A Cat In My Life

18 17 — Uma perda e muitas lágrimas


Notas iniciais
GEEEEEEEEENTE, DESCULPEM A DEMORAAAAA. Eu devo ter perdido quase todas as minhas leitoras ;=; Prefiro nem comentar o tanto de tempo que deixei de postar capítulos novos! AnaCarol, sua linda, OBRIGADA DE NOVO PELA LINDA RECOMENDAÇÃO. ♥ Façam como ela, pessoal, me deem essa ajuda. *-* Conseguimos chegar em 10 recomendações. Quem será o próximo, hein? Se eu receber mais, posto beeem rápido. Bem, um dos principais motivos para não postar foi porque eu estava em minha semana de provas, daí não pude escrever nada. Outro, foi porque esse capítulo vai ter bastante discussão, e sou muito lerda nessas coisas. :x O próximo capítulo vai ser muito bom, eu prometo. Por isso, eu queria recomendações para desenvolvê-lo bem. ♥ Vamos ler? Boa leitura e aproveitem. ♥

17

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“A briga mais humilhante é a que transforma a confidência em ofensa.” (Fabrício Carpinejar).

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O sangue de Lucy havia gelado, acabando com qualquer resquício de prazer em que estava desfrutando com Natsu. Não tinha a menor ideia que receberia aquela ligação em um momento tão oportuno como aquele. Às vezes se perguntava como seu pai conseguia fazer aquelas proezas tão bem.

Conseguiu perceber o rosto de Natsu: preocupado. O coração de Lucy estava tão acelerado que não conseguia ao menos falar. Ainda estava debaixo dele, percebendo que seus dedos marotos se afastaram abruptamente dos seios dela. E era melhor assim, ou não iria pensar direito.

Provavelmente, se ela conseguisse saber com clareza o que ele queria, desse tudo certo. Pelo menos, era o que Lucy queria que fosse. Quando percebeu que Natsu quis pegar o celular dela, seus olhos se arregalaram e ela se aprofundou no sofá.

— Pai — quase gaguejou, vendo-o enrijecer acima dela. —, aconteceu alguma coisa?

Natsu já estava percebendo, pela reação de Lucy, que seu pai não era nada tranquilo.

— Eu que deveria perguntar a você, garota. — seus olhos se umedeceram ao ouvir aquelas últimas palavras.

Sempre que seu pai chamava-a assim, era porque algo realmente não estava bem. O momento não poderia estar pior. Queria chorar, mas não apenas de tristeza, mas com o pensamento futuro do que poderia acontecer com ambos ali.

— Não estou te entendendo, pai. — tentando segurar qualquer lágrima, ela disse.

— Como ainda tem coragem de me chamar assim com as coisas que você anda fazendo enquanto estou longe? — sua voz aumentou de tom, assustando-a.

Sem nem esperar, empurrou Natsu para o outro lado do sofá, sentando-se rapidamente e pondo as mãos na garganta, como se estivesse sendo enforcada. O que seu pai queria dizer com aquilo? Não poderia ser um tipo de vidente para saber que Lucy estava feliz.

— Pai, por favor, seja mais claro. — com um rosto apavorado, fitou Natsu.

— O que está acontecendo, Lucy? — ele sussurrou, porém ela fez um sinal de silêncio.

— Me diga você, Lucy. Agora que perdeu sua virtude com o primeiro homem que conheceu na nova cidade, já deve conhecer bastante coisa.

Lucy arregalou os olhos, olhando para Natsu, que estava estático assim como ela.

— O... o quê? — gaguejou, com as mãos tremendo.

— Você sabe muito bem do que estou falando. Quando pretendia me contar sobre Natsu Dragneel?

Só poderia ser brincadeira.

Ela arregalou os olhos e fitou Natsu novamente. Como ele estava sabendo dele? Quem havia contado a ele? Não conhecia ninguém que tinha contato com seu pai, e Loke, obviamente, não poderia saber de nada. Naquele tempo, Natsu era um gato.

Sua bile batia na garganta, e ela lutava para não desmaiar. Estar em momentos de tensão sempre foi terrível para Lucy. Sua visão entorpecia e as pernas ficavam muito bambas. Se seu pai sabia sobre seu namoro, com toda certeza teria alguém a vigiando.

