A Casa da Colina
5 Pesadelos
Notas iniciais
Pesadelos
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Ela se retorcia no chão de terra batida, a poeira se misturava com o sangue que vertia de seus ferimentos e seu olhar já a muito estava perdido enquanto se urinava de medo e dor. Gritar não adiantava chorar também não, ela só queria que acabasse rápido.
Por um momento pensou se Deus realmente existia, e se existia, porque deixavam fazer isso? Porque nenhum anjo desceu do céu e impediu aquela mulher de fatiá-la com aquela faca enorme.
Quando se debruçaram novamente sobre ela entoando aqueles cânticos horríveis ela resolveu implorar mais uma vez.
– Por favor... me mate logo.
– Aguente mais um pouco querida. – disse a mulher que comandava aquela tortura.
Lana Owen fechou os olhos e chorou, soluçando enquanto a dor cortava suas entranhas.
“alguém me ajude, pelo amor de Deus”.
– Sakura! Sakura acorda!
A mulher acordou em um sobressalto com Hinata balançando seus ombros freneticamente. Estava lavada de suor e seus braços pesavam como pedras.
– O que foi Hinata? – perguntou meio zonza.
– Pelos deuses você gritava como se tivessem te arrancando a pele!
– Acho que vou vomitar – disse ela empurrando a morena e correndo para o seu banheiro, se ajoelhou na privada e colocou pra fora todo o jantar.
– Você esta bem? – disse a outra que correra em seu encalço.
– Não, Hinata eu vi – começou a ela enquanto se levantava do chão para lavar o rosto e a boca.
– Viu o que? – preocupada a morena pegou os cabelos da amiga e arrumou para trás.
– Vi o que eles fazem com as crianças.
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– Mesmo com sol aqui é sempre frio? – resmungou Sasuke ao entrar na delegacia com um casaco de lã e um copo de café.
– Vai se acostumando bonitão, ainda que a nevasca de ontem foi leve. – respondeu a senhora que limpava o local.
– Hunf – exclamou ele entrando na sala que dividiria com Ciara, esta para seu grande alivio ainda não havia chegado.
Ele largou o café na mesa que ocuparia a partir daquele dia e pegou o celular, ao quarto toque foi atendido.
– Naruto.
– Seu baka, sabe que horas são?
Sasuke sorriu.
– Desculpe, esqueci do fuso horário.
– Burro, não sei como está empregado mesmo.
– Menos Naruto, tenho algo pra te contar.
– O que? Descobriu algo?
– A Sakura está aqui.
– O QUE????
– Isso mesmo, mas não é tudo. Não posso explicar por telefone, pode vir pra cá?
– Sakura? A minha Sakura?
– Acho que ela não é sua, mas é ela mesma.
– Porra Sasuke como assim?
– Pegue o próximo voo.
– Você não vive sem mim cara, vou ter uma conversa com a Ino.
– Próximo voo Naruto. – e desligou o telefone na hora que uma Ciara entrara muito sorridente na sala.
– Bom dia Uchiha.
– Bom dia.
Ela olhou para a mesa dele.
– Ah, essas pastas que estão ai em cima são os arquivos que temos. Como foi ontem na Colina?
– Nada de mais, eu conheço a moradora.
Ela arqueou a sobrancelha.
– Qual das duas?
– Sakura.
– Não sei por nome.
– A de cabelo rosa.
– Conhece? De onde?
– Ela era minha vizinha quando éramos crianças.
– Que mundo pequeno não? O cabelo é natural?
– É, é uma anomalia genética.
– Hm, e o que acha? Ela pode ter algo a ver com isso?
– Duvido muito, mas irei pesquisar.
– Certo.
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– Eu tive uma ideia. – disse Hinata colocando um enorme e velho livro a frente da amiga.
As duas estavam na cozinha tomando café da manha quando a morena foi até a biblioteca que era de Tsunade.
– O que é isso? – perguntou Sakura desinteressada misturando o café já frio com a colher.
– Esse é a bíblia pagã, também conhecida como bíblia satânica.
Sakura ergueu a cabeça para encarar a amiga.
– É serio isso?
– Você é uma vidente e eu consigo mover as coisas sem tocá-las, porque não seria sério?
– Hm, certo. E o que isso tem haver com minha ultima visão?
