A Casa da Colina
16 Contra o tempo
Notas iniciais
Contra o tempo
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A chuva fustigava as janelas com força e vento zunia por entre as frestas da casa quando Sakura e Sasuke foram acordados pelo barulho irritante de um celular.
Ela resmungou quando o corpo dele se afastou para buscar o aparelho que ficara esquecido no bolso da calça.
– O que foi Naruto – falou de mal humor voltando para a cama quentinha.
– Você tem que vir agora pra delegacia.
– Por que? Aconteceu alguma coisa?
– Descobri quem são as duas crianças! Temos que ir atrás delas rápido.
– Certo, chego ai em quinze minutos.
Sasuke largou o celular em um canto e voltou a abraçar a rosada que permanecia com os olhos fechados.
– Porque não pode ficar aqui o dia inteiro?
Ele sorriu de lado.
– Porque Naruto descobriu o nome das duas crianças, temos que encontra-las.
Sakura abriu os olhos totalmente desperta com a nova informação.
– Mas isso é ótimo!
– É sim, agora vou fazer o Naruto procurar o descendente que está por trás isso.
Ela assentiu e o abraçou por baixo das cobertas.
– Mesmo assim, preferia que você ficasse aqui o dia inteiro.
Sasuke beijou a nuca dela e acariciou suas costas, lembrando então de algo que na noite anterior achara estranho.
– Sakura, o que é essa cicatriz enorme?
Ela arregalou os olhos como se lembrando da existência da própria.
– Ah, é algo que tenho e não posso explicar agora, seria cansativo entende?
Ele assentiu.
– Tenho que ir. – disse levantando e pegando as roupas largadas.
– Não tem tempo pra um banho? – disse ela manhosa.
– Se eu entrar no chuveiro com você, vou sair só amanha. Preciso mesmo ir.
– Eu sei.
Totalmente vestido ele foi até a mulher na cama e beijou-lhe os lábios.
– Até mais tarde.
–Até, se cuide Uchiha.
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Ino andava de um lado para o outro, não dormira a noite inteira e suas unhas foram todas roídas.
Suspirou e começou a se arrumar. Vestiu uma calça de couro marrom com botas pretas até os joelhos e um casaco de lã nude. Amarrou os cabelos em um rabo de cavalo e passou uma maquiagem leve, com toda a calma que conseguia fingir ter saiu do hotel em direção ao único lugar que queria chegar. A casa da colina.
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– Teme, você demorou! – reclamou Naruto que arrumava alguns papéis em uma pasta.
– Desculpe.
– Sei que é melhor ficar com a Sakura mas eu falei pra você vir logo!
Sasuke ergueu uma sobrancelha.
– Como sabe que eu estava com a Sakura?
– Hinata...
–Ah... – disse ele lembrando.
– Mas e a Ino?
– Terminamos, acredito que ela já esteja a caminho de Tóquio, mas vamos lá, quero os nomes.
O loiro assentiu e mostrou duas fotos.
– Samantha O’hare e Sue Eilen. As duas estudam na escola secundária.
– Sabe onde é?
– Sim, Hinata trabalha lá, já a levei algumas vezes.
– Certo, vou ligar para a escola e checar se elas estão em aula, você tem que se concentrar em encontrar a outra pessoa. Estamos perto Naruto, muito perto.
– Estamos. Vou começar agora! Isso vai ser mais fácil.
Sasuke pegou o telefone e discou o numero da escola que estava nos papeis que Naruto arrumara, ao quarto toque uma voz feminina atendeu.
– Escola secundária de Clare.
– Com quem eu falo?
– Fiona Brendon.
– Fiona eu sou Sasuke Uchiha da delegacia de policia de Clare, preciso saber de Samantha O’hare e Sue Eilen estão na escola nesse momento.
– Ah, um momento, por favor.
Ele esperou cerca de cinco minutos.
– Senhor Uchiha, não elas não vieram para a escola.
A pulsação dele aumentou.
– Certo, obrigada.
Ele jogou o telefone em cima da mesa no mesmo momento em que pegava as chaves do carro.
– Droga Naruto elas não estão na escola, vou procurar em casa. – disse ao sair pela correndo pela porta.
– Rápido teme. – murmurou o loiro preocupado.
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Depois de um banho relaxante e de um café quente Sakura rodopiava feliz pela casa, queria contar para alguém o que havia acontecido mais Hinata já havia saído para trabalhar.
