A Cartada Final

3 Samara - Capítulo III


Notas iniciais
Terceiro capítulo da história.

O sinal havia tocado. Finalmente as aulas tinham terminado e Samara estava pronta para ir embora. Ela pegou sua bolsa e caminhou em direção ao portão do colégio. Era sexta-feira e hoje ela iria se encontrar com Alan no shopping, para fazer algumas comprinhas, tomar café no Starbucks e falar sobre como Brunna fica ridícula tentando convencer o garoto do terceiro ano do ensino médio a sair com ela. Após 30 minutos andando, Samara chegou em sua casa. Como de costume, seus pais estavam no trabalho e seu irmão num cursinho. Ela jogou sua bolsa no sofá e foi em direção ao banheiro. Após terminar seu banho, foi se vestir.

– Tantas roupas... Aff, nem vou perder tempo com isso, pra quê vou me arrumar para sair com Alan? – Falou Samara, rindo consigo mesma.

Samara vestiu uma saia bege na altura de suas coxas e colocou uma camisa xadrez vermelha com azul marinho. Optou por usar uma sapatilha preta básica e uma bolsa da mesma cor. Prendeu seus cabelos num rabo de cavalo e colocou seus óculos escuros. Ela estava pronta para se destacar – como sempre – das outras meninas no Shopping. Enquanto Samara se admirava no espelho, seu celular começou a vibrar.

– Oii, Alan. Então, acabei de me arrumar. – Disse Samara, ao telefone.

– Vai logo! Se não aquelas babuínas da escola vão comprar todos os álbuns restantes da diva do pop, Selena Gomez. – Disse Alan, do outro lado da linha.

– Faça-me o favor, né fofo? Elas não tem dinheiro o suficiente para isso. – Samara respondeu, ironizando.

Os dois riram e continuaram conversando no celular. Quando o relógio marcou 13:00, Samara pegou um táxi e partiu para o Shopping. Ao chegar lá, Alan já estava esperando ela na entrada.

– Ai, faz tempo que a gente não vai pro Shopping, né não? – Comentou Alan.

– Querido, fomos ao Shopping semana passada, me poupe. – Disse Samara.

Os dois começaram a andar pelos corredores extensos do Shopping lado a lado. Ambos estavam lindíssimos e se destacavam da maioria. Alan olhou para Samara e ela o respondeu com um sorrisinho irônico, então, os dois seguraram a mão um do outro e brilharam ainda mais. Eles eram melhores amigos.

– Para onde vamos primeiro? – Perguntou Alan.

– Não sei... Acho que devíamos ir para a loja da Chanel, tem cada roupa linda lá. – Respondeu Samara.

– Sim. E Sasa, qual foi nossa promessa mesmo?

– “Nunca deixar ninguém pisar na gente.” – Disse Samara, sorrindo.

– Isso mesmo.

Os dois riram e foram em direção a loja da Chanel. Eles passaram cerca de duas horas, comprando perfumes, roupas e mais roupas que com certeza não iriam conseguir utilizar todas num mesmo ano. Após as “pequenas” comprinhas, eles seguiram para o Starbucks, para tomar um cafezinho básico.

– E em pensar que há dois meses atrás eu era um nerd e vocês não se importavam comigo. – Alan comentou.

– Ei, para com isso. Eu me importava com você... Mas o problema é que Larissa não me deixava conversar com você. – Disse Samara.

– Você obedecia ela?

– Não é isso. Ela era a abelha rainha da escola, todo mundo fazia o que ela quisesse, até você! Que é apaixonado por ela...

– EPA! Eu era apaixonado, errou feio aí, hein? Eu percebi que não vale lutar por uma criatura daquelas... Até porque, ela está morta, não?

– Você não se lembra do que aconteceu há dois dias atrás? Recebemos mensagens dela, Alan!