Hinata abriu e foleou até certa pagina.
– Sakura, o que você viu era um ritual de magia negra. Já ouviu falar nos filhos do fogo?
– Claro, são os chamados satanistas.
– Isso, nós somos filhas da luz, da magia branca. Os filhos do fogo também fazem rituais só que diferentes do nosso eles oferecem um sacrifício ao seu Deus.
– Acha que estão fazendo isso?
– Sim, é bem provável. Tsunade nunca nos falou de algum outro clã pagão aqui em Clare, mas pode ser que ela não tinha conhecimento deles, ou que eles tenham se mudado pra cá recentemente, ou seja, nos últimos dezessete meses.
– Mas porque aqui?
– Temos o oceano, temos florestas e montanhas. É um lugar bem mítico.
– Pode ser. Mas e as crianças? Que eu saiba eles fazem rituais com animais.
– Humanos também são animais Sakura, lembra-se de Caim e Abel? Caim matou seu próprio irmão para oferta-lo a Deus porque julgava que animais domésticos não eram tão dignos.
– Assim ele foi amaldiçoado e se tornou o primeiro vampiro a vagar pela terra.
– Exato!
– Hinata, não estamos falando de vampiros.
– Eu sei, foi só um exemplo. Agora pensa Sakura, nós podemos achar essas pessoas!
A rosada engasgou.
– Você está louca?
– Você é uma vidente, mas tem um dom diferente e sabe disso.
– Hinata, eu não pratico isso desde o incidente na minha infância.
– Sakura você não pode ter medo! Nós nos acomodamos aqui e esquecemos o que somos.
– Eu posso machucar alguém.
– Não vai! Você pode entrar na cabeça da pessoa que fez isso e ver quem ela é! E do jeito que eu te vi gritando quando cheguei acho que temos que fazer isso logo.
– Isso é muito sério Hinata, eu quase matei um colega de classe da ultima vez que fiz essa coisa... você não dormiu em casa ontem?
– Não é coisa, é seu dom, e não, dormi no Neji. Sabe, acho que podemos treinar o seu dom.
– Treinar? – ela gargalhou – claro, vou sair por ai entrando na cabeça das pessoas, elas vão adorar.
– Vai treinar em mim Sakura.
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Sasuke observava as fotos das dezessete crianças desaparecidas. Não possuíam nenhuma semelhança física, ambas eram de classe baixa e estudavam em escolas publicas. Os pais não se conheciam, a mais nova possuía 3 anos e a mais velha 13.
Saiu de seus devaneios quando alguém bateu a porta.
– Senhora Clapton?
– Sim. Cheguei na hora certa?
– Chegou sim, pode sentar – disse ele apontando uma cadeira à frente de sua mesa.
Sasuke sentou de frente a mulher e analisou. Cabelos mal cuidados, roupas esfarrapadas e amassadas, unhas sujas e olheiras enormes.
– Não tem passado muito bem senhora Clapton?
– Não – disse ela olhando para as unhas roídas – não consigo dormir desde que minha menininha sumiu.
– A sua filha foi a primeira não é?
– Foi.
– Senhora Clapton eu sei que é dolorido relembrar tudo isso e que já lhe fizeram essas perguntas, mas eu sou novo no caso e quero mais do que ninguém achar o desgraçado que sumiu com a sua filha e as outras crianças.
Ela levantou os olhos e ele viu um brilho diferente. Esperança.
– Ouvimos falar do senhor, pode fazer as perguntas que quiser.
– Certo, qual a ultima vez que viu a Taylor?
– No dia 17 de setembro do ano passado.
– Onde? – continuou fazendo anotações em um bloco.
– Estava com ela na varanda, era uma noite quente, mas daí meu outro filho acabou fazendo uma bagunça na cozinha. Eu corri pra ver o que era, foi questão de 5 minutos, voltei e ela não estava mais lá.
– Alguma pista? Algo diferente foi deixado na varanda?
– Nada. Ela simplesmente sumiu.
– Aqui diz que fizeram uma busca durante a noite.
– Sim, meu marido chamou os vizinhos e eles andaram a noite toda, o dia seguinte também... até cansarem – seus olhos encheram de lágrimas.
– A senhora notou algo estranho nos dias antes dela sumir?
– Não.
– Certo, então ...
– Espera.
