– Tem certeza de que isto é necessário? – disse o amigo técnico de Jason, Leo, pela décima segunda vez.

– Se você falar isso de novo eu juro que vou te jogar pela janela. – o tom de voz de Jason era sério. – Eu já falei que sim, aquela miserável irá pagar por ter me humilhado EM MINHA PRÓPRIA FESTA. – Jason terminou a frase gritando e Leo apenas levantou a mão em forma de rendição.

– Tudo bem nervosinho, vamos logo terminar isso. – então com os seus dedos ágeis, começou a teclar ferozmente na tela do PC para poder fazer uma montagem perfeita. Eles haviam planejado o plano de vingança contra Júlia, e decidiu fazer uma montagem dela transando.

O que não foi fácil, pois ter acesso ás fotos de Júlia foi a parte complicada, mas Jason tinha contato com uma de suas meninas que ele já havia “brincado”, e ela passou as fotos para ele sem nenhum problema. Júlia por mais que era santa, era recheada de amigas falsas que Jason já transou.

Depois, o resto foi apenas achar a foto de algum homem no Google Imagens e fazer uma montagem de um em cima do outro, frisando cada detalhe da foto para parecer autêntica.

Após algumas horas de edição, Leo clicando nas teclas do PC com a testa franzida em concentração, e Jason jogando papo fora com ele, finalmente conseguiram fazer uma réplica perfeita de uma foto de Júlia transando com um cara. Nem viram o rosto do sujeito que supostamente havia transado com ela, apenas pegaram a primeira que acharam.

Jason sorriu maliciosamente, seu plano já estava dando certo, como havia planejado. Leo era mestre da técnica de montagem, e já fez vários “serviços” para Jason desse tipo, mesmo reclamando disso tudo como um golpe baixo.

Constantemente, ele se vingava de garotas que se recusavam a transar com ele, pois como ele era um riquinho nascido em meio aos bem tratos e o bom da vida, ele nunca aceitava um não como resposta. Mas agora, esta tal menina Júlia, além de negar algo para ele, ainda jogou um copo de coca na sua cara, e ele iria pegar pesado dessa vez.

Geralmente as montagens era só as meninas com bigodes, mas desta vez ele decidiu elevar essa brincadeira mais a sério, sem se preocupar com os riscos que estariam assumindo. Depois de terminado, ambos fizeram várias copias da imagem através do Word, e depois colocaram seu plano em prática.

Ambos saíram da mansão de Jason, ambos carregando montanhas de papéis de cópias da pervertida e falsa imagem de Júlia, e tiveram que pegar um carrinho para a viagem. Ele deu esses papéis para seu empregado, e ordenou que eles espalhassem por toda a cidade. Os serviçais se mostraram relutantes quanto a isso, mas Jason gritou com eles algo do tipo despedi-los, e todos eles fizeram tudo sem falar nada. Então, 10 mordomos de Jason partiram cidade adentro espalhando esses folhetos em cada poste que via.

Essa era uma das vantagens de Jason, podia fazer qualquer coisa que geralmente para humanos trouxas, (era assim que Jason chamava os pobres), iria ser algo resultante de um trabalho árduo e cansativo. Ele apenas espalhou para seus mordomos e foi para seu quarto e esperou os resultados até a manhã seguinte.

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Jason acordou com um sono terrível, pois naquela noite por algum motivo ficara tão ansioso que quando dormira o sol já apontava os seus primeiros raios da manhãzinha, no começo do dia. Ele acordou era meio-dia, e o cheiro da comida lá embaixo ofuscou seu nariz e o fez levantar. Seu estômago roncou com ansiedade, e ele se arrumou e fez sua higiene pessoal no seu quarto e desceu ás pressas para a cozinha. Ele havia percebido que desde ontem quando começou seu plano de vingança ele não havia comido praticamente nada, e eles trabalharam desde a manhã no projeto.

Quando viu a mesa larga da cozinha, seu estômago deu outro ronco ansioso, pois na mesa á sua espera e quentinho, estavam várias porções de arroz, batata frita, peru assado, picanha, purê de batata, torta de amoras, e tudo o que se dava para pensar em comestível, até uns cogumelos Champions.

