A Caçadora E O Vampiro
25 Revelações
Notas iniciais
Acho que a maioria de vocês deve querer matar o Dean e eu sempre falo que ele tem seus motivos para ser assim, então agora resolvi deixá-lo se explicar um pouquinho... O que será que D esconde? Quais serão seus segredos?
Espero que gostem deste capítulo!!!
Acordei com uma luminosidade entrando pela janela do meu quarto que se encontrava semiaberta e com a cortina totalmente aberta. Estava deitada em minha cama, enrolada em um edredom e vestindo pijamas, mas não sabia como fora parar ali. A claridade machucava meus olhos então tornei a fechá-los enquanto tentava me lembrar do que havia acontecido. Era tão estranho me sentir sem memória que estava a ponto de surtar quando as primeiras lembranças da noite anterior me atingiram dolorosamente.
Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto mesmo com meus olhos fechados. Estava revivendo tudo que acontecera na clareira, desde a traição de Laureen até sua morte e a transformação de Dean. Lembrar do que acontecera a minha amiga que considerava como parte da minha família sobrenatural me deixava muito mal, como se parte de meu coração tivesse se perdido e nunca mais acharia o caminho de volta para mim. Era como se estivesse com um vazio em meu peito, um vazio que nunca poderia voltar a preencher, ninguém seria capaz de substituí-la dentro de mim.
Ouvi a porta do quarto se abrir com um estalo baixo e passos se aproximaram de onde estava. Abri os olhos assustada, com medo de que Dean estivesse de volta. Felizmente não era quem eu achei que fosse. Mark estava parecendo preocupado e veio se sentar ao meu lado, colocando minha cabeça em seu colo. Ficou acariciando meus cabelos em silêncio me deixando chorar, ele sabia que precisava desse momento e não quis me interromper. Quando finalmente as lágrimas cessaram, ele me olhou e abriu a boca para me consolar, mas não precisava de consolo, nada que ele dissesse seria capaz de mudar os recentes acontecimentos.
“O que aconteceu ontem quando você lutou com o Dean?” perguntei antes que ele pudesse falar algo.
“Millie, você precisa descansar, a gente pode conversar sobre isso depois, não precisa mais se preocupar”
“Não, Mark, eu quero saber agora, preciso saber de tudo” argumentei, ele parecia não querer falar sobre este assunto naquele momento, dado meu estado emocional, mas não estava pronta para desistir ainda “Eu preciso saber, por favor” insisti.
“Tudo bem, mas ainda acho que você deveria descansar antes de ouvir sobre isso” ele me olhou ainda inseguro quanto a me contar sobre isso, era como se não quisesse tocar no assunto por saber que seria doloroso para mim e estava tentando não piorar as coisas.
“Conta logo, Mark, você sabe que eu tenho o direito de saber e quero saber agora, não me importa se eu tenho que descansar ou não” ele estava começando a me irritar, queria que ele contasse e acabasse com tudo isso de uma vez. Ele percebeu que não desistiria tão facilmente quanto desejava e desistiu com um suspiro.
“Bem, eu já estava bem longe daqui quando resolvi voltar para cá. Eu comecei a pensar sobre o que você me mandara fazer e percebi que não existia objeto nenhum a ser encontrado, você nunca me deixaria ir em uma busca sozinho, a não ser que estivesse achando que precisaria me proteger de algo que só você julgaria perigoso para mim. Você tinha mentido para mim, mas não conseguia entender ao certo o porquê de você ter feito tal coisa.” Seu olhar parecia distante assim que começou seu relato, como se estivesse revivendo todos os acontecimentos que estava contando a mim. Fiquei calada esperando pela continuação pacientemente.
“Assim que descobri que era tudo uma grande mentira, resolvi voltar. Sabia que a única razão para você mentir para mim seria para me proteger de algo que você achava que poderia me machucar, mas nada poderia fazer isso a mim, a única coisa que poderia me machucar seria te perder” não sei se ele havia reparado que repetira algumas informações, coisa que ele raramente fazia, mas resolvi não comentar e deixa-lo seguir em frente.
“Fui juntando as peças e tudo indicava que você ia se meter em alguma confusão, mas não imaginava que essa confusão fosse ser tão grande assim. Vim até sua casa, mas não encontrei ninguém. Alice também não estava em casa, então fui até a casa de Sophie. Ela me contou que vocês tinham planejado ir até a floresta naquela noite, mas ela não sabia me dizer onde exatamente vocês tinham ido ou por que. Isso foi o suficiente para que eu começasse a me desesperar.
