Notas iniciais
Enfim Teodor, Ecaterina e Petru conseguiram sair vivos do Jardim da Perdição, e deram de cara com uma magnífica paisagem. As montanhas gélidas ao norte e as montanhas floridas ao sul indicavam mudanças bruscas de temperatura. À frente deles se localizava um rio no qual deslizavam troncos. Teodor suspeitou que algo acontecera com a madeireira abandonada há muito tempo.

Eles estavam descansando um pouco enquanto Teodor analisava a situação pela qual eles teriam que passar. Um gole de uma garrafa d’água e uma mordida bruta em um pedaço de pão foram o suficiente para que Teodor se levantasse, secasse seu suor e seguisse para perto do Rio. Ecaterina e Petru ainda estavam descansando e repondo suas forças, mas lentamente até que os dois se levantam e se unem a Teodor

—Teodor: Esses troncos são da madeireira próxima, mas ela fora abandonada há tanto tempo. O que será que aconteceu?!

—Petru: O que faremos?!

—Teodor: Está vendo aquele rio ali? – Teodor aponta para o rio que se encontra à frente deles – É o Rio Bravo! Foi chamado assim porque sua correnteza é muito forte, dada a velocidade que esses troncos se locomovem. Temos que ter muito cuidado quando formos atravessá-lo!

—Ecaterina: Esperem! Este Rio é estranho!

—Teodor: Acalme-se, amor! É só um rio inofensivo, mas temos que ter cautela com relação à correnteza...

Teodor foi na frente e começou a cruzar o rio. Foi quando sentiu formigamento nas suas pernas e uma dor aguda. Líquido vermelho se misturava com o azul do Rio Bravo e Teodor percebeu que havia um outro motivo para ser chamado de Rio Bravo

—Teodor: Droga! São piranhas! Droga!

Ecaterina e Petru correram em direção à Teodor que estava sendo puxado pela correnteza e devorado pelas piranhas minúsculas que habitavam o rio. Teodor então lembrou sobre os “bois de piranha”, bois velhos e doentes que eram sacrificados para que todos os saudáveis e fortes pudessem atravessar o rio em segurança, enquanto o sacrificado era devorado cruelmente pelas piranhas

—Petru: Como faremos para atravessá-lo?!

—Teodor: Está vendo aquela construção ali? – Teodor aponta para uma mina que se localizava no lado direito do outro lado do rio, juntamente com um campo de pastagem de gado – É uma das entradas de uma mina abandonada, nela nós seguiremos em frente até o covil do Conde das Trevas!

—Ecaterina: Sim, mas como cruzaremos este rio?!

Teodor abre sua bolsa e pega um gancho, o mesmo que salvou Petru no Jardim atrás deles. Girando a corda em sua mão ele puxou o primeiro tronco que pode ver e o trouxe para terra firme, e fez isso com mais alguns outros troncos

—Teodor: Nós construiremos uma ponte que nos levará até o outro lado!

—Petru: Quanta esperteza!

—Ecaterina: Por que não pensei nisso antes?! – Ecaterina coçava sua têmpora, buscando uma razão apropriada

Um bom tempo se passa até que Teodor, Ecaterina e Petru construíssem a ponte e fossem levados até o outro lado. A atividade no Rio era frenética, mas as piranhas minúsculas não conseguiam saltar para um pulo devorador, o que livrava-os de um perigo ainda menor. Teodor tinha um pouco de dificuldade para andar e sua perna estava enfaixada com gaze. Caminharam mais um pouco e alcançaram a entrada para a mina abandonada. Teodor abriu a porta e poucos segundos depois ele desferiu um soco furioso na parede de madeira da construção

—Teodor: Droga! – Teodor vira que a entrada estava bloqueada, um suposto deslizamento de terra fizera este serviço, uma boa sorte à favor de Vlad Tepes – Com esta entrada bloqueada nós temos que nos dirigir até a outra entrada, a principal. Esta deve livre! Tem que estar!

—Ecaterina: Calma, amor!

—Teodor: Não percebe que quanto mais tempo gastamos aqui mais próximo da morte Andreea se aproxima?! Não quero encarar o Nicolae dizendo: “olha só, desculpa mas não conseguimos seguir em frente, sua filha está condenada!”

—Ecaterina: Quanta grosseria!

—Teodor: Você não tinha que vir!

—Petru: Calma, pai! Mãe, calma! Nós continuaremos em frente, e salvaremos a tia Andreea! – Tia Andreea era como Petru a chamava, quando ele nasceu Andreea ficou muito feliz e gostou muito do jovem garoto.

