A Chance for You
80 Abraços Metálicos - Sarjes Rugu
Notas iniciais
“Objetos não são quentinhos como você.”
Ele era louro de cabelos levemente enrolados nas pontas, olhos celestes o qual um era coberto pela franja, a pele branca alva. O mais fofo eram suas orelhinhas pontudas de alien, que mais dava ao loiro, um aspecto de elfo. Sarjes Rugu, é o nome do alien pertencente ao planeta Kiel. Um bolinho extraterrestre. Engraçado, fiel a suas obrigações e promessas e outras qualidades legais que qualquer indivíduo gostaria de possuir. Entretanto é impossível não ter pelo menos um ponto ruim, seu defeito era a armadura. Na verdade, o que ela significa.
Sarjes era um cavaleiro real encarregado de proteger Katra Paige, a rainha de Kiel. Conhecido como o cavaleiro lendário, seus colegas o admiravam por sua forma de pensar. Orgulho é o que define o cara amigável, feliz e otimista. Sua posição é algo que parecia ter um significado especial em sua vida, igual a roupa pela qual ela representa. Ou seja, ele nunca tirava aquela peça de metal não importando a ocasião. Mesmo sendo a farda de batalha, Sarjes colocava um afeto nisso.
Sem falar que era estranho o ver direto assim. Dava a entender que ele era somente um cavaleiro e vivia para aquilo. O loiro fazia da profissão, algo honroso e muito nobre, o que de fato é. Contudo não quer dizer que ele não tenha outra vida além de suas obrigações. O que Sarjes faz não é nada mais que trabalhar como os outros cidadãos. Claro que um trabalho mais tenso e que não se pode comparar com o resto, mas no conceito é parecido. Tipo, ele cumpre seu dever muito bem, dá seus esforços. Portanto em algum momento, deve descansar. Sempre existe aquela hora do dia em que nossa cabeça precisa espairecer. Só que Sarjes aparenta nunca querer deixar de ser cavaleiro.
— Não dá pra acreditar que vamos ter uma folga finalmente... — Uma voz masculina soou no palácio real de Kiel, mais precisamente no recinto dos cavaleiros. Você também participava na tarefa de proteger a princesa, não no campo de batalha, mas de outra forma menos reconhecida e discreta.
— Claro que a gente ia ter uma! Depois de quase nos matarmos dessa vez, não é possível que iriam nos escravizar. Ninguém é de ferro! — Retrucou outro cavaleiro.
Sarjes, o capitão ali, toma a iniciativa e faz um belo discurso. Haviam passado por uma luta arriscada. Porém no fim deixa claro que devem estar prontos a todo instante para erguer sua espada em prol de proteger a rainha. Terminado aquele momento de glória e comemoração, todos derramaram seus corpos cansados nas camas macias, que foi praticamente um deleite. Exceto o capitão.
— Vá descansar, por favor. — Você se aproximou suavemente do loiro e pede em tom de brincadeira, mas com seriedade incluída ali.
— Mesmo que eu quisesse, um cavaleiro real jamais dorme realmente. — Sarjes retruca em seu habitual tom alegre e receptivo. — Jurei desde o dia em que coloquei essa armadura, que daria tudo de mim.
— Mas se não dar um tempo, seu corpo não vai ficar de pé pra seguir batalhando.
— Gosto quando está preocupada assim, você fica fofa, isso me agrada. — Sarjes elogia e ambos coram um pouco, mais por parte sua.
— Sei que quer desviar o assunto, mas obrigada, amor.
— Não preciso economizar elogios quando se trata de você, saiba disso. — O loiro continua te seduzindo e tentando te desviar o foco. Não adianta.
— Você é um amorzinho, mas sério, dormir, cama, travesseiro, já. — Você ordena, o arrastando e tirando da tarefa que ele se auto impôs. — Te faço até uma massagem se isso te convencer.
— Uma proposta irrecusável, mas eu sou o capitão. Devo ser o pilar que...
— O pilar que vai entrar no mundo dos sonhos! — Você o corta e o arrasta a força até seu dormitório.
