A Chance for You

26 Collateral Damage - Midorikawa Ryuuji


Notas iniciais
Yo minna-san! Vocês nem devem estar querendo me desintegrar pela demora né? Mas ufa... Eu finalmente estou de volta, mas por pouco tempo, era para eu ter postado esses cap segunda, mas não deu :( Sem falar que além de vcs, minha mãe quer me aniquilar, ela anda com raiva pq ando escrevendo demais ao ver dela e está ameaçando pegar meu caderno de fics! Se isso acontecer nem sei onde enfiar a cara >.<' Hoje mesmo disse que é melhor eu guardar, e até está pensando em rasgar tudo kkkk isso eu sei que é de brincadeira, mesmo assim... Estou desesperada. Boa leitura. Tradução do título: Dano Colateral

Levando os dedos à cabeça, você massageia as têmporas de forma suave, contando mentalmente até dez. Respira fundo e se vira para responder uma pergunta dirigida à sua pessoa.

— Já disse. Eu NÃO quero um namorado e NÃO preciso de um. — Seu tom sai controladamente. Você dá ênfase em cada palavra, fazendo a mínima questão de deixar bem claro o que dizia.

Sua amiga revira os olhos em tédio. Estava sempre disposta a fazê-la mudar de opinião, alegando que você é jovem e solitária, precisava de alguém para alegrá-la, ou que estava perdendo tempo não aproveitando corretamente essa fase da vida.

Sendo assim, ela vivia lhe empurrando garotos, dando sermões e discutindo sobre namoro a maior parte do dia. Muitas vezes isso a irrita profundamente. Não é tão natural uma garota adolescente não ter nenhum interesse em relacionamentos. Na verdade sempre tem os que são fora dos paradigmas, porém seu caso é mais delicado. Suas razões para rejeitar o amor são distintas.

— Vou precisar te relembrar o porquê da minha decisão? — Você indaga assumindo uma postura séria. A amiga, por sua vez, se cala mudando o assunto depois de se desculpar.

Mas mesmo que detestasse, a maioria das vezes pedia para ela te recordar cada detalhe doloroso do que acontecera em seu passado, ou até se torturava pensando nisso sozinha. Por vezes chorava silenciosamente e descontava sua raiva em qualquer coisa. Tudo isto porque não se permitia esquecer. Não poderia apagar o sofrimento da memória e depois correr o risco de errar novamente e sofrer ainda mais.

Enquanto se lembrasse do que ele fez, não deixaria ser iludida por nenhum outro. É o que prometera a si, desde o "incidente" como costuma chamar. No fim das aulas, você se despede da amiga caminhando rumo a sua casa, antes tendo o pulso agarrado por ela.

— Eu sei que você não acredita, mas digo mesmo assim. Olha, não importa o quanto ignore os garotos, ou tenha prometido não se apaixonar nunca mais. Uma hora alguém vai te fazer cair de amores. Além disso, todos superam e continuam. — Ela conclui com um olhar esperançoso.

— Só isso? — A amiga afirma, com uma sobrancelha arqueada. — Em primeiro, eu nunca disse que não superei aquilo. Segundo, eu posso até me apaixonar, mas dessa vez absolutamente nada irá rolar. — Sua voz sai séria, indicando que estava certa de suas palavras.

Você dá as costas à garota voltando a andar, ao mesmo tempo que a ouvia reclamar e bufar um pouco irritada. Provavelmente fazendo bico.

— Eu ainda vou te fazer mudar de ideia! — Ela fala elevando a voz. Você para virando a cabeça pra trás, juntamente de um sorrisinho debochado.

— Tente, mas saiba que vai ser à toa.

...

Deitada na cama de seu quarto, você escutava música em seus fones enquanto tentava se distrair com o celular. Infelizmente quando o som acaba, outra música, porém mais romântica começa a tocar. O nome é Karakuri Pierrot, mas na voz de Luka Megurine¹. A letra a faz suspirar de desgosto. Mesmo que gostasse, instintivamente, à cada frase que ouvia, você pensava o oposto discordando do que ela dizia.

"Duas horas depois da hora marcada do nosso encontro, esperando você chegar, mas sei que você não virá."

— Duas horas? Sério? Devia ter ido embora depois de dez minutos. Em duas horas dá pra assistir quatro capítulos de um anime e ainda ser feliz.

