A Caçadora
2 Capítulo I
Notas iniciais
Boa leitura
Já se passou um ano. Um ano desde que decidi me juntar aos Caçadores. Nesse meio tempo, conheci várias pessoas. Entre elas, estava Daniel Campbell, que nesse exato momento está parado na minha frente, sorrindo para mim.
– Como você está?– Muito bem, obrigada. E o senhor, Campbell?– Muito bem, senhorita. Por sinal, estava te procurando. Franzi o cenho.– Me procurando? Para quê? Ele riu e me estendeu um braço. Eu aceitei.– Bem, primeiramente, queria ficar um tempo, com a senhorita. Até porque, não nos vemos desde da semana passada. Eu o olhei, acusadoramente. Ele havia viajado para uma vila, atrás de recrutar mais pessoas para os Caçadores. Desde desse dia, ele não veio me procurar.– O senhor que não veio me ver! Ele riu, baixinho. Eu amava aquele sorriso, devo admitir. Quer dizer... Muitos perguntavam se nós estávamos juntos, mas nós sempre negamos, dizemos que somos apenas amigos. Nós já nos beijamos, uma vez. Mas, logo depois ele me pediu desculpas e saiu correndo. Eu sinceramente não sei o que ele sente por mim. Agora estamos aqui, caminhando de braços dados, em silêncio. Daniel para apreciar a brisa. Estávamos tão tranquilos, que nos assustamos quando George, um dos nosso líderes, pulou de uma árvore.– Estava te procurando, Luna. Olhei para Daniel, que estava tão confuso quanto eu.– Aconteceu algo, George?- Daniel perguntou, com um quê de desespero na voz.–Sim e não. É melhor vocês irem encontrar os outros.Preocupados, eu e Daniel fomos encontrar o resto de nós. Quando chegamos, todos sussurravam e pareciam curiosos. Estavam todos aqui. Uma das minhas melhores amigas, Ellie se aproximou de nós. Ela é irmã de Daniel.– Que bom que vocês chegaram! Só faltavam vocês dois!Ellie olhou curiosa, para meu braço entrelaçado ao de Daniel. O soltei rapidamente.– Ah, entendi. Vocês foram namorar escondidos.- Ela acusou maliciosamente. Eu e Daniel ficamos vermelhos.– Não é nada disso, Ellie. Pare de falar bobagens!- Daniel esbravejou.Os olhos da garota brilhavam.– Luna e Daniel estão namorandoooo!- Ela começou a gritar, atraindo a atenção de todos.Oh não. Não, não, não. Ellie começou a saltitar entre as pessoas, gritando que eu e Daniel estávamos namorando. Olhei para Daniel. Ele estava extremamente envergonhado. Eu soltei uma risadinha, sem graça.– Ai, ai. A Ellie não toma jeito mesmo!Daniel balançou a cabeça.– Não sei como uma menina, que tem quinze anos, age como se tivesse sete!– Oh, pegue leve com ela, Daniel. Ela é só uma garota!– Uma garota que já devia ter um comportamento mais maduro.Encarei o rosto dele, e tentei ver as suas emoções. Ele parecia chateado, muito chateado, como se alguém tivesse gritado um segredo dele a sete ventos.– Vocês se parecem em muito aspectos, afinal.- Eu murmurei.Ele fez uma careta, enquanto tentava entender o que eu quis dizer.– Está me chamando de imaturo, senhorita?Olhei para meus pés, pronta para confrontá-lo. Eu quero saber o que ele sente por mim, se eu devo ter alguma esperança! Mas, antes que eu pudesse falar algo, os líderes nos silenciaram.– Silêncio a todos, por favor. Temos notícias a dar. Primeiramente, temos que contar que uma de nossas bases, no sul, foi destruída pelos capachos do rei.- George disse, com pesar.Um murmurinho começou no lugar, muitas pessoas começaram a chorar. Com certeza, tinham parentes no lugar.– Por isso.- George continuou.- Decidimos articular um plano. Não é apenas uma vingança. É muito mais que isso. Nós, queremos derrubar a monarquia. De uma vez por todas.As pessoas começaram a conversar, e gritos de urra ecoaram pelo local. George, ergueu a mão pedindo silêncio.– Mas, para isso, vamos precisar de uma pessoa específica. Precisamos que essa pessoa se infiltre no castelo, e no momento certo nos ajude a entrar lá e a matar o rei. E, nós já escolhemos essa pessoa.Os gritos de urra ficaram mais fortes. George e os líderes sorriam. Mas, eu fiquei curiosa para saber quem era a pessoa escolhida. Max, outro dos líderes, tomou a frente para falar.– Bem, agora temos que dizer quem escolhemos para essa missão tão grandiosa.- Ele olhou para mim.- Senhorita Luna, venha até aqui por favor.O que?! Não, pelo amor de Deus não! Eu não estou pronta para algo tão grande assim. Se bem, que tenho um ano com eles. Já aprendi várias técnicas de luta. Aprendi a falar melhor o francês, que eu aprendi com uma amiga de minha mãe. Porém, essa missão é muita grandiosa, e tenho certeza que tem pessoas mais aptas do que eu para cumpri-la.Mesmo assim, fui para frente. Eu estava tremendo. George me colocou ao lado dele. Todos me olhavam, eles viam em mim a esperança de derrubar a monarquia. – Luna, você foi escolhida. Você aceita essa missão?“Pense bem, Luna. Você quer igualdade. E com eles no poder, isso nunca vai acontecer. Essa é sua chance.”– Sim.- Eu disse, seca.- Eu aceito essa missão.Todos bateram palmas para mim. Eu traria igualdade. Não importa o que aconteça. George sussurrou no meu ouvido.
