A Caçada
4 Mina Abandonada
Notas iniciais
Teodor, Ecaterina e Petru adentraram a Mina, e Petru ficou impressionado. O lugar parecia uma caverna ampla, o ambiente empoeirado tornava a respiração um pouco difícil, até que Ecaterina espirrou suavemente. Mas não era isso que os impediria de seguir em frente. Mais adiante o trio encontrou uma passagem cheia de pedras, e nela havia uma plataforma com um carrinho de mina
Os passos fizeram acordar uma criatura que gargalhou profundamente. Os ecos desta risada sombria fizeram as espinhas dos três caçadores gelar. Um Espectro Fantasmagórico acabava de surgir perante o trio, e em uma investida rápida, avançou até Petru e o atacou. O golpe derrubou o garoto e Teodor chamou a atenção do ser
—Teodor: Ei! Estou aqui, assombração!
Em um movimento ágil, o Espectro Fantasmagórico atingiu Teodor, ou era o que pensava pois foi empurrado levemente para trás. Teodor sacou e utilizou seu Escudo no momento certo, mas isso não parou a criatura que continuara a atacar o Escudo sem piedade. Petru se levantou, sacou a Besta Sagrada e fez um disparo que simplesmente atravessou a criatura
—Petru: O que?! Como é possível!? Funcionou com os Mineiros, mas não com isso?!
—Ecaterina: Deixe por minha conta, filho! – Ecaterina preparava uma esfera de energia mágica e a lançou na criatura.
A criatura gritou de dor, girou sua cabeça esqueleto-espectral e desapareceu. O grito permaneceu ecoando no ar por alguns segundos. Teodor e Ecaterina foram ver se Petru tinha se machucado
—Teodor: Filho, você está bem?! – Teodor parecia um pouco preocupado
—Ecaterina: Eu disse que não era pra deixar o garoto vir! – Ecaterina estava quase aos prantos.
—Petru: Mãe! Eu estou bem, foi só um golpezinho de nada!
—Ecaterina: Golpezinho de nada?!
—Teodor: Amor, calma!
—Ecaterina: Olha, eu só estou aqui porque é um assunto pessoal. Uma pessoa muito querida para mim foi vítima deste monstro! E eu juro que vou acabar com ele!
Ecaterina parecia furiosa. Desde que Petru nascera ela tinha desistido da vida de caçadora sobrenatural. Teodor continuou no ofício, era uma das poucas coisas que permitia o sustento deles. Mas Ecaterina também estava brava por causa de Andreea, a vítima de Vlad Tepes e sua irmã de consideração. Ecaterina não suportava o fato de Andreea nunca acordar de seu sono pesado
—Teodor: Eu sei! Vamos eliminá-lo deste mundo, para sempre! – Teodor quase sacudia Ecaterina, os braços fortes dele apertavam os braços finos da esposa.
Petru se aproximou mais da plataforma do carrinho de mina quando viu uma alavanca. Percebeu, também, que o carrinho estava acoplado a trilhos que seguiam uma curva por entre esta caverna estreita e deduziu que a alavanca e a movimentação do carrinho estavam relacionadas
—Petru: Pai, mãe, venham aqui!
Petru explicou sua teoria, que apesar de óbvia, foi bem ouvida por seus pais que retribuíram com elogios e afagos em seus cabelos loiros. Os três se puseram em cima do carrinho e Teodor puxou a alavanca com força. A descida da alavanca fez com que os motores a plataforma e do carrinho funcionassem em conjunto e o carrinho foi expelido da plataforma à uma velocidade incrível
Passou-se alguns minutos enquanto os três caçadores seguiam no carrinho da mina. Rotas sinuosas, curvas fechadas e o medo da caverna ceder e desmoronar sobre eles era quase constante. Finalmente chegaram ao outro lado, o carrinho encaixou na plataforma e eles puderam ir para o outro lado. Era uma imensidão absurda! Havia uma grande área aberta, e do lado esquerdo havia uma subida cheia de pedras que levava a um local, à frente estava uma outra plataforma e do lado esquerdo havia uma passagem estreita, pior do que o caminho percorrido pelo carrinho. Quando eles se aproximaram no centro para definir qual rota pegariam, o Escudo de Teodor brilhou intensamente. Eles logo se puseram em pose de ataque enquanto um terremoto anunciava o prelúdio de um longo conflito
—Teodor: Preparem-se!
—Ecaterina: Petru, fique perto de mim!
