A Cartada Final

2 Micaelly - Capítulo II


Notas iniciais
O segundo capítulo da história. Espero que gostem.

Eram seis da manhã... O Galaxy S4 com uma capinha antiga e cor-de-rosa jogado na cama começou a tocar uma música qualquer da Avril Lavigne. Micaelly acordou sonolenta como sempre e desativou o despertador de seu celular. Esfregou os olhos e desceu da cama, olhando-se no espelho como todas as manhãs.

– Provas, provas... Argh. – Murmurou para si mesma, já caminhando em direção ao banheiro.

Após tomar seu banho, Micaelly vestiu seu uniforme escolar e optou por usar também um suéter de lã vermelho, afinal, era inverno. Ela desceu as escadas lentamente e se dirigiu em direção a cozinha... A mesa estava toda pronta, com um pote cheio de cereal de chocolate... Será que a Avril também gostava de comer cereal pela manhã? Meh... Talvez não.

– Filha, quer que eu te leve para a escola hoje? – Perguntou a mãe de Micaelly, arrumando-se rapidamente.

– Não... Eu e Alan vamos juntos para a escola. – Respondeu Micaelly, enfiando uma boa colherada de cereal na boca.

– Nossa... Eu jurava que ele não era seu amigo.

– Depois que Larissa desapareceu, há dois meses atrás, Alan se transformou completamente e se tornou nosso amigo. – Disse Micaelly, meio abatida.

– Ainda bem que aquela menina sumiu. Ela não fazia bem para você, meu docinho. – Comentou a mãe de Micaelly.

– MÃE! – Micaelly gritou, levantando-se.

– Vai me dizer que é mentira? Você não lembra como ela te tratava? – A mãe se virou, encarando a filha.

Micaelly parou por alguns minutos... Larissa de fato fazia você se sentir especial... Mas ela também poderia ser muito malvada.

Aconteceu há dois anos atrás... No sétimo ano. Larissa, Micaelly e Bia estavam lanchando na cantina natural da escola... Aquele era o ponto de encontro na hora do intervalo. Até que o garoto em que Micaelly era apaixonada acabara de passar pelas três, era inevitável os suspiros dela.

– Micaelly, pare. Você nunca vai ficar com ele. – Disse Larissa, rindo.

– Ei Lari... Eu posso sim ficar com ele. – Rebateu Micaelly, tristonha.

– Sério? Você usa um suéter colorido que sua mãe lhe deu, faça-me o favor. – Debochou Larissa.

– Larissa, para. Somos amigas ou não? – Bia se intrometeu numa possível briga.

Os devaneios de Micaelly foram interrompidos com a companhia tocando. Ela se levantou e foi até a porta de entrada... Não era ninguém, porém tinha um buquê de rosas mortas e um pequeno papelzinho. Ela se abaixou e pegou o papel, lendo o que havia escrito.

“ Eu estava certa... Passaram-se os anos e até hoje você nunca conseguiu namorar com ele. Com amor, Larissa, sua amiga ETERNA.”

– Q-quem... Colocou isso aqui? – Micaelly olhou para o lado e para o outro, preocupada.

– Ei, Mica, o que foi? – Perguntou Alan, aparecendo de surpresa na frente da casa de Micaelly.

– Nada... Nada.

– Já está pronta, querida? Eu não gosto de esperar.

– Já estou indo, espere um pouco.

Alan estava totalmente diferente. Ele trocou os óculos pretos por lentes de contatos e começou a se vestir melhor. Ele conseguiu muita popularidade entre as pessoas do colégio e segundo Micaelly... Ocupou o lugar de Larissa. Mas é claro que Alan nunca conseguiria ser tão dócil, gracioso e gentil como Larissa era.

– Já estou pronta, vamos. – Falou Micaelly, com sua bolsa em mãos.

– Finalmente.

***

Alan e Micaelly sentaram-se em suas bancas na sala de aula. Apenas eles e Carol haviam chegado. Estranhamente, Carol também havia mudado bastante, BASTANTE mesmo. Ela havia pintado os cabelos de castanhos claros e os deixou lisos – iguais ao de Larissa – e começou a se vestir bem melhor... Bem parecida com Larissa também.

– Ei, pessoal, o que estão fazendo? – Perguntou Carol, sentando-se na frente de Micaelly.

– Estamos conversando Carol... O que quer? – Perguntou Micaelly.

– Nada, nada. Eu apenas vim lembrar para vocês que hoje é o aniversário de desaparecimento de Larissa, hihi. – Disse Carol.

– Sua idiota... – Micaelly levantou a mão, mas foi surpreendida.