— Quem disse isso? — ela engoliu em seco, vendo que Natsu estava a ponto de pegar o celular de sua mão.

— Não preciso falar disso a você. Mas estou indo de jato imediatamente ao seu apartamento, e espero que fique aí até eu chegar. Seu muito bem que esse garoto imbecil está com você. — e desligou, não dando tempo de Lucy falar absolutamente nada.

Era um pesadelo, tudo aquilo era um forte pesadelo. Pelo menos era o que Lucy queria.

Em toda sua vida, tirando o dia em que fugiu de casa, tentou ser a filha exemplar. Tirava boas notas, não saía sozinha, e nunca tinha se envolvido com nenhum garoto da escola em que estudava — E em nenhuma hipótese, aceitaria casar-se com Loke.

Alguns garotos já tentaram chamar a sua atenção, porém o medo de seu pai descobrir era maior do que qualquer outra coisa. Concentrava-se mais na escola do que relacionamentos. Tinha toda a certeza de que Jude a mataria se descobrisse sobre os beijos castos que trocara com seu primo há anos atrás.

Se alguém estava espionando sua vida, provavelmente saberia do dia — da noite, mais especificadamente — que dormiu na casa de Natsu. Talvez pensasse que ela teria transado com ele e contado ao seu pai imediatamente.

Estava com muitas expectativas de que finalmente faria amor com Natsu, entretanto tudo fora por água abaixo. Quando se lembrou de que seu pai estava indo até lá, arrepiou-se por inteira, pondo as mãos sobre os olhos.

— Porra, Lucy. Que merda seu pai disse? — ele não mediu as palavras antes de perguntar. Estava assustado, também.

Lucy sentiu seus olhos se encherem de água novamente ao encarar Natsu. Ele arregalou os olhos e a abraçou com uma força sobrenatural, tão forte que poderia machucá-la, porém ela não se importava.

— Ele sabe... — soluçou no ombro dele. — da gente...

Natsu segurou os ombros de Lucy e a empurrou até conseguir olhá-la nos olhos. Ela os fechou e deixou as lágrimas rolarem. Ele não sabia o porquê de tanto medo por parte dela. Se ela estava daquela forma, provavelmente não era uma boa notícia. Ele também não tinha a mínima ideia de como ele havia descoberto, mas isso era de menos no momento.

— E ele disse mais o quê, Lucy? Me diga!

— Ele não poderia ter descoberto, Natsu. Ele está vindo aqui pra conversar com nós dois — ela tentou inutilmente enxugar algumas lágrimas. — Mas se quiser ir, pode ir, ele não é uma pessoa calma. É até melhor que você vá...

Natsu tirou as mãos dela do rosto para ele mesmo enxugá-las. Nunca iria deixá-la sozinha com seu pai — que provavelmente seria uma fera —. Iria tentar conversar com ele sobre aquilo, e logo depois descobrir quem havia contado a ele.

— Você está louca? Parece até que não me conhece, Lucy. — ele fez um som com os lábios em desaprovação. — Vou conversar com ele, tudo bem? Eu sei que ele vai entender nosso namoro.

Ela arregalou os olhos, segurando seu rosto com as mãos, desesperada.

— Não. Não faça isso. Meu pai não vai aceitar uma conversa. Ele nunca queria que eu namorasse enquanto ele não soubesse... Estou morta, Natsu. Ele pensa que nós transamos.

Ele reagiu como se tivesse levado um tapa.

— Como? Mas nós não...

— Eu sei. Acho que essa pessoa mora nesse apartamento. Quando você me levou para sua casa e eu só voltei de manhã, lembra? — ele concordou com a cabeça, olhando para o chão. — Obviamente ele nunca vai acreditar em mim. Ele nunca acredita...

O pai de Lucy parecia mais do que ciumento e rígido. Era como se ela fosse sua boneca e ele a comandava. Não conhecia um pai assim, era bem difícil, ainda mais porque Lucy não era rica — ou era o que ele pensava.

— Ele vai acreditar em mim — ele disse, com certeza na voz. — E como ele está vindo?

Ela congelou. Jude chegaria muito rápido até seu apartamento. Tinha um jato particular e não demoraria nem uma hora para bater em sua porta. As coisas estavam fora de controle para Lucy.

— Lucy? — Natsu a chamou, estranhando a preocupação em seu rosto. — O que foi?

