A Casa da Colina
3 O Ritual
Notas iniciais
O Ritual
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Condado de Clare, Irlanda – Dias atuais.
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Sakura acordou com a cabeça latejando, a chuva da noite anterior havia cessado e o vento gelado do inverno entrava pelas frestas da janela. Levantou e depois de fazer sua higiene matinal desceu para a cozinha de onde o delicioso cheiro de panquecas saia.
– Bom dia Saky! – disse uma Hinata animada. Ela usava uma calça jeans escura, uma regata azul marinho e um casaquinho branco de linho por cima. Típico traje que usava para dar aulas de História da escola secundária de Clare.
– Bom dia. – respondeu a outra se jogando na cadeira e esparramando os cotovelos na mesa.
– Nossa, que cara é essa? Dormiu mal?
– Dormi.
– Tome aqui, preparei pra você – disse ela entregando a Sakura uma tigela com frutas picadas e um copo de água.
– Você lembrou. – falou agradecida.
– Lembrei sim – respondeu Hinata pegando suas panquecas com mel e sentando em frente à amiga – hoje é o dia do seu ritual, finalmente. Tem que fazer jejum o resto do dia, se sentir muita fome coma só frutas e beba água.
– Obrigada pela atenção. – disse cabisbaixa pegando um morango com o garfo.
– Sonhou com ele não foi?
Sakura levantou os olhos e fitou a amiga que a olhava seriamente.
– Como você sabe?
– Você sempre acorda assim quando sonha com ele, com essa cara meio bosta.
Sakura conseguiu abrir um sorriso.
– Não é um sonho, é mais que isso.
– É o seu dom. Quem foi dessa vez?
– Lana Owen, é da sua escola?
– Deve ser, mas não lembro pelo nome. Acha que deveríamos procurar a policia?
Dessa vez Sakura gargalhou.
– E falar o que? Que eu vi todas às dezessete crianças serem sequestradas? Que eu sei que no mês que vem vai haver mais uma? Eles nos odeiam Hinata, seria só uma desculpa para fazer o que sempre quiseram: queimar-nos na fogueira.
– Estamos no século vinte e um Sakura, não queimam mais as pessoas em fogueiras.
– Você sabe o que quero dizer...
A morena suspirou e colocou o cabelo para trás da orelha.
– Você tem razão, logo logo vão pegar esse cara, os boatos na escola é que vão chamar um especialista nesse tipo de caso.
– Duvido muito. E você? Porque acordou tão animada hoje?
A morena balançou os cabelos e começou o ultimo pedaço da panqueca.
– Neji volta hoje.
Sakura revirou os olhos.
– Como essa sociedade vai nos aceitar quando você tem um caso com o seu primo?
– Ai Sakura ele é meu primo em terceiro grau! E é só uns beijinhos, coisa que você deveria fazer também.
– Ah eu passo a vez, obrigada. – disse ela sorrindo e levantando para lavar os pratos.
–Vai à feira hoje ou a loja?
– Não, Gaara e Karin podem dar conta sem mim. Tenho que ficar em repouso sabe, pra me preparar.
A morena andou em direção a ela e colocou as mãos em seus ombros.
– É um dia especial, descanse e fique com a cabeça em paz. Hoje os deuses falarão com você.
– Obrigada irmã.
Hinata sorriu, pegou a bolsa e a chave da picape vermelha para então sair pela porta.
Se vendo sozinha em casa Sakura suspirou, vestiu o chale branco de renda que combinava com o vestido longo que usava e foi para o jardim, os pés como sempre descalços.
Andou até a orla da floresta que circundava a propriedade e parou, aspirou o ar que vinha de lá e mudou de direção indo até o penhasco onde as ondas faziam suas esculturas.
Sentou na pedra e balançou os pés no ar, lembrou-se de quando chegara a Niksa, de como odiara seus pais quando estes lhe deixaram ali aos prantos com duas estranhas e foram embora. Em dez anos toda a sua vida mudara e hoje ela amava aquele lugar, amava sentir a liberdade da floresta e a ousadia do oceano, sabia que era privilegiada por poder morar em um lugar assim.
