A Casa da Colina
2 O coaxar do sapo
Notas iniciais
O coaxar do sapo
Tóquio, Japão – 10 anos antes.
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– Naruto! Pra onde ela foi? – perguntou um jovem menino de cabelos negros e muito bagunçados.
O outro, loiro de olhos azuis claríssimos fitava assustado o pátio da escola com manchas de sangue por todo lado.
– Eu.. eu não sei Sasuke, ela foi por ali. – disse ele apontando em direção aos banheiros.
Sasuke não pensou duas vezes e correu até o banheiro feminino, entrou e ouviu o choro já conhecido. Postou-se em frente à porta fechada e pediu.
– Sakura, abre a porta.
– Na...não.
– Sakura abre! Somos amigos, por favor.
Ouviu o barulho do choro sendo contido e dela se levantando, a porta se abriu e ele tentou não demostrar susto quando a viu.
– Sasuke, eu não sei o que está acontecendo comigo! – despejou ela entrando em uma torrente de lágrimas e desespero.
O amigo a puxou para um abraço mesmo sabendo que sua roupa ficaria suja com o sangue da blusa dela.
– Calma. – ele não sabia o que falar para a amiga de infância, também estava assustado.
Ouviram um burburinho na porta do banheiro e Mebuki Haruno entrou correndo junto da diretora da escola.
– Filha! – falou ela se aproximando da menina – meu deus!
A jovem mulher levou às mãos a boca e tentou se concentrar.
– Mãe, mãe eu não sei o que...
– Calma filha, vamos pra casa. Sasuke querido pode pegar a mochila dela e levar lá em casa mais tarde?
– Claro tia.
– Obrigada, vamos filha.
~~
Chegando em casa Sakura foi direto para o banho enquanto Mebuki pegou o telefone e fez uma ligação assustada.
– Sim Kizashi, cheia de sangue!
– Fique calma não foi nada...
– Não foi nada? A professora disse que o coleguinha dela pegou uma tesoura e começou a se cortar!
– Então porque a culpa é dela?
– Kizaschi não se faça de desentendido! O menino começou a gritar e pedir pra Sakura fazê-lo parar, ai grudou nela, por deus ele está internado com os braços todos cortados.
– Mulher se acalme, tenho certeza que Sakura terá uma explicação para isso.
Silencio se fez por um instante.
– Mebuki?
– Tenho que desligar.
Ela arregalou os olhos e andou a passos lentos até a cozinha de onde pensou ter ouvido aquele maldito barulho.
– Não não não! – choramingou deixando o telefone cair no chão.
– Mãe? Está tudo bem? – perguntou a menina se aproximando com os cabelos molhados e um vestido limpo.
– Tudo minha filha.
– Mãe! Tem um sapo aqui na cozinha!
Mebuki colocou a mão no peito e respirou fundo.
– Tem sim filha, vá lá pra cima, mamãe tem que fazer outra ligação.
– Certo. – respondeu ela cabisbaixa.
A mulher discou o numero que jurara nunca precisar usar, após o segundo toque foi atendida.
– Tsunade.
A mulher no outro lado da linha sorriu.
– Mebuki, estava esperando sua ligação.
– Eu... eu não sei o que fazer.
– Aconteceu não foi? O coaxar do sapo. Quantos anos Sakura têm?
– Treze.
– Você sabe o que fazer Mebuki, estarei aqui esperando.
~~
A tarde passara sem maiores acontecimentos e ao cair da noite a campainha tocou. Mebuki ainda assustada deu um sobressalto no sofá e levantou para atender.
– Meu querido, pode entrar.
– Onde ela está tia?
– No quarto. Vá lá.
O jovem menino assentiu com a cabeça e subiu as escadas indo em direção a ultima porta do corredor que possuía um “S” rosa no meio.
– Entra – ele ouviu a voz da amiga responder a batida discreta que deu.
– Trouxe sua mochila – disse ele fechando a porta atrás de si.
– Obrigada.
Ele observou a amiga sentada na cama assistindo um programa qualquer na TV, ela bateu no colchão indicando o local para ele sentar.
– Você está bem? – perguntou a observando, os olhos verdes estava vermelhos de tanto chorar.
– Mais ou menos. Sabe se ele está bem?
– Chouji está ótimo. Quer falar sobre isso?
