A Casa da Colina

4 Encontro inesperado


Notas iniciais
Quero agradecer aos queridos leitores que comentaram : Bea Carvalho, Liza, Akemi, Cary, Fúria Cega e Anna! Obrigada, vocês me dão vontade de continuar Boa leitura ^^

Encontro inesperado

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Sasuke viajara 16h e não estava lá muito bem humorado quando desembarcou em Clare, um carro da policia local o esperava no aeroporto e ele foi levado para um hotel tipicamente irlandês que ficava no centro da cidade.

Tomou um banho quente, vestiu uma calça jeans, uma camisa branca e um sobretudo de lã preto, comeu um lanche rápido e foi para a delegacia com um carro alugado, não queria descansar, queria trabalhar para sair logo dali.

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Depois de um almoço delicioso Sakura e Hinata riam descontroladamente enquanto a morena contava sobre a tentativa frustrada de Neji a levar para a cama.

– Ai Hinata, sério para – disse a rosada vermelha de tanto rir – não consigo respirar.

– Sakura ele é muito frouxo! – se lamuriou a outra limpando as lagrimas dos olhos.

– Ai que dó de você, vai morrer seca desse jeito – continuou Sakura caindo na gargalhada.

– Pelo menos eu não sou virgem... – jogou a morena.

– Eu não virgem! – gritou a outra em tom de protesto – será que a gente volta a ser virgem depois de dois anos sem sexo?

As duas se olharam e novamente gargalharam.

– Sua retardada! – falou Hinata passando a mão no rosto vermelho.

Sakura ia responder quando a vassoura que estava escorada ao lado da porta da cozinha caiu em um baque seco, como se fosse uma pedra.

Hinata ficou séria e olhou para a amiga.

– Vamos ter visitas, está esperando alguém?

– Não, ninguém sobe até aqui... nem mesmo o Gaara.

– Estranho, não estou com um bom pressentimento.

– Eu também não. – respondeu Sakura pensativa.

– Bom, fiquei tempo demais aqui e vou me atrasar. Vai ficar em casa?

– Vou, mais tarde vou levar uns produtos novos para a loja.

– Certo, lave essa louça do almoço!

– Sua folgada!

– Eu limpo a casa no final de semana, prometo. Beijos!

– Beijos.

Sakura respirou fundo para não rir lembrando-se da historia da amiga e foi até a vassoura, juntando-a e colocando no lugar. Depois se pôs a lavar a louça do almoço enquanto matutava sobre a possível visita que receberiam, elas nunca recebiam visitas.

~~

Ciara Johnson andava de um lado para o outro contando detalhadamente para o novo membro da equipe tudo sobre o caso das crianças desaparecidas.

Era uma ótima profissional e embora fosse americana morava há tanto tempo em Clare se já se dizia irlandesa. Os cabelos loiros cortados em um corte Chanel juntamente com a saia um pouco abaixo do joelho e a camisa branca lhe proporcionavam a imagem de investigadora perfeita, aquela que ela sempre via em filmes e seriados. O salto agulha batia irritantemente enquanto ela se concentrava para contar os fatos àquele japonês incrivelmente lindo e sexy que estava sentado despojadamente em sua frente.

– É tudo que tem? – perguntou ele a tirando de seu devaneio.

– Como?

Ele soltou uma risada nasal deixando claro que percebia que ela não conseguia tirar seus olhos dele.

– Isso é tudo que vocês têm? São dezessete crianças e vocês só tem um suspeito que é um mendigo e mora na praia. Interessante.

– O que quer dizer com isso senhor Uchiha?

Ela falou o sobrenome cuspindo entre dentes, ele não passava de um pirralho de 23 anos de idade enquanto ela que tinha quase 30 ainda não conseguira ser admirada por seu trabalho. Mas ele era lindo, não podia negar.

– Esse homem, ou mulher – começou se levantando e tomando o lugar dela – sequestrou dezessete crianças, a mais velha tinha 13 anos. Ele pega uma por mês e elas nunca mais foram encontradas. Vocês encontraram um pedaço de roupa da – ele pegou um papel para checar o nome – Anna Porter, o sangue era dela mas não havia sangue ou impressões digitais de outra pessoa. Sabe o que eu acho senhorita Ciara?

– Hm? O que? – respondeu ela arqueando uma sobrancelha.

– Acho que esta historia está muito mal contada. É impossível vocês não terem mais provas ou suspeitos a não ser que não tenham procurado direito. Todas elas veem de famílias pobres não é? Gente humilde que não pode procurar um investigador particular e nem pressionar as esferas mais altas do governo.

