A Chance for You

79 Angel's Cry - Afuro Terumi


Notas iniciais
E a última, yay! o/ Último pedido para sora_ka usuária do Spirit :D Eu digo que adorei essa. é incrível como todas as fanfics do Aphrodi que eu faço, acabo pegando um amor :3 Tradução Título: Anjos Choram

“Uma vez, eu te salvei da escuridão eterna. Mas depois vi que na verdade, eu mesma me ceguei.”

Com meros onze aninhos, você já testemunhava a dor. Não apenas uma, como duas diferentes, que a obrigavam a ficar dividida. Amava duas pessoas totalmente diferentes, mas só podia dedicar cem por cento de seu tempo a uma delas. A qualquer momento o destino podia te tirar a outra. Ou até ambas. Sua avó, com idade avançada e debilitada, prestes a dizer adeus ao mundo, tinha toda a sua atenção e sua ajuda.

Você queria se despedir dela, a deixando satisfeita e feliz ao menos, mesmo com dores. Para piorar sua tristeza emocional, seu primeiro e melhor amigo, Afuro Terumi, foi atingido por uma doença ocular que progrediu rapidamente: Ceratocone*. Seu caso era tão grave que necessitava de um transplante de córnea urgente. Sabe-se lá quanto tempo ia demorar até alguém ter a boa vontade de doar os olhos de seu parente. Você amava muito sua avó e ela retribuía seu carinho, mas não havia muito o que fazer por ela, apenas um milagre. Porém há muitas chances para Terumi.

Algo lhe dizia para fazer algo.

Você conversou com seus pais sobre doar os olhos de sua avó para o garoto. O tópico partiu com muita tranquilidade de sua parte, mas seus pais ficaram incrédulos.

— O q-quê?! Mas agora? Tá louca?! Você não liga pro sofrimento de sua avó?! Isso não é hora de pensar nos outros!

Foi a resposta deles, você se entristeceu muito. Como as pessoas podem ser egoístas e colocar suas vontades acima dos outros independente de tudo?

— Mas... A vovó ficaria feliz em doar seus olhos para alguém que precisa! E... Ela já está partindo... Então precisamos tomar uma decisão logo.

— ELA NÃO ESTÁ PARTINDO!

Você se assusta, mas compreende que estavam chocados. Lidar com a perda não é fácil. Alguns até, nunca conseguem a superar. Nem mesmo com ajuda.

— Outra pessoa irá salvar o seu amigo.

Você chorou. Quanto tempo iria demorar até um doador aparecer de livre e espontânea vontade? Enquanto isso, iria ser marcada por duas mortes simultâneas como memórias da infância. Parecia uma criança fria e calculista, mas seus pais não enxergavam que você também sofria? Se pudesse, salvava os dois. Porém o pensamento de ficar esperando a morte de ambos, era aterrador. Não gostaria de carregar essa culpa o resto da vida por ficar de braços cruzados quando poderia ajudar alguém.

Portanto tomou uma atitude mesmo sem permissão.

Como não podia autorizar a doação sozinha, telefonou para seus parentes e implorou para que eles ajudassem-na a convencer seus pais. Conversou com Terumi e os pais dele, que obviamente quase infartaram de felicidade.

Seus pais foram convencidos e por fim, a doação foi permitida com sucesso.

Sua avó faleceu.

Terumi ganhou córneas novas e saudáveis. Seus olhos foram curados e ele via o mundo como devia ver.

❣ ✿ ❣

O menino loiro cresceu. Aquela situação serviu para fortalecer sua amizade ainda mais. Seus pais ainda se sentiam decepcionados contigo pelo que fez em tal momento delicado, mas aprenderam a aceitar vendo Terumi e sua família feliz. Tudo parecia ter acabado num final feliz. Na maior parte sim, mas o sol não aquece todos os dias. Há os que são tão gelados que atingem o fundo da alma.