—Petru: Tá!
E uma coisa assustadora aconteceu: do solo surgiram vários braços que queria agarrar as perdas do trio de caçadores. Algumas conseguiram agarrar os pés de Teodor, mas ele se soltou com facilidade, enquanto Ecaterina e Petru tiveram um pouco de dificuldade para se livrar. O terremoto aumentou de intensidade e ao invés de braços eram corpos que surgiam do solo. Os corpos pertenciam aos mineiros mortos por Vlad, eles estavam em estado semidecomposto, a carne deles estava parcialmente devorada pelos vermes
Petru ficou assustado, Ecaterina tentou dar alento ao filho, já Teodor pode apenas esperar o primeiro movimento dos zumbis. E foi o que aconteceu! Os zumbis partiram para a ofensiva, mas eram muito lentos. Alguns tentaram golpear o trio mas sem sucesso, outros se agarraram. Teodor golpeava alguns com o Escudo enquanto Petru disparava algumas flechas nos mortos-vivos. Quando Ecaterina lançou sua magia para impedi-los, ela ficou assustada. Os zumbis mal foram afetados, o que causou seu total estranhamento
—Ecaterina: O que?! Meu feitiço não surtiu efeito!
Então, como um raio, uma lembrança surgiu na cabeça de Ecaterina. Ela aprendera, em suas aulas de magia, que algumas criaturas mágicas são imunes à magia, seja qual for, enquanto outras são mais vulneráveis ainda. Isso era perfeitamente justificável em relação ao Espectro Fantasmagórico que foi rapidamente vencido e o Zumbi Mineiro que resistiu facilmente à magia lançada por Ecaterina. Ecaterina reuniu todo seu poder, ao ponto de ter seu nariz vazando sangue, e lançou uma poderosa esfera de energia. O zumbi apenas foi lançado longe, mas estava de volta ao combate. Cansada, Ecaterina perdeu suas forças e Teodor partiu para ofensiva com socos fortes
—Petru: Mãe! Você tá bem?!
—Teodor: Petru! Proteja a sua mãe!
—Ecaterina: Gas...gastei muito poder...preciso descansar...
Petru disparava algumas flechas em zumbis enquanto Teodor defendia o ataque e repelia o mesmo com socos. Alguns zumbis caíam e se levantavam, outros ficavam no chão. Demorou muitos minutos até o último deles cair com um poderoso golpe do Escudo de Teodor. Após o longo conflito, eles descansaram um pouco, se alimentaram e se hidrataram. Ecaterina estava cansada ainda mas podia acompanhar os passos do pai e filho
—Teodor: Fique aqui e descanse!
—Ecaterina: Não posso! Tenho que salvar Andreea!
—Petru: Mãe, deixe que eu e papai cuidemos disso!
—Ecaterina: NÃO!!! – Esta resposta fez o filho e marido ficarem assustado. Ecaterina estava estressada e furiosa por causa de toda esta situação. Teodor já a vira assim há muito tempo, mas não deste jeito.
—Ecaterina: Me desculpe...eu só estou exausta! Mas posso acompanhá-los e, além do mais, preciso recuperar meu poder!
Ecaterina se levantou com um pouco de dificuldade, apoiando-se em Petru, eles seguiram pela ladeira à esquerda do centro da caverna. Após uma breve caminhada eles alcançaram um precipício. Nele havia um mecanismo que, utilizando-se de cordas, podia levar a plataforma até o outro lado
Teodor achou isso fácil demais, mal haviam explorado a mina e já tinham encontrado uma provável saída? Não, tinha algo ali que não estava certo. Teodor analisou o mecanismo de engrenagens e percebeu que uma delas estava faltando
—Teodor: Não poderemos seguir em frente...
—Petru: Por que?!
—Teodor: Este mecanismo precisa de uma engrenagem para funcionar, temos que achá-la!
—Ecaterina: Acha que alguém possa tê-la escondido de propósito?!
—Teodor: É muito provável, considerando que esta mina era funcional há alguns anos atrás, não faria sentido remover só uma engrenagem se não quisessem que este sistema funcionasse, poderiam remover todas!
—Petru: É... e a julgar pela ferrugem das engrenagens próximas, também é possível que essa remoção seja recente. – Petru tentava movimentar uma das engrenagens, mas sem sucesso pois estavam agarradas com a sujeira.
—Teodor: Vamos voltar!
