A Cat In My Life
5 5 — Uma declaração e uma descoberta
Notas iniciais

5
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Não conheço nada mais complicado que o amor, e nada é melhor que senti-lo, também. (Desconhecido).
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Lucy ainda não acreditava no que estava vendo. Loke estava na sua frente. O rapaz que foi um de seus únicos amigos em sua antiga escola. Se perguntou o porquê dele ter ido até sua nova cidade, mas não ficou triste com a visita e logo deu um grande sorriso, mas um pouco confuso.
Ela olhou rapidamente do lado da porta para ver Gato — riu mentalmente por lembrar-se de que havia dado um nome ridículo ao coitado — Ela pensou em como esconderia ele de Loke. Ele também poderia guardar aquele segredo para ela, pelo menos, ela esperava que sim.
Loke usava uma roupa bem casual. Uma calça jeans nova e uma blusa de mangas médias da cor braça e algumas listras horizontais. Ele sorria brandamente e seu olhar ela calmo e seguro, como se soubesse que ela gostaria da repentina visita.
— Ahn — ele resmungou, parando de sorrir um pouco e tentou olhar para dentro do apartamento. —, está ocupada?
— Ah, de jeito nenhum! — ela disse quase por cima dele e abriu um pouco mais a porta.
Ele fez uma rápida reverencia com a cabeça e deu um passo para entrar.
— Eu só gostaria que você guardasse um segredinho. — ela mordeu os lábios, nervosa.
Ele a olhou com curiosidade e rapidamente viu o gato que o olhava estranhamente, assim como para ela.
— Acho que já imagino o que seja. — ele franziu um pouco o cenho, achando totalmente esquisito o olhar do felino meio rosado.
— Deve estar achando estranho o jeito que ele te olha, não é? — ela riu com um tom nervoso e fechou a porta para voltar a olhar para Loke. — Não se preocupe, ele também olha assim pra mim, deve ser algo da raça, sei lá.
— Bem, talvez. — Loke deu de ombros e a fitou. — Por que está escondendo esse gato?
— Ele quase foi atropelado na rua — ele riu. — Onde já se viu, um gato que nem ouve um carro chegando.
Ambos riram, mas o riso morreu quando eles viram o gato arranhar seu sofá.
— Gato, para com isso! — ela correu até ele e o segurou para parar. Por sorte, não dava para perceber o estrago maligno.
— Uau! — Loke interviu. — Que nervoso. O nome dele é Gato?
Lucy bufou ao ver o gato se contorcer em seus braços e o soltou brutamente no chão, mas ele não se machucou, pelo menos sabia pular. Quando foi responder a pergunta, ela riu um pouco sem jeito.
— Ele parece ter um dono, talvez tenha se perdido ou outra coisa. Amanhã provavelmente vou colocar panfletos nos postes para ver se eu os encontro.
— Como tem tanta certeza?
— Ele é exigente e não come comidas... como eu diria... — ela gaguejou um pouco. — Digamos que ele parece ser de donos endinheirados.
Loke riu.
— Nossa, sente-se, que indelicadeza minha. — interviu. Ela sentou-se no sofá quase destruído e o chamou.
— Tudo bem. — sorriu, indo até seu lado e sentando.
— Então, por que veio até aqui? — ela sorriu.
— Ah — ele corou um pouco. —, eu queria saber como você estava por aqui, parece uma cidade bonita e também é a primeira vez que venho.
Ela percebeu que ele ainda gostava dela, mas não queria falar com ele sobre isso. Precisava de um amigo, apenas.
Quando ela ia abrir a boca, a campainha soou.
— Opa, deve ser a pizza que eu pedi. — ele sorriu e se levantou rapidamente para pegar o dinheiro na bolsa que ficava no quarto. — Já vou!
Pegou a bolsa e o dinheiro rapidamente, voltando até a porta. Loke olhava para o gato e ele o ignorava. De alguma forma, ele parecia irritado. Olhou para Lucy e pensou nas fantasias que sempre teve com ela. Ele gostava muito daquela garota e precisava conquistá-la. Sua saída da escola o deixou ligeiramente triste e abalado, e por ora, eles pouco se veriam.