Não se importando com a chuva forte que lavava Clare ela resolveu ir até a loja para ver Karin, e é claro, fofocar.
Pegou um chale preto e jogou por cima do vestido de mesma cor e quando abriu a porta da rua não teve surpresa pior.
– Ino? – perguntou olhando para a mulher que se encolhia em baixo da pequena varanda para fugir da chuva.
– Podemos conversar Sakura? – disse em um tom tão frio quanto aquela manha de fim de inverno.
– Claro.
Ela deu espaço para outra entrar e fechou a porta atrás de si, não fazendo menção alguma de convidá-la a sentar ou oferecer um chá.
– Sei por que veio aqui Ino e olha, eu não quero ter que discutir isso com você.
– Sabe por que eu vim aqui? – perguntou a outra irônica – claro que sabe você roubou o meu noivo não é mesmo?
Sakura mordeu a boca ao ouvir aquelas palavras, sabia que o que fizera não era certo, mas, e daí? Gostava de Sasuke e queria ficar com ele.
– Eu não roubei o seu noivo...
– Você pode me deixar falar? – cortou a outra fechando os olhos com irritação.
– Fique a vontade.
– Ele me largou ontem e veio aqui dormir com você, eu sei disso. No mínimo fizeram o sexo mais maravilhoso da sua vida porque sim, ele é ótimo na cama não é mesmo?
– Ino..
– Deixe-me terminar Sakura!
A rosada assentiu com a cabeça.
– Obrigada, então, depois de uma noite maravilhosa eu vou te contar o que vai acontecer, ele vai ficar com você até achar outra, outra pra fazer a mesma coisa e vai te largar.
– Sasuke não é assim Ino.
– O que você sabe sobre ele em? Você não o conhece! – cuspiu a loira – eu o conheço, eu o conheço a anos! Desde que você fugiu da cidade...
Sakura levantou os olhos com aquela frase, sabia que não fora dita em vão.
– Agora, quero que se afaste dele certo? Você já dormiu com ele uma noite, viu tudo que tem ali então suma.
– Não vou me afastar dele Ino, desculpe por tudo isso mas eu gosto do Sasuke.
– Você vai se afastar dele sim – disse ela parando perigosamente em frente a Sakura.
– Ou o que?
A loira sorriu.
– Ou todos nessa cidade vão saber o porque de você ter se refugiado aqui. Todos vão saber o que você fez com o Chouji quando ele era uma criança e sabe? Ele ainda tem as cicatrizes pelos braços! Engraçado, imagina como a sua vida vai virar um inferno? Soube que todos desconfiam que você é a culpada pelo sumiço dessas crianças não?
Sakura estava impassível de tanta raiva.
– Está me ameaçando Ino?
– Estou sim, fique longe do meu homem ou eu acabo com a sua vida!
– Ino, você tem medo de que?
A loira piscou por um momento tentando analisar a pergunta.
– O que? Do que está falando?
Sakura então se aproximou e segurou-a pelo braço. Seus olhos giraram nas orbitas trazendo a parte branca para frente.
– Ah sim, você tem medo disso...
– Pare com isso! O que é isso com o seu olho!
Mas calou-se porque não via mais Sakura e sim uma escuridão que pulsava em seus olhos arregalados.
– Sakura? – perguntou com a voz fina de medo – isso não tem graça!
Uma luz tremulante apareceu e começou a piscar ao mesmo tempo em que vultos passavam sorrateiros por toda a extensão daquele lugar assombroso. Um grito espectral a fez cobrir os ouvidos com as mãos e logo caiu de joelho gritando de pavor. Ao olhar para o chão duro de pedra entrou em pânico porque milhares de baratas e aranhas subiam em seu corpo mordendo e picando a pele branca.
– Socoorrroo! Sakura socorro!!!! – gritou apavorada se debatendo freneticamente para se livrar dos bichos que caminhavam em sua pele.
O grito ensurdecedor que vinha das paredes a estava enlouquecendo e quando pensou em gritar mais uma vez, tudo passou tão rápido quanto começou.
Abriu os olhos tentando recuperar a respiração e viu que estava no mesmo lugar que antes.
– O que você fez... comigo.. – disse tentando formular as palavras.
Sakura ainda estava escorada na porta e a olhava com interesse fingido.
– Eu? Nada. Você que começou a gritar feito louca.
– Foi você que fez isso! Eu sei..eu oh meu deus que horror! – continuou ela apalpando o próprio corpo.