"Eu não quero acreditar. Eu não posso acreditar."

— Ele está com outra. Simples e sem cerimônias. Agora vá curtir a vida, bem melhor, confie em mim.

"É uma coincidência, pode ser o destino, mas eu sabia que seria melhor não descobrir."

— Não, não caia na armadilha. Sei o que falo.

Você decide cessar aquilo. Parecia alguém com muito mal humor. Na verdade, você acabou se tornando uma pessoa mais séria e fria, desconfiada; e perdera grande parte de sua animação. Apesar de não ser assim, as decepções a fizeram mudar. Arriscava dizer que amadureceu um pouco, digo, a inocência já estava extinta, mas recusava-se a seguir em frente no quesito relacionamentos amorosos.

Tudo por causa de um babaca. No começo ele veio te incomodar como quem não queria nada. Te importunou até conseguir te conquistar. O garoto de fato era muito gentil, dotado de qualidades, tão bom que uma pessoa chega a pensar que ele agia com falsidade.

Um namorado como outro qualquer. O namoro igualmente, encontros; beijos e abraços; romantismo; etc. A única coisa que podia ser considerada meio estranha, é que ele estava a apressar os passos, ou seja, o cara queria sexo.

É claro que esta ideia não lhe agradou. Você era virgem e não sentia-se confortável para experimentar esses prazeres ainda. Apesar dele a respeitar, muitas vezes insistia no assunto incessantemente, tanto que a irritava. Infelizmente você não suspeitou de nada, afinal ele é homem, é normal nesse caso o garoto pensar nisso. Porém, mal sabia você, que estava totalmente errada. Os encantos do amor a cegaram.

Dias passavam e a persistência dele aumentou de uma maneira que você não pôde mais negar e acabou cedendo a seus pedidos. Num momento tudo estava bom. Depois em torno de poucos dias, todos os alunos da escola te olhavam como se a julgassem e a criticassem. Muitos riam e cochichavam coisas a seu respeito. Boatos horríveis e insanamente errados percorreram nos ouvidos de qualquer um, até mesmo dos professores e funcionários.

Você apenas entendeu quando descobriu e viu o maldito vídeo. O conteúdo dele não era nada mais do que você e seu namorado no momento mais íntimo de um casal, ou seja... Fazendo sexo.

Além da vergonha, veio a tristeza. Por quê? Era o que se perguntava. Por que ele faria isso? Uma aposta? Provavelmente. Entretanto, quando encontrou as respostas para suas perguntas. Preferiu que tivesse sido uma aposta ridícula, mas o motivo foi cruel. O porquê foi simplesmente... Nada. Ele gravou aquilo e mostrou para todos, só porque queria zombar de você, fazê-la sofrer sem se importar.

"Na verdade eu queria mesmo é te dar uma lição. Você é muito inocente, ia sofrer de qualquer forma. Pelo menos agora já percebeu um pouco da maldade do mundo."

As últimas palavras do infeliz ecoavam dolorosamente em sua cabeça. Odiava ter que relembrar tudo, de como depositou toda a confiança numa pessoa que não vale nada, ou de como foi horrível e angustiante suportar o julgamento dos outros mesmo que não tivesse culpa do ocorrido.

Mudar de escola foi uma decisão quase obrigatória. Não tinha a mínima condição de permanecer na antiga. E seus pais então? Correram com um processo para fazer o garoto pagar pelo que fez. Você nunca se interessou do resultado desta ação, nem soube se ele pagou por seus atos.

Depois de se transferir para a Raimon, planejou um recomeço, mesmo com as sequelas do passado atormentando-a e a impedindo de dar uma outra chance para um novo alguém.

...

Ia ser mais um dia como qualquer outro. A música em sua playlist pelo menos a reconfortava. Não tinha muitos amigos por não conseguir confiar nas pessoas igual antes. Somente possui uma única amiga, a qual tinha a proeza de suportar seu temperamento e personalidade complexa. Se surpreendeu por ela não se afastar até agora.

— Ah, aí está você! Venha, preciso te mostrar uma coisa!

Antes que pudesse questioná-la, a garota pega seu braço e corre arrastando-lhe pelos corredores sabe-se lá para onde. Durante o trajeto, protesta pedindo-a pra parar, o que não foi feito. Ela argumenta que tinham que correr, ou o treino ia acabar. Você faz uma expressão de desentendimento.