Ele levantou os olhos para fita-la e viu que os vincos na sua testa aumentaram.
– Lembrou-se de algo?
Ela arregalou os olhos.
– Meu filho, uma noite antes! Ele acordou pra ir ao banheiro, ele acorda toda noite sabe. E quando olhou pela janela disse que viu uma mulher parada ao lado da lata de lixo! Eu não dei atenção, disse que ele estava imaginando.
– Uma mulher parada ao lado da lata de lixo?
– Sim, do outro lado da rua. Ele disse que ela olhava fixamente pra nossa casa, mas eu não dei bola, sabe como são adolescentes... e os daqui de Clare tem uma fissura por aquelas mulheres da Colina, falei que era pra ele parar de falar bobagem que ia assustar a irmã. – ela cobriu o rosto com as mãos – Porque não dei atenção ao que ele disse!
– Calma senhora Clapton, vamos averiguar isso. Ele sempre olha pela janela quando acorda?
– Não, ele disse que foi abrir o vidro porque estava muito quente.
– Certo, vou precisar conversar com seu filho, pode falar isso pra ele?
– Sim, claro.
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O dia passou rápido e quando Sakura deu por si o crepúsculo caia. Correu para o banho e depois vestiu seu habitual vestido longo preto, botas curtas e deixou o cabelo solto. Deixou um bilhete para Hinata e pegou seu carro, precisava se distrair e somente duas pessoas eram capazes disso naquele momento.
Estacionou a picape preta na frente de sua loja e saiu saltitando. O vento gélido do inverno que arrepiava seus braços cobertos pelo tecido fino a fez sorrir.
Subiu a escada lateral da loja que levava para o apartamento de cima onde seus amigos moravam, como sempre nem bateu a porta, já foi entrando.
– Olá povo. – disse enquanto fechava a porta atrás de si.
– Olha sumida! Acha que não precisa mais trabalhar não? – disse Karin escorada ao lado da pia onde arrumava seu tradicional copo de vodca com energético.
– Tive alguns contratempos.
– Imagino que nenhum tenha a ver com pintos.
– Karin!
– Para de encher ela com isso sua pervertida. – disse uma voz grave vindo de dentro do corredor.
– Ouça seu irmão. – respondeu Sakura indo dar um abraço no amigo.
– Vem cá gatinha que tenho uma coisa da boa pra você hoje.
A rosada abriu um sorriso.
– Não sabe como estou precisando relaxar hoje. Karin, tem cerveja?
– Tem sua folgada.
Gaara e Sakura foram até a sala que era separada da cozinha somente por um corredor e ele se pôs a separar um pouco de erva para bolar o desejado baseado.
– Quando será que vou te ver sem essas roupas pretas ou brancas em? Alias, e com muito pano. – disse a ruiva se juntando aos dois com duas latas de cerveja e seu copo de vodca.
– Eu gosto das minhas roupas.
– Mas esse corpinho tinha que ser mostrado.
– Karin... – avisou Gaara arrumando a erva na seda.
– E a sua namoradinha Karin? Você não me contou como foi o encontro. – perguntou Sakura dando um gole na cerveja.
– Ah eu mandei ela pastar.
– Porque?
– Muito cheia de mimimi.
A rosada revirou os olhos.
– Ela só tinha 16 anos, o que esperava?
– Tem meninas de 13 que são mais experientes que nós duas juntas... sem bem que pra ser mais experiente que você não precisa de muito.
– Idiota! Mas você me disse que era a primeira “garota” dela.
– Era, por isso mesmo ela não deveria ser tão difícil. Enfim, Karin sozinha outra vez.
– Você é ridícula.
– Não mais que você.
As duas riram e olharam para Gaara que já dera a primeira bola no baseado. O cheiro característico invadiu as narinas da rosada quando a densa fumaça foi solta, ela salivou.
O ruivo passou o baseado para ela que era a próxima na roda, ela pegou o fino com a ponta dos dedos, levou até a boca e puxou o ar tragando toda a fumaça e segurando na garganta até sentir a ardência, depois soltou.
Na segunda bola já tossiu.
– Tossiu chapou – disse Gaara que olhava muito interessado para o teto.
Ela sentiu uma vontade de rir e entregou o fino para Karin, assim repetiram o ritual até que acabasse.