Lucy pegou a pizza com dificuldade por conta do refrigerante que vinha junto. Loke foi praticamente correndo até ela e segurou os dois, um galanteio aparentemente explícito, pelo menos para ela, sim.
— Obrigada. — ela sorriu após dar o dinheiro ao entregador e vê-lo sair.
— Disponha — ele riu, olhando para a pizza e o refrigerante. — Onde coloco?
— Ah, vem até a cozinha! — ela foi rapidamente até a mesa de jantar e apontou para ela. — Pode colocar aqui.
Ele, ainda andando, chegou até a mesa e posicionou a caixa com forma de circunferência e a garrafa na mesa apontada. Lucy colocou a mão no queixo e olhou para a pizza.
— Não sei se ainda percebeu, mas será meu convidado para jantar — ela sorriu e pegou dois pratos no armário. — Poderia me ajudar com os copos?
— Obrigado pelo convite. — ele riu, indo até o armário ao seu lado e pegando dois copos de vidro liso.
O gato, sentado perto da entrada da cozinha, olhava tudo, principalmente Loke e seu jeito. Os dois sorriam com frequência. Qualquer pessoa que os visse, acharia que eles fossem namorados ou qualquer coisa no tipo, mas que na verdade, eram apenas grandes amigos.
Os dois sentaram-se à mesa e comeram bem. Conversaram sobre sua antiga escola e ela descobriu que ele estava gostando, mas sua falta era muito perceptiva para ele. Lucy tinha pena dele, pensar que nunca ficaria com ele a dava certo peso na consciência, mas ela não o diria. Ela viu Gato, ele era muito fofo, mas poderia ser mais brincalhão, ela pensava enquanto comia um pedaço da pizza.
No final, Loke a ajudou com a limpeza dos pratos, talheres e copos. Gato continuava no mesmo lugar, sem nem se mover direito. Ele não estava com fome, pois comera há pouquíssimo tempo e não parecia gostar de degustar muitas iguarias que ela tinha em seu apartamento.
Loke falou sobre seu pai e que o visitava com o seu frequentemente para falar sobre as empresas e o andamento de cada uma. Lucy sentia demasiada falta dele, mesmo com sua frieza, ele era seu amado pai. Nunca a machucou nem a bateu. O máximo que ele fazia era deixá-la de castigo por alguns dias, e ela fazia muita coisa errada quando criança e pré-adolescente.
Ela não o culpava por nada.
— Bem, acho que eu devo ir, certo? — ele quase sussurrou, colocando o último copo em seu devido lugar. Lucy guardou o pano de enxugar e olhou para ele.
— De qualquer maneira, adorei sua visita — riu, pegando em seu ombro. — Obrigada.
Ele olhou para seus olhos, um tanto embaraçado.
— Ah, claro — ele limpou a garganta e, com um movimento leve, ele tirou a mão de Lucy de seu ombro para andar até a porta.
— Quando quiser, pode vir de novo, gostei de saber como anda a vida fora daqui. — sorriu fraco, lembrando-se de seu pai.
Lucy o seguiu até lá, mas Loke parou bruscamente e ela quase caiu por cima dele. Ele se virou e a abraçou com certa ansiedade. O gato se arrepiou por trás deles e se aproximou lentamente.
Ela sentiu a respiração dele pela sua cabeça. Loke a abraçava por seus braços. O movimento foi tão rápido que ela nem se tocou em abraçá-lo também, afinal, nem havia muitos motivos aparentes a ela.
Ela sabia bem o que aquilo significava: perigo. Se não tomasse cuidado, ele acabaria falando algo sobre a relação dos dois. Ela queria uma amizade, e se ele o falasse, sua ideia poderia ir água abaixo.
Merda, ela pensou. Ele parecia sério.
— Lucy, eu... — ele tentou começar, ainda a abraçando, mas Lucy o afastou delicadamente.
— Loke, está um pouco tarde. — ela riu, sem graça. Ele assentiu e a soltou lentamente.