Sentindo o calor do sol em sua nuca resolveu deitar na pedra quente, os longos cabelos róseos que desciam em ondas até sua cintura ficaram esparramados na grama que lutava em crescer por entre as rochas.
Aquela noite seria a mais importante em sua vida, se preparara durante anos para fazer o ritual que a deixaria perto da Deusa Mãe, estudara filosofia e toda a história de seus ancestrais para estar pronta. Devia tudo o que sabia a Tsunade, sua segunda mãe que infelizmente havia falecido no ano passado, deixando muita dor e saudade em seu lugar.
Agora Hinata era sua família, seu clã e juntas elas conseguiram sobreviver a todo o ódio que o Condado emanava contra elas e seus ancestrais. Quando crianças não tinham amigos, pois os pais não deixavam seus filhos brincarem com as duas bruxas da colina, sofreram caladas e encontraram uma na outra tudo o que precisavam. Juntas colocaram uma loja de ervas, cremes e sabonetes naturais que a própria Sakura fazia, era um sucesso total entre os turistas. O amor a tudo que era da natureza fez a rosada comprar um local na feira da cidade onde Gaara (seu único amigo) cuidava das hortaliças que ela cultivava. Gaara chegou à Irlanda com sua irmã, Karin quando ainda eram pequenos, Sakura vendo que eram do Japão correu para estender a mão caridosa, assim se tornaram grandes amigos, Gaara cuidava da feira e Karin da loja.
Na realidade pura ela e Hinata não precisavam de dinheiro, a herança do clã era enorme, mas ambas sabiam que se não trabalhassem só fariam piorar sua imagem diante da sociedade, então, foram fazer o que mais gostavam.
Cansada de tantas lembranças ela levantou e voltou para a antiga construção em pedra que se erguia na colina.
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O dia se arrastou e ela passeou pela horta, regou algumas mudas, foi até a estufa indoor e cuidou de suas ervas. No final da tarde recebeu uma mensagem de Hinata avisando que não dormiria em casa, o que na verdade era muito bom já que ela não poderia ser interrompida durante o ritual de auto iniciação.
Quando o sol de pôs Sakura subiu para o quarto a fim de preparar tudo: abriu as pesadas cortinas roxas, arrastou o tapete que ficava no centro do quarto e ali depositou um giz branco, pegou duas velas brancas que simbolizavam o elemento fogo, deixou um saquinho de sal que simbolizava o elemento terra ao lado do giz, arrumou um incensório de olíbano com incenso de mirra que simboliza o elemento ar no centro do quarto e foi para o banheiro adjacente onde sua banheira simbolizava o elemento água.
Naquela noite era comemorado o segundo Sabá da Roda do Ano, o Yule onde era comemorado o solstício de inverno. Ela sabia que todas as religiões pagãs estavam em festas, agradecendo o renascimento do sol, mas ela tinha reservado aquela data para si própria já que o Ritual de Auto Iniciação só pode ser feito em um dos oito Sabás ou no aniversário do iniciado.
Lentamente ela se despiu e deixou que a agua morna da banheira penetrasse em seus poros, as ervas aromáticas que ela mesma cultivava cuidavam do seu corpo. Depois de relaxar e deixar a mente limpa ela se secou e ainda nua voltou para o quarto, lá ela se ajoelhou e com o giz fez um circulo em volta de si mesma e salpicou o sal sobre o circulo sagrado.
– Com o sal eu consagro e abençoo este circulo sob os nomes da Deusa e do seu consorte, o Deus cornífero! Abençoado seja.
Depois disso ela sentou no circulo e virada para o norte ascendeu o incenso e a primeira vela.
–Eu te invoco e te chamo, oh Deusa Mãe, criadora de vida e alma do universo infinito pela chama da vela e pela fumaça do incenso eu te invoco para abençoar este ritual e para garantir a minha admissão na companhia dos teus filhos amados.
Ela então ascendeu a segunda vela.