Fazia pouco tempo que estavam namorando, quase um mês. Muito recente, mas até já tinham bastante intimidade. Tudo ia as mil maravilhas, só a parte de sua obsessão com a armadura era ruim. Nos encontros, ele estava com ela, nos passeios, em qualquer canto. Isto também incluía no romantismo, tipo quando iam se abraçar ou se beijar, outros carinhos. Era mais que esquisito porque você sentia o frio do metal atrapalhando e incomodando. Sentia também a dureza do material ao encostar.
— Não me diga que vai dormir assim? — Você indaga ao vê-lo deitar a cabeça no travesseiro do mesmo jeito que estava.
— Ahn? Ah sim! — Sarjes exclama e senta na cana de novo. Você se alivia. Afinal ele tem juízo. O loiro retira suas botas de metal. E deita novamente. Te confundindo. — Não me diga que você vai querer dormir comigo?
— Mas o... — Você ia falar de seu “pijama”, mas quer rir.
— Não estou reclamando, mas não é meio rápido? — Você ri e cora ao mesmo tempo. — O que foi?
— Essa é sua roupa de dormir?
— Bem... Não. Mas não me incomoda. — Ele argumenta constrangido.
— Deve incomodar sim, você só vai tirar por um momento, Sarjes.
— Ela só é importante para mim. — Ele evita seu olhar decepcionado.
— Importante como?
— É só... Não sei se você entenderia.
— Se me falar, posso tentar.
— Bem... Acho que não tem problema, você é minha namorada. — Ambos mostram sorrisos genuínos um ao outro. — É que, quando estou com ela, me sinto forte e capaz de tudo. Sou o cavaleiro real e capitão, uma lenda. Agora quando me vejo no espelho sem esse símbolo para me dizer o quanto sou grandioso, me sinto fraco... De novo.
Você fica calada absorvendo as dores do alien. Não imaginaria que uma coisa boba, estranha é engraçada, esconderia um motivo profundo. Não quis se intrometer em seu passado provavelmente doloroso. Então só se concentrou e dá-lo seu apoio.
— E esse sentimento para mim é uma que eu não suporto. — Ele conclui com um ligeiro tom de amargura no fim enquanto se senta na cama.
— Mesmo se eu disser que você quem fez essa armadura ficar forte, e não o contrário?
— Hum? — Ele não compreende de primeira.
— Antes de você poder vestir ela pela primeira vez, você lutou até a merecer. Isso é só um símbolo, como você mesmo disse, Sarj. — Você faz o possível para o mudar de opinião.
Ele pareceu impactado. Parou e ficou reflexivo.
— Mas... Mesmo assim. É duro se ver de novo como um fracasso sem nada. — Ele persiste no pessimismo portanto você opta por usar outra tática.
Você invade seu espaço na cama dele e se põe a seu lado, bem pertinho. Encarando aqueles olhos azuis, você só o abraça. Ele murmura algo como quem quer falar, mas é interrompido.
— Olha isso, só sinto o frieza e dureza desse metal. Sem falar que ele incomoda quando estamos perto assim. Não concorda?
— ...Sim.
— Eu não quero continuar abraçando um objeto, eu quero abraçar você. — Confessa carinhosamente. Ao parecer estava indo bem. Vendo seu silêncio, você começa a mexer na armadura, ameaçando tirar aquilo. O loiro se assusta.
— Você não vai gostar de ver isso. — É tudo o que ele fala, parecia nervoso.
— O que quer que seja, não vou me importar.
Sendo assim, você continua o que estava fazendo. Fica constrangida ao fazer algo assim tão íntimo mesmo ele sendo seu namorado. Intrigada por suas últimas palavras. A peça incomoda é totalmente retirada. Além de mostrar o peitoral do loiro, lhe apresenta algumas cicatrizes grandes, feitas por cortes. Você rapidamente julgou que foram espadas ou outros tipos de armas cortantes. Seriam apenas feitos por suas batalhas ou Sarjes já as possuía antes de ser cavaleiro?
— Eu sabia. — Ele murmura melancólico. Olhando para o lado e após você encarar suas feridas feias, não estava com nojo ou assustada. E sim imaginando quanta dor elas causaram.
Você somente o abraçou com todo o seu amor.
— Viu? Agora eu consigo sentir sua pele quentinha. — Você diz e Sarjes fica emudecido apenas retribuindo seus gestos. — Você não acha que é melhor desse jeito?
— É... Melhor que antes. — Responde Sarjes um pouco mais feliz como sempre foi. — Seu coração bate muito rápido.
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