Ela olhou para as unhas roídas de nervosismo e suspirou.
–Não sei se acreditaria em mim.
– Sakura, você é minha melhor amiga como não vou acreditar?
– Porque parece loucura.
– Me fale o que aconteceu.
Ela foi interrompida por uma batida na porta, sua mãe, Mebuki entrou e sorriu para os dois.
– Venham jantar, seu pai chegou... e Sakura, lembre-se do que combinamos.
A garota revirou os olhos e sorriu.
– Já vamos descer mãe.
A mulher saiu e Sasuke pigarreou.
– O que combinaram?
– Combinamos que não posso mais deixar a porta fechado quando você ou o Naruto estiverem aqui dentro. Coisa do meu pai.
O garoto gargalhou.
– Por quê? Até parece que eu olharia pra essas suas calcinhas enormes.
Ela piscou indignada.
– Como sabe que as minhas calcinhas são grandes?
– Já vi tantas vezes que não posso contar. Enfim, vamos descer? Estou com vontade da comida da sua mãe.
– Vamos! – disse ela pulando da cama.
~~
O Jantar ocorreu de forma agradável e calma, os quatro comiam e enquanto os pais de Sakura conversavam sobre trabalho e coisas assim, ela e Sasuke reclamavam em bom tom que precisavam sair, ir a bares ou festas mas seus pais insuportáveis não deixavam.
– Só pra dizer que estou ouvindo tudo que os dois bonitinhos estão falando, e não, não vão ir a bar algum, tem tempo pra isso.
– Mãe você exagera! A mãe do Sasuke o deixa ir.
– Deixa mesmo tia. – disse ele sorvendo mais um pouco da sopa.
– Mentira, a Mikoto só deixa você sair com seu irmão mais velho e Sakura, você não é casada com o Sasuke para ir aos mesmos lugares que ele.
– Amém. – disse ela.
Os dois começaram a rir e assim terminaram de comer, depois foram assistir TV e quando Mebuki terminou toda a louça Sasuke soube que era hora de ir pra casa.
Sakura o levou até a porta e deu um abraço forte no amigo. Eram raros os contatos físicos por que embora se conhecessem desde que nasceram ela achava estranho o toque da pele dele.
– Obrigada por trazer a mochila.
– Você nunca foi tão amável assim, cadê a Sakura?
Ela sorriu.
– Cala boca idiota. Até amanha.
– Até!
A garota fechou a porta e rumou para o quarto, não queria discussões ou perguntas sobre o que acontecera mais cedo, conseguira fugir do assunto com Sasuke e faria o mesmo com os pais. Em seu quarto suspirou aliviada, a noite era sempre seu período preferido, foi para a varanda do quarto e aspirou o ar gelado. Gostava da noite, gostava do ar sombrio que as ruas vazias emanavam e não via a hora de se tornar adulta o bastante para descobrir quais os outros segredos à noite lhe mostraria. Mas no momento voltou para a cama e dormiu um sono sem sonhos.
~~
O dia amanheceu cinzento como um mau presságio, Mebuki acordou mais cedo para preparar o café para o marido e filha, achava que isso fazia parte do ritual “ser uma boa esposa” embora isso ocupasse grande parte do seu tempo, quiçá de sua vida.
Foi até a sala e abriu as janelas para deixar o ar entrar, foi quando viu uma mancha vermelha no chão da sua área limpíssima. Saiu para ver o que era e teve que levar as mãos à boca para conter o grito, seus olhos logo ficaram cobertos por lagrimas e ela decidiu o que teria que ser feio.
Ali, cobrindo toda a frente da casa estava escrito em tinta vermelha “FORA ABERRAÇÃO”, não, sua filha não passaria por aquilo.
Entrou a passos pesados e viu a filha descendo as escadas já com o uniforme escolar.
– Sakura volte para o quarto e arrume sua mala. Vamos viajar.
– Que? Como assim viajar?
– Anda, faça o que eu mandei.
– Viajar pra onde?
– Sakura não me faça perder a paciência! Vá logo!
A menina de cabelos róseos encarrou a mãe assustada.
– Mebuki? – ela ouviu o pai falar atrás de si.
– Kizaschi, você também. Vou ligar para o aeroporto e pedir três passagens.
– Pra onde mulher?
– Para a Irlanda. – sentenciou ela.
