A Chance for You

67 As vantagens e desvantagens da Honra - Namikawa Rensuke


“Você abriu meus olhos cegos e me fez perceber o quanto eu estava sendo idiota.”

Namikawa Rensuke era um garoto honrado, tinha extremo orgulho de si. Ninguém ousava o desafiar pois sabia que seria derrotado. O azulado com o penteado semelhante a um tubarão, era incrível, nunca recusava uma afronta e lutava com todas as suas forças pra jamais passar pelo sentimento de derrota. Para Namikawa isso é a pior humilhação que ele não era capaz de suportar. Ele cresceu com um pai rígido o dizendo sempre para não abaixar a cabeça, não permitir que ninguém o diminuísse e para mostrar o quanto pode ser forte e temido. Se um dia tudo lhe fosse tirado, sua honra estaria intacta ao menos. Seu pai também fora ensinado dessa maneira pelos seus avós. A humilhação que Tsurugi o fez passar, mexeu com o garoto. E após a derrota com a Raimon, ele teve ainda mais amargura no coração.

Você o via chutar a bola com tanta agressividade, como se quisesse vingança por ter o orgulho ferido. Mas até que ponto ele ia deixar esse sentimento o dominar?

— Você tá quase arrebentando a parede. — Você se aproxima do jovem exausto de tanto treinar debaixo de uma ponte, chutando com uma força assustadora, a pobre bola. E apesar de coberto pela ponte, pegava um pouco de chuva. Ele lhe olha, com raiva. Não esquecia a derrota. — Essa ponte vai cair na sua cabeça, vamos? — Você o chama para ir até sua casa descansar e se abrigar. Namikawa era um amigo de longa data, cujo você se importava muito. Mesmo que ele seja um babaca às vezes, mas você entende que quando se é moldado desde pequeno, é difícil aceitar opiniões diferentes. Apesar de serem boas para a pessoa.

Ele te ignorou e se pôs a continuar os chutes. Um suspiro insatisfeito sai de seus lábios, Namikawa é muito cabeça dura.

— Ei, a chuva tá começando a engrossar, você vai ficar feito um cachorro molhado. — Você insiste, sempre necessita persistir ao se tratar do cabelo de tubarão.

— Eu sou o capitão do time Kaiou. Água não é problema pra nenhum de nós. — Ele retruca rudemente sem te olhar.

— É problema sim se pegar um resfriado. — Você retruca de volta e ele murmura um Tsc, antes de retomar o que fazia, dar um espirro e disfarçar. Você se aproxima do azulado e entrelaça um dos seus braços no dele. — Credo, está empapado de suor. — Reclama, mostrando uma careta de nojinho.

— O que diabos você tá fazendo? Me solta! — Namikawa rebate parecendo não gostar do que você disse.

— Cara, amanhã é outro dia pra você treinar ou seja lá o que estava fazendo. — Mesmo com o garoto resmungando. O arrasta e abrindo um guarda-chuva, o guia pelo braço até sua moradia. Onde ele esperou até o temporal cessar.

De banho tomado e roupas secas, as quais ele deixava quando ele e seus amigos iam dormir ou passar a noite lá; Namikawa observava cada gota pela janela de sua sala, pensativo, com ar melancólico.

— De novo pensando na derrota? — Você indaga o incomodando.

— Eles me humilharam. — Namikawa responde amargo.

— Ahn, não. Eles só ganharam a partida. — Você como costume, o tenta trazer a razão.

— Derrotas te fazem perder o orgulho e a honra. —Ele alega te fazendo revirar os olhos. — Esquece, você nunca vai entender.

— É, tem razão eu jamais vou entender essa coisa de orgulho que tanto te perturba.

— Perturbar? Eu me sentia tão grandioso com o fato de eu poder vencer todo mundo, me recuso a aceitar ser derrotado sendo um SEED. — Alega o garoto apertando as mãos.

— Mesmo se você tiver que trabalhar para pessoas que fazem o mal? — Retruca e Namikawa parece ter sido atingido. — Isso não é desonroso?

— O que você entende disso? É fácil pra você ser humilhada e sair com um sorriso? Tipo: Perdemos, agora vamos só esquecer o quanto fomos fracos? — O jovem começou a se alterar a medida que suas cicatrizes se abriam.

— Fácil não é, né? Mas de qualquer jeito a gente tem que ir em frente. — Ao ver o bico que ele fez, você desiste e resolve mudar de assunto. Você se senta no outro sofá e estica as pernas. — Mas esquece. Enfim, sabe a festa que a escola vai fazer?

— Pro dia de fundação? Sei. Por quê?