Novamente se depararam com o Rio Bravo, sua correnteza se alastrava por toda a região e os troncos seguiam seu curso enquanto a ponte ficara atrás, pronta para o regresso dos três, ou de quem retornasse. Como não tinham outra ponte nem tronco para fazerem outra eles tiveram que saltar nos troncos em movimento. Teodor, por ser mais pesado teve que saltar no momento certo e tomar cuidado para seu peso não afundar o tronco. Ecaterina e Petru foram juntos em um tronco só. Passou-se alguns minutos quando finalmente alcançaram terra firme onde a entrada principal da mina se encontrava. Até que foram surpreendidos por uma voz espectral, um mineiro de aparência cadavérica surgia diante deles, sua voz rouca sugeria um aviso

—Mineiro Espectral: Para trás, mortais! Morte e escuridão são tudo que vos aguarda neste domínio proibido!

—Petru: Pai! – Petru agarrava a blusa do pai para indicar que outros mineiros espectrais estavam surgindo e os cercando, um após um.

Teodor, temeroso por sua família, sacou seu Escudo Dourado e o colocou em posição de defesa, Ecaterina preparou uma poderosa Magia Radiante enquanto Petru erguia a Besta Sagrada, tal movimento deixou os Mineiros Espectrais em alerta até que Teodor dirigiu a palavra para o primeiro

—Teodor: Vocês vão nos impedir de entrarmos na Mina?!

—Mineiro Espectral: Não! Apenas tentando proteger vocês dela, se pudermos impedir que vocês tenham o mesmo destino que o nosso, então iremos sim!

—Ecaterina: Mesmo destino?!

—Mineiro Espectral: Sim! Há muitos anos um ser maligno adentrou a Mina, nos matou e amaldiçoou nossas almas! Agora estamos condenados a vagar por este plano até que nos libertem de nosso tormento! Nossos corpos não passam de zumbis dentro da mina, esperando por libertação e dignidade uma vez mais!

—Teodor: Ser maligno? – Não demorou muito para que Teodor associasse o “ser maligno” à Vlad Tepes, e isso encheu seu corpo de raiva. Matar seres inocentes para apenas satisfazer o desejo de ter escravos era algo imperdoável por Teodor

—Ecaterina: Então se nós os derrotarmos agora, poderão descansar?!

—Mineiro Espectral: Não ainda, apenas conseguiremos um breve repouso até que voltemos a este plano maldito novamente. Como dito antes, só teremos descanso quando nossos corpos zumbis forem eliminados lá dentro da mina!

—Teodor: Então vamos! Daremos a vocês o descanso que tanto pedem!

Uma grande batalha deu sequência, Teodor bloqueava os ataques fracos dos Mineiros Espectrais, afinal eles não queriam ferir os mortais, apenas afugentá-los. Ecaterina lançou alguns feitiços de fogo, enquanto Petru acertava alguns espectros com suas flechas. Um após o outro os espectros desapareciam, e a aura fria do ambiente desaparecera por completo. Mas os três sabiam que não demoraria muito para que eles retornassem

—Mineiro Espectral: Obrigado, Caçadores! Esperaremos ansiosos por nossa libertação, e que vocês consigam eliminar a maldade que perdura dentro da Mina... – o Espectro desaparecia enquanto proferia estas palavras e Teodor cerrou os punhos

—Teodor: Não se preocupe, Mineiro! Sua vontade está conosco! Vocês descansarão!

—Ecaterina: É! Faremos Vlad Tepes pagar caro por sua ousadia!

—Petru: Isso...

Os três estavam cansados desta batalha. Ecaterina fez uma breve prece para repor suas energias, Petru tomou uma garrafa d’água inteira e Teodor abriu a porta pesada. Um sorriso largo se estendeu em seu rosto, a entrada da mina estava aberta e completamente livre de obstáculos. Era só uma questão de tempo até que eles pudessem chegar no Castelo de Vlad Tepes e vingar os mineiros inocentes

—Petru: Legal!

—Ecaterina: Valeu a pena o tempo gasto, não foi?! – Ecaterina afagou o ombro de Teodor com suas mãos suaves e Teodor respondeu colocando sua mão sobre a dela.

—Teodor: Me desculpe, amor...

—Ecaterina: Vamos em frente!

—Petru: Esperem por mim! — Petru corria para alcançar os pais, não tinha medo, só estava assustado com o confronto com os Mineiros Espectrais, que aguardavam pelo momento esperado por tantos anos.

E então Teodor, Ecaterina e Petru adentraram a Mina Abandonada. A entrada dos três caçadores foi seguida por uma risada ecoante, alguma coisa os aguardava dentro da Mina, mas o que poderia ser?!

FIM DO CAPÍTULO

Notas finais
O tempo passa. Quando se livram do Jardim, chegam diante de um Rio que parece querer devorá-los. Pequenos peixes se alimentam vorazmente de qualquer coisa que toque na água. Troncos deslizam calmamente sobre as águas e é deles que Teodor, Ecaterina e Petru se utilizam para chegarem à outra margem. O tempo é precioso e eles tentam encontrar a entrada para a Mina, que os levará um pouco mais perto do inevitável objetivo. No próximo capítulo de “A Caçada” – “Mina Abandonada”