A Caçadora
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Notas iniciais
Lucy abriu os olhos e sentiu uma grande dor de cabeça, sua visão embaçada capitava apenas uma luz extremamente clara e totalmente irritante. Seus músculos doíam e parecia que eles foram moídos. Fechou os olhos rapidamente e suspirou se acalmando.
Sentou-se lentamente e ouviu suspiros e cochichos. Então, não estava sozinha. Abriu os olhos lentamente tentando acostumar-se com a luz chata que a enfermaria tinha. Ao terminar de abrir os olhos se deparou com três pessoas. Eza, Laxus e Jellal.
–-Lu! Você está bem?--a ruiva se aproximou da loira e a abraçou bruscamente.
–-Ai...--gemeu.
–-Ela ainda está se recuperando, posso ser um mago, mas não faço milagres então agradeceria se você, ruiva, desse um pouco de valor no meu trabalho árduo de doze horas.
Erza corou e se afastou de Lucy rapidamente escondendo o rosto por debaixo dos fios vermelhos.
–-Obrigada.--Lucy disse a ele com a voz baixa e rouca, sentiu sua garganta seca.
–-De nada.--sorriu.--Mas não agradeça só a mim e sim a ruiva que te achou e o loiro musculoso que te achou.
Lucy olhou para Laxus e Erza agradecida, ambos reconheceram o olhar da loira e sorriram abertamente para ela como resposta, Lucy,porém, só abriu um riso envergonhado.
–-Erza, preciso de mais informações sobre os alunos novos.--Lucy disse o mais alto que pode.
–-Você não vai trabalhar.--Laxus a cortou, olhando a loira de forma séria.--bateu a cabeça com força, tem que repousar.
–-Você pode ser meu tutor Laxus, mas não manda em mim, já tenho uma pista de como achar o culpado.
–-Sério?--Erza perguntou animada.
–-Sim, só preciso que fale com os amigos e conhecidos das vitimas. Pergunte se as pessoas que foram atacadas estavam estranhas ou andavam com alguém ultimamente. Quero uma ficha de relacionamentos completa.
–-Lucy...--Laxus protestou.
–-Não se preocupe Laxus, me recupero rápido, lembra?--ela sorriu falsamente para ele, mas o mesmo já estava acostumado, há tempos a loira não sorria verdadeiramente.
–-Só espero que saiba o que está fazendo.--ele resmungou.
–-Sei sim, Laxus, é só confiar.
Lucy se sentiu inquieta depois que os outros foram embora a deixando sozinha na enfermaria. Olhou para uma ferida que tinha no braço, por sorte ela se curaria daquele corte em três dias ou menos, ela tinha uma recuperação rápida, mas mesmo assim sentia um pouco de inveja dos vampiros, com seus corpos fortes e recuperação rápida, era muito mais difícil matá-los, por isso não haviam mais tantos caçadores.
Custou muito para se lembrar da noite anterior. Mas logo um flesh da memória invadiu sua mente.
Natsu havia a salvado -de novo. Ele estava lá na noite anterior. Lucy queria falar com ele. Agradecê-lo por tê-la salvado.
Levantou da cama com um tanto de dificuldade, mas nada que ela não pudesse resolver sozinha, caminhou pelos corredores vendo o quão vazios estavam, devia ser de tarde, provavelmente uma boa parte dos caçadores estão treinando. Entrou em seu quarto e pegou uma toalha e foi para o banheiro tomar um bom e longo banho quente.
Ela estava fedendo e só quando os outros foram embora ela percebeu isso, ela fedia algo como sangue humano e pó velho o que a fazia se sentir enjoada. tirou o resto da roupa que estava e resolveu que nem uma boa máquina de lavar resolveria, teria que incinerar esse uniforme.
Ao ligar o chuveiro e sentir a água quente cair em seu corpo e depois escorrer lentamente no chão o corpo de Lucy se arrepiou, aquilo era tão bom e relaxante. Via a cor da água que caia no chão, preta com alguns toques avermelhados, uma bela e nojenta mistura de pó, sengue e outras sujeiras que a mesma nem queria pensar. Os músculos de seu corpo relaxaram aos poucos.
Por um triz ela não estaria mais ali, com seus amigos. Tudo graças a Natsu. Ela teria que agradecer a ele um dia desses.
As pernas da loira fraquejaram e a mesma caiu sentada no chão, vendo as memórias de Natsu (sempre boas) e depois as de seus pais vindo a tona.
A lembrança de sua mãe cantando uma canção de ninar enquanto afagava os fios dorados dos cabelos de Lucy. Logo depois a lembrança de seu pai contando a ela que sua mãe morrera. Outra triste lembrança veio a sua mente, o dia em que seu pai a abandonara.
