A Chance for You
73 Don’t Leave Me - Kazemaru Ichirouta
Notas iniciais
“Nem todas as pessoas são ruins. É difícil lidar com elas, mas só precisa paciência e compreensão. Assim como eu tive com você.”
Seu professor te pedia para se aquecer. Estar no clube de atletismo fazia bem para sua saúde, mas ter que socializar com os membros, era uma tarefa complicada que você não se atrevia a tentar. Mesmo que quisesse, não se dava muito bem. Eles eram incapazes de a entender. Um loiro, de pele bronzeada e olhos verdes vinha em sua direção, andando de um modo cauteloso. Claramente tem o medo em seu olhar. E você sabia o porquê, seu jeito assustava todos.
— Com licença... O treinador... Ele... — Miyasaka guardava as palavras. Temia sua reação. E até tinha uma gotinha de suor na face.
— Hum? O que ele quer? — Aquele jeito, aos poucos lhe dava nos nervos. Seu pavio era muito curto.
— Bom... Não sei se você vai gostar. — Ele hesitava. Qual o problema de falar com você? De certo que era meio desequilibrada, mas não um monstro.
— Ei! Não vou saber se não falar, Ryou. — Você era um vulcão em processo de erupção. Não tinha culpa de ser assim.
— É algo como... Pela equipe, você deve fazer. — O loiro começa a se enrolar ao ser pressionado.
— QUÊ? Não entendi nada. Fala logo senão já sabe o que vai acontecer! — Uma veia se exalta em sua testa e seu olhar se tensiona.
— Calma! É pedido do treinador. Não quero confu — Foi a gota d’água.
— PUTA MERDA, MIYASAKA! VOCÊ É UM HOMEM OU UM SACO DE BATATAS?! DESEMBUCHA LOGO, MENINA!
Sua explosão chamou a atenção do treinador, do clube; de outros clubes. Até de quem passava calmamente. Porém eles olharam brevemente e voltaram a seus afazeres. Já te conheciam pela escola. Você resmunga e recupera um pouco a calma, ligeiramente arrependida e envergonhada. Os membros do clube vieram “socorrer” Miyasaka.
— Ei! O que está acontecendo? — Kazemaru Ichirouta te dá um olhar zangado e desconfiado. Você retribui, não tinha culpa no cartório.
— Seu marido, tem uma mensagem do técnico e não quer falar porque é medroso demais. — Você responde, atraindo mais raiva e ódio alheio para si.
— Como é? — Kazemaru afronta, embaraçado.
— Sem brigas, aqui. Nem começamos o treino da manhã, pessoal! — O treinador do time chega para interferir. E a situação é devidamente explicada ao mesmo, que se alivia. Dessa vez ao menos, não era um desentendimento agressivo. — Ah. Eu apenas ia pedir para você e Miyasaka formarem uma dupla.
— Por mim tudo bem, quer dizer... Isso se ele não tiver medo de mim, porque né? — Já em seu estado normal, você aceita de boa.
— Não vai dar certo. — Outro garoto que você sequer lembrava o nome, pronunciou. Mesmo você estando com raiva pelas pessoas não te quererem por perto, por dentro estava triste. — Essa garota atormenta todo mundo. Me recuso a treinar com ela.
— Faz o que quiser, colega. — Decepcionada, você se afasta e se senta nos bancos. O treinador manda todos seguirem os exercícios e vem até você. Um suspiro pesado escapa de seus lábios cansados de tanto estresse. — Treinador, eu já sei.
— Não quero te dar sermão nem bronca. Não tenho esse direito. Não sou seu pai.
— Então o quê — Você estranha. Não sabia receber outras coisas das pessoas senão sermão.
— Você quer mudar essa parte da sua personalidade? — Ele inquiriu, sensibilizado.
— Ahn, s-sim, um pouco sim.
— Esse é o primeiro passo. Querer. O segundo, se dedicar e se esforçar.
O simples conselho do homem, teve um impacto pequeno em sua mente, mas significativo o suficiente para você pôr em prática. Você praticamente é uma Tsundere, ao mesmo tempo que queria bater ou xingar meio mundo que te machucasse, queria ser abraçada.
Aos poucos sua atitude agressiva foi dando uma melhorada. Pouca, mas deu. Isso não só fez bem para os outros que testemunhavam sua raiva, como te favoreceu. Seu estresse diminuiu e seu número de advertências no colégio também. Infelizmente as pessoas ainda queriam te ver longe. Até mesmo o diretor, que tinha a reputação de sua escola manchada por sua causa. Contudo, você ainda se sentiu mais sozinha.