– Sabe tava aqui pensando nas coisas da vida. – começou Karin pegando seu terceiro copo de vodca.
– A vida é bem louca mesmo. – disse Sakura olhando para ela.
A ruiva a encarou e as duas começaram a rir sem parar, quando os olhos de Sakura já estavam cheios de água e a barriga doía Gaara resolveu expor a sua preocupação.
– Acho que minha língua tá verde.
– Que? Não viaja cara.
– Tá verde sim, e tá com gosto de produto de limpeza.
Sakura não se aguentou e começou a rir outra vez enquanto o ruivo tentava tirar algo da língua, e então se lembrou de olhar as horas.
– Nossa cara, tá tarde, vou indo pra casa.
– Dorme ai gata. – disse Karin piscando.
– Karin, não. – respondeu sorrindo – Boa noite gente, amanhã apareço em ambos os meus locais de trabalho.
– Vai lá chefia.
Ela deu um tchauzinho coletivo e saiu do apartamento.
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– Baka só você mesmo pra me fazer vir até aqui.
– Você vai gostar daqui Naruto, então pare de reclamar.
– Não vai nem perguntar como foi o voo?
Sasuke revirou os olhos.
– Não sou sua mulher Naruto, lembre-se disso.
O loiro fez um muxoxo e escorou a cabeça no assento do carro. Ele havia acabado de chegar a Clare e Sasuke fora lhe buscar no aeroporto.
Naruto jurou pra si mesmo ficar quieto o resto do caminho para castigar o Teme quando viu algo que o fez gritar.
– SASUKE PARA!
O moreno freiou bruscamente o carro fazendo os dois se inclinarem para frente.
– IDIOTA! O que foi?
– É a Sakura chan! – disse ele apontando para o outro lado da rua onde uma garota tentava em vão enfiar as chaves no carro.
– E precisava gritar desse jeito? O que ela tá fazendo?
– Vamos ali ver! – disse o loiro hiperativo já saltando do carro e correndo pela rua vazia aos gritos.
Sakura se assustou no inicio mas depois reconheceu os amigos, abriu os braços e aceitou o abraço caloroso de Naruto que a levantou do chão e girou no ar.
– Sakura que saudade!
– Naruto você continua o mesmo!
Ele a soltou e Sasuke se aproximou sorrindo.
– Não consegue colocar a chave na porta do carro? – disse rindo de canto.
– Não eu... sei lá.
– Ela tá chapada Teme!! – gritou Naruto como se aquilo fosse a descoberta da cura do câncer.
– E quer dirigir assim? – falou Sasuke em tom de reprovação.
– Ah não seja chato. – resmungou ela dando um soquinho no peito dele.
– Vem com a gente, não vou te levar até aquela colina hoje.
– Tanto faz Sasuke kun.
Os três foram em direção ao carro de Sasuke deixando o carro dela abandonado na calçada, o caminho até o hotel foi com um Naruto tagarelante, uma Sakura rindo de tudo e um Sasuke balançando a cabeça negativamente mesmo que o sorriso não lhe saísse dos lábios.
Ao chegarem no hotel que estavam hospedados Sakura passou os braços pelo pescoço de Sasuke que riu da situação enquanto a amiga fechava os olhos de sono. Ele nunca em sua vida imaginava Sakura assim, mas era engraçado.
Naruto ficou no quarto ao lado de Sasuke e depois de um boa noite alto e acalorado foi dormir, Sasuke ligou o sistema de aquecimento e deixou Sakura vagueando pelo quarto.
– ‘To feliz de estar com vocês dois outra vez – disse ela se sentando pensativa na cama de casal.
– Eu também, acredite. – respondeu ele tirando o pesado casaco, depois foi até o banheiro onde vestiu uma calça de moletom preto e uma camiseta branca.
– Você dorme de calça de moletom? Que broxa. – disse ela enquanto observava o amigo vir em direção da cama.
– Cala boca – respondeu ele rindo.
– Hm..
Os dois se deitaram e se cobriram, Sasuke apagou a luz e embora uma sensação estranha lhe tomasse a mente tentou relaxar. Sakura não era mais a criança que ele conhecia, era uma mulher.
– Boa noite boneca – disse ela se virando de lado e abraçando o travesseiro.
– Boa noite chiclete.
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