– Não me ameace Ino Yamanaka.
A loira ergueu os olhos para encará-la.
– Você é maluca.
– Sou, agora, fora da minha casa. – disse abrindo a porta e dando espaço para a outra que saiu quase correndo em direção ao carro sem se importar com a chuva que molhava seus cabelos.
Quando ouviu o carro se afastar Sakura respirou fundo, sabia que pegara pesado com ela mais não havia outra coisa a se fazer. Pegou um chiclete na bolsa para tirar o gosto azedo que ficara ali e foi para o carro, nada estragaria seu dia.
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Sasuke estacionou o carro com tanta velocidade que as pedrinhas de cascalho voaram longe. Ele estava no subúrbio de Clare onde as casinhas de madeira eram simples e os muros que as protegiam não passavam de meras estacas de madeira com arames mal colocados.
A casa de Samantha O’hare era tão pobre quanto todas as outras da vizinhança, ele adentrou o cercado de tela enferrujada e bateu à porta. Uma mulher vestido uma calça jeans surrada e uma blusa de lã marrom puída lhe atendeu.
–Senhora O’hare?
– Eu mesma. Por quê? – disse ajeitando os cabelos pretos que estavam bagunçados em um coque.
– Sou Sasuke Uchiha, policia local. Preciso saber onde está sua filha.
– Qual delas?
– Samantha.
– Um, na escola. Ela aprontou alguma coisa é seu policial? Porque olha as irmãs dela me dão um trabalho que..
– Ela não fez nada, só preciso encontra-la e ela não está na escola.
– Ué, como não? Saiu hoje cedinho com galocha e tudo!
Ele suspirou pesadamente.
– Sabe onde é a casa de Sue Eilen?
– Sei, é aquela ali – disse apontando para uma casa quase a frente da sua – mas o que tem a Sue com a Samantha? Elas não são amigas.
– Senhora O’hare preciso que fique calma.
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– Sabe Karin, preciso comprar umas calcinhas novas. As minhas estão muito velhas e quero algo novo e bonito, quem sabe cor de vinho? – disse Sakura que não parara de tagarelar desde que chegara.
Ela parou de arrumar os vidrinhos de perfume na prateleira e observou a amiga que estava escorada no balcão sem falar uma palavra.
– Karin! Estou falando há meia hora com você!
– Sakura você transou?
A rosada arregalou os olhos.
– Ah Karin você não muda mesmo... ah, ok – suspirou- transei.
O sorriso de Karin se abriu em uma gargalhada gostosa.
– Eu sabia! Sabia! Nunca vi você de tão bom humor.
– Sua babaca. Eu ia contar... só estava pensando em como.
– Que tal “Oi amiga, adivinha, ontem eu dei a pepeca!”. – disse ela contornando o balcão e parando em frente à outra que ria sem parar.
– Você é muito nojenta.
– Eu não, você que vê o sexo como uma coisa anormal. Mas vai, me conta como o Sasuke é na cama.
– Como sabe que foi com ele?
– Ah Sakura, fala sério... anda, te pegou de jeito? E o pinto dele é grande? Eca, eu deveria parar de falar em pinto isso é nojento.
– Nojenta é você! – disse a outra gargalhando – e é enooorme!
– Ai que nojo! – disse a ruiva fazendo careta.
– Agora vou contar os detalhes...
– Oh Deus...me ajude. Porque fui perguntar...
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Sasuke e Naruto mal tiveram tempo de engolir um sanduiche quando as coisas na delegacia pegaram fogo. As duas mães estavam inconsoláveis pelo fato de suas filhas terem desaparecido sem ao menos deixar pista ou vestígio e não havia nada que pudesse ser feito no momento.
Sasuke colocou policiais para fazer rondas no caminho da casa delas até a escola para fazer perguntas e tentar encontrar alguma pista e Naruto se dedicara a pesquisar pelos descentes vivos do casal assassinado há tantos anos atrás.
Ao final do dia todos estavam exaustos, os cabelos de Naruto estava arrepiados e oleosos de tanto que o próprio os puxou e Sasuke parecia visivelmente estressado.
– Precisamos comer Sasuke. – resmungou o loiro apertando os olhos com os dedos.
– Não podemos, temos que encontrar essas crianças! Elas não podem estar longe.
– Sabe o que eu acho estranho Teme?
– Hm?
