A Cólera Dos Deuses
2 Capítulo 2 PRINCIPIO VINDICTAE
Notas iniciais
Roma, duas semanas antes da Lupercalia...
Scorpionis! Scorpionis! Scorpionis!Scorpionis!Scorpionis!
Os gritos ensandecidos, mais uma vez ecoaram pelo Coliseu. Milo vencera Kraken, um forte adversário que agora jazia ferido ao chão. Um profundo corte no rosto e o olho vazado davam ao guerreiro uma aparência deplorável, porém ele ainda tentava manter-se em pé, enquanto Milo tinha, apenas um corte superficial no flanco esquerdo.
Scorpionis olhou-o e apontou o gládio para seu pescoço fazendo o público delirar, batendo pés e mãos em uníssono. Entretanto, antes do golpe final, o gladiador olhou para o palanque e esperou o gesto que definiria o destino de seu adversário. O polegar para baixo era a morte. Para cima, vida.
O homem que trouxera Kraken tinha um olhar intenso e indecifrável... Ele permaneceu impassível, enquanto o destino do seu lutador era decidido.
Por sua vez, Saga sorria e olhava para seu adversário, sentindo um prazer extremo em ver sua ludus vencer, mais uma vez, sob a espada de Milo. Aquela já era a terceira vitória na semana, pois tanto Máscara da Morte quanto El Cid também havia vencido seus adversários. O cônsul, cada vez mais, comprovava para si, que um homem livre era mais eficiente que um submisso e isso lhe conferia um prazer que gostaria de compartilhar com os demais, porém, não era visto com bons olhos.
Radamanthys de Wyvern representava uma nova ludus que alguns comentavam ser de Pompéia, uma cidade sem tradição no esporte. Porém, mesmo perdendo a luta, o lutador que a representava, se mostrara valoroso e agora jazia sob o gládio de um verdadeiro herói da arena.
O imperador assistia a luta como sempre fazia quando Milo apresentava-se para combater. Ainda tinha a esperança de trazê-lo para a sua ludus, embora o gladiador fosse um homem livre, mas leal à casa que o libertara. Com o semblante sério, Titus elevou o polegar, poupando Kraken de ser morto pelo gládio de Scorpionis.
A massa dividiu-se entre aqueles que aplaudiram e os que vaiaram. O imperador ergueu os braços e o público silenciou.
— Povo de Roma!— gritou ele. – A Ludus Maxima os entreterá na semana que vem, trazendo novos e irascíveis guerreiros. Portanto, pouparemos os derrotados deste dia, para que tenham a chance de se redimir mais tarde e vocês, um novo e excitante espetáculo.
Um brado entusiasmado rompeu o ar e Milo sentiu-se, estranhamente reconfortado por não ter de matar. Estou ficando mole! Pensou enquanto guardava a espada e oferecia a mão ao adversário para ajudá-lo a levantar.
Kraken recusou, levantando-se sozinho. Milo deu de ombros e deixou a arena, recebendo os denários do organizador das lutas e o aplauso quase histérico de mulheres e homens que se amontoavam para vê-lo e gritar seu nome.
— Tome, o dinheiro extra foi ordem do imperador. – disse o homem magro, com cabelos longos e brancos.
Milo agradeceu e rumou para casa. Sorriu ao lembrar que ele e Camus haviam comprado uma pequena habitação para viver, somente, os dois. O dinheiro que ganhara lutando, mais o que Camus ganhava traduzindo e escrevendo livros, possibilitara que eles deixassem a domus de Saga e tivessem seu próprio espaço.
O que mais ele podia querer? Era livre, amava e era amado pelo homem mais incrível que conhecera. Os deuses podiam ser bons, quando queriam... Com o dinheiro tilintando dentro da pequena bolsa de couro e um contentamento dentro do peito, o herói da arena sentia-se feliz, como nunca tinha sido.
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Com um ligeiro calafrio, June moveu-se pela domus vazia. Os criados, agora livres, tinham horário de trabalho e já não ficavam à disposição como antes. Apenas Shina e Nailah permaneciam dormindo dentro da casa e atendiam se eram solicitadas tendo um adicional por isso, em seu salário. Sorriu ao lembrar-se que, ironicamente, ela sempre quisera ser livre e agora, enquanto os criados tinham essa opção, ela continuava prisioneira, fadada a representar o papel de esposa...
