A Caçadora
1 Prólogo
Notas iniciais
Boa leitura
O sol invadiu o meu quarto e penetrou os meus olhos. Gemi e apertei o travesseiro contra o rosto. Não queria levantar. Não queria ver o sofrimento do povo de novo. Não queria ver a desigualdade entre ricos e pobres, criada pela monarquia.
Eles negam, dizem que criaram uma sociedade justa e igual para todos! Mas, é uma péssima mentira. Pois, se fosse justa, a jovem Tracy, não teria que vender seu corpo para alimentar as seis crianças famintas, dais quais ela é mãe. Se fosse justa, o senhor Gunter não teria mais que trabalhar, afinal, ele já tem 65 anos, e na teoria da monarquia, deveria estar descansando e desfrutando de uma vida calma. Se fosse uma pessoa rica ou nobre, não passaria por nada disso. A verdade... É que a monarquia só se importa com quem dá dinheiro a eles. Quanto mais dinheiro, mas a pessoa ia ficando num pedestal. Estaria sempre nas melhores festas, os filhos teriam casamento vantajosos. Mas, eu sei que eu não posso fugir da realidade. Todo dia, quando eu acordar, vou me levantar e ver a mesmas coisas. Então, como não posso fugir disso, levanto-me. E me preparo para mais um dia difícil. Solto os meus longos cabelos castanhos e os penteio calmamente. Como eles são grandes (Até a cintura, céus!) era muito difícil penteá-los. Era uma tarefa que requer muita atenção e paciência de minha parte. Quando finalmente termino de penteá-los. Vou até a banheira simples que tinha em meu banheiro (Meu pai trabalhou duro para conseguir comprar duas banheiras, as mais vagabundas possíveis). Tomei um breve banho e vesti um vestido verde simples. Ele tinha um rasgo na bainha, mas mesmo assim era o melhor que eu tinha. Prendi meus cabelos e desci. Minha casa não era chique, longe disso. Mas, ainda era considerada de ótima qualidade. A primeira pessoa que eu vi foi meu pai. Ele estava no velho sofá, lendo o mesmo livro que ele lê toda manhã. Minha mãe, estava na cozinha, fazendo algo para nós comermos. Provavelmente pão com geléia, uma das poucas coisas que temos condições de consumir. Eu não tinha irmãos. Era triste, porque eu cresci sem ninguém de idade próxima a minha para brincar e conversar. Mas, ao mesmo tempo, era bom. Porque, pelo menos assim seria uma pessoa a menos, e não passaria pelas dificuldades que passamos.- Bom dia, pais.- Bom dia, filha.- Os dois responderam ao mesmo tempo. Sentei-me a mesa. E observei os pratos. Pão com geléia, como eu previa. Meu pai, sentou na ponta da mesa como sempre, e minha mãe ao lado dele. Começamos a comer sem dizer nada. Eu resolvi mudar isso.- Alguma novidade?- As mesmas de sempre.- Meu pai respondeu.- Os Caçadores aprontaram mais uma daquelas. Estão com uma campanha cada vez mais anti-monarquista. Bati no meu prato com força.- Eles não “aprontam”, pai. Eles lutam por igualdade! Igualdade para todos nós. Minha mãe levou a mão a boca. Meu pai me encarou, com raiva.- Por acaso está defendendo esses baderneiros?Ergui a cabeça, e corajosamente disse.- Sim! E se eu pudesse eu me juntaria a eles. Minha mãe arregalou os olhos e correu até a janela. Os soldados do castelo matavam todos que diziam ter interesse em se juntar aos Caçadores.- Menina! Como ousa falar uma asneira dessas? Quer morrer?- Ela sussurrava de forma assustadora. Mas, eu não me abatia. Jamais me abatia.- Eu posso muito bem me juntar a eles. Eu já sou madura o suficiente para isso! Meu pai se levantou, e se aproximou de mim.- Escute, Luna. Você pode ser madura o suficiente, mas ainda vive na minha casa, come da minha comida! Se você quer continuar vivendo aqui, vai ter que seguir minhas regras. Levantei da mesa, com os olhos cheios de lágrimas.- Se é assim... Prefiro ir embora. Andei até a porta, e a abri. Antes de sair, arrisquei um olhar para meus pais. Minha mãe, passava as mãos nos cabelos castanhos, cheios de frios brancos aparentes, e chorava copiosamente. Meu pai estava com o rosto vermelho, de raiva.- Se você sair, não coloca mais os pés aqui. Olhei para baixo e assenti. Passei por aquela porta, com uma dor no peito. Corri pela grama fofa do jardim, chorando. Eu estou sofrendo. Meus pais estão sofrendo. Só tem um lugar para onde eu posso ir. Corri o mais rápido que pude para a floresta. Minha sorte é que ela não é muito longe de minha casa. Cheguei lá cansada. Lágrimas desciam pelo meu rosto. Me ajoelhei perto de uma árvore alta e chorei. Chorei até dizer chega. Além do som dos animais da floresta, tudo estava quieto. Até a hora em que som de cavalos romperam isso. Olhei para cima, e vi um grupo. Cinco homens. Todos encapuzados. Eu sabia exatamente quem eles eram.- Está tudo bem, senhorita?- A voz grave de um deles me perguntou. Esbocei um leve sorriso.- Está tudo ótimo agora. Era vocês quem eu esperava. Eles recuaram, como se eu fosse uma emboscada para eles.- Não sou uma isca. Eu quero me juntar a vocês.- Eu disse com determinação.
Notas finais
Bjs, até mais.
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