As lágrimas escorriam pelo seu rosto misturando-se com a água que caia e assim pela primeira vez em muito tempo, Lucy chorou.
Ao cair da noite Lucy já estava recuperada do episodio do banheiro e esperava em seu quarto que Erza retornasse com os resultados esperados. Quanto mais a ruiva demorava, mais a loira ficava ansiosa. Batidas ecoaram pelo quarto, Lucy levantou da cama e abriu a porta rapidamente.
–-Esse quarto tá um breu.--Erza reclamou enquanto entrava.--como consegue ficar em um lugar desses?
–-Isso me acalma.--Lucy disse indiferente.--conseguiu o que te pedi?
–-Claro, foi facil. Jellal me ajudou.
–-Então você e o Jellal...
–-N-não! Somos apenas amigos.
Lucy revirou os olhos mas não disse nada, pegou a papelada de Erza e prendeu o cabelo loiro em um coque. Espalhou todas as folhas e começou a analisá-las. Os olhos de Lucy percorriam linha por linha, todas as pessoas pareciam não ter relação nenhuma, até que achou um nome, uma pessoa que fazia parte da vida de todos daquela lista e foi ai que percebeu.
–-Encontrei!
–-Sério?--Erza perguntou.
–-Sim.--sorriu.--agora só precisamos pedir para o mestre permissão de vigia noturna na escola.
–-Eu posso fazer isso.--a ruiva se ofereceu.
–-Obrigada, eu preciso tomar um ar.--a loira agradeceu a ruiva e colocou um sobretudo e saiu do quarto soltando o cabelo.
♥ A Caçadora ♥
Natsu estava um tanto tenso, da ultima vez que seu pai o chamara fora para lhe pedir um favor e achou que aquilo não seria diferente. Igneel nunca fora um pai carinhoso, na verdade nem chegou perto disso. Ele treinava Natsu para ser uma arma, uma arma mortal para o exercito que ele tinha, para a grande coisa que ele planejava armar.
O rosado não gostava daquilo, de ser usado. Mas se fosse para proteger quem ama...bem, ele faria tudo o que estivesse ao seu alcance.
Entrou pelos portões da grande mansão que estava com todas as luzes acesas mostrando a sua majestade perante as outras casas daquela região. Abriu a porta de madeira maciça dando de cara com olhos extremamente azuis.
–-Achei que não viria.
–-Estou aqui não estou, Lisanna?
–-Sim, estava preocupada...
–-Sei me virar.--resmungou.
–-Eu sei.--ela riu.--Seu pai o espera, venha comigo.
Natsu seguiu a albina, recebendo os olhares dos moradores da casa, os membros de seu clã, se é que ele poderia chamar aquilo de seu, já que era considerado um bastardo inútil para todos -menos Lisana. Pararam na frente do escritório de seu pai, os músculos do rosado ficaram tensos e ele não sabia qual seria a coisa que seu pai pediria daquela vez.
Limpou a garganta e entrou no comodo, vendo seu pai sentado na poltrona lendo um velho livro de capa dura vermelha, Natsu revirou os olhos.
–-Não se cansa de ficar sentado ai?
Igneel ergueu o olhar para Natsu e fechou o livro com força. Levantou-se vagarosamente e andou até Natsu.
–-Quando se tem mil anos de idade não se cansa tão fácil de alguma coisa, já que estamos acostumados a ver que sempre estaremos fadados a fazer a mesma coisa, não importa quando. Isso é uma das desvantagens de ser imortal.
–-Então se mate, faria um favor a todos.
–-Não disse que estou cansado de viver, não seja insolente garoto.--Igneel falou calmamente.--Não o chamei aqui para discutirmos sobre sua rebeldia.
–-Não sou rebelde.--Natsu resmungou.
–-Cale a boca.--Igneel massageou a cabeça e depois virou para Natsu.--Quero que ache a mestiça, tenho suspeitas que ela esteja nesta cidade, mas mesmo assim, preciso que você vá procurá-la e encontre-a.
Natsu engoliu em seco.
–-Tokyo é uma cidade grande, como vou achar uma mestiça?
–-Você vai saber. Como vampiros reconhecem vampiros. Você reconhecerá o da sua espécie. Mas mesmo assim, lhe dou dois meses.
Natsu olhou para o chão e depois para Igneel.
–-Está bem, se assim deseja, pai.–-saiu da sala e viu Lisanna parada na porta o encarando, ele não disse nada, apenas foi embora sentindo a tensão invadir seu corpo.
Foi até um parque e sentou-se em um banco, sentiu as lágrimas escorrerem
"Me desculpe, mãe..."
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