A Chance for You

57 Arrogância - Manabe Jinichirou


Notas iniciais
Yo! Enquanto terminava de fazer os pedidos, tinha me lembrado que uma pessoinha tinha me pedido pra fazer uma one do garoto Manabe, só que... Foi há muito tempo! E me sinto envergonhada por demorar tanto, por isso peço mil desculpas, e infelizmente não lembro seu nome pra poder dizer nas notas x'D Mas se for você, ahn... Você saberá ^^' Eu tinha decidido o plot pra esse personagem tudo certinho, mas fiquei mudando várias vezes e no fim este me agradou, mas :/ Como sempre eu acho um defeitinho nas minhas histórias que me desagrada ¬¬' Mas... Tbm não quis descartar esse enredo (até pq já tinha escrito até a metade). Enfim, só isso que tenho a dizer.

“Sei que sou assim, mas você me aceita desse jeito, certo?”

O treino do Inazuma Japan era deveras interessante de se assistir considerando que a maioria não jogava futebol. Mais o menos. Na verdade são mais que um fracasso. Nem sabiam chutar a bola direito. Mesmo se tratando de uma mera assistente, provavelmente sairia melhor no lugar dos novos escolhidos representando o país. A bola atravessou o limite do campo e foi parar a seus pés. Lhe pediram para chutar de volta. Ao atender aquele pedido, você ouve antes um garoto de cabelos lilás resmungar.

— De acordo com minha lógica, ela não será capaz desse ato simples. — O dono dessa frase arrogante e provocativa, se chama Manabe Jinichirou. É um gênio se tratando de cálculos matemáticos. Tirava notas altas em sua escola. O aluno perfeito e querido de qualquer professor e também dos pais, apesar dos mesmos se recusarem a ver os esforços do filho. Porém, seu defeito era a arrogância e o deboche. Exibia sua inteligência espantosa ao mesmo tempo que fazia os outros se sentirem inferiores.

A relação de ambos era a base de provocações. Vezes infantis e descontraídas, vezes cruéis e idiotas. Você não sabia definir ao certo como isso começou. Entretanto era muito simples o chamar de colega, visto que possuíam um tipo de intimidade. Também não se denominam amigos a ponto de apelidar um ao outro e muito menos amigos coloridos como Minaho os chamava. Manabe agia como uma incógnita. Mostrava sua posição orgulhosa com você, mas vinha depois com a maior naturalidade de vez em quando.

— Temos que escrever num quadro pra ela entender. — Manabe cruzou os braços e ajeitou os óculos com o indicador enquanto a irritava. Não estava tão preocupado em continuar com o jogo-treino.

Você decide mostrar para ele que não é assim como ele pensava e chuta sem mais nem menos na direção do jovem. Sua intenção era calar sua boca, mas não queria que a bola magicamente voasse na cara dele.

Mas foi o que aconteceu.

Botara tanta força no chute, que o coitado recebeu a bolada no meio dos olhos e caiu sentado. Você, além de se sentir super mal, viu o próprio rosto pegar fogo de vergonha e preocupação. Todos correram ao Jinichirou, que se levantava igualmente nervoso pela cena e massageou a cara. Você se desculpava incontáveis vezes enquanto se dirigiam à enfermaria da escola Raimon. Você o acompanhava ressentida pelo que fez, mas de certo modo feliz por dar essa lição e mostrar o quanto ele estava sendo idiota. Durante o caminho, não te olhou; provavelmente com vergonha. Aliás, Manabe não só ganhou um machucado no meio da fuça como teve seus óculos estilhaçados. Portanto você o ajudava a andar sem tropeçar nos próprios pés e levar outro tombo, pagando mais mico. Chegando na enfermaria, mais outro pedido estranho por parte dele.

— Fique aqui comigo. — Sua surpresa foi inevitável. A frase aparentava mostrar segundas intenções. Mas logo o garoto tratou de deixar claro que não. — Fique aqui e me espere até acabar, assim você se sente mais culpada pelo que fez.

A enfermeira que cuidava de sua ferida, até pausou seu serviço e notou uma leve tensão após ouvir aquelas palavras. E você, manteve a calma apesar de querer dar um tapa pelo cinismo dele. Porém procurou pensar que este era seu modo de mostrar que queria a atenção de alguém. Agora o porquê ele exigia isto justamente de você, não sabia. Tomou conta do rapaz até a profissional terminar, o que não fora muito a se fazer, apenas uns leves arranhões adquiridos na queda. Ao constatar que nada grave se passou, novamente você pede desculpas e gira os calcanhares para voltar. Só não contava com seu pulso ser agarrado por ele.

— Onde pensa que vai? — Inquere mirando meio indignado em seus olhos como se você cometesse um crime.

— Ahn... Voltar? — Responde com naturalidade. — Digo, você já está bem, certo?