Você ouvia as vozes de suas amigas, que papeavam no fundo da classe. Conversavam banalidades, mas diferente de você, estavam felizes. Seus olhos se centravam num rapaz de madeixas lisas, longas e louras e com belos olhos vermelhos, uma ironia. A aparência era de um anjo caído; com jeitinho sedutor. Ao mesmo tempo com uma meiguice que te faz pensar se ele não é um bolinho. Afuro conversava animadamente com um grupo de pessoas. Se é que se podiam ser chamados de gente.

Desprezavam, vezes humilhavam ou praticavam bullying com outros. Encontravam qualquer desculpa para acabar com o emocional do próximo. Aquele típico grupinho que infernizava a vida escolar de todos. E o que seu melhor amigo fazia ali no meio deles? Um motivo ridículo que você tinha vontade de lhe dar um soco: popularidade. Por não querer ser um alvo deles e também não ter a força para se defender, partiu para esse lado obscuro dos estudantes. Pior ainda, tinha a líder, que era uma maldita. Terumi estava apaixonado por ela.

Mesmo ambos tendo a amizade mais unida por causa daquele ocorrido na infância de vocês, aos poucos, se afastaram sem um motivo aparente. Simplesmente foram seguindo seus rumos cada um com seus problemas. As conversas foram perdendo a alegria; estar na companhia um do outro era meio estranho.

Você se lamenta muito por esse laço tão duradouro ter acabado assim. Já tentou o resgatar, mas o que lhe frustrou foi que apenas você tentava e ele não fazia muita importância. Depois de tudo o que passaram, ele se contentou com as novas companhias.

Seus ombros são rodeados por um braço suave. Você olha para o lado e fica sem graça ao ver seu namorado encarando o loiro. Para se ter uma noção. Seu ponto forte era o ciúme.

— Kaze? — O azulado desvia o olhar mortal de Terumi e para ti, dedica um de decepção.

— Você estava olhando de novo...

— Eu...

Você namora Kazemaru Ichirouta, quando na verdade sabia que tinha sentimentos pelo loiro. Era errado, por isso você queria terminar antes que o azulado se machucasse mais. Apesar de que na verdade ele sabia no fundo. Só estava suportando aquilo, esperando que você pudesse esquecer o loiro.

— Não diga mais nada, não estou com raiva de você.

Kazemaru lhe da um beijo curto, na frente de todo mundo, em prol de causar impacto no rival.

❣ ✿ ❣

— O que foi aquele beijo? Você se acha a gostosa na frente de todos ou quer fazer seu namorado de troféu? — Rey, uma garota de cabelos longos e enrolados tingidos de ruivo com olhos cor de mel, tirou o dia para lhe perturbar. Era a líder dos idiotas, te coagia junto ao seus comparsas. Você não tinha medo.

— Pelo menos eu tenho um namorado. E que ainda é titular no time de futebol. — Você retruca. Kazemaru não tinha vindo hoje, mas também não dependia dele para se defender desses ridículos. — Mas obrigada, eu sei que já sou gostosa. Até perguntaria se quer provar minha gostosura — Você é cortada.

— Olha só a garota, dando uma de Jéssica*! — Ela zomba com gosto e você completa a frase que te faria levar um tapa.

— Ah sim, eu sou muito bem comprometida. E eu não tenho interesse em pegar lixo! — O grupinho estava boquiaberto com aquela resposta ousada e brilhante. Afuro estava com eles, mas não fazia nada. — Agora, vou cuidar da minha vida ao contrário de vocês, licença.

Você caminha na direção oposta, mas sem notar, Rey sussurra algo para seus amigos e você sente um forte empurrão nas costas, que a fez cair.

— Você nos chama de lixo, mas quem é que caiu feita uma merda mole? Haha! — Outro garoto te insulta. Você se recuperava do tombo, quando olhou para Aphrodi num pedido de ajuda de um amigo. Ele olhava para você caída, com uma feição de melancolia e culpa, mas ignorou. Suas lágrimas se controlam para não saírem rolando pelo rosto.