Ao parar, seu estado é ofegante, não estava habituada a se exercitar e por causa do sedentarismo, cansava-se rápido. Depois de recuperar o fôlego, você observa o ambiente. Um campo de futebol atrás da escola. Um grupinho de garotas a seu redor, todas eufóricas e coradas e... Garotos jogando. Seu cérebro não demora a entender a cena. Ao concluir o raciocínio, você se vira prestes a reclamar e ralhar com a amiga, porém um grito agudo lhe interrompe, depois outro e em seguida um aglomerado de gritinhos excitados ecoa na multidão. Você revira os olhos.

"Parecem hienas, ou melhor gazelas, querendo acasalar."

Mais um "Kya" foi ouvido, dessa vez de sua amiga. Com um sorriso notavelmente forçado. Você se vira para ela com um tom de voz levemente irritado.

— Agora senhorita, pode me dizer o porquê de me trazer aqui? — Em resposta, ela aponta para os jogadores. — Sério?

— Admita, eles são uns gatos.

— Não. — Seu tom sai indiferente.

— Mentirosa.

Neste momento eles passam perto de onde vocês e as garotas estavam. Elas começam a delirar e você tampa os ouvidos procurando se afastar da muvuca, sem sucesso. Sem opção, é obrigada a ficar até o alvoroço terminar. Seus olhos decidem então, prestar atenção nos garotos do time.

Teve que confessar, realmente são atraentes, na verdade nunca tinha visto meninos tão bonitos antes. Alguns inclusive, mais lindos que as meninas. Um deles lhe dirige o olhar. Possui cabelos verdes presos em um rabo de cavalo alto; olhos negros e escuros; a pele bronzeada. Como os outros, vestia o uniforme de jogar.

Ele manteve a mirada fixa na sua direção por uns três segundos. Você retribui com uma expressão emburrada, apesar de não saber ao certo se é a ti o olhar dedicado. De repente o verdinho dá um riso suave. Você cora instantaneamente e vira o rosto para disfarçar. Ele continua a caminhar ao vestiário. Sua mente logo trata de apagar os pensamentos anteriores. Mesmo que achar bonito é uma coisa e gostar seja outra, é desse jeito que se começa o interesse.

Além de você, outra pessoa percebeu a pequena interação que aconteceu entre ambos agora a pouco. Sua amiga estava com os olhos brilhando de emoção.

...

E acabou que depois daquele dia "comum", você passou a saber muitas coisas do garoto cujo nome é Midorikawa Ryuuji, e claro que sua amiga fazia questão de tentar dar uma de cupido. Várias vezes ambos se topavam por aí em torno da Raimon, o que é, sem sombra de dúvida, constrangedor. Agora mesmo ela te levou à um local para conversar. Perto dali estava ele, junto de uns amigos. Você evitava olhar qualquer um deles.

— Olha ali, olha. Só uma olhadinha, vai. — Sua amiga te importuna. Amigos sempre fazem essas coisas. — Não acha ele atraente? — Cansada desse papo, decide dar um basta.

— Tá bom, você venceu. Eu vou falar com ele. — Ela fica eufórica. — Mas não agora, tem muita gente junto.

— Vou tentar ser paciente. — Você a olha com uma sobrancelha arqueada e um sorriso. De fato ela é teimosa e persistente.

...

Fim das aulas, fim de treino. Jogadores descansando. Você os observava discretamente. Midorikawa estava no meio de todos. Uma ligeira sensação de nervosismo te atinge. É só ir lá, conversar um pouco e pronto, mas por algum motivo, não conseguia. Faz um tempo desde que conversava com um garoto, talvez estivesse insegura.

Sua amiga já foi embora. Poderia ir para casa também, porém você somente permaneceu ali, não por sentir-se obrigada, mas porque queria. Algo dentro de si dizia para falar com ele, afinal não tem nada a perder. Além disso só ia conversar, nada de mais.

"Não estou atraída, muito menos apaixonada. É só um leve interesse."

Refletiu consigo se aproximando do Ryuuji, agradecendo pelos outros o deixaram sozinho.

— Você joga bem, Midorikawa. — Decidiu já começar com elogio.

— Obrigado. — Ele agradece sorrindo, porém confuso. — Mas, quem é você? — Respondeste se apresentando. Após isso, você se desespera um pouco, estava sem assunto. — Ah, você é a garota daquele dia! — Midorikawa dá uma leve risada. — Desculpe, só achei engraçado todas as meninas excitadas e você no meio, com cara de... Socorro!