Com o coração descompassado, ela o encarou.

— Têm algumas coisas que preciso te falar... Mas não agora...

Essa era um frase que, pela primeira vez em toda sua vida, o deu medo. Para não aprofundar o assunto, ele apenas concordou com a cabeça, esperando a hora em que seu pai chegaria.

(...)

A campainha soou às 19h da noite. Para Lucy, até que ele havia demorado um pouco, mas seu medo não havia cessado por nem um mísero segundo. Natsu ficou ao seu lado, falando palavras confortantes em seu ouvido, e conseguindo alguns sorrisos amarelos de seu rosto.

Não tinha a mínima ideia de como iria convencer o pai de Lucy. Seu passado era um pouco sujo, então se o digo cujo que o contou sobre o relacionamento de ambos o conhecesse, estaria fodido.

Natsu tentou se levantar ao ouvir a campainha, porém Lucy segurou seu braço.

— Eu abro, Natsu. É melhor que fique aqui dentro. — sussurrou.

Ela se levantou e foi até a porta. Ele não poderia imaginar que aquele dia terminaria tão mal. Havia mostrado o túmulo de sua mão e abriu seu coração. De maneira alguma ele se separaria de Lucy. Poderia fazer qualquer coisa por ela.

Mais a frente, Lucy respirou fundo e abriu a porta, vendo o terno caríssimo que seu pai usava. Ele estava sozinho no momento, provavelmente seu motorista estaria na entrada do apartamento.

Lucy tentou parecer normal, e quando achou que estava pronta, subiu o rosto e o encarou. Como sempre, sua feição estava séria, como se soubesse exatamente por quê estava lá.

— Não vai me convidar para entrar? — sua voz grossa interrompeu seus pensamentos.

Ela balançou a cabeça e deu espaço para Jude entrar. Natsu já estava de pé, na frente do sofá em que antes trocavam milhares de carícias. O rosto de ambos estavam sérios, prontos para uma longa conversa.

Natsu franziu o cenho, olhando as roupas de Jude. Ele olhou brevemente para Lucy, que apenas encarou o chão, constrangida. Logo ele percebeu o que ela quis dizer um pouco antes. Ela também era rica, assim como ele, mas se perguntou o porquê de Lucy não ter dito nada a ele.

— Então você é Natsu Dragneel. — ele disse, olhando para todo o rapaz.

— Sim, senhor. — respondeu Natsu, tentando parecer calmo.

Lucy parou ao lado de Natsu, olhando para o pai e se perguntando como começaria aquilo tudo.

— Não quero estender essa conversa. Apenas quero saber de você, Lucy — ele olhou para a filha, que já estava pálida. — Por que fez isso?

Era bem comum do pai já levar a conversa ao ponto certo. Nunca fora de brigar com a voz elevada demais. Preferia ser elegante, como sempre.

— Pai... Eu não sei quem contou essas coisas ao senhor, mas eu e o Natsu estamos felizes e nunca... dormimos juntos.

— Isso é verdade, senhor. O dia em que ela foi até minha casa foi apenas um jantar e...

— Não quero saber disso! — ele quase gritou, assustando a ambos. — Você, garoto, nunca mais ouse em chegar perto da minha filha. Lucy, pode arrumar suas coisas. Vamos embora.

Lucy fez um rosto de puro pavor. Natsu não terminaria aquela conversa tão rápido assim como ele queria.

— Eu estou estudando, pai! Eu acabei de entrar nessa escola. — ela pôs a mão no peito.

— Não quero saber disso, Lucy. Eu sou seu pai e vou te obrigar a casar com Loke. O que eu devia ter feito há muito tempo — seu rosto era assustador. — Teremos sorte se ele ainda quiser se casar com você após essas coisas que fez.

Para Natsu, lembrar-se de Loke era um pecado. Imaginar Lucy casada com ele o causou arrepios.

— A Lucy não vai embora. — disse Natsu, com a voz calma e baixa.

— Como é que é, garoto?

— Eu amo a Lucy! Ela não vai embora. Estamos felizes juntos, o que mais você quer?

Lucy estava branca como uma folha de papel. Suas mãos tremiam e era a primeira vez que ficava com tanto medo. Nem sequer conseguia falar.