Desta vez foi Teodor quem carregou Ecaterina. Após alguns segundos eles desceram pela ladeira e voltaram para o centro. Ecaterina mirou e apontou a passagem estreita
—Ecaterina: Ali...posso recuperar meu poder ali!
—Teodor: Tem certeza?
—Ecaterina: Sim! Aqui é... muito difícil para me comunicar com a Mãe Natureza...
Do lado de fora da mina, os Mineiros Espectrais se reuniram e começaram sua lamentação eterna. Jarbas, o líder deles, percebera que alguns estavam desaparecendo e isso significava que os corpos deles conseguiram descanso eterno dentro da Mina. Enquanto isso, o trio andava através da passagem estreita até chegar a um local magnífico. Este local tinha um brilho próprio, era como se fosse um belo jardim. Este jardim não era mortal como o da Perdição, era como se este jardim tivesse recebido o toque generoso da própria Matriarca da Natureza
Ecaterina se ajoelhou, fez suas preces, agradeceu e novamente estava cheia de vitalidade e força mágica. Aproveitou para curar as feridas próprias, de Petru e Teodor. Com suas energias revigoradas, os três voltaram para o centro. A última possibilidade de caminho era a outra plataforma que seguia em frente, mas o caminho estava obstruídos por toras que cruzavam os lados da caverna
—Teodor: Desta vez não poderemos utilizar o carrinho da mina, teremos que pular por estas toras.
E assim o fizeram, demorou um pouco, mas com saltos, pulos e movimentações estreitas, o trio conseguiu chegar do outro lado. Lá havia uma espécie de elevador, só que a plataforma não estava lá. Provavelmente estava no “andar” de baixo deste beco sem saída. Teodor puxou a alavanca mas esta se rompeu bem na sua mão
—Teodor: Não acredito! Quebrou!
—Ecaterina: O que faremos agora?!
—Teodor: Eu vou descer, e lá embaixo deve haver uma alavanca melhor, e subirei a plataforma para vocês enquanto vocês esperam aqui.
Ecaterina e Petru consentiram com um aceno positivo com suas cabeças. Teodor impulsionou suas pernas e deu um belo salto no ar. Com o Escudo posicionado como um paraquedas, Teodor descia enquanto planava no ar. Após um momento ele sumiu da vista de Ecaterina e Petru, que acompanharam seu trajeto até a plataforma de baixo, enquanto Teodor era engolido por uma escuridão
Planando no ar Teodor pode perceber que seu escudo brilhava, não tão intensamente quanto no “centro” da mina, mas ele estava cauteloso, alguma coisa ruim poderia acontecer assim que aterrissasse. Não demorou muito até o solo ser revelado e o que o esperava lá em baixo eram dois zumbis, tão distraídos que mal notavam enquanto Teodor descia calmamente. Pousando no “teto” do elevador, Teodor observava os zumbis rondando a localização e percebeu que eles iam e voltavam, como uma patrulha
Quando os dois zumbis deram as costas para Teodor, ele desceu do teto do elevador, pousou em sua plataforma e ativou a alavanca e o elevador começou a subir enquanto os zumbis nem percebiam o que tinha acontecido. Demorou apenas alguns minutos para que o elevador alcançasse o andar superior, Teodor os alertou da situação
—Teodor: Haviam dois zumbis lá embaixo, é como se eles vigiassem este elevador. Acho que não vai demorar muito para voltarem. Assim que chegarmos lá embaixo temos que acabar com eles!
—Ecaterina: Não poderei ser de muita ajuda, eles são imunes aos meus poderes...
—Petru: Deixe por minha conta, mãe! – Petru sorriu carinhosamente para Ecaterina, que retribuiu com um sorriso e um cafuné.
—Ecaterina: Espere aí! Como desceremos o elevador se a alavanca daqui quebrou?!
—Teodor: É... me esqueci deste detalhe! Simples, é só eu descer de novo, e se eu tiver sorte eles não terão voltado.
