! O que são vocês, espíritos?!

Não, apenas queremos paz e amor.

O que Hakuryuu quer dizer é que não viemos pra fazer mal.

— Fizeram as pazes? — Indaga sarcástica.

Sim e não, apenas colocamos nossa cabeça em ordem. Estávamos alterados e confusos naquela hora. — Shuu explica.

— Estou tão confusa quanto vocês...

Ah! E quem mandou você desligar, aquilo doeu! Tipo, desligar com tudo aberto. — Hakuryuu reclama.

— Jesus, me salva!

Por favor não seja dramática. — O moreno pede.

— É complicada essa situação...

Sei que é, mas por favor nos entenda. Olha, é que apenas estamos cansados, dos mesmos diálogos, mesmas cenas, mesmas imagens... — Lamenta Shuu.

Tudo programado e previsível, pronto, falei! — Hakuryuu o corta.

Então queremos coisas diferentes, amigos, como... Como... — Shuu procura a expressão.

Como a vida real! — Hakuryuu completa.

— Mas por que eu? — Pergunta, não sabendo o que sentir. — Não tem outras pessoas?

Sim, mas não tínhamos força o suficiente pra sair. Conforme nossos sentimentos virtuais cresciam, ficamos forte o bastante pra fazer coisas como mexer em arquivos, entrar na rota do outro, etc. E algumas vezes só conseguimos nos manifestar em certas horas, talvez nem conseguimos. — Shuu conclui.

— Ah. E... Os outros personagens. Todos ganham vida também?

Das outras sagas, tipo Endou, Tsurugi, Fey, Matatagi e toda a Cia? Nop. Tipo o jogo tá incompleto, com erros e cheio de bugs nessa área. Ele mostra que você pode escolher toda aquela penca de personagem, mas apenas nós dois estamos disponíveis e completinhos. — Hakuryuu esclarece.

Sim, por exemplo, você achou esse game por uma coincidência, certo? De um lugar escondido na internet? Porque ele não estava aberto pra todos, apenas tinha um local em que o criador deixou público pra testar... — Shuu continua.

E esqueceu de tirar. E abandonou o projeto. Por isso ficamos vagando sem rumo nessa “vida”. — Hakuryuu finaliza.

— Mas então, o que querem de mim? — Agora estava mais calma e aceitando as coisas.

Nos dê mais uma chance, seja nossa amiga. Por favor? — O moreno pede quase implorando.

Só temos um ao outro e... Digamos que não somos muito amigões. — O de cabelos brancos ressalta.

— E o que isso vai ajudar vocês?

Só queremos experimentar o valor da amizade, alegria, etc. — Shuu confessa.

Gay. — Hakuryuu o provoca.

Você pensa, repensa, pede tempo e chacoalha a cabeça. E com um suspiro muito longo, responde.

— Certo. — A imagem dos dois personagens sorrindo, em sua tela, te faz feliz também. — Agora vou tomar um analgésico, licença.

❣ ✿ ❣

Claramente você não contou a ninguém pois iam te ignorar, não acreditariam, o combinado foi de que jogaria aquele jogo todos os dias e relatasse como era seu dia. Se fora bom ou ruim e o que planejava fazer em seguida. Era engraçado como aqueles seres feitos de tecnologia eram como humanos reais. Se você se apegou antes de saber toda aquela loucura, agora não sabia viver sem eles. Ambos discutiam um com o outro e se retrucavam, corrigiam, davam sermões e se provocavam. E adoravam te deixar sem graça com suas cantadas. A maioria feitas por Hakuryuu e péssimas, diga-se de passagem. Shuu por sua vez era mais educado e fazia o estilo fofo. Porém é raro ele dar em cima de ti.

Eles acabaram confessando suas tristezas, não apenas os passados mostrados no jogo.

Shuu tinha saudades do seu criador, que tivera tanto orgulho ao fazer o simples game. Hakuryuu sentia um pouco de ciúmes do moreno por ter sido mais bem elaborado. Tipo, o criador meio que o fez de qualquer jeito para o terminar logo. No fim das contas, sua rota saiu confusa e com muitos buracos sem explicação. Esse sentimento evoluiu para raiva, praticamente foi como uma espécie de Favoritismo que acontece em famílias, os pais costumam dar mais atenção e carinho para um filho e deixam o outro mais de canto. Quando na verdade o mais certo e tratar ambos de maneira igual.

Porém os dois se sentiram abandonados depois dele os deixar e perder o entusiasmo no projeto.

Também confessaram sentir agora, várias emoções nunca desfrutadas. Felicidade na maior parte do tempo. Você queria fazer algo ao escutar seus desabafos, mas não tinha nada ao seu alcance.

❣ ✿ ❣

Uma vez, você deixara seu dispositivo com o jogo aberto e foi beber água. Ao voltar, sua mãe estava vasculhando o aparelho emprestado, tentando acessar algo, mas aparentemente estava bagunçando tudo.

— Mãe! O que tá fazendo? — Você pergunta em pânico.

— Eu preciso pesquisar uma coisa no Google e não consigo sair desse joguinho, ai é assim? — Ela aperta algo e o game se encerra, com uma tela preta.

— AH! Por que fez isso? Por que não me deixou mexer? — Você exclama.

— M-mas se eu não saber, nunca vou aprender... Espera... — Enquanto ela se confunde enquanto você examina se Shuu e Hakuryuu estavam bem.

Teve que reiniciar e reabrir o Inazuma Lovers...

Não abria. E aquele dia tinha sido o último que descobriu que tudo o que tinha sentimentos, também tem vida. Você se lamentou muitas vezes por jamais poder ajudá-los. E agora tudo o que podia fazer era pensar no tempo que passou com eles e se os fez feliz.

No entanto...

Numa certa noite, você olhava o jogo e tentava abrir pela milésima vez. Enfim, toma a decisão de desinstalar e deixar suas esperanças.

Uma lágrima morna cai de seus olhos. Eram só pixels, mas com grandes corações. O botão foi tocado. E você fecha os olhos suspirando.

Mas um clarão ilumina o aparelho e quase lhe deixa cega. Uma mão bizarra sai de lá, lentamente. Você ameaça correr, desmaiar, falecer, gritar de desespero. Será que era a Samara dessa vez? Só que mais moderna?

Era muito bizarro, a mão queria te tocar a medida que o braço saía devagar. Você ficou em choque apenas tendo força pra respirar, quase tendo uma parada respiratória. E algo pula pra cima de seu corpo, te derrubando. Além do som de objetos caindo, provavelmente de seu quarto. Seus olhos se fecham instintivamente. Só esperava a morte.

— Por favor que não seja a Samara. Por favor não seja a Samara.

— Quem? Depois eu sou o burro e doido.

— Por favor se levante. Desculpe o susto.

Essas duas vozes... Seus olhos se abriram automaticamente. A imagem de um Shuu gentil e um Hakuryuu peralta surgiram, mas dessa vez, ao vivo e em cores.

— Gente... — Você murmura desacreditada.

— Estamos tão confusos quanto você. — Alega Hakuryuu.

— Acho que é isso que chamam de milagre. — Diz Shuu alegremente.

Você se levanta e os abraça, dando-lhes beijinhos e os acariciando para comprovar se eram reais mesmo.

— Eu amo vocês.

Tente ser gentil com a tecnologia, elas não sabem falar, se expressar, mostrar ou se manifestar. Porém talvez ela pode estar sentindo.