A Chance for You
14 Challenge - Sakuma Jirou
Notas iniciais
Você se perguntou duas vezes se o que estava fazendo era certo. Obviamente não, mas talvez esse seria o único modo de ter uma chance com ele, de mostrar que merecia ser sua namorada e também que podia agradá-lo. Era sua chance de fazê-lo gostar de você. Bom, tinha uma grande probabilidade dele ficar com raiva, mas não custaria arriscar.
O barulho de água se fazia presente no vestiário. Havia apenas uma pessoa tomando banho no momento, Sakuma.
E você estava ali com um único objetivo: roubar o tapa-olho dele. Aquele objeto é muito importante para o garoto, tanto que ele nunca aparecia sem. Igual à Kidou, Sakuma tratava o tapa-olho como um bicho de estimação.
Após pegá-lo, você se apressa em sair do vestiário pois o chuveiro acabara de ser desligado.
...
No outro dia, Sakuma apareceu com a franja cobrindo um dos olhos, no caso, o direito que ficava sempre ocultado. Sua expressão parecia de desespero. O Jirou perguntava à um e a outro se não havia visto o acessório, ao mesmo tempo que o procurava em cada canto.
Você admite que o garoto ficava mais bonito sem ele, entretanto para seu plano funcionar, precisava do tapa-olho para o subornar mesmo que não quisesse devolvê-lo mais.
— Sakuma, aposto que procura por isto. — Você o chama mostrando o que tanto procurava.
— Então você o achou! Arigatou... — Ele tenta pegar de sua mão, mas você não deixa. Uma expressão confusa surge no rosto dele.
— Só vou devolver com uma condição. — Ele te ouvia esperando terminar. — Que seja meu namorado por um mês. — Você propôs.
O garoto para uns segundos, provavelmente refletindo no que dizer. Você aguardava impaciente pela demora que se tornava cada vez maior. Suas vagas esperanças iam se desfazendo e você apenas esperava pela palavra não, junto de outros xingamentos.
— Eu aceito sua condição. — Seu queixo caiu literalmente com a inesperada resposta.
Mesmo assim você não deixa de ficar feliz e sentir uma gostosa sensação na parte esquerda de seu peito.
...
Em todos os dias, Sakuma foi o mais carinhoso, gentil e amoroso dos namorados que existiam; o que te causou surpresa e muito espanto, afinal, forçar e subornar alguém a te namorar é algo absurdo no mínimo, mas ele aceitou de boa.
Esperava que fosse ser chamada de louca, perseguidora, entre outros nomes não muito bonitos. Também esperava que após aceitar a condição, o Jirou a tratasse com frieza, desprezo ou até seria agressivo, mas foi totalmente o oposto.
Ele te beijava como se quisesse levá-la nas nuvens. Te tocava como uma boneca da mais pura porcelana. A olhava com toda paixão e amor e te correspondia como se fosse o garoto mais sortudo.
Claro, isso a deixava mais apaixonada, não tinha do que reclamar. Contudo, ao mesmo tempo algumas dúvidas insistiam em martelar sua mente sem dó. Por que estava sendo tão amoroso com você? Era uma das mais frequentes.
Com certeza não era pelo tapa-olho, você tinha absolutamente cem por cento de certeza. Pois uma vez fizera um teste. Deixara-o bem a frente dele, completamente à mercê. Se tudo era pelo objeto, obviamente ele o pegaria e simplesmente sairia sem precisar cumprir condição alguma. E para maior espanto ele não pegou de volta, deixou no lugar.
Talvez Sakuma estivesse tentando te enganar, te iludir. Se fosse, estaria fingindo muito bem. Mas a troco de quê?
Por fim tudo o que você podia fazer é aproveitar essa doce ilusão até acabar. No fundo do seu coração uma fagulha de esperança se mantinha firme esperando que no fim ambos acabassem juntos de verdade.
Mas mesmo que não acontecesse nada e ele apenas a esquecesse, você não deixaria de esquecê-lo. Se encarregaria de lembrar cada detalhe.
O calor dos lábios dele; o perfume dos cabelos; a maciez da pele; a textura dos beijos; a forma de acariciar; a voz que dizia coisas gentis. Mas principalmente se lembraria da ternura do olhar.
...
O trigésimo dia chegou, o dia que levaria suas ilusões embora. Você estava com o tapa-olho de Sakuma nas mãos, pronta para enfim devolver.
— Obrigada. Por ser gentil e me fazer sentir especial para alguém, mas... Obrigada especialmente por me amar tanto nesses trinta dias. — Você se vira para finalizar aquela fantasia, entretanto é abraçada por trás.
— Isto não é o fim, apenas o começo. — Seus olhos se arregalam em choque e surpresa pensando sobre o que significa aquilo. — Eu deixei você pegar o tapa-olho naquele dia.
Fale com o autor