— Perdeu a coragem? — Eles continuavam zombando de ti, mas você não ligava. A decepção de uma amizade traidora, doía mais que o veneno dos inimigos. — Vem, Phrodi!

Você quase vomitou ao ver aquela vaca chamar seu amigo mais intimamente que você. O loiro lhe deu as costas enquanto Rey, entrelaçava seu braço ao de Terumi.

— Ah sim! Todos sabem que você apenas usa o Kazemaru pra fazer ciúmes em alguém, só não sei quem é o esperto que não liga.

Foi a frase que te quebrou.

❣ ✿ ❣

Em casa, você tentava falar com o loiro. Ligações, mensagens, áudios. Na sua maioria frustrados, cheios de raiva e pedidos de explicações. Você se recusava a permitir que Aphrodi ficasse desse lado pois sabia que ele mesmo não estava contente ali. E ainda se recusava a crer que ele estava apaixonado por aquela imbecil.

Droga, ele não atendia. Ignorava as mensagens. Tinha que fazer isso rápido, antes que...

— Olá amor, o que anda fazendo enquanto eu pegava a pipoca?

Kazemaru chega sussurrando em seu ouvido por detrás e te deixa arrepiada ao abraçar sua cintura de modo possessivo. Seu sangue gelou. Ele tirou seu celular de sua mão e olhou a tela brevemente. A raiva decorou sua face, várias veias saltaram do nada na testa dele, mas Kazemaru respirou fundo e devolveu o aparelho. Mas você também escolheu um péssimo momento para tentar ligar para Terumi. Porém não tinha muito tempo na verdade pois o azulado também escolheu justamente esta semana para sair contigo todos os dias. Não te deixava um segundo sozinha. Ambos voltavam pra casa a noite. Contudo ele te fazia ficar exausta, curtindo o dia ao máximo. Daí você ficava cansada demais para resgatar seu velho amigo.

Você se sente pior. Kazemaru é um namorado maravilhoso. Ele só não queria perder a namorada e sabia a sua história com Afuro. Isso é lindo e fofo. Especialmente porque mesmo sendo ciumento, ele não agia de modo agressivo com você. Entendia suas emoções nesse caso, mas ainda odiava o loiro, que parecia ser o dono do seu coração. Então, por que não conseguia ser feliz com o Ichirouta?

— Kaze, eu sou errada eu sei, pode me xingar. — Você admite sua culpa. Inteiramente sua.

Você causou muita tristeza e decepção para os dois garotos. Tudo começou com aquela confissão sua. Você achou que foi antecipada com Aphrodi, antes que o tempo o deixasse se apaixonar naturalmente por ti. Foi algo meio forçado. Ele estava confuso demais na época. Não queria ainda te amar pois não tinha certeza.

Você acabou se sentindo iludida e cometeu um erro terrível: vingança. Por toda essa relação não correspondida e complicada, você foi egoísta pensando apenas nos seus sentimentos. Ignorando os de Aphrodi. Portanto, quando ele estava começando a aceitar o amor que você insistia em enraizar no coração dele, você decide terminar tudo apenas para ele sentir um pouco da sua dor. E acabou tendo um relacionamento rápido com Kazemaru.

Isto foi uma filha da putisse. E não uma coisa banal, que fosse compreendida e perdoada facilmente. Mais tarde você descobriu a confusão que criou. E agora arcava com as consequências. Não era tão fácil concertar o erro. Até porque o azulado se deixou levar por aquele namoro vingativo e virou um laço forte para ele.

Voltando ao presente, o azulado te leva para a sala da casa dele e ambos sentam no sofá. O filme passava em seus olhos, mas vocês estavam em seus próprias reflexões e não sabiam o que falar nesse caso. Apesar de que não fosse a primeira vez.