— Ah. — Um minuto de silêncio dominou o momento, até uma bola de futebol quase acertá-la. Vinha de Endou. — Ele ainda tá treinando? Esse cara não se cansa?

— Ele? Se cansar? De futebol? — Midorikawa indaga incrédulo. — Você não conhece Endou Mamoru.

— Não mesmo, ele é doido. Tanto que me surpreende. — Ele concorda.

Ambos se põem a observar Endou. O garoto estava sempre sorrindo, especialmente ao jogar. Não se deixava abalar por nada, nem ninguém. Normalmente as pessoas se admiram com as qualidades dele. Porém, você sentia outra coisa por Endou.

— Tenho pena dele. — Murmura para si.

— Por quê? — Como não esperava que ele escutasse, hesitou ao responder, mas o fez.

— Os inocentes sofrem até não serem mais.

— Está certa, mas ao mesmo tempo não está. — Você se confunde. — Endou não é inocente, ele só aparenta ser.

— Nunca vi por essa perspectiva. — Silêncio predomina novamente. — Diga alguma coisa. — Você pede.

— Mas foi você que veio falar comigo. — Ele tenta não ser grosso.

— Eu sei, só estou sem assunto. — Seu tom sai desapontado.

— Bem, pra vir falar comigo... Ou alguém te mandou fazer isso? — Se surpreende com a acusação.

— Não. Estou aqui porque quero.

— Algum motivo deve ter. — Midorikawa não estava com raiva ou impaciente, seu sorriso é de simpatia. — Então?

— Ahn... Porque te acho interessante?

"O que estou dizendo?" — Se questiona, duvidando dos próprios atos.

— Também te acho interessante. — Agora, realmente não imaginava isso. — Tenho que ir, te vejo amanhã.

...

Midorikawa e você tornaram-se mais próximos, na verdade mais do que seria adequado na sua opinião, afinal a cada dia que passava com ele, você tinha vontade de quebrar aquela promessa idiota e deixar ser iludida pelo amor novamente, pois apaixonada por ele já estava. Entretanto, ainda há aquele receio; desconfiança.

— Eu sinto que não consegui cem por cento de toda a sua confiança. — Ryuuji diz entristecido. Odiava vê-lo assim por sua culpa.

— Desculpa. É complicado de explicar... é que... — Você pensava o que aconteceu no passado.

— Eu entendo, não se torture relembrando tudo. — O costumeiro sorriso aparece no rosto do garoto, a contagiando.

Tão gentil... É o que mais ama nele.

Num momento você o olhava, no outro estava o beijando sem aviso algum. Não pôde resistir àqueles lábios carinhosos e também gostosos que Midorikawa possui, mas você se separa por fazer isso sem permissão. Contudo, quando pensou em se desculpar, ele se pronunciou antes.

— Desculpa. — Ele diz te confundindo. — Eu ia te beijar se você não fizesse isso... Sou um egoísta. Só me importei com os meus sentimentos. Desculpe por pensar assim. — Por um momento não entendeu. Depois você deu risadas.

— Não precisa se desculpar criatura! Eu te beijei porque te correspondo também!

— Ah! — Midorikawa exclama. Às vezes costuma ser lerdo e inocente. — Então, posso te beijar?

— Claro!

Com delicadeza e carinho, Midorikawa te fez esquecer de tudo e de todos, trazendo aquele sentimento bom novamente; te amando verdadeiramente.

Notas finais
¹ - Karakuri Pierrot é uma música de Hatsune Miku, entretanto na fic a ''OC'' está ouvindo a versão da Luka Megurine : https://www.youtube.com/watch?v=RAZzupbnXOs Curiosidade: Enquanto pensava e escrevia o capítulo acabei me lembrando de um fato interessante, em toda a série de Inazuma Eleven, me refiro à todas, o único chute que literalmente destruiu o gol foi a técnica especial do Reize (Midorikawa), ou seja Astro Break. O que é muito estranho pois o gol deveria ser destruído em todos os chutes que dão kkkk Talvez seja um gol invencível :P Ah sim, me desculpe se não ficou bom ou algo assim, juro, eu quase explodi minha cabeça pra conseguir arrancar um enredo interessante dela e tentei não fazer mto clichê.