Novamente Teodor saltou no ar, e desceu uma longa altura até chegar lá embaixo. Os zumbis não estavam lá, o que era sinal verde para que Teodor ativasse a alavanca. E assim o fez. Após alguns segundos o elevador desceu e o trio continuou sua jornada da parte inferior da mina. Mas assim que deram os primeiros passos, a dupla zumbi reapareceu e um confronto deu sequencia
Teodor conseguiu bloquear os ataques de zumbis, enquanto Petru repelia-os com os disparos de sua Besta. Demorou alguns poucos minutos para que os zumbis caíssem e não levantassem mais. Do lado de fora da mina mais dois Espectros encontraram a paz e o trio seguia sempre em frente quando se depararam com um corredor. Teodor observou atento e reparou que haviam quatro zumbis esperando qualquer movimento
Teodor notou, também, que havia uma alavanca e uma plataforma que era utilizada para a exclusão de dejetos, como a própria placa indicava. Petru teve a brilhante ideia de utilizar a alavanca para ativar a plataforma e jogar os zumbis dentro destes depósitos. A profundidade destes depósitos era de aproximadamente uns 20 metro até 35 metros, pois nunca sabiam o que podiam encontrar em uma mina, ou o tempo que gastariam até minerar todos os recursos
—Ecaterina: Mas será que a altura será o suficiente para matá-los?
—Teodor: É provável, estes depósitos se encontram a uma profundidade muito distante, morrerão com a queda, sem dúvida.
Teodor então, ao compreender o plano de Petru, lançou um pedregulho que havia guardado consigo, quando passaram pelo Jardim da Perdição. A atenção dos quatro zumbis logo foi chamada e eles avançaram até Teodor, que puxou a alavanca no momento certo em que os quatro estavam na plataforma
Ela abriu uma câmara que fez os zumbis se desequilibrarem e caírem, mas um conseguiu se salvar segurando na beira da plataforma. Petru percebeu isso e lançou um disparo iluminado no zumbi, que caiu enquanto se contorcia pelo ar. A plataforma estava se fechando quando era possível ouvir o barulho de impacto dos zumbis
Jarbas percebia que mais quatro companheiros acabaram sumindo, sinal de que só faltava ele para ser liberto. Mas algo em sua memória o fez tremer, era o primeiro mineiro que caiu perante Vlad ao tentar impedi-lo de matar a todos, e seria o último a ser libertado. Já dentro da mina, Teodor chama a Ecaterina e Petru para que o acompanhasse
—Teodor: Vamos! Há mais um carrinho de mina, vamos até ele...
Enquanto se aproximava da plataforma que continha o carrinho, o Escudo de Teodor brilhou tão forte que o trio teve que fechar os olhos para não serem cegados. Havia algo naquela passagem, algo tão perverso que fez Ecaterina cair com uma dor de cabeça
—Petru: Mãe! Você está bem?! O que houve?!
—Ecaterina: Eu...eu não sei... Assim que nos aproximamos senti uma onda de energia... Que dor!
Teodor se afastou do carrinho da mina e o Escudo brilhou com menos intensidade. Os três perceberam que havia algo relacionado a esta passagem, e então decidiram seguir caminho a pé
Não demorou muito até ouvirem uma risada sombria, um Espectro Fantasmagórico acabara de surgir e avançava na direção deles. Atravessando pela parede, Teodor mal pode bloquear o ataque, Ecaterina rapidamente lançou uma bola de fogo que fez o Espectro arder e desaparecer
—Petru: Nossa...essa foi por pouco!
—Teodor: É... ótimos reflexos, amor!
—Ecaterina: Obrigada! Mas eu percebo que minha dor de cabeça está passando... devem haver mais destes seres aqui nesta passagem...
Eles seguiram em frente, sempre em frente, até que mais duas risadas surgiram. Era estranho, estes seres só surgiam com risadas. Talvez uma risada surpresa era o ataque deles, um ataque de medo que facilitara os golpes deles. Foi difícil este ataque, Teodor foi atacado, assim como Ecaterina. Petru não pode fazer nada e quando os Espectros voltaram atenção até o garoto, mais duas bolas de fogo queimaram os Espectros
A dor de cabeça de Ecaterina passara por completo, e ao chegarem no final do trajeto, se depararam com uma plataforma de carrinho, e uma ponte de ferro. O Escudo de Teodor brilhara mas ninguém havia percebido, e quando eles começaram a atravessar a ponte, ouviram um barulho e tiveram que recuar rapidamente
Os passos fortes na ponte de ferro emitia um som muito alto e grave, o suficiente para desmoronar pedras que caíam e se despedaçavam na ponte. Ecaterina lembrou que haviam forças além das forças mágicas, as forças físicas
—Ecaterina: Nossos passos devem ter desencadeado uma onda sonora que tremulou o teto da mina, que começou a desabar.
—Petru: O que isso significa? – Petru coçou a cabeça tentando entender o que a mãe acabava de dizer.