— Não vou te xingar. — O azulado quebra o silêncio, enfim. — Quando se ama muito uma pessoa, você acaba entendendo suas emoções e perdoando seus atos.

Seus olhos marejaram. Forçando seu coração a ficar ainda mais dividido e confuso. Agora, Kazemaru fazia a decisão de romper, ainda mais difícil para ti. Querendo um descanso mental, você se aninha ao azulado, esticando as pernas na mobília e permitindo que ele a desse carinho e calor.

❣ ✿ ❣

“Oi.”

Sua mensagem foi respondida após tanta insistência. Você arfou de nervosismo. Finalmente! Agora tinha que ter cuidado para não estragar a chance que Aphrodi resolveu te dar.

“Oi. Tudo bem?” — Infelizmente você nem sabia como proceder. Provavelmente com muita cautela e delicadeza. Afuro era sensível e rancoroso.

“Tudo.” — Ele estava sendo seco demais. — “E você? Não deve estar muito bem depois daquilo.”

É. E com vontade de xingar por não ter nem me ajudado a levantar.

“Nada, eu já esqueci aquilo. Você tem um tempo pra conversar?” — É a hora de lavar a roupa suja.

“Depende do quê.”

“Sobre tudo o que aconteceu. Tipo, eu sei que ainda não perdoa. Eu errei muito com você, admito.”

“E aí? Não quero ouvir o óbvio.” — Você literalmente ficou com uma cara de: Nossa. Mas ele tinha razão.

“Então queria tentar novamente resgatar o que a gente tinha.” — No momento em que você estava digitando o resto do que pretendia falar. Foi obrigada a apagar e parar devido a uma mensagem enviada pelo loiro.

“Tarde demais.”

Uma foto foi enviada. Era de Aphrodi e a tal de Rey, se beijando. Algo foi destroçado dentro de você, talvez tudo. Não. Não pode ser que Aphrodi preferiu alguém como ela, que fazia e faz coisas horríveis, do que você. Uma lágrima escapou sem querer.

Mas só por causa disso, não quer dizer que vai se afastar de Terumi.

“Isso não importa pra mim. Há muitas coisas além do relacionamento romântico que a gente teve. Eu quero trazer de volta a nossa amizade. Ou é tarde também?”

Aphrodi fica offline.

❣ ✿ ❣

Já basta. Ia tirar satisfações com ele pessoalmente. O que foi aquilo? Uma ceninha dramática? Se ele a odiava, que deixasse de ser seu amigo de uma vez por todas. Já não estava bom aquela vingancinha dele?

A porta se abre e um Aphrodi lhe olha surpreso e sem palavras. Você coloca as cartas na mesa.

— Você ainda não me deu a resposta.

— O quê?

— É tarde demais pra trazer nossa amizade de volta? Hein? Aphrodi, eu espero que você me dê uma resposta boa. Porque eu tô de saco cheio de ficar nesse draminha escolar. Se você me odeia, me diga logo para eu deixar essa angústia! — Você disparou com tudo. O loiro te olhava com a maior cara de pau.

— Você tá na TPM? Desculpe, mas já se foi a época que eu aguentava suas paranoias.

— Quê? Você tá me fazendo de palhaça ou algo assim? Porque não tem graça ficar brincando com os sentimentos dos outros.

— Eu que devia estar falando isso. Não é você a expert nisso? — Você ficou com a cara no chão com essa resposta.

— Tá! A culpa é toda minha, mas eu vi que fui uma idiota. Eu aprendi a amadurecer, tá bom? — Aphrodi refletia se devia acreditar nas suas palavras. — Ok. Mas eu quero saber se você me quer ser meu amigo ou não. Porque eu sei que não tenho mais chance de ter um amor contigo. Você já tem um, né? — Você exibe a foto do chat.

— Oxe. Buguei.

— Bugou por quê?

— Eu nunca te mandei isso.

— A gente conversou ontem, Afuro. Tá com Alzheimer? — Você não conseguiu se conter a brincar. Perto dele era impossível.