— Você não é homem para ela! Pensa que eu não te conheço? Sei tudo sobre você. Zeref me fez um grande favor.

Com os lábios secos, Lucy arregalou os olhos e não conseguiu acreditar no que havia acabado de escutar. Zeref. Por isso que seu rosto era tão familiar. Ele trabalhava para sua família quando era tinha nove anos, logo depois nunca mais apareceu em sua casa. Teve vontade de se matar por ter sido tão burra e esquecida.

Natsu segurou a mão de Lucy e a apertou com força.

— Eu sei que meu passado é bem diferente do que sou hoje. Não importo se você não acreditar em mim, mas a Lucy me mudou. Eu sei que fiz a escolha certa. Quando a conheci, eu era apenas um idiota que ia para várias festas e gastava dinheiro com coisas fúteis. Passamos por muitas coisas juntos e eu me apaixonei por ela. Sim, eu me apaixonei. Quero me casar com ela, ter filhos com ela, morrer ao lado dela. Sabe o porquê? Porque eu a amo! Algo que você nunca sentiu pela sua própria filha! — gritou, com um olhar de pura fúria.

Jude arregalou os olhos, sem crer na coragem dele.

— Como você tem coragem?

— Você não tem ideia de como a Lucy se sente, tem? Ela te ama, ela sempre te amou! E tudo o que você deu a ela foi ordens e mais ordens. Nunca sequer deve ter dito que a amava. E a Lucy ficou insegura de si mesma. Eu pude mostrar a ela o que era amar, assim como eu também não sabia e aprendi ao seu lado. Perdi minha mãe, como ela. Somos iguais em muitas coisas e eu sei que ela me pertence agora.

Jude estava sem palavras no momento. Não queria acreditar em Natsu. Tudo aquilo sobre o que ele sentia, era verdade. Lucy estava chorando ao seu lado, quieta e com medo. Ele achava que com Lucy o obedecendo sempre que ele quisesse, ela poderia ser perfeita.

Natsu não parou de falar vendo a reação de pavor dele.

— Ela fará 18 anos em breve, sabia? E eu farei 19. Não vejo a hora de terminar a escola, entrar em uma faculdade e me casar com ela. Você não tem o direito de tirar a felicidade dela — suspirou, tentando manter, inutilmente, a calma. — E nós não transamos. Pode não querer saber disso porque não quer acreditar, mas nós não fizemos. E mesmo que fizéssemos, eu continuaria com ele, porque eu não suportaria vê-la ir embora.

Após isso, o silêncio insuportável abateu aos três. Lucy chorava sem fazer barulho e passava mal, porém não ousou falar alguma coisa. Jude respirou fundo, com os olhos em pura fúria.

— Lucy — ele começou, deixando de olhar para Natsu. —, ouça bem o que vou dizer a você agora.

Ela não se moveu, mas ainda segurava forte a mão de Natsu, que sentia até o suor se formando em seus dedos.

— Em hipótese alguma — sua voz era calma. — me espere no altar da igreja no dia do seu casamento. Não venha me pedir para abençoá-los, porque eu não irei. Se você ficar, finja que não existo, porque eu farei o mesmo.

Natsu arregalou os olhos, incrédulo.

— Mas como...?

— Cale a boca agora, garoto. Estou falando com ela.

Por um milagre, ele se calou.

— Se preferir ficar com ele ao invés de seu próprio pai, não esqueça essas palavras. Porque quando eu sair por aquela porta, considere que não terá mais um pai. Já que está tão feliz, continue aqui, mas não peça mais nada para mim.

Lucy estava tonta, mas ouviu tudo delicadamente. Seu coração já estava em migalhas com aquelas palavras tão frias e secas de seu pai. Nunca imaginou que algum dia ele diria aquilo a ela. Sabia que ele não a amava como deveria, mas aquilo já era demais.

Ela estava tanto com raiva, quando triste, abalada. E sabia bem aonde ir.

Ela apertou mais forte a mão de Natsu, dizendo não verbalmente ao seu pai que ficaria com ele, não importasse as consequências. Poderia ter omitido o fato de que era rica, mas isso era o de menos naquela hora.

— Adeus, Lucy. — e ele se virou, sem nenhuma mágoa em seu tom. — Ainda vou vê-la implorando por mim.