Carol levantou-se rapidamente e segurou a mão de Micaelly com delicadeza. Os lábios rosados de Carol revelaram um sorriso irônico, o que significava que a víbora ia lançar o seu veneno – novamente – em cima das meninas. As vezes Micaelly imaginava como o mundo seria um lugar melhor sem Carol.

– Querida, é a verdade. Se você ainda não se conformou, não é problema meu. E a propósito, tire esse suéter, fica horrível em você. – Carol falou e saiu dali saltitando.

– Ela é uma vadia mesmo, ignore. – Consolou Alan.

– Pois é... – Disse Micaelly.

– Quem é vadia? – Perguntou Samara, colocando cuidadosamente sua bolsa na banca a frente de Alan.

Samara estava linda aquela manhã, aliás, como sempre. Seus longos cabelos castanhos estavam sedosos e brilhantes, seu sorriso, branco como a neve. Samara – ou Sasa para os íntimos – foi a que mais se aproximou de Alan, após o desaparecimento de Larissa.

– Estávamos falando de Carol. Ela veio atazanar a vida da gente como sempre. – Disse Alan, abraçando a amiga.

– Como aquela brucutu conseguiu ficar tão popular assim? Ela até parece... – Micaelly começou a falar.

– Larissa. – Disseram em coro, Samara e Alan.

Após algum tempo, Bia chegou na escola e colocou sua bolsa na frente de Samara. Bia essa manhã tinha amarrado seus cabelos num rabo-de-cavalo muito bem feito e utilizava um suéter muito fofo de corações. Podia se perceber também em seus lábios, um batom rosado bem clarinho. Ela também tinha mudado bastante desde o desaparecimento.

– Vocês acreditam que Carol estava torturando Airton, novamente? – Falou Bia, sentando-se.

– Ai que ódioooo! Aquela menina só sabe fazer besteira. – Disse Micaelly, raivosa.

– Calma gente... Não sei como vocês ainda não estão acostumadas. Larissa fazia a mesma coisa. – Informou Samara.

– Sim, Sasa, mas Larissa era amiga de Airton, né fofa? – Disse Alan, teclando em seu celular.

– Pois é... Eu já estou farta. – Finalizou Micaelly.

Após o fim da pequena conversa, o professor de literatura havia chegado na sala. Se passou quatro horas e finalmente chegou o horário favorito dos alunos... O intervalo. Bia, Alan e Samara saíram na frente e Micaelly foi logo atrás, mas foi abordada por Airton.

– Ei, Mica... Tudo bem? – Perguntou Airton, meio desajeito.

– Oh... Estou bem sim, obrigada. – Disse Micaelly.

– Então... Estou querendo saber se você quer ir comigo para uma sorveteria... – Disse Airton.

– Eu não posso... Eu e Alan combinamos de ir para o parque. – Disse Mica, meio tristonha.

– Ah, Mica, eu não vou pode ir para o parque hoje, desculpa. – Disse Alan, chegando ao lado de Micaelly.

– Hã? Por que? – Perguntou Micaelly.

– Minha mãe foi para o médico e eu não vou pode ir... Algum problema? – Disse Alan, sorridente.

– Nenhum. Que sorte a minha, Airton acabou de me convidar para sair com ele. – Disse Micaelly.

– Alguns males são para o bem, querida. Bem, tchau para vocês, divirtam-se. – Alan se despediu, sumindo na multidão de alunos.

– Nós temos muita sorte. – Disse Airton.

– Pois é.

***

Micaelly chegou eufórica e sorridente em casa. Ela nem foi para a cozinha almoçar, ao invés disso, foi logo em direção ao banheiro. Ela passou uma hora e meia no banho, certificando-se que estaria limpinha para o encontro mais tarde. Após o banho, retirou cada cutícula fora do lugar de suas unhas e as pintou num tom vermelho vinho. Alisou seus cabelos, escovou os dentes, passou mil e um hidrantes em seu corpo. Agora, chegaria a melhor parte, o guarda-roupa. Ela pegou várias e várias roupas e as jogou em sua cama, ela estava completamente indecisa. Então, optou por utilizar uma saia preta na altura das coxas com uma blusa de botões branca com várias bolinhas pretas. Ela também calçou um tamanco da mesma cor da saia e uma bolsa preta também. Prendeu seus cabelos num coque firme e colocou óculos escuros, escondendo seus belíssimos olhos. Agora passando para a parte da maquiagem, Micaelly passou um batom vermelho em seus lábios e parou por ai. Ela estava linda e perfeita para o encontro...

– Mãe, como estou? – Perguntou Micaelly, sorrindo.

– Ai filha... Você está per-fei-ta! Parece uma top model. – Falou a mãe, orgulhosa.

– Obrigada... – Disse Micaelly.