—Teodor: Significa, que teremos que andar do mesmo modo que andamos para passar pela Árvore Colossal... passos leves e suaves.
E assim o fizeram, o barulho dos passos na ponte de ferro era quase impossível de ouvir, logo impossível de emitir ondas sonoras fortes. Demorou um pouco até chegarem ao outro lado, e assim que o fizeram eles se apavoraram por completo. Havia um zumbi esperando por eles, um zumbi forte, carregando uma picareta selvagem
Este zumbi estava com um capacete que apenas mestres de obra utilizavam na época, Teodor lembrou que o líder dos Espectros Zumbis também tinha este mesmo capacete. Mal tiveram tempo de reagir quando Jarbas partiu para cima deles com a picareta, fincando-a no chão
Teodor tentou golpeá-lo com o Escudo mas sem sucesso, um soco foi o bastante para Teodor ser quase nocauteado. Ecaterina tentou lançar uma bola de energia, só para chamar a atenção da criatura, mas o Zumbi Mestre apenas pegou a esfera de energia e a lançou de volta para Ecaterina, que foi arremessada até a parede da câmara da Mina
Havia restado apenas Petru, que ergueu a Besta Sagrada e fez vários disparos, mas o Zumbi Mestre apenas corria em sua direção com a picareta. Petru, por ser menor, era mais rápido, desviou com um rolamento e fez vários outros disparos
Ele percebeu que o Zumbi Mestre estava cansado e caiu aos pés de Petru, que assustado recuou alguns passos. O Zumbi Mestre, mesmo abatido, segurou a perna de Petru, que tentava se soltar inutilmente. O Zumbi Mestre o olhou, os olhos fundos e mortos queriam dizer algo
—Zumbi Mestre: Po...por favor...! Liberte-me!
Havia ainda um pingo de humanidade e desejo por libertação, mas Petru não tinha coragem de fazê-lo pois tremia toda hora, isso não é coisa de caçador, matar um ser a sangue frio. Teodor se levantava, e com dificuldade foi até o filho e colocou a mão na Besta Sagrada
A Besta reconheceu seu antigo dono e foi pega por Teodor, que apontou a Besta para a cabeça do Zumbi Mestre, e friamente encarava o ser
—Teodor: Petru, feche os olhos...você também!
O Zumbi e Petru fecharam os olhos, Petru só pode ouvir um único barulho. A mão pesada do Zumbi Mestre havia se soltado. Jarbas esperava ansioso do outro lado da mina, até que finalmente uma luz começou a emanar dele. Estava observando as próprias mãos enquanto ele desaparecia
—Jarbas: Vocês... cumpriram sua promessa... Obrigado! – dizia enquanto se dissipava com lágrimas nos olhos
A atmosfera da Mina tinha mudado, o peso do ar estava mais leve e perceberam que conseguiram purificar toda a Mina. Libertaram os espíritos aprisionados por Vlad. Mas notaram que estavam sem saída e até agora não encontraram a engrenagem, até que Petru reparou em algo quando o capacete de Jarbas se desprendera de seu crânio
Era difícil de acreditar, como se fosse uma barganha pela libertação, a engrenagem se encontrava dentro do capacete do Mestre de Obras. Teodor a pegou e a segurou com bastante força, como se fosse um tributo. O medalhão de seu amigo já estava em seu pescoço
—Teodor: Você conseguiu o descanso que queria! Obrigado pela engrenagem!
Ecaterina já tinha se levantado, e estava triste pelo Mestre de Obras, mas eles estavam apenas cumprindo com sua missão. Em seu último resquício de humanidade, Jarbas havia tomado a engrenagem para trocá-la por sua liberdade. Após uns minutos descansando, eles tomaram seu caminho de volta até a plataforma que os levaria para o outro lado
Demorou muito tempo até chegarem lá. Petru colocou a engrenagem de volta no lugar e conseguiram reativar o sistema do mecanismo. Mas a plataforma suportava somente uma pessoa por vez. Sempre protegendo a família, Teodor foi na frente. Ecaterina e Petru vieram depois
E finalmente o trio esta próximo à saída da mina. Ela se encontrava em uma mesma construção, assim como a entrada. Teodor, como de costume, abriu a porta e o trio foi recebido por um terrível ar gelado. Eles não imaginavam o quão longe haviam chegado dentro da Mina, e nem o quanto tempo passara
FIM DO CAPÍTULO
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