“Entrei na floresta sem rumo, tentando ouvir alguma coisa que me levasse até você. Era noite de lua cheia e você estaria correndo perigo se continuasse na floresta quando desse meia noite. Você não imagina o desespero que me inundava, estava com medo, não conseguia ao menos pensar em te perder, se algo acontecesse com você nunca seria capaz de me perdoar por ter chego tarde demais, por ter deixado vocês me enganarem e não ter percebido o que vocês estavam planejando desde o começo.
“Foi quando ouvi gritos. Não sabia quem estava gritando, não era a voz de algum de vocês, mas sabia que os encontraria lá, não sei ao certo porque achava isso, talvez seja instinto ou algo do tipo. Saí correndo o mais rápido que pude, mas tinha a sensação de que não conseguiria. Você não faz ideia de quantas vezes imaginei-me chegando até você e te encontrando... morta” ele hesitou ao falar esta última palavra, como se relembrar esses pensamentos fosse doloroso para ele, algo que acreditava ser já que ele me amava, não demorou muito tempo pensando sobre isso e retomou seu relato.
“Consegui chegar até a clareira na hora certa. Você estava amarrada, no chão. E um lobo estava indo em sua direção com os dentes amostra e salivando por causa de sua carne. Não sabia o que fazer, estava sem reação. Agi sem pensar nas conseqüências que meus atos poderiam gerar. Corri na direção dele e consegui derrubá-lo no chão. Ele tentava se soltar, mas eu era mais forte e consegui mantê-lo imobilizado enquanto pensava em algo para fazer com ele. Suspeitava que aquele era o Dean e não sabia se você iria ficar feliz se algo acontecesse a ele, mesmo parecendo que você não gostava dele, então tentava achar algo para fazer com ele que não envolvesse mata-lo, que era o que meu corpo desejava. Ele a colocara em perigo te mantendo amarrada e se transformando tão perto assim de você, isso é imperdoável.
“Não esperava que ele fosse chamar reforços, mas logo outros lobos chegaram. Me coloquei em pé para poder me defender melhor, mas um dos lobos conseguiu me derrubar. Sabia que suas garras não poderiam me fazer mal, era com suas bocas que deveria me preocupar, mas estava difícil discernir o que deveriam ser as bocas e as patas com garras afiadas já que eles eram muitos. Estava começando a me desesperar novamente, sentia que iria falhar, que iria te perder e a dor do pensamento me cegava, me fazendo um alvo vulnerável.
“E de repente tudo mudou. Um outro lobo chegou, mas esse era menor que os que estavam tentando me matar. Esse lobo não me atacava, estava lutando contra a alcatéia a minha volta. Não demorei muito para entender o que estava acontecendo, Sophie havia vindo em meu socorro. Ela é definitivamente mais forte do que nós imaginávamos. Com a ajuda dela consegui me colocar em pé novamente. Estava tão concentrado que não reparei que você desmaiara. Assim que conseguimos nocautear o bando, fui até vocês.
“Perceber que Laureen estava morta foi um golpe muito forte em mim, ela era minha amiga, a pessoa que me ajudara durante meus anos problemáticos e obscuros. Tentei não pensar muito sobre isso para amenizar a dor que sentia, a tirei de lá e ajudei Sophie a colocá-la nas costas para podermos carregar todos vocês de volta para a cidade em segurança. Ela colocou Mike nas costas, eu peguei você e Alice e trouxemos vocês para cá. Depois de me certificar de que você e o Mark ficariam bem, levei Alice até a casa dela e deixei o corpo de Laureen em minha casa, em um lugar no qual tenho certeza que ninguém o encontrará.
“Quando Sophie percebeu que vocês não corriam mais perigo e deixamos vocês na segurança de suas casas, voltou para a floresta, não a vi desde então, espero que ela esteja bem, estou preocupado com ela. Seu irmão acordou a algumas horas, ele estava se sentindo muito melhor e resolveu ir até a casa de Alice ver como ela está e cuidar dela por um tempo. Ele me pediu para ligar o avisando quando você acordasse, ele está preocupado e acho que ele não sabe de nada do que aconteceu na noite passada, talvez Alice conte para ele a parte que não consegui contar por não saber dos detalhes. Depois você me conta o que aconteceu antes de eu chegar, você precisa descansar um pouco, estou te sobrecarregando com tudo isso” ele me deu algum tempo para absorver tudo que falara antes de continuar a conversar comigo “Você podia ter morrido, por que me mandou para longe?” ele me olhou esperando por uma resposta.