– A pessoa mudou de tática, antes ela pegava uma criança por mês e agora que descobrimos quem são elas somem no mesmo dia.
– Eu já havia percebido isso.
– É alguém daqui de dentro. – disse Naruto em um tom de voz mais baixo.
– Ou que tem acesso aos registros, aos nossos registros.
– Temos que ser mais cautelosos.
Sasuke apenas assentiu enquanto observava pela vidraça o céu escurecer.
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Sakura estava irrequieta, não falara com Sasuke durante o dia e agora que a noite caíra ela soube pelo noticiário que mais duas crianças haviam desaparecido. Seu coração palpitou forte, pois sabia que agora o numero estava completo e provavelmente elas seriam mortas como Lana.
Hinata mandara uma mensagem avisando que não viria para casa cedo já que a escola estava em polvorosa e ela fora chamada junto com os outros professores para dar depoimento na delegacia sobre qualquer atividade suspeita perto das crianças.
Sabendo que passaria a noite sozinha resolveu fazer algo que poderia ajudar Sasuke e a todos os outros. Foi até o quarto tomou um banho de ervas, pegou uma vela negra que ficava em seu altar, um punhal de ferro e uma taça.
Quando foi fechar as cortinas da janela viu algo que a fez sorrir. Kurama fazendo suas necessidades na rua.
“Que bom que aprendeu mocinho” pensou consigo puxando os pesados panos.
Retirou o tapete e respirou fundo, o ritual que faria seria diferente de qualquer coisa feita na casa e contra tudo o que sua religião pregava. Mas ela conhecia, ah ela conhecia bem aquelas coisas.
Acendeu a vela e a deixou repousando no chão, ela era a única fonte de luz do quarto. Depois pegou o punhal e fez um corte profundo na mão direita, o sangue fluiu com força e escorreu para dentro da taça até formar uma pequena poça.
Ela então se ajoelhou no chão e virou para o oeste, molhou o dedo no próprio sangue e desenhou um pentagrama invertido no chão. Depois esticou os braços e recitou:
– Leviatã.
Após falar o nome do príncipe coroado do inferno o pentagrama pegou fogo, virou-se para o sul fazendo o mesmo e disse em voz alta:
– Satã.
Depois repetiu virando para o leste “Lucifer” e oeste “Belial”.
Tendo os quatro pentagramas traçados virou para o este e de braços abertos disse:
– Diante e mim, Ariton! Atrás de mim, Oriens! A minha direita, Paymon! A minha esquerda, Amaymon! Ao meu redor, brilham os pentagramas! No pilar central, brilha a estrela de seis raios!
Os triângulos dos pentagramas brilharam com uma luz negra forte e assim permaneceram. Virou-se então para o oeste e com a mão esquerda fez o sinal de Shaitan imaginando Satã como uma figura alta e forte.
– Em nome de nosso grande deus, Satanás Lúcifer altíssimo, eu entrarei no altar do Senhor do Inferno que rege a Terra. Senhor Satanás Rei do Inferno!
A luz da vela tremeu e o vento bateu mais forte nas janelas, por um momento ela sentiu medo ao observar a escuridão tomar uma forma não humana.
Virou para o norte e com o próprio sangue desenhou um pentagrama na testa:
– Em nome de Baphomet, o Demiurgo!
Desenhou outro sob o peito e sob a genitália, respirou fundo e disse:
– Hail Satã! Sheramphorash.
O ar no quarto se tornou denso e gelado, sussurros baixos saiam das paredes e todos os pelos do corpo dela ficaram ouriçados.
– Neji Hyuuga, eu lhe invoco.
A forma caminhou até a luz da vela que já estava quase acabando e ela tremeu quando o viu o rosto conhecido, porém retorcido e com os orbes negros.
– Sakura.
– Neji.
– Você me chamou.
Ela prendeu a respiração quando observou larvas e alguns insetos em seu corpo espectral.
– Quero saber quem fez isso com você.
Ele abriu um sorriso demoníaco e tombou a cabeça.
– Você não sabe? Pois vou te contar.
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Sasuke sentiu um mal estar repentino e da janela em sua sala observou a casa do alto da colina, estava escuro e nuvens carregadas se formavam no alto.
Começou a juntar suas coisas quando um Naruto afobado entrou na sala com o rosto vermelho.
– O que foi? – perguntou um pouco irritado pelo cansaço.
– Recebemos uma denuncia anônima sob a identidade do assassino. Você não vai acreditar.
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