— Eu sei, mas queria que me escutasse rapidamente. — ele olhou para os pés com um tênis all-star novo.
Droga.
Ele voltou a falar: — Eu gosto muito de você, sabe? — ela segurou a respiração sem perceber e ele corou. — Pode ser que você não me veja dessa forma, mas eu estava muito feliz em saber que iríamos nos casar, mesmo sendo um casamento forjado, eu estava. — seus pelos se arrepiaram. Era a primeira vez que alguém se declarava para ela. O gato se aproximou mais um pouco. — Quando você disse que não queria, eu imaginei o que poderia ter de errado em mim, mas agora eu sei. Você quer conhecer o mundo, estudar, encontrar alguém que o amor seja recíproco, certo? — ele segurou suas duas mãos. — Eu posso te amar, Lucy, é só você dizer “sim” pra mim.
Ela soltou a respiração que não havia percebido que havia prendido. Olhou para seus olhos cheios de ansiedade e medo na cor escura de sua íris. Ela não podia. Não gostava dele como um amante, e sim, um amigo, um melhor amigo. Naquele momento, ela não poderia reverter aquilo ou voltar no tempo, iria ter que dispensa-lo da forma mais formal possível.
Mas antes que ela pudesse falar, ele segurou seus ombros e tentou beijá-la. Não forçou, apenas se aproximou, deixando uma mão em sua cintura e outra em seu antebraço. Ela se assustou e tentou empurrá-lo devagar.
— Desculpe, Loke, mas eu te quero como um melhor amigo, nada mais. — ela suspirou, mas ele ainda a segurava com precisão.
— Lucy, deixe-me mostrar o que é o amor, por favor. — ele se aproximou novamente, mas com certa veemência. Ela não conseguiu empurrá-lo, e nem precisou.
Gato pulou em sua perna com uma velocidade incrível. Loke a soltou pelo susto e soltou um grunhido. Lucy pulou para trás pela força que ele a empurrou e por causa do felino histérico.
— Mas que gato maluco é esse?! — ele perguntou e exclamou, falando mais alto. Após o susto, o bichano saiu rapidamente até o sofá, soltando o mesmo barulho fino e esganiçado de sua garganta. Talvez Lucy deveria agradecer o animal depois. Loke estava meio sem saber o que dizer, mesmo depois do ataque, ela achou graça e tentou não rir.
— Acho melhor você ir — ela tentou ser calma, mas queria muito cair na gargalhada. — Nos vemos outro dia.
Loke respirou fundo e foi até a maçaneta.
— Desculpe pelo alvoroço que causei. — e fechou a porta com tranquilidade, mas com nervosismo.
Lucy começou com um sorriso, ainda de frente para porta. Tentou reprimir uma risada, mas quando se virou e olhou para o gatinho estressado e caiu na gargalhada. Uma gargalhada feia e alta. A mesma quando alguém dava quando um amigo escorregava em alguma casca de banana ou com um programa de total comédia.
Ela foi até o sofá e se sentou ao lado de Gato que estava imóvel e meio agitado por causa do ataque repentino. Ele olhou para Lucy rindo como uma maluca. Nem ela mesma conhecia aquela sua risada, pois nunca fora capaz de rir daquele jeito. Seu pai a pagava aulas de etiqueta, mas ela sempre fazia algo fora das normas, como comer com as mãos para perturbar a professora chata e sem graça quando criança, também andava descalça pelo jardim apenas para sujar o chão.
Lucy pegou na testa suada e parou de rir aos poucos, querendo pegar ar para falar. Respirou e inspirou algumas vezes, até abrir a boca para conversar.
— Sinceramente — ela tossiu de tanto rir. —, eu acho que você deve me amar pra fazer uma coisa daquelas com o coitadinho.
O gato se deitou, sem se importar.
— Talvez você seja carrancudo por alguma coisa que seus donos têm — ela ficou mais séria. — Espero que até ir embora, nós fiquemos amigos.
Ela começava a gostar dele aos poucos. Mesmo sendo um chato, ela o adorava e ria das coisas que ele fazia, principalmente com Loke. Ela riu um pouco mais, lembrando-se do acontecido há poucos minutos.