– Esquece isso. Deve ser apenas uma brincadeirinha de mal gosto de Micaelly ou sei lá. Ela nunca foi tão inteligente.

– Estou cansada de ficar sentada aqui, vamos ir para outra loja?

– Ah... Qual?

– Sei lá. Hã... Por que não vamos na Prada e compramos um vestido para Bia? Ela não tem se vestido tão beeem ultimamente.

– Claro, vai na frente. Eu tenho que mandar uma mensagem pra minha mãe.

– Ok!

Samara foi em frente e deixou Alan sozinho, enviando a tal mensagem. Alan as vezes gostava de lembrar do passado... Samara nunca entendeu isso. Ele era triste e não gostava da sua vida, tudo bem que ela não era amiga dele naquela época, mas ela sentia isso. Estava bem na cara... E Sasa também não acha que ele seja realmente feliz atualmente. O atual Alan, não é ele de verdade. Segundo Samara, o Alan verdadeiro, é aquele menino nerd de antes. O sumiço de Larissa mexeu mesmo com ele.

– Olha só quem está, Sasa! – Disse Carol, arrumando seus cabelos.

– Argh... Se eu soubesse que você estaria aqui, eu nem teria vindo. – Disse Samara, com uma expressão de nojo.

– Que roupa mais ridícula Samara. Onde você comprou ela? Num brechó? – Carol começou a rir – Você e aquela sua amiga patética, Micaelly, são um peso morto.

– Carol, se manda daqui, querida. Ninguém te chamou. – Rebateu Alan, chegando ao lado de Samara.

– Olha só quem tá aqui... Hahaha. Divirtam-se, casalzinho. Ei, Samara, acho que Larissa não iria aprovar esse namoro com Alan, hein? – Disse Carol.

– Não estamos namorando... E não importa o que Larissa acha, ela está morta. Né Alan? – Disse Samara, virando-se para ver Alan.

– Claro. – Alan falou, puxando Samara para a loja e ignorando completamente Carol.

Ambos começaram a rir de como eles tinham acabado de pisar em Carol, que estranhamente, teve a coragem de entrar na mesma loja que eles. Samara apenas ignorou e começou a comprar diversas roupas. Primeiro, ela escolheu um lindo vestido vermelho na altura dos joelhos, depois uma camisa preta com mangas compridas e uma calça jeans branca. E também achou um lindo cinto dourado! Aquela loja tinha tudo de bom... Até que Alan chamou Samara para um balcão que tinha vários e vários óculos de grife ali. Samara ficou um bom tempo ao lado dele, tentando escolher o mais bonito.

– Ai Alan, qual será o melhor? – Perguntou Samara, indecisa.

– Esse dourado aqui vai ficar bem bonitinho em você. – Disse Alan.

– Ai não... Esse combina mais com Micaelly.

– Então leva pra ela, ué.

Samara pegou o óculos dourado e entregou para a moça que passou no caixa e embrulhou num pacotinho bem lindo. Samara continuou ali naquele balcão tentando escolher algum óculos para ela.

– Escolhe logo! Não temos o tempo todo. – Disse Alan.

– Calma, muita calma nessa hora... – Comentou Samara.

Pobre Samara, mal sabia que esse dia no shopping acabaria num desastre. Carol, discretamente, caminhou em direção a outro balcão – dessa vez de joias – e pegou umas duas. Ela olhou para o lado e para outro e retornou ao local em que Samara escolhia os óculos alegremente. Sem que Sasa percebesse, Carol enfiou as joias em sua bolsa e tratou de sair dali. Samara iria ver que não se brinca com fogo.

– Aff, vou pegar nenhum óculos. Vamos embora Alan. – Disse Samara, cansada.

– Eu não acredito que você me fez ficar em pé aqui por 10 horas para você não levar nada!

– Cala a boca e anda e outra, não se passou nem uma hora, Alan.

