A Chance for You
74 Tocar - Shindou Takuto
Notas iniciais
“Por favor, eu peço que toque, toque de várias maneiras diferentes todos os dias, me faça o seu instrumento.”
O piano estava a sua frente, descansando. Te encarava solenemente como o rei da sala de música. Aguardava seu maestro pianista, usá-lo. Um instrumento interessante, gostoso de tocar, que produzia belíssimas melodias. Afortunados são os que sabem manejar com perfeição. Um desses humanos talentosos, era Shindou Takuto. O rapaz doce e gentil, que Kirino lhe apresentou, te encantou.
Estar com ele, é como estar na harmonia do céu. Na calmaria das ondas da praia. Fora pouco tempo, se encontraram por um acaso. Nem se lembrava como, apenas se importava com o presente e o agora. E neste momento, você se encontrava em seu próprio quarto com aquele piano que também não sabia dizer porque o tinha, mesmo que não conseguisse tocar.
— Ohayou! — A voz calma do Takuto, a despertou de seus devaneios. Vê-lo, acendia um monte de emoções dentro de si. — Então, que música quer hoje?
Você pede a música que nunca saía de sua cabeça. Aquela que jamais enjoava. Não era do estilo clássica, mas Takuto fazia sua versão pelo instrumento. Isso a fazia feliz.
— De novo essa? Não quer outra, ou esqueceu? — Sua voz melodiosa indaga. Você notou um toque melancólico nela.
Sua cabeça meneia um não. E esquece o fato da leve tristeza se instalar no cômodo. Takuto se senta em frente ao banquinho. Tateia o espaço ao lado, te convidando com um sorriso meigo, a sentar-se ali. Você não hesita em se acomodar ali com o moreno. Shindou exalava uma fragrância tão agradável que parecia lhe fazer adormecer. Tinha vontade de descansar a cabeça em seu ombro e dormir como um gato.
Mas tinha algo errado.
Porque sentia que algo lhe faltava?
Sua cabeça doía levemente quando se forçava a lembrar exatamente o quê.
— Você está bem? — Takuto esbanjou preocupação. Seu toque parecia distante. Não. Seu rosto parecia se afastar. Como se quisesse ir para longe.
— Ahn, quem? O quê? — Sua cabeça girou repentinamente, lhe obrigando a fechar os olhos. Seu corpo tombou sem controle.
As mãos gentis de Takuto, impediram que você desmoronasse. Estava numa boa posição, bem pertinho de quem queria ficar por um tempo indeterminado. Na realidade, queria que o tempo parasse naquela cena, apenas para seu bel-prazer. Apenas uma vez. Com seu amado.
— Amado...
Você balbucia e Takuto mostra uma feição assustada.
— O... Quê? V-você se lembra? — Ele segura seus ombros com agonia. Estava tão confusa quanto ele. — Ei! Você tá bem? EI!
Você parecia querer desmaiar. Aguentou firme e apenas pediu descanso.
— T-takuto... Por favor toque...
— M-mas... Eu vou chamar alguém!
— NÃO! Não preciso de mais ninguém... Só você, meu amor.
O moreno cora e aparenta querer chorar. Você pede novamente e ele volta a dedilhar os dedos pelas teclas. A música acariciava seus ouvidos. Já era o bastante, mas você queria algo mais profundo. E não se referia a melodias.
O impulso te fez pegar gentilmente a mão do rapaz musicista. Você a posicionou para tocar seus cabelos. Num gesto ousado, começou a mover a mão dele por suas madeixas como se ele mesmo estivesse a controlando.
Takuto nada disse, apenas observou quieto.
— Me toque...
Ele pareceu saber do que você falava. Deu espaço para você se deitar em seu colo e fez um bom cafuné. Fez carinho no resto de seu corpo, de brinde.
— Eu não quero esquecer...
— Eu sei. Por isso estarei aqui todos os dias. Para te fazer lembrar... Não importa quanto tempo demore.
E assim você adormeceu em seus braços. Esperando gravar aquela cena pra sempre. Uma pena que pode não ser tão fácil assim para sua mente complicada. Se ao menos o coração mandasse nela, recordaria cada segundo. Enquanto isso não acontece, você não iria desistir.
— Gomenasai...
Aquele sussurro guardou seu doce sono. E com ele, você sonhava lindamente. Para no dia seguinte, esquecer e criar novas lembranças.
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