“Porque eu não queria que você se machucasse, não suportaria perdê-lo” falei, sentindo meus olhos marejarem novamente.
“E você não pensou no que eu sentiria se te perdesse? Eu também não suportaria te perder, mas você não pensou nisso e me mandou para longe. Se eu não tivesse percebido que era tudo uma mentira você poderia estar morta agora” ele parecia estar realmente magoado por causa do que eu tinha feito, mas ele não conseguia ver as coisas através do meu ponto de vista. Para mim aquela era a única opção que tinha, era o único jeito de deixá-lo longe dos planos de Dean e a salvo.
“Me desculpa” murmurei sem vontade de expor meus pensamentos. Me sentia cansada e conturbada demais para começar a argumentar com ele.
“Tudo bem, agora come alguma coisa e descansa, eu vou tentar achar a Sophie enquanto isso e tenho que ligar para o seu irmão” ele colocou uma badeja com torradas, uma xícara de café fumegante e uma maçã vermelha escura a minha frente, beijou meus lábios demoradamente e saiu do quarto parecendo que não queria fazer tal coisa, sabia que ele não queria sair do meu lado, mas havia sentido que eu precisava de um tempo sozinha.
Não me sentia bem para comer, afastei a bandeja com todo seu conteúdo intacto e me deitei novamente. Quando coloquei o braço em baixo do travesseiro senti algo tocando meu braço e que logo começou a me incomodar. Levantei o travesseiro para ver o que era e descobri um envelope branco daqueles usados para cartas comuns com meu nome escrito na frente com uma letra grande e fácil de entender.
Abri o envelope e peguei seu conteúdo. Era uma carta com mais de uma página toda escrita com a mesma caligrafia que estava impressa no envelope. Não demorei para entender quem havia me mandado tal coisa. As primeiras linhas deixaram claro que aquela era uma carta de Dean. Considerei jogá-la fora sem ao menos lê-la, mas não consegui me impedir de ler o primeiro parágrafo, ficando curiosa quanto ao resto do texto, finalmente poderia descobrir algumas coisas sobre a vida misteriosa do D. Me sentei, colocando o travesseiro entre minhas costas e a cabeceira da cama e li o que D tinha a falar.
Querida Millie, me desculpe por todo o transtorno que te causei, pensei em te deixar em paz e sair de sua vida para sempre, mas, antes que possa fazer isso, tem algumas coisas que acho que você deveria saber, não quero que pense que sou um monstro, tudo que fiz tem uma explicação e espero que compreenda. Tudo que peço é paciência para ler minha história sem jogar estas páginas fora antes de chegar ao final.
Vou começar contando algumas coisas de antes de eu me tornar um caçador para que você possa compreender o resto de minha vida.
Eu era apaixonado por uma mulher que trabalhava no mesmo prédio que eu. Ambos éramos jornalistas (acho que isso explica todas as pesquisas que fiz durante a vida, jornalistas estão sempre curiosos). Ela me fascinava com seus trejeitos de menina inocente e olhar penetrante, parecia um anjo de tão bela. Um dia criei coragem e a chamei para sair, tinha medo de ela recusar e de não se interessar por um homem como eu. Fomos tomar um café não muito longe do trabalho. Ela se mostrou ainda mais fascinante depois de conhecê-la melhor, ela era a mulher dos meus sonhos em carne e osso.
Depois desse dia, começamos a nos ver mais e nos aproximamos muito um do outro. Alguns anos depois, ela se tornou minha noiva. A amava com todo meu ser, tínhamos planos para nosso futuro, ficávamos imaginando como nossas vidas seriam em uma casa só nossa na Califórnia com os dois filhos que pretendíamos ter. Seria uma vida perfeita, teria a mulher perfeita ao meu lado até que a morte nos separasse.