Os dois andaram até a porta da loja, prontos para ir embora, até que... O sistema de segurança da loja começou a apitar bem alto e vários policiais andaram em direção a Samara e Alan.

– Ai, mas o que é isso, será que roubaram alguma coisa? – Falou Samara, preocupada.

– Claro que roubaram... Você roubou. – Disse um dos policiais, segurando o braço de Samara bruscamente.

– Ei, como assim? Minha amiga não roubou nada! – Alan começou a gritar, furioso.

– Calado! Se não quiser ir para a delegacia também. – Disse outro policial.

Samara foi levada em direção ao carro dos policiais. O que havia acontecido? Ela não tinha roubado nada. Por que diabos essa injustiça estava acontecendo logo hoje? Oh droga...

***

Samara estava numa sala de concreto, de frente para um rapaz de 20 e poucos anos, encarando-a. Samara foi multada por 500 reais por ter roubado aquela loja, mas o cara da policia queria falar com ela.

– Bem, Samara... Sabe por que está aqui? – Perguntou o rapaz.

– Porque eu roubei. Não precisa me lembrar. – Respondeu Samara, ríspida.

– Não... É por outra coisa. – O rapaz suspirou e continuou – Eu sou Pedro Ivo, o chefe de uma investigação que foi aberta novamente.

– Ai, tá bom. Fala logo o que você quer para eu pode ir embora. Se eu perder o ultimo episodio da temporada da minha série favorita, vai acontecer um homicídio aqui!

– Ok, apressadinha. A investigação que foi aberta recentemente.... É o caso de Larissa. Uma garota que desapareceu misteriosamente há dois meses atrás e que por acaso, era uma de suas melhores amigas. Certo?

Samara congelou na hora. Como assim aquele caso foi aberto novamente? Por qual motivo? Quem teria pedido para abrir? A família de Larissa que não foi, afinal, eles se mudaram para o Rio Grande do Sul há um mês atrás, então... Quem foi? E por qual motivo?

– S-sim... Ela era minha amiga. Mas por que as perguntas? – Falou Samara, nervosa.

– Eu quero resolver esse caso. Mas não temos nenhuma suspeita. Isso é muito triste e complicado... – Disse Pedro, irônico.

Um policial entrou na sala e Pedro Ivo fez um sinal para ele. A porta se abriu e uma garota de cabelos loiros e uma expressão nada agradável entrou. Era MICAELLY. Samara ficou pela segunda vez surpresa. Como assim Micaelly também tinha sido chamada para cá? Eu hein.

– Sasa! Você foi chamada também?! – Gritou Micaelly, abraçando Samara.

– Sim... Pois é, fui chamada. – Samara mentiu. Sua amiga não poderia saber do tal roubo.

– Então vocês são amiguinhas... Será que não foram vocês que assassinaram Larissa? – Perguntou Pedro Ivo, rindo.

– O quê?! Claro que não. Nós nunca encostaríamos um dedo em Larissa, faça-me o favor. – Disse Micaelly nervosa.

– Ok, ok. Bem, eu estou cansado demais para ouvir depoimentos hoje. Prometo que não vamos interferir na vida das duas.

Pedro Ivo levantou-se e virou a tela do computador para as duas meninas. Após isso, saiu da sala deixando-as.

Era assustador o que havia na tela do computador... Era horrível. “MICAELLY E SAMARA, PRINCIPAIS SUSPEITOS DO CASO DE LARISSA. UMA DENUNCIA ANONIMA MANDOU FOTOS DE AMBAS NO LOCAL QUE OCORREU O CRIME, NA MESMA NOITE. “ Mais abaixo, havia uma foto de Micaelly e Samara correndo atrás de alguma pessoa. O estranho é que nenhuma das duas lembrava-se disso.

– Micaelly... Estamos ferradas.

– Sim, nós estamos. E o pior que podemos ser as assassinas... Nós não lembramos de nada daquela noite, não é?

– É por isso que estou com medo.