A mulher estava lívida.

– Você chega aqui não faz nem trinta minutos e já está insultando o meu trabalho?

– Não Ciara, estou fazendo o meu trabalho que é arrumar o seu.

A resposta de Ciara Johnson ficou na garganta porque um burburinho se fez na entrada da delegacia e um policial entrou com um homem algemado. O homem careca e com uma barriga protuberante gritava palavras de ódio e demorou a ser contido.

Ciara saiu da sala adjacente de reunião e foi ver o que estava acontecendo.

– O que é isso? – sua voz se fez fria e séria, bem diferente do que Sasuke presenciara minutos antes.

– Ele foi preso depredar um patrimônio público e tentar agredir um homem.

– Como?

Outro homem, com os cabelos vermelhos e arrepiados entrou atrás do policial. Tinha uma tatuagem vermelha na testa e seus olhos eram pesadamente pintados de negro. Ciara já o havia visto antes, trabalhava na feira e era o sonho de consumo da maioria das garotas dali, ela também não podia deixar de pensar em como aquele jovem com aspecto rebelde ficaria em sua cama.

– Este cidadão entrou aos gritos na feira onde eu mantenho uma barraca de frutas e hortaliças orgânicas. Quebrou todo o estabelecimento e tentou me agredir.

– O senhor fez isso? Alias quem é o senhor?

Todos olharam para o homem que tinha os olhos cheios de lágrimas.

– Sou o pai de Lana Owen! Minha Lana, minha menina morreu por causa daquelas duas malditas da colina! E ele é seu cumplice! Trabalha pra uma delas!

Ciara suspirou e massageou as têmporas, estava cansada daquele papo.

– Levem-no daqui, depois eu falo com ele. E você, quer prestar queixa? – disse ela se dirigindo ao ruivo.

– Não, só não quero que aconteça novamente. Encontrem esse estuprador de crianças antes que algum inocente se machuque.

Ele saiu sem esperar respostas e ela teve duvidas de quem realmente era inocente naquela historia.

– De quem ele estava falando? – perguntou Sasuke logo atrás da detetive.

– Ah das duas moradoras da Casa da Colina, elas vivem ali desde crianças e são acusadas de bruxaria pelos nativos. Um papo idiota e cansativo se quer saber minha opinião.

– Já as investigaram?

Ela girou os pés e ficou de frente para ele.

– Obviamente. Aquelas duas mal saem daquela casa horrorosa, uma da aula na escola local e a outra cultiva essas frutas.... tem uma loja também mas nunca arrumaram problemas. O povo daqui que tem muitas superstições e acredita em lendas antigas.

Ele tombou a cabeça de lado.

– Vou ir até lá.

– Como queira, você tem carta branca Uchiha, só tome cuidado.

Ele a olhou inquiridor.

– Com o que?

– Não se brinca com bruxas. – respondeu ela sorrindo.

~~

Sakura limpou o suor da testa enquanto tirava algumas ervas daninhas de suas preciosas plantas, ela tinha o dom de cultivar, nada que ela colocasse a mão morria ou crescia precariamente.

Os cabelos rosados estavam amarrados em um rabo de cavalo alto e a estufa indoor estava lhe fazendo suar embora o tempo lá fora fosse frio e seco. Ela pegou uma muda e levantou até a altura dos olhos.

– Quem é a plantinha linda da mamãe? Sim! Você! Agora cresça com vigor minha querida.

Fora colocar o vaso no lugar quando sua visão fora tomada por outros olhos. Ela estava à frente de um volante subindo a estrada de cascalhos que levava a sua própria casa. Em um rompante para tirar a visão estranha de seus olhos ela deu passos cegos para trás, acabou esbarrando em uma estante de madeira velha e derrubou inúmeros saquinhos cheios de substrato em cima de si mesma.

Bufou e quando abriu os olhos estava na estufa, coberta de terra, mas estava ali.

~~

Sasuke subia pela estrada de cascalho no sedan preto alugado. A estrada que levava até o topo da colina era tortuosa e cercada por uma densa floresta que o acompanhou até desembocar em um gramado bem cuidado onde uma antiga casa de pedra e janelas de madeira crescia imponente. Ele estacionou e parou para observar a construção acima do penhasco, o lugar era digno de locações para filmes de terror. A casa fora construída em cima do penhasco e dava a visão do oceano atlântico aos fundos, à direita e a esquerda a densa floresta trazia um visual sombrio e um velho carvalho fazia sombra para uma mesa e cadeiras, varias flores roxas ladeavam o ladrilho que levava até a porta da casa que possuía uma lua entralhada na madeira e um filtro dos sonhos pendurado. Ele sorriu pensando no que o melhor amigo faria se chegasse aquela casa, provavelmente se borraria de medo.