Ele mostra o celular e a sua conversa com ele estava totalmente apagada. Ninguém ali entende. Por fim, Afuro te chama para entrar. Parecia séculos desde que você e ele brincavam. Apesar de só fazer alguns meses. Porém é sempre uma eternidade quando se trata de amizade. Estava até sem graça.

— Talvez eu devesse dizer: Fica a vontade a casa é sua, mas é muito clichê. — Afuro brinca.

— Nem precisa, porque não senta? Você não vai crescer mais.

— Na minha própria casa, você me convida pra sentar? E no meu próprio sofá? — Ironizou sorrindo e se rendendo às gracinhas.

— Você não comprou nada, tá amigo? E seus pais nunca reclamaram de eu me sentir a vontade aqui. — Você retruca. — Mas, sério. Quem me mandou a foto não foi você mesmo?

— Já sei quem foi. Rey. — Afuro pensa um pouquinho.

— E como o seu celular foi parar nas mãos dela?

— Hum... Deve ter sido... No intervalo! Isso. Emprestei meu celular para ela mandar uma mensagem importante. — Confessou na maior inocência.

— E você emprestou sem pensar duas vezes, né?

— Ela implorou! — Afuro se defende.

— E você não sabe dizer não? — O loiro se calou com o sermão e fez beicinho. Você deu uma risadinha gostosa dessa cena. Mas logo se fez melancólica. — Você nunca me deixou mexer no seu celular. Sempre disse: Compra um, ou, pra que, você quer o meu? Sempre disse, Terumi.

— Mas tipo, eu nunca ia dizer isso pra uma estranha que eu não tenho intimidade. Porque os desconhecidos a gente precisa tratar com respeito, você — O interrompe com frustração.

— Ah, entendi. Então não sou digna nem do seu respeito? Muito que bem, Terumi. Eu não preciso disso. — Você levou as coisas pelo outro lado e começou a se exaltar.

— Eu tava falando que você é minha parceira, então eu te trato com esse tipo de carinho. — Ele respondeu rapidamente para evitar confusões. Essa frase surtiu um bom efeito para você.

— É... É mesmo? — Um agradável calor lhe dominava o corpo e rosto.

— Sempre foi assim com a gente. Não foi? — Ambos sorriem.

Você toma a atitude de o agarrar. Fazia muito tempo. O gesto foi retribuído com sucesso.

— Eu sinto saudades. — Você confessou amavelmente.

— Eu também. — Aphrodi começou a bagunçar seus cabelos aos mesmo tempo que acariciava as mechas. — O que aconteceu com a gente?

— Nós fomos dois idiotas. Foi o que aconteceu. — Já você, não ficou parada e também acariciou seu cabelo grande e loiro. — Vamos acabar com o que seja lá o que fizemos?

Aphrodi hesitou um pouco ao responder e até cessou o carinho. Você desfez o abraço e o olhou nos olhos.

— Eu não sei. Você me machucou muito. — Afuro admite a decepção.

— Então, não confia mais em mim? — Vocês se afastam e se ajeitam.

Um clima estranho e triste se instalou mesmo com toda a cena feliz de antes. Aphrodi era muito inseguro em relação as emoções. Nesse tempo, seu celular toca.

Kazemaru.

Isso a fez adquirir uma gotinha de suor e ficar tensa. Você pede licença para atender e se afasta do amigo.

— Mochi-mochi. Sim. Estou na rua. Você quer ir dar uma volta? Agora?

Terumi ouvia atentamente, mesmo você estando afastada e falando baixo. Parecia frustrado.

— Na verdade, eu queria conversar com você, Kazemaru. Quando eu for aí a gente se fala, tá? Beijos.

Você desliga e ali mesmo tomou uma decisão difícil. Independente se Terumi te perdoasse ou não. Por sinal, você se vira a ele e pede para ir embora. Ele a acompanha sem dizer uma só palavra, mas antes de abrir a porta, levanta a cabeça que estava abaixada.