— Preciso de um banho, estou suada de tanto rir. — ela se levantou. — Vou dormir daqui algumas horas.
[...]
Do lado de seu quarto, Levy quebrava a cabeça para conseguir resolver uma questão de matemática que envolvia geometria espacial. Ela não entendia muito bem, ainda não havia dito nenhuma aula sobre o assunto, mas teria que aprender logo antes que as aulas começassem.
Não falava com Lucy há uns dois dias depois do passeio até a praça. Precisava estudar e até a chamou, mas sabia que ela não aceitaria. Ser uma nerd não era muito legal, chegava a ser muito solitário.
Quando conseguiu terminar a questão depois de mais de uma hora, percebeu que ainda nem havia jantado. Fechou o caderno e o deixou na mesinha da sala que estudava. Foi até a geladeira e pegou um iogurte de morango com ameixa, seu preferido. Ainda tomando-o, ouviu o celular tocar de dentro de seu quarto.
— Deve ser Lucy — ela correu até o quarto e o pegou encima da cama, olhando quem ligava. Ela bufou. —, ou não.
Ela pensou um pouco se atendia. Esqueceu-se de excluí-lo da lista de contatos do telefone, mas nunca tinha coragem quando se lembrava, para começar.
Atendeu, finalmente.
— Acho melhor ser rápido e direto — ela falou primeiro que ele, estressada. — Sabe que não quero falar com você tão cedo.
— Calma, baixinha, é uma coisa séria, juro. — realmente ele não parecia brincalhão do outro lado da linha, ela desfranziu o cenho, curiosa.
— Então?
— É sobre o Natsu — ele suspirou, fazendo um ruído. — Eu sei que ele não tem nada a ver com você, mas aquela sua amiga... Lucy, né? — ela afirmou e ele continuou: — Então, ele se sentiu atraído por essa sua amiga, daí pensei que ele possa ter saído com ela. Já faz dois dias que ele não aparece em casa, muitos já ligaram pra lá e para seu celular, mas ele não atende.
Levy queria mandá-lo ir para o inferno, mas não o fez. Se Gajeel realmente achava que Lucy seria burra a ponto de sair com ele, pelo amor de Deus. Ela massageou as têmporas, pensando em uma resposta clara e suave.
— A Lucy não sairia com o idiota do seu amiguinho — ela tentou manter a voz. — Ela mora do meu lado, eu acho que saberia se ela passaria dois dias fora com ele. — deu ênfase e aumentou o tom na palavra.
— Eu sei, mas o pessoal todo tá preocupado, baixinha. Não queria ser chato, desculpe.
Levy se achou uma idiota por sentir vontade de chorar quando ele fazia uma voz triste ou dramática para ela, como se quisesse que ela o perdoasse pela milésima e uma vez. Não, com certeza ela não faria aquilo de novo.
Gajeel não saía de seu pé há dois anos e, quando finalmente tirou sua virgindade no começo do ano passado, quando ela estava extremamente apaixonada, ele ainda a perseguia. Provavelmente ele queria tirar sarro da cara dela por ter sido idiota, não havia outra explicação aparente para ser dita pelo rockeiro.
Ela era pobre, ele era rico e despreocupado com os estudos. Não tinha motivo para ele querer ficar com ela. Levy se achava feia e sem graça, ele era forte, alto e muito atraente para muitas garotas na escola.
— Ok, agora eu vou desligar, não sei de nada mesmo sobre ele. — ela respondeu com uma voz baixa e triste.
— Levy — ele começou, suspirando. — Não gosto quando a gente briga, é sério.
— Nós não estamos “brigados”, eu nunca mais gostei de você desde... aquilo. — ela corou um pouco, não se acostumava com isso.
— Mesmo assim, será que não podemos nos encontrar como antes?
— Pra quê? — ela se estressou e aumentou a voz. — Pra tirar sarro da minha cara? Uma nerd-ex-virgem que foi enganada por um idiota e que ainda é apaixonada por ele do mesmo jeito — ela abriu a boca, assustada. Gajeel também fez o mesmo do outro lado.