Em uma de nossas viagens de férias fomos visitar a família dela que morava no interior. A cidade era muito pacata, mas gostei de lá. Um dia resolvi fazer uma trilha sem guia nem nada do tipo, mas Melanie não queria ir, ela nunca gostou muito de florestas, as achava sombrias. Eu sempre fui muito teimoso e a convenci a ir comigo. Foi a pior coisa que fiz na vida, mas, naquele momento, não sabia disso. Muitas vezes desejei poder voltar no tempo para poder salvá-la, mas nada poderia mudar o que aconteceu.
A trilha era fácil de seguir e bem iluminada, Mel começou a se sentir mais segura e estava começando a gostar de estar lá comigo quando um homem apareceu em nosso caminho. Conversamos por alguns instantes e resolvemos seguir em frente juntos. Ele parecia saber bastante sobre o lugar e quis nos levar até uma clareira que ficava lá perto que, segundo ele, era maravilhosa e agradável. Concordamos em ir com ele e o seguimos. Quando chegamos na clareira, que realmente era maravilhosa como ele havia dito, fiquei maravilhado e comecei a andar por lá explorand cada canto daquele lugar, os deixando conversar. Ouvi um grito alto e feminino que logo foi abafado. Quando olhei para trás vi o homem com minha noiva. Ele estava bebendo o sangue dela.
Em um ataque de fúria, corri até ele querendo matá-lo, mas não sabia o que fazer, tudo que queria era poder salvá-la daquele monstro. Quando cheguei perto dele juntando toda a força que possuía para bater nele e salvar Melanie, ele me empurrou com uma força impossível para qualquer humano. Meu corpo voou de encontro a uma árvore e desmaiei.
Quando acordei já havia escurecido, estava desorientado, não queria acreditar no que presenciara mais cedo, mas o corpo inerte de minha noiva estava lá, frio e sem uma única gota de sangue. A dor começou a me consumir, assim como o ódio e o desejo de vingança. Nesse dia jurei que me vingaria de todos os vampiros que fosse capaz de encontrar e prometi a Mel que iria caçar a criatura que fizera aquilo a ela nem que para isso tivesse que ir até os confins da terra. Queria desesperadamente poder colocar minhas mãos nele e fazê-lo sofrer ainda mais do que ele me fizera sofrer naquele dia.
A partir de então, comecei a estudar tudo que pudesse sobre essas criaturas que até aquele momento acreditava serem apenas lendas, tudo com o intuito de estar preparado para enfrentar aquele monstro. Nas minhas pesquisas viajei por muitos lugares e aprendi muitas coisas, estava preparado para enfrentar qualquer vampiro que entrasse em meu caminho.
Eu consegui encontrar o vampiro depois de alguns anos. Ele continuava o mesmo, não envelhecera nem um dia sequer. E ele se lembrava do que me fizera. Não consegui tortura-lo como queria porque ele me deixou tão cego de ódio que agi sem pensar e cravei uma estaca em seu coração. Assisti seu corpo aos poucos ir perdendo a vida que possuía com um sentimento de realização. Finalmente Melanie poderia descansar em paz, seu assassino jazia morto aos meus pés.
Então continuei viajando, tentando aprender o máximo possível sobre esse lado do mundo que desconhecia. Em uma de minhas viagens encontrei seu irmão (não vou te contar essa história porque você já deve a conhecer, se não a conhece não cabe a mim conta-la e sim ao seu irmão).
Agora vamos avançar um pouco na história, vou te contar como me tornei o que sou, como me tornei esta criatura que tento tanto para manter aprisionada, mas sempre foge do meu controle.
Estava fazendo uma pesquisa acerca lobisomens, já sabia tudo que poderia saber sobre vampiros e buscava novos estudos (aliás, tudo que você sabe sobre eles e dos modos mais eficazes de matá-los veio de minhas pesquisas, já que eu treinei seu irmão e ele te treinou). Durante uma de minhas viagens, descobri algumas coisas sobre lobisomens e resolvi me aprofundar no assunto, já que até então não tinha conseguido achar nenhuma bruxa para estudar.
Em um vilarejo, descobri um pequeno grupo de homens que afirmavam serem capazes de se transformar em lobos quando quisessem, mas que, na lua cheia, eles se transformavam querendo ou não. Resolvi investir nestes estudos, eles me pareciam promissores e estava começando a ficar entediado sem minhas constantes pesquisas. Raptei um deles e o levei até minha casa, onde havia criado um pequeno laboratório para conseguir realizar minhas pesquisas. Durante quase seis meses fiquei com ele sob custódia fazendo diversos experimentos, mas um dia ele conseguiu se libertar durante a transformação e eu não pude fazer nada, felizmente seu irmão não se encontrava por lá naquela noite.