Mesmo que Saga tivesse voltado atrás e deixado que ela circulasse, livremente, pela domus, ainda assim, era apenas uma concessão e não o resgate da confiança em si. Até mesmo os gladiadores que permaneciam na domus agora viviam em alojamentos reconfigurados para que tivessem privacidade. Alguns, como Máscara da Morte e El Cid haviam tomado amantes para si e viviam como casais normais e livres. Todos tinham conquistado uma felicidade que ela jamais teria.
Ainda assim, decidira não mais lutar contra aquele que já não era mais seu marido, de fato, mas ainda o era em status. Não sabia, ao certo, o que tinha acontecido consigo. Apenas, não queria mais nada com Hades, passara a detestá-lo e não havia nada que a obrigasse a suportá-lo. Agradeceu aos deuses quando Pandora abandonou Roma, sinalizando que ele desistira de usá-la para atormentá-la. Sabia que ele não deixaria barato, mas não temia mais nada que viesse daquele crápula. Ela também tinha o seu trunfo guardado para a hora certa...
Um barulho a fez interromper seus pensamentos. Era Nailah, a egípcia. Notou que ela se esgueirava de forma suspeita e seguiu-a. Um homem com vestes escuras a esperava no atrium. Recebeu dela, uma espécie de pergaminho e depois sumiu.
— O que está fazendo? – perguntou June pegando a mulher pelo braço.
— D-Domina!— gritou a criada, sentindo a pressão forte na carne.
— Quem é esse homem? – indagou June de forma enfática.
— D-esculpe-me, senhora. Eu devia dinheiro a esse homem, ele me cobrava com insistência, então combinei de pagá-lo hoje. Não queria incomodá-la, nem que soubesse que eu estava sendo importunada. – disse Nailah com a voz trêmula.
June olhou-a, perscrutando as feições da criada. Havia algo na egípcia que ela não gostava. Talvez fosse o fato de ver a dissimulação que antes era tão natural em si, refletida nos olhos e gestos da ex-escrava. Estranho como podemos nos ver no outro, como em um espelho... Analisou, interiormente, enquanto Nailah se justificava.
— Escute bem, minha cara... É livre, mas enquanto permanecer aqui estará subordinada às regras desta casa. Nada de encontros às escuras, nem de estranhos adentrando a domus sem o meu conhecimento ou de Saga. Fui clara?— disse June.
Nailah manteve a farsa, embora se sentisse trêmula frente àquele olhar.
— S-Sim, domina.— respondeu esfregando a marca que ficara em sua pele.
— Recolha-se ao alojamento e que isso nunca mais se repita. – falou June e a criada, prontamente, obedeceu.
Ao ver a silhueta afastar-se, June pensou, novamente, em Hades e na ausência do cônsul. Após a luta onde Milo vencera os gladiadores da ludus imperador, ele quase não comparecia às lutas, mas crescia, politicamente, enquanto Saga era questionado por suas atitudes libertárias.
Mais uma vez, sentiu aquele arrepio desagradável e resolver recolher-se. Ao amanhecer, falaria com Afrodite e lhe pediria um favor importante antes que seus pressentimentos tomassem forma...
Nunca acreditei em destino, mas meu coração palpita, temendo não a ira dos deuses, mas a perfídia dos homens! Pensou enquanto sentia as sombras descerem sobre seu corpo e sua alma.
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Era o último pergaminho que traduzia, naquela tarde. Camus ouvira o brado da arena, mas não pudera assistir a luta daquele dia. Embora soubesse que não havia nenhum lutador que fizesse frente à Milo, ainda assim sentia certa ansiedade. Respirou fundo, guardou os materiais e dirigiu-se para casa. O lar que ele e Milo tinham como seu tesouro mais precioso estava a sua espera, assim como alguns convidados para o jantar.
No caminho, Camus comprou peixe e vinho e tratou de seguir rápido a tempo de Shina preparar a refeição que dividiriam com os amigos. O ruivo sorriu ao encontrar Afrodite escolhendo frutas frescas e aproximou-se dele sem fazer alarde.
— Tivemos a mesma ideia... – sussurrou perto do ouvido do loiro.
Os olhos cristalinos se voltaram para ele e Camus mostrou os peixes e o vinho que havia comprado.
— Camus! Pensei em levar algo para o jantar. Que tal algumas frutas, queijo e carne defumada?
— Creio ser uma boa opção. Sabe o resultado da luta?
Afrodite olhou para Camus com aquela expressão “E você ainda pergunta?” fazendo Camus sorrir tímido e ajeitar as compras nos braços.