— É claro que estou bem. — Assegura o de cabelos lilás com seu jeito arrogante. Com o indicador, vai ajeitar os óculos e se toca que não tinha nada na cara; tarde demais. Manabe acabara cutucando seu próprio nariz. Ele se acanha e você ri da cena. Essa mania era incorrigível. — C-como pode ver, ainda tenho um problema por sua causa. — Sua voz vacila, Manabe tentava se fazer de sério às vezes, mas acabava sendo engraçado. Você aguardou sua explicação. Ele mostra em frente a seu rosto, a armação quebrada e as lentes espatifadas do que antes foi um óculos.

— Me desculpe. — Isso a fez se sentir culpada, mas o rapaz continua.

— Não acha que devia me ajudar a escolher um novo? É o mínimo que pode fazer. — Indagou ele acusador.

— Mas foi um acidente! Não tenho dinheiro. — Exclama levemente exaltada. Decerto que foi sua culpa, mas só queria na verdade, mudar esse tipo de comportamento que ele tem contigo. Talvez Manabe fosse mais simpático e menos debochado ao ver que você também queria se aproximar, assim como ele. Foi de um jeito errado, sabia. Porém não foi de maldade ou vingança por suas palavras.

— Não quero que me compre um, pedi ajuda pra escolher. — Te corrigiu a deixando confusa.

— Não é melhor você mesmo fazer isso? — O perguntou não entendendo aonde iria chegar a conversa.

— Não. — Manabe nega sem dar a o motivo que esperava. — É melhor fazer isso logo, me recuso a ouvir mais sermão de meus pais. — Você ri ao notar que ele não era mais tão sério como normalmente queria mostrar. E logo optou por ser rude de novo. — Ainda mais porque a culpa foi sua.

— Mas você sabe que não vai ficar pronto agora. — Contesta a ele, apontando as lentes estilhaçadas. Foi anormal a cara do jovem não sair como os óculos. — Demora pelo menos uns dias.

— Eu sei. — Retruca e cruza os braços.

— Então... — Você anseia um porquê que não veio.

— E-então vamos. — Deixou a dúvida em pleno ar e exigiu que o seguisse para resolver o problema.

Sentindo que realmente era necessário, o seguiu sem questionar essa tentativa sem sentido dele de socializar com alguém. Pois é o que acha. Ambos pediram para serem liberados do treino e partiram rumo à uma ótica. Você percebe que o Jinichirou andava meio hesitante pelas ruas; tropeçava vez ou outra e ficava atrás.

— Manabe, quer ajuda? — Se ofereceu ao tirar a conclusão que ele não enxergava nada bem e parecia cego. Seu grau provavelmente é alto.

— O que te faz pensar que preci... — Sua frase foi cortada literalmente pelo poste, o qual o jovem quase se jogou de propósito contra ele. E novamente seu nariz foi o alvo. Ainda bem que seus óculos já estavam quebrados porque iriam quebrar agora. Você se aproxima um pouco de seu rosto e o socorre. Observa seus olhos lacrimejarem pelo impacto.

— Isso... É o que me faz perguntar por que fazer essa pose de Bad Boy, sendo que você falha de forma miserável. Você é não é o Tsurugi. — Respondeu o deixando constrangido de forma que um biquinho raivoso surgiu em sua face. Ele ia retrucar sua resposta meio cruel. Porém você lhe deixou tímido ao agarrar seu braço e entrelaçar com o dele. Você sorri ao garoto ao lembrar de algo. — Tsurugi nunca deixaria eu fazer isso, mas você é o Manabe, isso não é o bastante?

A lição de moral foi deixada para os dois refletirem. Provavelmente Manabe admirava Tsurugi em segredo, era como um desejo de admiração e complexo de inferioridade somado com a vontade de agir como ele, sendo isso um escape de seus problemas. Não fazia ideia de por que o roxinho parecia se incomodar com o artilheiro do time e o escolher como alvo de sua atenção. Ambos ficaram quietos pois estavam ocupados demais pensando no quanto estavam colados. Você guiou o garoto pelo braço até chegarem no local tomando um carinhoso cuidado a todo tempo. Adentrando a ótica, a vendedora os cumprimenta educadamente e logo que botou os olhos em vocês, sorriu e transformou o próprio semblante em um que mostrava malícia, mas não aquela que se pensa em sexo. A boa malícia com a qual se shippa um casal.

— Posso ajudar? — Se ofereceu a mulher, reverenciando. Vocês explicam a situação e ela os leva até as várias prateleiras cheias de óculos. A pedem privacidade para que Manabe escolhesse a que mais lhe agradava.

Agora entendeu porquê o garoto queria ajuda. Escolher uma coisa banal como óculos poderia ser algo sem importância, mas ele teria que usar para o resto da vida; talvez até quebrar de novo. E se não gostasse depois, paciência. Ou, ele poderia querer outro, mas ninguém gosta de desperdiçar dinheiro. Manabe experimentava quase todos os modelos da loja e rejeitava a maioria.

— Por que não leva esse? Talvez combine com seu cabelo... Ou sua sexualidade. — Você pega um de cor rosa estilo gatinho. O rapaz esboçou impaciência e raiva pelo comentário revirando as orbes claras. Estava brincando e procurando descontrair, visto que ele parecia se estressar.

— Tch. — Resmungou ao não se contentar com outro. A vendedora antes tão simpática, também começava a se irritar com a demora.