Seus pais estavam distraídos comendo em silêncio, coisa que fez Jason pensar por um segundo, já que os pais sempre se mostravam apto para falarem e ouvirem os problemas de Jason.

Jason decidiu entrar no jogo do silêncio, e nada disse, apenas encheu seu prato com uma generosa poção de cada item da mesa, e começou a comer, parecendo que a qualquer momento o garfo seria engolido.

– Querido, come com calma, tem muita comida. – disse sua mãe olhando para o modo de comer de Jason, com uma expressão irônica.

– É que eu estou com muita fome mãe, não como desde ontem. – Jason falou as últimas palavras e colocou outra porção de comida no garfo e mandou boca a dentro.

– Você nunca passa 1 hora sem comer, devia estar fazendo algo de muita importância. – ponderou sua mãe, e Jason apenas assentiu, dando um leve sorriso. Apesar de ser uma pessoa com o caráter horrível, perto dos seus pais Jason tentava se mostrar o mais amigável possível, mesmo isso não sendo de sua natureza de criação. Ele sempre foi criado por empregadas que basicamente faziam todo o serviço, e sua mãe apenas sentava com ele 10 minutos antes de dormir para cantar canções de ninar, mais anda. De vez em quando, até as empregadas faziam isso.

Até a alguns anos, ele sempre achou que era o dono do mundo, por ter tanto dinheiro, e ria das pessoas da sua escola por não terem dinheiro e ficarem olhando para suas roupas caras e chiques. Isso alguns anos, hoje em dia Jason é ainda mais pior, julga todos e quer mandar em tudo, não aceita um não nem de seus próprios pais.

– Eu sei muito bem o que Jason ficou fazendo a tarde inteira, não é, Jason? – o tom de voz do seu pai era perigoso, e Jason pronunciou as seguintes palavras com cuidado.

– É bem, eu fiquei fazendo uma montagem contra uma menina minha noite passada que me humilhou na frente de todos. – óbvio que Jason não contou a parte de que fez isso, por grande parte porque ela se recusou a transar com ele.

Seu pai nada disse, apenas voltou sua atenção na comida, comendo vagarosamente sentindo cada sabor da comida. Jason terminou de comer duas pratadas antes que eles terminassem meia, e quando ia sair da cozinha sua mãe interveio.

– É falta de educação sair antes de todos, mocinho. – a mãe mostrava uma seriedade na voz, seus pais nunca o haviam tratado assim.

– Eu sei mãe, mas é que eu tenho que fazer um trabalho de escola. – mentiu Jason, e seus pais apenas não falaram mais nada, eles não estavam acostumados a intervir na vida de Jason.

Jason subiu para seu quarto, e quando entrou no seu perfil do facebook, soltou uma risada maléfica. Por todos os posts de seus amigos, havia a foto que ele mandou para eles de Júlia, a nova anjo-demônio da escola. Jason riu com mais prazer, como aqueles bruxos maldosos em filmes. Seu plano havia saído perfeitamente, mas não apenas 10 pessoas iriam ver, mas talvez até o mundo todo. Ele também pagou aquele recurso ao facebook para que sua postagem da imagem ficasse no topo das notícias, coisa que lhe custou caros 400 dólares por dia.

Após ter seu momento de triunfo, ele viu que no facebook havia uma longa mensagem de Júlia explicando o fato e falando que era uma montagem, e citou o nome de Jason na postagem, falando que a montagem provinha dele e seu amigo Leo. Jason ficou ligeiramente assustado, pois era exatamente os fatos, mas quando viu os comentários das pessoas a chamando de anjo-demônio mentirosa, ele apenas soltou mais outra de sua gargalhada prazerosa/maléfica.

O seu momento de triunfo é interrompido quando o celular de Jason, seu mais novo Galaxy S4 toca no seu bolso, e o número da chamada era desconhecido. Em situações normais, Jason não atenderia, pois provavelmente seria alguma parceira dele de suas transas casuais, mas essa ocasião pedia atendimentos de celular.

– SEU FILHO DA MÃE! – uma voz que claramente era de uma Júlia zangada, berrou no telefone, e antes que Jason pudesse rir de sua cara, ela desligou o telefone.

O que ele não sabia, é que havia uma Júlia zangada, a apenas alguns metros da casa dele.