— Droga, eu queria o Kaze como minha dupla... — Seus ouvidos captam a voz irritante de Miyasaka. Novamente a mesma história de antes, se repetia. Não sabia dizer o porquê, não conseguia suportar o loiro. Especialmente a sua relação com Kazemaru. — Olha, não é como se eu quisesse, mas somos obrigados a trabalhar em equipe.
Você não era capaz de engolir o jeito que ele se comportava e te tratava. Não importa o quanto você tente ver suas qualidades e seu lado bom.
— Não quero te obrigar a nada. Fale com o treinador se estiver desconfortável, colega. — Você deu de ombros e se controlou, mas pensava o mesmo do loiro.
— Ele quer que a psicopata se enturme com o time. — Miyasaka soltou e isso foi a faísca para o incêndio.
— COMO É?!
Você nem esperou a resposta e já foi correndo como uma desenfreada atrás de Miyasaka Ryou. Ele assinou seu atestado de óbito. O demônio se apossou do seu corpo e uma aura negra era sentida em todo o canto. Todas as pessoas gritavam em pânico ao lhe ver passando. Miyasaka corria pela vida. Ambos eram igualmente velozes e resistentes.
— RYOU! — Você grita seu nome.
— SOCORRO! — Ele implora e todos veem assustados essa perseguição maluca.
Até que você dá um impulso nos pés e uma pequena voadora o faz cair. O coitado cai no chão frio em meio à multidão e você cobre o rosto com as mãos. Arrependida no mesmo instante.
— Ah, não! Miyasaka, me perdoe, desculpe! — Você se dirige até o jovem caído e tenta lhe oferecer ajuda. Sua mão é recusada com um tapa. Outra pessoa ajuda o moreno.
— É desse jeito que você quer mudar?! É por isso que todos não gostam de você.
Kazemaru lhe dá um rápido sermão e a vergonha toma conta de sua face. Ao redor, os estudantes zombavam, riam e dirigiam olhares acusadores. Se sentiu intimidada, portanto desatou a correr novamente. Não tinha culpa.
Depois do ocorrido, alguns alunos reclamaram para o diretor e você não teve outra escolha senão ser expulsa do clube de atletismo para evitar danos maiores para os outros.
Estava frustrada. Odiava seu próprio jeito.
— Oi. — Uma voz agradável chama sua atenção enquanto refletia sobre si em um canto qualquer. Não esperava que Ichirouta viesse falar contigo. — Podemos conversar?
— Quer mesmo falar com a pessoa que fez mal ao seu amigo?
— Você quer mudar, mas não consegue, certo?
— É né? Não é tão fa — Você se defende antes de receber outra bronca alheia.
— Pelo menos não sozinha.
— Onde quer chegar?
— Estou disposto a ter a paciência de te ajudar. Porque você mesma não se aguenta direito.
No mesmo momento, Kazemaru te apresentou Endou Mamoru, que te acolheu do modo como você sempre foi. De fato, alguns membros do time de futebol não a suportavam, mas Endou entendia seu lado Tsundere. Você estava feliz depois de muito tempo.
Mas o ciúmes atacou de novo. E a vítima foi o mesmo loiro. Kazemaru não conseguiu te perdoar.
— Eu acreditei na sua melhora... Mas não tem jeito.
Decepcionou o único que estendeu a mão para te ajudar.
— E-eu, me desculpe! — Você estava aos prantos. Quantos amigos mais iria perder?
— Eu queria acreditar que no fundo você era uma pessoa que considerasse as coisas, mas você errou. Não uma, não duas, mas várias vezes... — Suas palavras foram duras demais e aumentaram seu desespero. — Não tenho escolha a não ser ficar contra os que machucam os que eu amo.
E assim, ele te dá as costas. Também aparenta dizer adeus. Você dá uma corrida até o azulado e o abraça bem forte, como se não quisesse deixá-lo partir. Esta foi sua maior atitude.
— Me solte!
— Não! — Clama novamente. Estava cansada de deixar as coisas boas te abandonar; de acabar com tudo pela sua teimosia. — Eu quero... Ser uma pessoa que você ame. Quero estar no seu coração.
Kazemaru para de resistir e dá atenção a suas palavras sinceras.
— Sou uma pessoa doente mentalmente, mas mesmo assim... Eu quero ser amada. Então por favor, não me deixa.
Um minuto de reflexão se fez necessário para a cena tocante. Queria tanto carinho, que nem se constrangeu por estar agarrando o Ichirouta. E tampouco desfez o abraço macio e confortável. Se antes você possuiu um interesse, agora a emoção evoluiu para afeto.
— Tudo bem. É mais uma chance que você quer, certo? — Ele concorda, comovido e tendo compaixão por sua situação.
— Sabe que não vou aceitar um não.
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