— Bom, eu realmente não sei como te ajudar, roxinho. — Você se lamenta a ele e o vê corar e disfarçar pelo apelido. — Aliás, por que chamou logo a mim pra te ajudar com isso? Minaho não é seu amigo?

— Não é a mesma coisa. — Negou sem te olhar. Você presta atenção, vendo que ele parecia querer desabafar. — É diferente quando... Você quer outra pessoa. — Manabe, ao ver que acaba se confessando, novamente trata de disfarçar. — Porque você ainda me deve um tempinho por quebrar meus amados óculos.

— Se já se decidiu, podemos ir, roxinho? — Provocou de volta. Ele enfim, levou uma armação que o agradasse. Apenas tinha um problema, não ficaria pronta rápido. Isso o frustrava porque seus pais eram rígidos ao extremo e isso seria mais um motivo para exigir mais que o filho fosse perfeito do jeito que queriam. Foi um acidente, mas que não devia existir, como eles falavam. E mesmo um motivo pequeno, já era razão para o repreenderem. De qualquer jeito ele teve que depender de seu corpo. No bom sentido.

Apesar dele ser irritante contigo, você procurava não julgá-lo, ele deve ter os motivos de ser assim.

Durante cinco dias, você deu seu ombro para ele apoiar, literalmente. Não era incômodo nenhum para ti quando viu que estava enganada sobre Manabe. Ele apenas queria companhia e amigos que não tinha por culpa dos pais que só o obrigavam a estudar. Era uma boa pessoa, porém você viu que ele se forçava a ser outra e recusava seu próprio jeito de ser. Porque ele imitava Tsurugi. Os óculos ficaram prontos e os dois foram buscar. Manabe ficou satisfeito com o resultado e até fez o pequeno gesto de os ajeitar em seu nariz. Provavelmente adorava essa mania, que o deixava com ar de inteligência.

— Isso então compensa o que fiz? — Você indaga feliz enquanto voltavam.

— Está perdoada. — Alegou o de cabelos roxos sem te olhar, se fazendo de indiferente.

— Então... Nos vemos outro dia. Tchau. — Você se despede e se prepara pra seguir seu caminho, mas é impedida de novo, tendo o pulso agarrado. Ao constatar isso, sentiu uma espécie de choque causado por nervosismo e pelo contato. Mas você não sentia isso antes. Talvez essa sensação começou a se manifestar quando o apoiava para não cair.

— Espera. — Ele pediu com timbre constrangido. — Tem mais uma coisa que você precisa fazer.

— Manabe, admita logo que você quer que eu seja sua amiga. — Você o pressiona a dizer e parar de tentar ser outra pessoa. — Não precisa ser assim, você é incrível do jeito que é. — O elogia e percebe o garoto ficar sem jeito e disfarçar. — Mas enfim, o que quer que eu faça agora?

— Vamos ao cinema. — A convidou tímido. Você o pegou pela mão e o arrastou até o cinema, concordando com seu pedido pois tinha tempo livre.

— Não precisa mais disso! — Alegou Manabe, mas não colocou muito esforço para se separar de você.

Ambos passeavam sem se importar se alguém olhava; caso parecessem um casal; e nem se conhecidos os vissem assim. Apenas não diziam nada até chegar, escolherem o filme e se acomodarem nas poltronas. Você viu Manabe rir, o que nunca tinha visto enquanto estavam no time, ele sempre fingia seriedade.

— Devia sorrir mais vezes, combina com você. — Sugeriu enquanto ambos permaneciam até os créditos do filme acabarem. Geralmente tinha alguma ceninha legal. Manabe ignorou sua sugestão, talvez estava sem graça, portanto resolveu desviar o assunto. — Se divertiu, né? Podemos fazer isso mais vezes. Melhor do que só ficar enfurnado em estudos.

— É. — Ele concorda hesitante, mas logo pareceu se animar. — Se você não ligar de sair com um nerd introvertido.

— Claro que não, se for legal comigo, serei legal com você. Só prometa parar com essas provocações, elas irritam. — Você pede e ele assente, mas repentinamente, é surpreendida com um selinho rápido. O rubor também a pegou de surpresa, mas o cinema estava vazio, apenas os dois estavam na sala onde poderia acontecer algo mais. Você pensou, porém logo afastou a ideia.

— E-essa provocação pode? — Indaga tentando ser atrevido. Você o beija ali no escurinho, enquanto ninguém chegava para interromper pois Manabe, sendo arrogante ou orgulhoso, demonstrou uma emoção no fim de tudo.

Notas finais
Se caso ficou confuso, explicarei as coisas :P Assim: Manabe é um rapaz introvertido, que queria ser de outro jeito. A personalidade de Tsurugi o chamava atenção, por isso ele tentava o imitar para a reader, mas ao mesmo tempo ele procurava uma maneira de fazer amizades. Aí ele ficou meio dividido entre não aceitar sua própria maneira de ser e ser alguém sociável. No fim, ele acabou aceitando a si mesmo. (Sem perceber eu me identifiquei com isso '-' )