O homem entendeu o recado, olhou para filha confusa e sentiu raiva por não poder fazer algo diferente para ajudar a menina, mas desde o dia que casara com Mebuki sabia que aquilo iria acontecer, por anos esperaram calados e ansiosos achando que talvez aquele maldito dom tivesse pulado mais uma geração, mas não, sua menina não fora poupada.
~~
Depois de 16 horas os Haruno desembarcaram no Aeroporto de Shannon com uma filha mal humorada e deveras irritada.
– Sakura melhore essa cara.
– Você me fez sumir de Tóquio sem nem ao menos dar tchau aos meus melhores amigos! – bufou a garota pela centésima vez.
Mebuki revirou os olhos e girou os calcanhares para encarar a filha que estava com os dois punhos fechados.
– Já lhe disse mil vezes que foi necessário, ou você acha que ficaria tudo bem depois do que aconteceu com Chouji?
A menina arregalou os olhos, embora viessem discutindo durante toda a viagem a mãe não havia tocado naquele assunto ainda.
– Então é por isso?
– É, é por isso. Agora vamos.
Chamaram um taxi e ela agradeceu mentalmente por seu pai conseguir falar um pouco de inglês, já que irlandês seria impossível.
Seguiram pelo aconchegante Condado onde as ruas eram estreitas e as casas no estilo georgiano. Enquanto Sakura observava atenta a cidade e sentia o cheiro do mar o carro subiu até o ponto mais alto, onde a estrada era de cascalhos e as árvores eram densas.
– Desculpe senhor, só posso ir até aqui.
Kizashi agradeceu e pagou ao taxista, depois de terem retirados suas malas Sakura percebeu que o homem os havia deixado em frente a um grande portão de ferro negro, acima dele lia-se “Mansão Niksa”.
– Niksa? Que merda de nome é esse?
– Sakura! Olhe os modos mocinha! – ralhou Kizashi abrindo o portão que rangeu irritantemente.
– Não sei o que significa filha, vamos indo. – falou a mulher com a voz cansada.
O caminho era longo e tortuoso, a estrada de paralelepípedos era cercada por uma alameda de grandes árvores nativas que impediam que qualquer pessoa visse a casa. “E que casa!” Sakura pensou avistando a enorme construção antiga no alto da colina, era envolta por um belo gramado aparado e com inúmeras flores, ao lado desta havia uma grande árvore onde fazia sombra para uma mesa redonda e cadeiras brancas. O mar estalava no rochedo e por um momento ela pensou estar em um conto de fadas, ou melhor, de terror.
A porta da casa se abriu e de lá uma loira com peitos estupidamente grandes saiu sorrindo com os braços abertos, ao seu lado uma menina de longos cabelos azuis e olhos perolados sorriu para ela.
“Ela também tem o cabelo estranho, igual ao meu” pensou ela tocando os cabelos róseos.
– Sabia que viriam! Como foram de viajem? — disse a loira abraçando Mebuki e Kizaschi.
– Foi tudo bem, Sakura, essa é minha tia, Tsunade Senju.
– Olá linda flor, que cabelos bonitos você tem.
– Obrigada.
– Essa é a Hinata! Ela tem a sua idade.
– Oi! – cumprimentou alegre a menina fitando a rosada.
– Oi.
– Bom vamos entrando porque vocês precisam descansar! – falou a loira alegremente.
A noite passou em clima agradável e quando o sono chegou Sakura foi dormir no quarto da estranha garota de cabelos azuis e vestido branco.
Deitadas cada uma em sua cama de madeira com cobertas roxas Sakura ouviu Hinata suspirar.
– Fico feliz que você tenha vindo Sakura, me sinto sozinha aqui.
– Não sei por quanto tempo vou ficar. E vocês são japonesas, porque estão aqui?
– Pelo mesmo motivo que você.
Ela riu fraco.
– Não sei por que estou aqui Hinata.
A outra levantou o tronco da cama e ficou apoiada pelo cotovelo enquanto fitava a nova moradora. A luz do luar iluminava o quarto e Sakura viu que Hinata estava com os olhos esbugalhados.
– O que foi? – perguntou se irritando com o jeito da morena.
– Você não sabe por que está aqui?
– Não.
Hinata voltou a deitar na cama e fitar o teto.
– Porque você é uma bruxa Sakura. Uma Wicca.
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