Ele suspirou e bateu à aldrava de metal, sua carranca era de uma senhora com os dentes arreganhados, provavelmente uma bruxa.

~~

Sakura se assustou ao ouvir a batida na porta, claro, a visão que tivera era do misterioso visitante. Tirou um pouco de terra dos cabelos e bateu o vestido preto com as mãos para esconder a poeira, assim então foi em direção à sala.

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Ele esperou por 15 segundos até ouvir o barulho de passos do lado de trás da porta, o trinco foi puxado e a pesada porta de madeira maciça fora aberta. Seu coração parou por meio segundo.

~~

Ela abriu a porta ainda espanando a poeira da roupa, estava imunda. Levantou os olhos e sentiu o sangue congelar, conhecia aqueles olhos de ônix bem demais para se confundir. A respiração falhou e sua boca ficou aberta sem emitir som algum.

– Sa... Sakura. – não era uma pergunta, era uma constatação.

– Pelos deuses, Sasuke! – ela levou as mãos a boca e quando os olhos verdes se encherem de agua ela pulou no pescoço do moreno a sua frente.

Sasuke teve que pensar por um instante e como um robô envolveu a jovem em seus braços. Ela se afastou e cobriu a boca com as mãos novamente.

– É você mesmo! – ela sorriu abertamente e começou a apalpar o rosto dele para ver se era real.

Ele riu com o gesto.

– Sim, sou eu.

– Como você chegou aqui?

– Eu ainda estou chocado demais pra falar, porra é você Sakura! – falou ele perdendo toda a compostura de policial durão.

Ela bateu palmas e soltou um gritinho.

– A os deuses são muito bons! Entra, é minha casa você é bem vindo!

Ele passou pelo batente da porta e observou uma casa de contos de fada: a sala era atulhada por tapetes e as paredes eram tomadas de livros, os dois sofás eram escuros com uma manta roxa de veludo por cima e almofadas douradas jaziam no estofado. Ao centro uma mesa baixa de vidro estava cheia de velas roxas e incensos, a casa cheirava a incenso. As cortinas que cobriam as janelas eram roxas combinando com o resto da decoração e uma lareira com o fogo crepitante dava um ar ainda mais aconchegante ao pequeno aposento. A TV de plasma pendurada ao lado da lareira era o único sinal que aquela casa vivia no século XXI.

Ele parou de observar o local e focou sua visão na figura sorridente a sua frente, os cabelos cor de rosa estavam presos a um rabo de cavalo mal arrumado, o vestido preto ia até os pés descalços dela e as mangas longas terminavam em forma de sino.

– Sasuke! Como você cresceu! – disse ela juntando as mãos.

Ele não conseguiu conter um sorriso torto.

– Você também cresceu baixinha.

– Vem, vou fazer um chá pra você!

Ele seguiu a mulher por um corredor coberto de quadros, pentagramas e mais objetos pendurados até desembocar em uma cozinha. Esta possuía todos os móveis de madeira e como o resto da casa era atulhada de objetos estranhos em todos os cantos.

Ele sentou ao lado da janela e viu que o tempo começava a escurecer.

– Vai nevar, será uma noite bem gelada.

– É sempre assim aqui?

– Uhum – respondeu ela colocando uma chaleira de ferro no fogão.

– Microondas? Conhece?

Ela riu alto.

– Não gostamos disso, aqui em casa preferimos as coisas assim, antigas.

– Hm, mora aqui com mais quem?

– Uma amiga, se bem que moramos há tanto tempo juntas que a considero uma irmã.

Ele assentiu e ela colocou duas xicaras de porcelana na mesa, cada uma com um saquinho de chá. Pegou no forno um prato cheio de biscoitos de chocolate e colocou a frente do moreno.

– Desde quando cozinha biscoitos? – perguntou ele em tom de deboche.

Ela parou em sua frente com as mãos na cintura.

– Horas Sasuke, eu cresci.

Ele riu e comeu um dos biscoitos, era delicioso.

A garota pegou a água que fervia e colocou nas duas xicaras, depois sentou de frente para o homem e o encarou.

– Como estão todos? Naruto? A tia Mikoto? Alias como veio parar aqui? Pelos deuses você tem uma aliança dourada? Está noivo? De quem?

Ele se engasgou com tantas perguntas.

– Calma Sakura, eu não vou fugir. – disse rindo e pegando mais um biscoito.

– Então vamos, comece! Eu ainda não acredito que você está na minha casa!