Estava com o rosto vermelho e os olhos lacrimejando.

— Terumi, o que houve?

— Você vai ficar com ele? Digo, pra sempre? Vai me abandonar?

— Eu não entendo, Terumi. Não está apaixonado pela Rey?

— Ahn? Estamos apenas ficando. Na verdade... Eu também agi feito criança. Quis fazer você ficar com raiva ao me ver com ela. — Admite constrangido. Você lhe dá um soco de raiva e faz cara de brava. — Ouch!

— Hey, isso e uma coisa muito escrota! Mas quem sou eu pra falar? Porém... Estou feliz por você não estar com aquela... Vadia. — Vocês riram. Afuroo desfaz a alegria.

— Mas você não me respondeu.

— Por que me pergunta isso?

— Só me responde.

— É tão importante assim eu estar com Kazemaru? Te incomoda?

— Não é exatamente...

— Responde!

— Responde você primeiro!

— Mas foi você que começou.

— Tá! É porque eu te amo!

Um respeitoso silêncio surge ali. E você segura o rosto dele suavemente.

— Me ama mesmo?

— ...Muito! — Ele confessa desesperado.

Você o beija sem pensar. Foi um beijo de saudade, mesclado com desespero e nostalgia dos velhos tempos. Só que dessa vez, seria ao mesmo tempo algo novo; verdadeiro em que ambos tinham certeza do que sentiam. Não haviam dúvidas, receios ou arrependimentos. Nem quaisquer emoções ruins. Apenas amor.

Era como se fossem duas crianças inexperientes com medo de não deixar o outro satisfeito. Você se separou brevemente.

— Vamos deixar essa insegurança e fazer de qualquer jeito mesmo.

Você declarou e vocês voltam a selar os lábios. O beijo recomeça meio bipolar. Vezes violento e rápido, vezes mais devagar e suave. Ambos os ritmos não se encaixavam. Era até estranho, mas tentador. As bocas se encaixavam do jeito que cada um tentava, era uma luta sem fim. Sua cintura estava sentindo muitos arrepios com um par de mãos passeando fervorosamente pela sua espinha inteira. Até seu traseiro ser apalpado. Você tomou um susto e até deu uma mordida leve no lábio de Aphrodi.

Estava “vingada”.

— O que é isso, Teru? — Você indaga corada. — Seu safado!

Os dois riem e ele te puxa para iniciar mais um beijo. Porém você impede.

— Espera. Eu tenho realmente que ir.

— M-mas, por quê? Por causa de —

— Não se preocupe. Só vou corrigir tudo.

Mesmo que vocês tenham feito algo errado ali, fora o sentimento mútuo que se ascendeu; o impulso. Foi mais forte, mas vocês tinham a consciência de que não deveriam continuar antes de você terminar com Kazemaru.

— Sim. Tem razão.

❣ ✿ ❣

A caminho da casa do azulado, nervosismo te fazia revirar o estômago. Não queria magoar Kazemaru, mas era necessário. Você o usou para fins mesquinhos, portanto ouviria tudo o que ele dissesse. A decepção, a tristeza. De certo que iria cortar-lhe o coração, mas todas as ações têm consequências. Ele não é seu verdadeiro amor. Não podia se obrigar a amá-lo. Seria ainda mais cruel continuar.

— Oi, você demorou. Está ficando tarde, fiquei preocupado.

Droga, Kazemaru! Não torne tudo difícil.

— Precisamos conversar. — Você dispara, já o preparando para o que ia ouvir.

Vocês se acomodaram no seu quarto por causa dos pais deles, que estavam presentes.

— Então... Eu quero ter —

— Você mentiu. Estava com Afuro. — Você congelou e sua reação só confirmou a acusação.

— Kazemaru, eu não quero ter que continuar um relacionamento que não está dando certo. — Você alega.