— Tirando mais uma vitória do nosso herói, diga-me, vocês dois estão vivendo uma verdadeira lua de mel, não é? Morar fora da domus de Saga deu um toque a mais na relação, estou certo? – perguntou Afrodite.
— Eu me sinto com mais autonomia e sempre gostei de privacidade. Meus pais sempre me ensinaram certo distanciamento. – respondeu Camus.
— Ainda sente a falta dos seus pais?
— Meu pai está morto. Minha mãe e meu irmão, não sei. Faz tanto tempo que estou longe. – respondeu Camus.
— Entendo. Bem, mas vamos lá que logo nossos bravos lutadores estarão chegando famintos! – disse Afrodite quebrando o clima sombrio que ameaçou se instalar ali.
A domus de Camus e Milo era pequena e estava plena de amigos. Máscara da Morte, Afrodite, Aldebaran, El Cid, Albafica e Manigoldo estavam sentados à mesa e riam, enquanto saboreavam as iguarias do jantar.
Shina se oferecera para cozinhar e estava feliz, pois havia conhecido um jovem chamado Hagen que a pedira em casamento mesmo ela sendo uma ex-escrava.
— E o Mu, porque não veio? – perguntou Camus.
— O Mu foi se despedir do Aiolia... O centurião e o Kanon vão sair em campanha depois de amanhã e acho que o nosso amigo resolveu ceder... Se é que me entendem. – disse Milo com aquele tom malicioso que fazia todo mundo rir.
— Ao amor, então! – gritou Aldebaran elevando a taça com vinho para um brinde.
— Ao amor! – disseram todos em uníssono.
Milo olhou para Camus, bebendo o vinho devagar, enquanto o devorava com os olhos. O ruivo sorriu e retribuiu o olhar, passando a língua, sugestivamente, nos lábios molhados.
Quando o jantar terminou e todos deixaram a domus, o loiro aproximou-se de Camus e beijou-o, lentamente, afagando-lhe a face como se tocasse algo frágil e precioso.
— Te amo, ruivo... Adoro receber meus amigos, mas não via a hora de tê-lo em meus braços. – disse o gladiador aproximando os lábios dos de Camus.
Camus sorriu, sentindo paixão, ânsia, carinho e tesão.... Pressionou os dedos sobre a nuca do loiro e trouxe-lhe a cabeça para beijá-lo com voracidade, enroscando os dedos no cabelo farto e puxando-o para sentir o corpo bem junto de si. Deslizou a mão pelo tórax e alisou a pele quente que revelava os músculos trabalhados e as cicatrizes dos golpes que levara...
— Vem... vamos comemorar a sua vitória. — disse ele pegando a mão de Milo e levando-o para o quarto.
Camus retirou as vestes, revelando o corpo belo e esguio, aproximando-se de Milo e voltando a beijá-lo. O beijo foi ainda mais profundo e intenso e uma corrente luxuriante atravessou os dois, aumentando a frequência das respirações, fazendo-os estreitar o contato dos corpos.
A pele bronzeada de Milo contrastava com a pele alva de Camus. O gladiador deitou-se sobre o ruivo, enroscando as pernas nas coxas rijas, a ereção insinuando-se junto à virilha do outro, as mãos buscando as dele, para entrelaçarem-se, acima da cabeça e voltar a sugar-lhe os lábios, enquanto friccionava o corpo de encontro ao dele, fazendo-o gemer e projetar os quadris.
Lascivo, Milo foi descendo, lenta e sensualmente, movendo as mãos e a boca sobre o tórax, a barriga desnuda, o umbigo, a virilha...
Sentiu pequenos tremores sacudirem o corpo de Camus à medida que a língua seguia a trilha dos dedos, provocando, despertando, até chegar ao falo intumescido e colocá-lo inteiro em sua boca.
Chupou com força para depois deslizar a língua da ponta até a virilha, mordendo, de leve, o interior das coxas alvas, voltando a fazer movimentos em toda a extensão do membro, com uma lentidão atordoante, arrancando gemidos descompassados e o seu nome, pronunciado como uma súplica.
— M-Milo! — Camus gemeu, com os olhos fechados e os lábios apertados, sentindo os estertores do orgasmo, inundando a boca fogosa que o apertava e lambia e que agora detinha o seu prazer e o engolia com volúpia.
