A Caçadora

3 Capítulo II


Notas iniciais
Oiii! Resolvi adiantar esse capítulo que ia sair sexta, mas devido as minhas provas eu adiantei. Boa leitura

Eu já fui treinada. Na verdade, para se tornar um Caçador, você tem que ter boa mira, saber lutar, e saber sobreviver. Eu aprendi tudo isso com eles. Mas, desde que foi me dada essa missão, aprendi muito mais coisa do que quando entrei para os caçadores. Agora estou aprendendo a ser uma dama (oi???), estou tendo que aprender a me camuflar, a disfarçar... E isso só me deixa mais nervosa. Eu sei que um passo errado, eu acabaria destruindo tudo. Então, terei que tomar cuidado. Muito cuidado.

Um dos principais pontos da missão, era ganhar a confiança de alguém da família real. A princesa Eleanor. Pelo simples fato de que eu vou conviver com ela a maior parte desse tempo, em que vou ficar no palácio. Também tem Alexander, o príncipe herdeiro. George acredita que eu também vou ter bastante contato com ele, e eu teria que segurar todo ódio que sinto por eles. Isso seria complicado. Ter que conviver com a família real, ter que disfarçar todo o meu ódio. Deus, me dê forças para aguentar isso.

Bem, depois de me passar todas as instruções, George me liberou. A primeira coisa que eu fiz, foi ir atrás de Daniel. Não tem nada haver com o que conversamos semana passada. Eu o procurava para saber de meus pais! Primeiro, fui até o lugar que a família dele dorme. Quem estava lá era Ellie.

“Oi, Luna”. Ela me cumprimentou calorosamente.

“Oi, Ellie. Você viu Daniel?”

Ela me olhou maliciosamente. Eu revirei os olhos.

“Não é nada disso, Ellie. Ele me disse que ia procurar saber como estão meus pais. Eu só quero saber como eles estão”

Os olhos de Ellie brilharam, como se lembrasse de algo.

“Oh-oh! Ele me disse que seus pais estão bem. Ele mandou eu te avisar. Porque ele ia na cidade e só voltaria ao anoitecer.

Olhei para ela, curiosa.

“O que ele foi fazer na cidade?”

“Isso eu já não sei.”

Assenti e agradeci a ela por me avisar de meus pais. Eu sentia muito a falta deles, afinal. Mas, meu pai não quis aceitar minhas escolhas. E nada me restou a não ser ir embora. Não vou negar, muitas vezes me arrependi de minhas escolhas, principalmente em épocas comemorativas, em que se passava em família. Eu queria estar com eles. Porém, eu sei que eu escolhi certo. A igualdade estava próxima e eu a traria.

Comecei a andar pelo acampamento, cumprimentando a todos. Alguns até gritaram, ”Você é nossa heroína”. Eu apenas lhes dava um sorriso tímido. Era estranho, saber que todos apostavam em mim. Como todos confiavam em mim. Até mesmo as crianças, que não entendem muito bem o que eu irei fazer, me diziam o quanto eu era bonita e corajosa. Isso até reconfortante, pois assim, sabendo que todos me apoiam e confiam em mim, me dava coragem para a próxima parte da missão. A parte mais complicada. Que era conviver com esses malditos. Eu estou até curiosa para saber como eles vivem. Mas, não sei por que essa curiosidade. A resposta para essa curiosidade era simples. Eles viviam cheios de regalias, riquezas, ás custas do trabalho dos mais pobres, que por muitas vezes nem tem o que comer. Era assim que eles viviam. Eu ficava furiosa só de pensar que teria que ficar lado a lado com eles. Mas, o que me consolava mesmo era o fato de que tudo isso, resultaria em algo maravilhoso. Na morte da família real toda. Finalmente ficaríamos livres desse usurpadores. Finalmente...

No meio da minha caminhada, George apareceu.

“Luna, precisámos de você”

“Para quê? Pensei que já tivéssemos resolvido tudo”

“Sim, sim. Mas, precisámos que você experimente seu figurino”

Oh, não. Não estava com paciência para experimentar roupas. Como eu não podia fugir, tive que ir de qualquer maneira. Era tão estranho provar aqueles vestidos de seda, aquelas jóias. George disse que quando eu virasse dama de companhia de Eleanor, teria muito mais delas. Eu me sentia outra pessoa vestindo àquilo. Era terrível.