— Então... Vai ter um baile. Eu queria saber se você vai? — Você pergunta, ele já sabia onde queria chegar.

— Por quê? Quer ir comigo? — Namikawa inquire com um sorrisinho cheio de graça.

— Sim, por quê não? Vai ser legal. — Responde sem nenhuma timidez. Vocês eram íntimos para não se constrangerem com facilidade um com o outro.

— ...Não tô muito a fim. — Namikawa parece desanimado e triste.

— Você quem sabe... — Seu desejo era que o amigo fosse. — Mas eu e todos os outros ficariam felizes se o capitão aparecesse.

— Vou pensar. — Ele exala um suspiro cansado como se não quisesse decidir agora. — Mas você disse baile?

— É! Só um baile qualquer, não uma festa grande, é pra descontrair. — O azulado parecia não ter ouvido direito antes. — E eu queria ir contigo por que um garoto fica me enchendo a paciência pra ir junto dele.

— Acho que sei é, ele vive no seu pé mesmo. E é esquisito. — Namikawa ressalta e fecha a cara. O garoto que falavam, não respeitava muito as garotas e tinha fama de galinha. Estranhamente ele não era rejeitado e muitas moças se sentiam obrigadas a ficar com ele, seja namorar ou fazer o que ele quisesse. O alvo de sua obsessão agora é você, é por isso que queria ir acompanhada do capitão.

— Tá, nesse caso então é melhor eu ir...

— Valeu, Ren! — Você pula em seu pescoço, o abraçando, ele a segura por instinto e demonstra surpresa.

— Só espero dar tempo. — Namikawa murmura e você decide não perguntar o que significa aquilo.

❣ ✿ ❣

Vestida para a comemoração de quando a escola foi fundada, você aguardava ansiosa e preocupada. Seu amigo ainda não chegou. Sem falar da pequena chance que agora tinha de ter um momento íntimo junto com ele. Não fazia muito tempo que você admitiu para si mesma, amar aquele tubarão super orgulhoso.

— A minha futura namorada tá pronta pra me conceder essa dança? — Um jovem abusado lhe estende a mão, mesmo você tendo o recusado umas três vezes, mas como é mimado, não engolia qualquer tipo de rejeição.

— Por favor cara, eu já disse não. — Você recusa pela quarta vez.

— Olha, eu já estou perdendo a calma, o que custa pra você ficar comigo uma vez? — Ele começou a ficar impaciente e rodeou um braço por seu ombros.

— E o que custa pra você convidar outra garota que aceite ficar contigo? Tem algumas que querem. — Retruca nervosa, havia sim aquelas que desejavam ficar com o rapaz e ali tem as que apenas gostariam de dançar com o dito cujo.

— Mas acontece que até que você diga sim eu não vou desistir, porque gosto de desafios. — Agora seu ódio cresceu, ele via todas as garotas como um jogo e você queria dar um tapa em sua fuça por ele ser um ser humano de merda. Porém quando estava prestes a pensar em o humilhar ali, algo gélido encosta em suas costelas. O cano de uma pequena arma. — E isso significa fazer de tudo para você dizer sim pra mim. Agora quietinha e me obedeça, ah e finja que nada tá acontecendo.

Seu sangue gelou a medida que aquele louco psicopata te guiava até o pátio atrás da escola. E infelizmente você era obrigada a obedecê-lo. Você apenas desejava que um milagre lhe salvasse, alguém chegasse. De preferência o seu amado. Porém pensando melhor, talvez ele não aparecesse. Porque agora se lembrou de sua frase.

“Só espero dar tempo.”

Será que ele preferiu treinar ao invés de ir para a festa da escola? Mas ele tinha dito que viria pra você. E agora no momento que mais precisava dele, não estava lá e sabe-se o que esse maluco pretendia. Pararam de andar e ele ficou a sua frente, encostou a arma em seu pescoço.

— Vamos garota, assim ninguém se machuca, é só dizer sim.

— T-tá cara, eu faço o que você quer. Só abaixa isso. — Você consente, com muito medo.

— Não... — O louco não se convence, pra seu desespero. — Isso está sendo fácil... Fácil demais. Fala aí, alguém nos seguiu? Já sei! Você deve ter feito um sinal pra uma pessoa. — Você nega as acusações. — Droga, agora vou ter que fazer aquilo de novo.

— Aquilo? Aquilo o quê? — Você indaga receosa.

— Te apagar da face da Terra. — Ele volta a apontar a arma pra ti. — Igual a última garota.

Suas mãos automaticamente vão a boca, em pânico ao encaixar tudo. No momento que mais temeu pela vida, a voz que queria ouvir, veio ajudar.