Ele limpou a garganta ainda a olhando e começou:

– Minha mãe esta bem, é avó agora e só quer saber do neto. Naruto trabalha comigo em Tóquio e o meu trabalho de trouxe até Clare.

– Seu trabalho?

– Sou detetive, vim investigar as crianças desaparecidas daqui.

Ela arregalou os olhos. Não podia ser.

– Jura? E, como me achou?

Ele pensou e não teve coragem de dizer a verdade.

– Destruíram sua barraca na feira, ai eu vim avisar... bem não sabia que era sua. Você entendeu.

Ela levantou da mesa em um rompante.

– Destruíram? E o Gaara?

– O cara estranho de cabelos vermelhos?

– Sim.

– Ele está bem.

Ela suspirou aliviada e sentou novamente.

– Não está preocupada com a barraca?

– Não, já sabia que isso ia acontecer.

– Já?

Ela desviou o olhar daqueles olhos inquisidores.

– Imaginava que aconteceria, o pessoal daqui nos odeia, você vai perceber.

– Porque as odeiam?

– Nos acusam de bruxaria. Na verdade isso vem de muito tempo, mas não interessa agora, está noivo?

Ele anotou mentalmente a reação dela.

– Estou, Yamanaka Ino.

– Ah chefe de torcida do terceiro ano?

– Ela mesma.

– Nossa, ela era muito bonita. Parabéns.

– Obrigada... e você? Como veio parar aqui?

– Não quero falar sobre isso, estou feliz por você estar aqui. É uma parte boa do meu passado em Tóquio.

– Certo.

– Vai ficar quanto tempo? Tem lugar?

– Tenho, estou num hotel no centro da cidade. E quanto ao tempo eu não sei, depende do caso.

– Entendi. – respondeu ela pensativa bebendo o ultimo gole de chá. A xicara dele estava intacta.

– É estranho não é? – disse ele olhando pela janela onde alguns flocos de neve começavam a cair.

– O que?

– Rever os amigos depois de tanto tempo.

Ela riu sem graça.

– É, mas é muito bom também.

Ele a olhou e sorriu, Sakura sentiu um arrepio ao perceber aquele olhar. Ele crescera e ficara lindo.

– Eu vou indo antes que a neve aumente, conversamos mais...

– Certo, ache um tempo pra uma velha amiga.

Ela o levou até a porta e se despediram com um aceno. Quando ela se encolheu junto à lareira e suas almofadas douradas soube que a vinda de Sasuke não era puro acaso, algo estava acontecendo ali, algo negro e pesado, algo que ela descobriria o que era.

~~

Ele se encolheu dentro do sobretudo preto por conta do frio e entrou na delegacia quase vazia por conta do horário. Identificou-se para o guarda e entrou na sala dos registros, aquela noite ele iria descobrir quem era a família de Sakura e porque os nativos a odiavam tanto.

Procurou no computador pelo sobrenome da amiga, a busca o levou a outro nome: Senju, ao entrar mais a fundo percebeu que não haviam arquivos digitalizados sobre essa pessoa, então deu inicio a uma busca entre as enormes gavetas cheias de pó.

O sobrenome Senju estava em uma pasta antiga datada de 1875, quando abriu a pasta estava vazia.

Ele suspirou e fechou a gaveta, aquilo estava ficando cada vez mais estranho.

~~

Sakura saiu do banho e percebera que Hinata ainda não chegara, olhou no celular mas não havia nenhuma mensagem. “A neve deve tê-la atrasado” pensou enquanto deitava na cama e puxava suas cobertas. Tinha muito que pensar, Sasuke estava ali, seu melhor amigo de infância, e agora era um homem, um homem muito bonito por sinal.

Ouviu um barulho na porta, eram unhas a arranhando. Ela pulou da cama e vibrou ao ver o bichano preto se enroscar em suas pernas.

– Salém! Por onde você andou? Tem que parar de sumir sabia? – disse ela pegando o gato e o levando para junto de sua cama.

Depois de muito carinho ela adormeceu com o gato deitado quase em sua cara, por hora os sonhos ainda não haviam começado, mal sabia que seria sua ultima noite em paz.

Notas finais
Então? o que estão achando? quero ouvir vocês!!! Gente, as coisas vão andar um pouco devagar viu? "mas porque Manu?" porque eles passaram dez anos longe um do outro sem nenhum contato, entãoo tem muita coisa pra rolar ainda. Agora tenho uma pergunta: O que vocês temem? quero saber o que mais da medo nesses corações... situações angustiantes, vamos lá! hohoho Os aguardo nos comentários! Beiiijos