Depois dessa sessão de tortura (Tortura, porque eu não nasci para usar essas coisas caras), eu fui para o lago que eu tanto amo, e sentei a beira dele. Era bom. Era relaxante. E eu irei ficar um bom tempo longe dele, essa é nossa despedida.

“Sério, toda vez que você sumir, eu vou saber onde você está”

Eu ri.

“E quando nunca sei onde você está, Daniel”

Virei-me para ele. Daniel estava todo bagunçado, com a roupa abarrotada e um sorriso singelo no rosto.

“Desculpe. Fui até a cidade, resolver alguns... Problemas.”

Ele estava mentindo. Eu via isso em seus olhos. A mentira.

“Não minta para mim. Se você não quer me contar o que foi fazer na cidade, não conte. Mas, mentir não, por favor”

Os olhos dele assumiram um tom de irritação.

“Não estou mentindo.”

“Eu sei quando as pessoas mentem. Então, por favor não tente me enganar. Senão, eu vou começar a perder a confiança em você.”

Ele balbuciou um “desculpe”, e se sentou ao meu lado. Eu sorri, ao sentir ele ao meu lado. A brisa quente do verão soprava o meu pescoço, enquanto Daniel segurou a minha mão.

“Por que se juntou aos caçadores, Luna? Quero dizer, abandonou sua família para viver assim. Por quê?”

Eu suspirei, esse era um assunto muito delicado para mim. Me lembrar de meus pais, sofrer por eles, pelas minhas escolhas.

“Eu tenho ideais, Daniel. Ideais de igualdade. Os mesmos ideias que os Caçadores. Porém, ideias diferentes de meus pais.”

Ele apertou minha mão.

“Sabe, Luna. Tem coisas sobre os Caçadores que ninguém sabe. Que ninguém imagina.”

O que ele quis dizer com isso? Olhei para a expressão em seu rosto. Era uma mistura de medo, dor, e tristeza. Ele parecia infeliz. O que ele sabia dos Caçadores? Por que ele parecia tão triste? Os Caçadores escondem algo?

“O que quer dizer, Daniel?“

“Tem certas coisas que devemos manter em segredo.” Ele respondeu rapidamente.

Pensei em pressioná-lo. Fazê-lo contar o que ele sabia. Mas, fui tomada por um medo estranho. Um medo que me dizia, que se eu soubesse poderia mudar rapidamente os meus pensamentos. Acabei não fazendo mais nenhuma pergunta.

“Quando você vai embora?“ Daniel perguntou, de repente.

“Em três dias.“ Eu respondi, sem esboçar nenhuma emoção.

Ele colocou a mão no bolso e tirou uma caixa preta. Oh, Daniel. O que você irá fazer, só espero que não seja um pedido.

“É só um presente. Para você se lembrar de mim no castelo“

“Daniel! Não precisava! Quer dizer, nós iremos nos corresponder todos os dias“

Ele deu de ombros e me entregou a caixa. Abri e tinha um belo colar dentro dela. Era uma borboleta, entrelaçada a um coração. Um colar era dourado, e tinha algumas pedrinhas em pontos estratégicos. Era incrivelmente lindo.

“Oh, Daniel. Não precisava. Esse colar deve ter sido tão caro“

“O valor material dele não importa para mim. O valor sentimental sim, é o mais importante.“

“Você é doido” Eu disse, entre risos.

Daniel apenas sorriu. Eu sei o quanto esse colar vale para ele, e eu tenho certeza que irá valer o dobro para mim.

“Foi isso que você foi fazer na cidade“ Eu conclui.

“Talvez. Agora, ponha esse colar, quero ver como ele fica na senhorita“

O colar ficava perfeito em mim. Combinou com meus olhos, cor de chocolate, e com minha pele pálida. Daniel tinha um ótimo gosto, isso eu não posso negar.

“Ele ficou perfeito, Daniel. Mas, não precisa gastar nada comigo. De verdade.”

Ele negou com a cabeça.

“Como não gastar? Você é uma das pessoas mais importantes para mim. E isso é apenas uma lembrança, para você não se esquecer de mim no palácio.”

Oh-oh. Agora eu sei o motivo da preocupação de Daniel. Ele estava com medo de eu esquecê-lo. Eu segurei o rosto dele, fazendo-o olhar nos meus olhos.

“Daniel, você é um dos meus melhores amigos. Eu jamais te esquecerei”

Ele pareceu insatisfeito com a palavra amigo, mas mesmo assim sorriu. Nos abraçámos, como dois amigos, que jamais se esqueceriam. Jamais.

Notas finais
Até mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.