Deus, por causa da raiva, ela havia dito a verdade sem perceber.
— Quer dizer — ela gaguejou e suas pernas amoleceram. — Isso é o que você quer que eu seja, mas não ligo mais pra você, ok? Isso acabou há muito tempo!
Gajeel não acreditava nela, mas Levy não dava chances a ele para explicar, nunca o deu.
— Baixinha, por favor, me deixe ir até aí.
— Não — ela gritou. — Nem pense em pisar nesse apartamento de novo! Chamarei a polícia.
— É isso que você quer? Prefere que eu nunca mais me importe com você? — ele parecia sério, Levy sentiu os olhos se umedecerem.
— É... — ela demorou a responder, a resposta saiu como um soluço.
— Tudo bem — sua voz era assustadora para alguém que não o conhecia bem. — Adeus, baix... Levy.
E desligou.
As lágrimas já saíam mesmo antes dela desligar o celular e jogá-lo na cama com força. Ele quicou e caiu no chão. Levy rapidamente abriu uma gaveta e olhou para uma pulseira que ele a dera antes de ela ter dormido com ele pela primeira vez. Ele era mentiroso, falso e extremamente chato. Ele mentiu para ela com uma cara de pau muito grande. Ela atirou a pulseira na parede com um grito mesclado com o choro, e, quando percebeu, a pulseira havia se quebrado e as pedrinhas brancas se espalharam pelo quarto.
Seus olhos se arregalaram e ela correu até uma parte da pulseira que ainda estava salva. Seu choro aumentou e ela fechou as partes da pulseira na mão, levando-a até seu peito e se encolhendo no chão, de joelhos.
Ela ainda o amava.
[...]
— Ok, vamos dormir! — ela disse a si mesma, dentro do quarto.
Ela havia tomado um longo banho e se preparava para uma bela noite de sono. Seis dias e as aulas começariam. Estava mais ansiosa do que triste. Estudar não era a pior coisa do mundo, e tendo uma amiga inteligentíssima, melhor ainda.
Se sentou na cama com seu conjunto de short e regata branca com rosa para dormir e pensou em Loke. Não queria mais rir, o assunto era realmente sério, ele havia se declarado para ela, mas graças ao Gato, ela foi salva. Foi inevitável não rir, talvez Loke tenha ficado triste pela sua reação. Era apenas um gatinho, ele não deveria ficar chateado com aquilo, ele não o conhecia, provavelmente por isso o atacou.
Ela viu Gato entrando no quarto. Ela sorriu para ele e esfregou os olhos, com sono. Passou algumas horas assistindo romances na televisão, chorava no final de cada um, o amor era lindo, lindo demais.
Lucy se deitou e se enrolou no lençol, talvez usar um short daquele jeito não era uma boa pedida, mas odiava dormir com calças cobrindo as pernas. Quando foi olhar para o felino, ele havia subido em sua cama e deitado ao seu lado, despreocupado.
— Ei, o que está fazendo aqui, seu danado? — ela riu, acariciando sua cabeça.
Ele era muito fofo, seu olhar era tão diferente dos outros gatos que ela achava magnífico.
— Ok, pode dormir comigo — ela se virou para seu lado oposto e fechou os olhos. Não passou muito tempo para que ele visse uma imagem de Natsu a beijando, ela abriu os olhos rapidamente e corou. — Deus.
Ela olhou para o gato e se sentou na cama.
— Ei, Gato, será que você já se apaixonou por alguma gatinha? Você tem uma namorada? — ela sorriu. — Nunca tive um namorado, mas quem sabe nesse ano tudo mude.
Ela o olhou novamente, ele a encarava de volta, como se a entendesse perfeitamente o que ela dizia.
— Uns dias atrás eu conheci um garoto que mexeu comigo — ela corou, abraçando o travesseiro. — Mas minha amiga me disse que ele era um mulherengo que dormia com todas. Eu fiquei um pouco triste, mas mesmo assim não consigo tirar ele da minha cabeça.
Ela enfiou a cabeça no travesseiro e riu abafado.