— Ei, você! — Namikawa surgiu do nada e o outro apontou o revólver nele. — Cara, o que você quer com ela?

— Ah, o capitão cara de tubarão. Isso é uma coisa que você não entenderia. — Esclareceu o outro, sem juízo.

— Olha, não compensa fazer uma coisa dessas. T-tipo, vai estragar sua vida. — Rensuke tentou trazer juízo, mas aquele jovem era muito teimoso e cabeça dura como ele. — Espera, você me chamou do quê?

— Cara de tubarão? Não vai arrumar nenhuma garota com esse cabelo estranho, ou melhor, ninguém. Haha. — O outro o humilhou com gosto. Namikawa ferveu de raiva, isso o tirava do sério.

— Desgraçado. — Namikawa começa a querer ir de punhos fechados pra cima do maluco, aparentava querer o desarmar. Uma ideia ainda mais louca. Porém o cano veio para seu coração. E o azulado parou.

— Calma aí capitãozinho, já ouviu a frase, qualquer movimento e ela morre?

Sendo assim, seu amigo parou e ficou paralisado sem poder fazer nada. Tinha uma feição assustada e indignada. Não sabia o que fazer e você também não, enquanto um psicopata poderia fazer o que quiser ali e acabar com sua vida dependendo do que queria fazer. Namikawa parecia esperar algo, esperaria um dos dois morrer?

Era horrível que as coisas terminariam assim e você nem pode falar seus sentimentos.

Até seu amigo se ajoelhar, abaixando a cabeça.

— Eu faço o que quiser, mas deixe ela. — O azulado implora. Era uma total surpresa, ver o cara mais orgulhoso, se rebaixar por livre e espontânea vontade para um merda. O outro gargalhava sem abaixar a arma.

— Mas olhem só, Namikawa Rensuke se auto humilhando, só pra mim. Isso vale ouro. — O doido a arrastou para perto dele enquanto ia na direção do azulado também. E como se não fosse mais difícil para Namikawa estar fazendo isso, o outro coloca um pé em sua cabeça. Você suprimiu a vontade de dar um soco nele. — Mas se engana se isso vai me impedir de alguma coisa.

E o outro começou a pegar ainda mais pesado. Esfregando seu pé, ofendendo e o chamando de perdedor, fraco. Você nem queria imaginar como estava as emoções do amigo.

Mas de repente, uma pessoa surge atrás e pula derrubando o tal psicopata e rapidamente lhe desarmando, em seguida vieram outras e a polícia junto. Você socorreu Namikawa, que aparentava se sentir um derrotado. Ele disse ter te visto ser levada pelo rapaz, pouco depois de chegar atrasado. Notou a arma e seu desconforto ao andar com ele. Chamou a polícia, mas enquanto a viatura não chegava, tratou de impedir que o dito cujo fizesse algo antes. Por isso se deixou ser humilhado daquela maneira.

— Se eu fosse mais forte... — Namikawa se lamenta e parece estar se odiando.

— Você abandonou o orgulho e a tal honra que tanto se importava pra salvou minha vida, existe feito mais honroso que esse? — O azulado pareceu enfim ter te entendido. E se manteve em silêncio. — Ah, espera um pouquinho.

Você foi até o rapaz psicótico, que ainda não tinha sudo levado. Se aproxima dele com o rosto sério.

— Quê? Você quer me perd... — Do nada, você lhe dá um chute em seus países baixos. E se delicia ao vê-lo se contorcer de pura dor.

— Isso é por ser um escroto. — E como se não fosse o bastante, lhe deu um forte soco no olho. — E isso é pelo meu amigo.

Pronto, estavam vingados.

❣ ✿ ❣

Naquela noite, você levou o capitão para sua casa, que era próxima. Nada de festa, fora uma experiência complicada. Depois de lhe dar uma bebida, você se postou ao seu lado. Mas Namikawa ainda parecia estar reflexivo.

— Meu pai sempre dizia que se você não tiver nada, pelo menos a honra ou o orgulho teria. — Ele desabafa.

— Você pode não ter força, orgulho, honra, ser um cabeça dura, teimoso, rude, chato... — A cada ofensa, ele permanecia de cabeça baixa.

Porém você gentilmente acariciou sua bochecha com uma de suas mãos e o fez a encarar. Aproximou sua boca do ouvido do azulado.

— Mas é tudo isso que me faz te amar.

A iniciativa de beijar partiu de você, que colocou pura paixão naquele gesto. A sua única preocupação era de que fosse rejeitada, mas ao ver que o contrário aconteceu, você se sentiu livre para continuar o ato sem interrupções.

E provavelmente durante a noite toda se dependesse de ambos.