– Eu te invoco e te chamo, oh grande Deus cornífero dos pagãos, senhor das matas verdes e pai de todas as coisas selvagens e livres. Pela chama da vela e pela fumaça do incenso eu te invoco para abençoar esse ritual. Oh grande Deus cornífero da morte e de tudo o que vem depois, que é conhecido como Cernunnos, Attis, Pã, e por muitos outros nomes, neste circulo consagrado à luz de velas eu me comprometo a te honrar, a te amar e a te bem servir enquanto eu viver. Oh grande Deus cornífero da paz e do amor abro meu coração e minha alma para ti, assim seja.
Sakura então manteve os olhos fechados e as mãos abertas para o céu e sentiu uma sensação morna de formigamento percorrer lhe o corpo todo. “São eles me abraçando” pensou alegremente.
Depois esperou até que o incenso e as velas terminassem, assim levantou, vestiu seu roupão branco e feliz foi para sua cama, agora ela era uma verdadeira bruxa Wicca.
~~
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Tóquio, Japão – dias atuais.
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– Então você vai ir mesmo Teme? – perguntou um jovem de cabelos loiros e rebeldes enquanto bebericava sua cerveja.
– Não tenho muitas escolhas. – respondeu o outro imitando o ato do amigo.
– Ah Sasuke claro que tem, até parece que o Kakashi manda em você! Ele pode ser seu superior, mas não manda.
Sasuke sorriu e escorou a cabeça no assento da cadeira. Ambos estavam em sua cobertura bem no centro de Tóquio. Eram amigos desde que se entendiam por gente e depois da escola entraram juntos para a corporação policial, estando agora entre os melhores em sua área, a Divisão de Pessoas Desaparecidas e Sequestros.
– Mas o caso é serio Naruto, dezessete crianças desaparecidas, uma por mês sem nenhum rastro, nenhuma pista.
– Tudo isso?
– Sim, e essa pessoa não vai parar tão cedo.
– Como sabe? – perguntou o outro fazendo uma careta.
– Eles nunca param.
– Mas é a Irlanda! Como vai ser a jurisdição?
– Eles me querem lá, logo tenho carta branca. Embarco amanha mesmo.
– E a Ino?
Sasuke tomou o resto da cerveja e deixou o copo descansando.
– Ela entendeu, disse que vai me visitar assim que possível, se bem que eu não pretendo passar muito tempo lá.
– Queria eu ter uma noiva dessas, ela é bem compreensiva neh?
– Sim ela é.
– Já pensa em casamento?
O moreno deu uma bufada.
– Eu tenho 23 anos Naruto, não quero casar tão cedo.
– Mas ela está esperando isso... – disse o loiro como quem não quer nada.
– Eu sei, mas já ficamos noivos então ela que sossegue um pouco, sou muito novo, na verdade sou muito novo pra tudo isso que está acontecendo – suspirou ele.
– Sei do que você está falando.
– Sente falta de ser uma pessoa normal?
O loiro bagunçou os cabelos arrepiados.
– Sinto, acho que fizemos tudo cedo demais, mas agora estamos aqui Teme e não da pra voltar.
– Eu sei.
– Sabe quem eu vi hoje de manha no supermercado? – começou o loiro com a voz meio tensa.
– Hm?
– Mebuki.
Sasuke fechou a cara na mesma hora.
– Não suporto essa mulher, ainda bem que meu caminho não cruza mais com o dela.
– Achei que ela tinha se mudado de Tóquio, mas pelo jeito só se mudou do seu bairro.
– Depois de ter sumido com a filha, era o mínimo que ela deveria fazer mesmo.
– Sasuke, você acha que a Sakura, bem ela ...
– Naruto não gosto de falar sobre ela. Já faz muito tempo, esqueça isso.
O loiro engoliu em seco e ficou observando as luzes da cidade que nunca dormia.
– Acho que vou indo Baka, boa viajem amanha e me de noticias.
– Pode deixar Teme, até daqui uns dias.
Sasuke suspirou pesadamente e levantou indo em direção ao seu quarto quando viu a loira de pernas esguias sair vestida somente com uma lingerie roxa.
– Achei que ele não iria embora hoje. – disse ela com a voz manhosa.
– Ino? Não sabia que você estava aqui.
– Achou que eu ia deixar o meu noivo viajar sem me despedir? Nem pensar – disse ela se jogando no pescoço dele.
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