O coração de Lucy falhou naquele momento. Estava emocionalmente desgastada. E foi nesse momento que tudo ficou escuro.

Ela havia desmaiado.

(...)

Em todos os momentos, Lucy imaginou ser amada. Por um mísero segundo de todo o tempo que passou em sua antiga casa, tinha essa imaginação. Talvez ele só não soubesse expressar o que sentia, apenas isso. Quando criança, ela fazia desenhos deles dois e seu cachorrinho, mas o máximo que ele dizia era: “Estou ocupado agora”.

Ela só teria a agradecer por ter encontrado Natsu. Em sua cabeça, os piores pesadelos passavam e ela queria morrer. Havia perdido a mãe, e anos depois, o pai. No momento estaria sozinha? Não teria mais nenhum parente?

Sentiu que estava de manhã ao abrir os olhos e perceber as venezianas de seu apartamento. E quando lembrou-se do que havia acontecido, ficou petrificada na cama. Não imaginava que aquilo poderia ter sido real. Onde estaria Natsu? Precisava dele urgentemente.

Sentou-se na cama e olhou o relógio. Eram 7h da manhã. Levantou-se ainda meio tonta e foi até a porta, abrindo-a com cuidado. Olhou os arredores e encontrou Natsu dormindo no sofá.

Assustada, ela apressou os passos até ele. Parou de frente para Natsu e reparou em seu rosto adormecido. Parecia uma criança, com o rosto sereno e ameno. Nem sequer parecia que havia discutido com seu pai para ficar com ela.

Lucy estava tocada pelas coisas que ele havia dito sobre ela. Nunca pensou que os pensamentos de Natsu seriam relacionados a casamento e a filhos. Naquele momento não estava apenas chorando de tristeza, mas de emoção por ter encontrado um namorado tão perfeito.

Ela sentou-se de joelhos no chão e acariciou seus cabelos róseos carinhosamente. Não imaginava que ele dormiria em seu apartamento. Perguntou-se se eles conversaram mais um pouco antes de ele deixá-la lá.

Também teria que trabalhar para pagar aquele apartamento e sua escola. Não teria mais auxílio do pai para nada, e aquilo a deixava muito triste. De qualquer maneira, não queria mais pensar nele. Iria continuar mandando cartas para o pessoal da mansão, avisando que não voltaria mais.

Quando ouviu Natsu dar um gemido, parou de afagar seus cabelos. Seus olhos negros se abriram lentamente até conseguirem ver o rosto de Lucy.

— Oh, Lucy. Já acordou? — ele disse, com o rosto um pouco preocupado.

— Sim. Estou bem. — sorriu.

— E seu corpo? Você desmaiou ontem, se lembra? Estou muito preocupado. Venha cá.

Ele deu espaço no sofá para que ela se sentasse. Segurou sua mão e deu um beijo casto em seus lábios.

— Estou ótima, Natsu... — seu sorriso foi sumindo. — O que aconteceu depois que apaguei?

Ele ficou sério de repente, olhando para o chão.

— Tentei falar com ele — suspirou. —, mas ele simplesmente foi embora.

Lucy deu um sorriso amarelo, abraçando-o de surpresa. Natsu retribuiu o abraço e beijou seu pescoço com amor.

— Eu deveria ter te contado a verdade sobre minha família... —murmurou.

Ele sorriu, tirando uma mecha de cabelo de seu rosto.

— Não se preocupe. Eu entendi agora. Nem eu teria coragem de contar sobre ele e as coisas terríveis que vez a você no passado.

— Obrigada pelas lindas palavras de ontem. Eu te amo. — sussurrou.

— Eu sei. Eu sou demais — tentou animar um pouco o ar dali, mas parou de sorrir rapidamente. — Eu te amo, Lucy.

Quando se separaram, ela olhou para ele.

— Vou começar a trabalhar. — sorriu.

— O quê? Mas e a escola? — perguntou, assustado.

— Bem, terei que pagar a escola e o apartamento agora. Tenho que ter, pelo menos, dois trabalhos.

Natsu engoliu em seco, pronto para fazer uma proposta que estava grudada na sua garganta desde a noite passada.

— Lucy, eu quero que você more na minha casa.

Seus olhos se arregalaram e rapidamente, ela desabou em um choro profundo. Sentindo a dor de perder um pai ainda vivo e pronta para começar uma nova vida.