Ela deu um beijinho na bochecha da mãe e saiu de casa. Ao chegar na lanchonete, Airton já estava a esperando. Ela sorriu e o cumprimentou.

– Ai, Airton... Eu demorei muito? – Perguntou Micaelly, preocupada.

– Eu que cheguei adiantado. Não queria te deixar esperando... – Tranquilizou Airton. – E aliás, você está muito bonita.

– Obrigada, você está muito bonito também.

– Bem, vamos pedir alguma coisa?

– Claro, claro. O que vai ser?

– Que tal... Banana Split?

– Ótimo!

Airton e Micaelly continuaram conversando até a banana Split chegar. Porém alguns minutos antes, Brunna, uma garota da sala de Micaelly e amiga de Airton havia chegado e chamado por ele. A tal da Brunna era uma garota alta, com cabelos loiros e curtos e com um vestido extremamente curto azul escuro. Micaelly com certeza não gostava dela, ela era mais uma que havia se transformado assim como Alan e Carol.

– Airton, eu me esqueci de te entregar algo. – Disse Brunna, preocupada.

– Sem problemas, pode me entregar agora. – Disse Airton.

Enquanto Airton e Brunna conversavam um pouco longe da mesa de Micaelly. Um garçom, um tanto estranho, com um casaco preto e encapuzado, havia chegado e serviu os dois pratos. Porém o de Micaelly era diferente... Era cheio de papelzinhos com alguma coisa escrita.

“ Nossa amiga... Você finalmente conseguiu, hein?! Só não deixa ele saber da escova de dentes amarela, hihi. Beijos, sua melhor amiga, Larissa. “

– Que brincadeira é essa? – Micaelly se virou para encarar o garçom estranho, mas ele já tinha ido.

– O que foi Mica? – Perguntou Airton assustado.

– Nada, nada!

Micaelly saiu correndo da lanchonete... Ela estava completamente horrorizada. Primeiro foi o buquê de flores e aquela mensagem e agora... Esses papelzinhos. Será que era mais uma brincadeira de Larissa e ela estava viva afinal? Com certeza ela estava viva. Ninguém achou o corpo dela e só Larissa sabia sobre a escova de dentes amarela. Oh, droga. Micaelly precisava falar isso para seus amigos.

– Ei, Micaelly, calma, para onde está indo com tanta pressa? – Perguntou Samara, ao lado de Alan.

– Vocês não acreditam no que aconteceu pessoal! – Disse Micaelly, quase chorando.

– Calma amiga... Você não pode falar sobre isso assim no meio da rua. Vamos na casa de Sasa, é aqui perto. – Falou Alan.

– Verdade, Mica. Vou ligar para Bia pra ela nos encontrar em minha casa.

Após alguma horas, todos eles se encontraram na casa de Samara, para ouvir o que Micaelly tinha para dizer.

– Gente, Larissa está viva, eu recebi vários bilhetes com mensagens de segredos que só ela sabia. – Disse Micaelly, nervosa.

– Que segredos? – Perguntou Bia.

– Eu não posso falar... Era só entre eu e ela, sabe? – Disse Micaelly meio constrangida.

– Ok, ok... Mas pode ser qualquer um. Vai que algum doido tenha pego o diário dela e lido tudo isso? Você não pode afirmar que ela está viva só com isso, Mica. – Explicou Bia.

– Sim, Bia, mas ninguém nunca achou Larissa e você sabe muito bem como aquela garota gostava de brincadeiras. – Disse Alan.

– Talvez ela esteja viva... E esteja curtindo com nossa cara. – Murmurou Samara...

– Pois é. – Disse Micaelly.

Todos eles entraram em silencio, até que várias pedras atravessaram as vidraças das janelas da casa de Samara, quase atingindo eles.

– AAAAAAAAH! – Gritaram em coro.

– Ai meu Deus, o que é isso? – Perguntou Alan abismado.

– Tem folhas grudadas nas pedras, vê o que é, Bia! – Disse Mica abraçada em Samara.

– Ok...

Beatriz se aproximou das pedras e pegou uma das folhas lendo o que havia escrito.

“ Eu estou viva, vadias. É tão difícil compreender? São lerdas mesmo, hein? “

– Gente... Isso tá ficando macabro, sério. – Disse Bia.

– O mais macabro dessa história, é que Larissa sabia que estávamos falando dela. – Disse Micaelly.

– Ai pois é... Vou até ligar para minha mãe depois dessa. – Disse Alan, ligando para sua mãe pelo seu celular que já estava em suas mãos.

– Larissa... Ela está lá fora em algum lugar, nos observando. Que nojenta. – Disse Samara, sentando-se.

– Pois é... E vamos descobrir onde ela está. Nunca que eu vou deixar Larissa ganhar esse jogo. – Disse Bia.

Notas finais
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