— No começo, eu fiquei triste por saber a verdade... Ninguém gosta de ser usado. — A culpa te corroía e sua cabeça se abaixou, mas temia que ele não aceitasse de jeito nenhum. — Mas eu me apaixonei. Então não liguei, contanto que tivesse um pouquinho de você para mim. Só que... Passei a querer que você seja apenas minha e eu, somente seu.

Você o escutou em sinal de respeito por seus sentimentos.

— Eu tentei te manter longe dele, mas eu via que mesmo distantes, algo acontecia entre vocês. Não traição ou algo do tipo, mas por dentro. Seus corações parecem que foram feitos pra bater um pelo outro. E isso é gay.

— Haha. Não é não. — Você riu pra aliviar o clima.

O silêncio voltou. É incrível como nesses momentos ele fica. É como obrigação.

— Me dá mais uma chance e deixa o Aphrodi. — O azulado segura seu queixo e implora manhoso. Estava fazendo charme com desespero, mas você removeu sua mão carinhosamente e se manteve firme na decisão. Se as coisas ficarem assim, irão chegar a um rumo que podem piorar. E é melhor terminar de um jeito certo. Nem tanto no seu caso.

— Sinto muito, Kazemaru. Desse jeito é melhor para nós dois. — Seu modo de falar era com uma maciez e delicadeza.

— Não pra mim. Eu prefiro você do meu lado apesar de tudo.

Silêncio mortal de novo. Os olhos dele te analisavam sem desviar um segundo. Você pode notar eles marejarem e o azulado segurar as lágrimas pesadas.

— Ah, cara... — Kazemaru se virou para seu armário e cobriu os olhos com seu braço. Lhe deu muita pena. — Droga. Não vou conseguir aguentar tudo sem você.

Isso soou meio possessivo, mas você manteve-se calma. Ele é assim mesmo.

— Consegue sim. Você é um rapaz forte, inteligente, talentoso. Dê tempo ao tempo.

— Se sou tão bom, então por que está me deixando?

— Porque... O sentimento... É mais, forçado. Por causa do meu erro. — Para não dizer menos intenso. Ou que você amava Afuro mais do que ele. Palavras agressivas pioravam tudo. — Tudo porque eu fui imatura e idiota. Kazemaru, você não merece sofrer por alguém como eu.

— Mas eu sofro. Porque eu aprendi a amar o jeito como eu te vi evoluir. E não quero que me deixe. — Agora você, estava com lágrimas e o coração pulsando forte.

A despedida de vocês foi marcada por um abraço doloroso, mas preciso.

❣ ✿ ❣

Você e Terumi estavam aninhados o mais colados possível. Se recusavam a se separar e muito menos se mexer. As respirações eram tranquilas e mornas. Ambos se arrepiavam cada vez que sentiam a expiração do outro. Você passava os dedos nos cabelos de Aphrodi, cujos olhos caíam como um gatinho pelo seu toque.

Mas algo estava estranho.

— Por que está chorando, Teru? — Você nota algumas lágrimas quentes rolando em seu rosto.

— Eh? Estou? — Ele seca as gotinhas que não sentia cair.

— Está lacrimejando?

— Não sei. Acho que estou é chorando de alegria... E sua avó também. — Terumi opina. E você faz uma careta.

— É meio estranho falar isso. É como se ela estivesse nos vigiando para não fazer nada errado. — Você brinca.

— Pessoas normais achariam bonitinho, você acha estranho.

Afuro te dá um selinho e começa a acariciar seu nariz com o dele. Um lindo beijo de esquimó.

Notas finais
*Ceratocone: Uma doença ocular cujo o tecido transparente da córnea se desloca/curva para fora do olho. Pelo que entendi as pessoas enxergam as coisas ampliadas. *Para quem não sabe, se trata de um meme. Engraçado por sinal. É só jogar no YouTube: Já acabou, Jéssica? (Não que eu concorde com a treta escolar ali :V). Até a próxima, gente :*