Ele me mordeu. Por um dia inteiro eu fiquei sozinho lá, alucinando. Naquele mesmo dia, durante a noite, me transformei pela primeira vez (não vou descrever o processo já que você viu isso com seus próprios olhos na noite passada, só vou falar que é um processo doloroso). Desde então não caço mais vampiros, encarrego meus caçadores para realizar essa tarefa, tenho medo de ser mordido por um vampiro (já que a mordida de um vampiro é letal para um lobisomem e vice-versa, mas você já sabe disso, creio eu).
A partir deste dia comecei a procurar uma cura para o que era e continuava tentando entender melhor no que havia me transformado, precisa saber tudo que podia sobre isso para me preparar para retomar minha vida. Várias lendas falavam que não existia a cura que tanto desejava, mas eu sou teimoso demais e resolvi procurar mesmo assim. Por muito tempo procurei, algumas vezes conseguia achar algo sobre o assunto, mas nenhuma das curas que tentei funcionaram.
Nesse meio tempo eu te conheci, seu ódio por vampiros me lembrava muito como me sentia sobre eles. E você se tornou a caçadora perfeita. Mas algo inesperado aconteceu: eu acabei me apaixonando por você. Depois de tantos anos sem me envolver com ninguém por causa do que ainda sentia por Melanie, você me fez esquecê-la. Você me fascinava, mas nunca demonstrou se esse amor que sentia em meu peito era recíproco ou não (hoje sei que nunca foi apesar de tudo que pensava ou queria cegamente que fosse real).
O ritual que realizei ontem era mais uma dessas histórias que clamavam ter a cura, mas também não funcionou, ainda sou um monstro. Não te contei que havia uma grande probabilidade de essa cura não funcionar porque precisava de sua ajuda, porém em nenhum momento parei de desejar que funcionasse, mesmo que isso implicasse te perder para sempre, acreditava que depois poderia te consquistar. Mas não vou desistir de achar esta cura, estou certo de que em algum lugar existe uma cura para o que sou e então talvez poderei ter uma segunda chance na vida. Vou continuar procurando, não importa quanto tempo isso leve, não importa se eu morrer sem achar o que procuro, pelo menos tentei, isso já me deixa satisfeito.
Antes que você se preocupe, Sophie está comigo, juro que não fui eu quem a procurou, estava determinado em deixar você seguir com sua vida ao lado de seus amigos. Mas enfim, ela me procurou quando o dia amanheceu. Ela se juntou a mim em minha busca pela cura, ela também não quer ser um lobisomem para sempre. Peço que não fique brava com ela por causa disso, você não pode deixar que ela perca as esperanças, acho que a cura é algo que vale à pena lutar para conseguir. Ninguém pode nos culpar de querer acreditar que nossa busca um dia nos trará algum benefício.
Espero que um dia você possa me perdoar por todo o sofrimento que te causei, nunca tive essa intenção. Ontem percebi que não sou bom o suficiente para você, quase te matei, se não fosse por seu vampiro eu teria que carregar a morte da mulher que amo para sempre comigo, nunca poderia me perdoar por isso. Não acho que um dia poderei deixar de te amar, mas ficar longe de você é o melhor que posso fazer, você merece uma vida segura. Você está bem com o Mark, ele irá te proteger, ele nunca seria capaz de machucá-la. E acho que você estava certa sobre uma coisa: todos merecem uma segunda chance, até mesmo alguns vampiros. Ele definitivamente merece uma segunda chance.
Vou cuidar bem de Sophie, não vou deixar nada a machucar, prometo.
E agora estou aqui para te dizer adeus, agradecer por tudo que fez por mim e me desculpar por tudo que fiz, por todo o sofrimento que te causei.
Prometo não te importunar mais, vou me manter longe, não vou mandar notícias minhas, você merece viver sua vida. Você, mais do que ninguém, merece uma vida tranqüila cercada por aqueles que te amam e nunca poderiam te machucar e eu com certeza não posso me incluir nesse grupo.
Te desejo toda a felicidade e amor do mundo.
Com amor,
Dean
Notas finais
Amanha antes de viajar eu posto o último capítulo para vocês!!!
Beijinhos e até o próximo capítulo...
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