– Vamos nos reunir. Para explicar pra você o plano.Assenti e me retirei junto aos líderes. Fomos para um lugar calmo.– Bem. Traçamos o plano todo. É muito importante que você preste atenção em tudo que vamos falar.- Max falou lentamente.“Você irá para o castelo, como uma dama de companhia para a Princesa Eleanor. Você agirá como tal. Terá que ter o requinte das damas, e tem que ser discreta o tempo todo. Não chame a atenção, poderia prejudicar nosso plano. Enfim, como você sabe falar francês, você falará a todos que lhe perguntar, que você passou a infância na França com sua família. Antes da festa de aniversário do príncipe Alexander, você irá nos ajudar a invadir o castelo. O resto é com a gente“ Assenti, a cada palavra deles.– Espere! Como irão me infiltrar no castelo?- Minha curiosidade falou por mim.Max riu.“Temos nossos aliados dentro do castelo. Bem, voltando ao plano, quando nós estivermos prontos para atacar. Daniel passará o tempo todo se correspondendo com você. Mantenha-o informado sobre tudo que acontece lá dentro. Você se apresentará a todos como Luna de Vix.”Luna de Vix. A que traria alegria para os Caçadores. Depois da reunião com eles, fui ficar um pouco sozinha. Sentei-me perto de um rio, e observei a lua. Minha xará.– Espero não decepciona-los. Eles estão apostando tudo em mim.- Eu falei, a observando.Antes que eu pudesse perceber, já estava chorando.– Luna?- Ouvi uma voz conhecida atrás de mim.Daniel caminhava no meio da escuridão. Ele parecia tão pacato, tão perfeito. Antes que eu pudesse perceber, eu já havia me jogado em seus braços. Eu o beijei. Um beijo calmo. Um beijo que foi esperado por muito tempo. Por mim e por Daniel. Quando nos separamos, eu estava debulhada em lágrimas. Ele passou a mão no meu rosto, secando-as.– Por que chora, Luna?– É-É tanta coisa! Estou com medo, Daniel. Medo de decepcionar a todos. Medo de não conseguir.– A Luna que eu conheci, não tinha medo.- Ele disse, calmamente.- A Luna que eu conheci era forte e corajosa. Não deixava se abater por nada.Eu ri.– Eu sei! Essa missão, você... Como me afligem!Ele franziu o cenho e me olhou curioso.– Como?Eu olhei para a Lua.– Daniel... Seja sincero. O que sente por mim?Daniel suspirou. Acho que nem ele mesmo sabe o que sente por mim.“Entenda, Luna. É tudo difícil. Ao mesmo tempo que eu quero te pedir em casamento, tenho medo de te magoar. Eu mesmo já me perguntei isso. Mas, nunca consegui encontrar a resposta. Talvez seja porque eu nunca gostei de uma garota. O que eu sinto por você, definitivamente é amor. Mas, eu não sei especifica-lo. Tenho medo de achar que sinto algo, e depois descobrir que não é do jeito que eu imagino, e no final eu acabar te machucando.”Abaixei a cabeça. No fundo, eu tinha concordar com ele. Nem eu sei o que eu sinto por ele. Apertei a mão dele. Ele sorriu.– Sabe, quem sabe que esse tempo que vamos passar longe um do outro, sirva para nós especificarmos nossos sentimentos?– Pode ser. Mas, mesmo assim, nós vamos trocar correspondências.– Mas aí, vamos ver se vamos ficar muito eufóricos ao receber essas cartas.– Isso é um acordo?– Talvez.- Eu disse, sorrindo.Apertamos as mãos. Uma missão, um amor. Como isso irá terminar?
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