— Ele tinha os cabelos róseos, acredita? Tipo a sua cor, mas você parece um rosa bem mais claro.
O gato não tirava seus olhos do dela.
— Mas enfim, não pretendo conversar com ele de novo, mesmo ele estando na minha escola, vou me manter afastada — ele entristeceu. — É o melhor a se fazer.
Ela colocou o travesseiro no lugar e se deitou, tentando não pensar nele.
— Obrigada por ter me ajudado com o Loke — sorriu fraco. — Boa noite.
O gato se deitou lentamente e dormiu após alguns minutos. Lucy fez o mesmo. Ambos estavam com sono.
O sol vindo da janela deixava Lucy quase cega. Por sorte, ela havia dormido para o lado contrário da luz. Sua posição estava tão deliciosa que ela não quis se mover. Embora ela sentisse um peso estranho por cima dela, a sensação estava muito boa.
Ela abriu lentamente um olho, depois o outro. Olhou seu quarto, arrumado, do jeito que ela gostava. Sentiu tanta preguiça que nem sequer se moveu. Gato já deveria estar acordado. Quando ela parou para pensar, era a primeira vez que via um gato dormir a mesma hora de uma pessoa. Quando seus dois olhos finalmente se abriram, ela passou sua mão até o lençol que ficaria a altura de seu peito.
Seus pelos se arrepiaram quando era sentiu uma mão, e estava em sua cintura.
Seu coração acelerou a mil por minuto. Não havia saído de casa ou levado alguém para o seu apartamento. Nunca faria isso, pelo menos, não até aquele momento.
Tentou respirar e lentamente retirou a sua mão da outra mão. Era um sonho, só podia ser, não era real. Tentou se mover, mas ouviu uma respiração suave do homem que estava atrás dela, a abraçando com mais força até sua pelvis, ela tremeu e sentiu vontade de chorar por causa da adrenalina. O rapaz estava nu, Deus.
Ela sentiu algo estranho tocar uma parte de seu traseiro, não estava “agitado”, mas estava fora de tecidos, ou seja, tinha acontecido alguma coisa e Lucy não quis saber. Estava de conchinha com ele.
Ela teria que sair dali ou ver quem era o homem que estava com ela. Lucy sentiu sua pele e percebeu que ele era jovem, talvez quase da sua idade. Estava tão nervosa que não conseguia falar nem mover um músculo sequer. Depois de alguns minutos pensando no que fazer, ela se virou lentamente, retirando novamente sua mão boba.
Ela se assustou com seu próprio grito ao perceber quem era o indivíduo que possivelmente era um mero sonho. Se fosse, ela já acharia que era uma maluca.
Era Natsu.
Ela o empurrou para frente e acabou caindo no chão. Natsu acordou rapidamente com um palavrão alto.
— Mas que merda você tá fazendo aqui? — ela gritou, se levantando e andando de costas, tentando não olhar para os seus bens que ficava entre suas pernas.
Natsu arregalou os olhos e olhou para as próprias mãos.
— Caralho! — ele praticamente gritou, rindo logo em seguida. — Eu voltei, até que enfim!
— Como é? Seu tarado, como entrou na minha casa? — ela ouviu seu coração em seu ouvido e correu até a sala. — Vou chamar a polícia.
Natsu deu um pulo da cama, pegou um travesseiro e escondeu a parte da frente, correndo atrás dela. Lucy primeiramente foi até a cozinha e pegou uma frigideira para se defender.
— Espera, Lucy, eu te explico tudo, me dá só alguns minutos. — ela tentou não olhar para seu corpo perfeito e olhou-o nos olhos, apontando sua arma para ele. — O que vai fazer com isso?
— Posso ser forte quando quero! — ela passou os dedos no cabelo, sem saber o que dizer. Estava com vergonha. — Estou muito confusa, como entrou aqui?
— Eu fiquei aqui desde ontem. — ele respondeu, calmamente, mas com o cenho levemente franzido.
— Eu não entendo o que quer di... — ela abriu a boca e olhou os arredores da casa.
O gato não estava lá.
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