Abriu os olhos, encontrando o azul dos de Milo, ainda nublados de tesão, deliciando-se com o seu sêmen na língua quente. Puxou-o para um beijo, ainda mais faminto, sentindo seu gosto na boca ardente e cravando seus olhos azuis esfuziantes nos azuis profundos e eróticos do gladiador, amando-o, querendo-o, consumindo-se no fogo que ardia em seu corpo e em seu coração.
Com as mãos febris, Milo explorou a pele suada e a arranhou com os dentes, ofegando próximo aos mamilos. Viu-os endurecerem ao hálito quente, tomando um e depois o outro entre os dentes, feliz ao sentir as reações de prazer que emanavam do corpo do ruivo.
Voltou a morder-lhe o lábio, entrelaçando a língua na dele, para depois puxar as coxas torneadas junto ao seu corpo e introduzir os dedos no canal úmido, movendo-os, para excitá-lo e prepará-lo para a penetração.
Camus gemeu, um brilho reluzia nos olhos excitados dele, Milo mais uma vez o deixava naquele estado em que ele não pensava em mais nada. Respirou profundamente, aceitando recebê-lo dentro de si...
Com ansiedade, ele observou a ereção rígida penetrá-lo com um vigor delicioso e ofegou ao senti-lo duro e inteiro dentro de si. Milo segurou-o pelos braços e com o peito roçando no dele, o balançou, olhando-o nos olhos enquanto o penetrava.
Em um ritmo crescente, os dois gemiam e estreitavam o contato dos corpos, os olhos abertos presos um no outro, as bocas entreabertas ofegando juntas...
Aumentavam a força e profundidade das estocadas, gritavam e se agarravam sentindo uma explosão avassaladora ir se avolumando em seus corpos até jorrarem quentes dentro e fora deles.
Tremeram, arfaram e riram, ainda olhando-se nos olhos, extasiados com a força daquele amor insano que os ligava no presente e os uniria na eternidade. Cada momento era único e cada vez que faziam amor, sentiam-se pertencentes a um plano de felicidade maior que eles mesmos.
Uniram as testas suadas e ficaram abraçados... Os olhos fechados, sentindo o calor um do outro. Milo buscou os lábios ainda arfantes para beijar e Camus se entregou, tomado pelo torpor e pela emoção genuína de ser tocado além do corpo, além de si mesmo. Inspirou o cheiro do amante, e sorriu, sendo colhido pelo sono e pelo calor dos braços do homem que amava.
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Sob a luz do luar, cada coluna, cada banco parecia um artefato um tanto sobrenatural. A luz prateada e as sombras estranhas e amorfas emprestavam um clima estranho na domus de Aiolia.
Miniaturas de pontes, aquedutos, tudo integrado ao ambiente familiar da casa, agora era mostrado, pela primeira vez, a alguém. Alguém em que confiava e amava de um jeito inexplicável, uma constatação que já analisara de diversas formas, mas a resposta era sempre a mesma: sempre esperara por ele! Não importando se era coerente, permitido ou não, Mu era o homem que amava...
Os sentidos do centurião pareciam mais aguçados com a presença de Mu em sua casa. Podia ouvir o pio de uma coruja, a correria de algum animal assustado em meio aos arbustos, o estalar de gravetos sob seus pés no jardim que deveria estar melhor cuidado...
O perfume sutil que emanava da pele de Mu o atiçava. Não era um cheiro natural dos homens com quem convivia. Era diferente, como se o jovem tivesse algo divino que se personificara em si. O luar tingia de prata os cabelos violáceos, marcando-lhe a silhueta delicada do nariz e traçando os lábios perfeitos com uma linha cristalina.
Cada vez que Mu dava um passo olhando, detalhadamente seus projetos, Aiolia fechava os olhos e sentia o cheiro dele provocando suas narinas.
— É tudo tão perfeito... – murmurou Mu tocando de leve uma miniatura.
— Perfeito é você. Meus objetos são apenas um sonho tresloucado que talvez eu nunca coloque em prática. – disse Aiolia cobrindo a mão de Mu com a sua.
Mu sorriu e Aiolia puxou-o para perto de si. Ondas de calor percorreram o corpo do centurião quando os corpos se tocaram, no ombro, na cintura, nos quadris. Mu se encaixava perfeitamente bem em seus braços, pensou.
Ainda segurando-o pela cintura, Aiolia correu os dedos pelos lábios trêmulos de Mu.
— Eu não sei quando vou tê-lo assim, novamente. Quero-o tanto que chego a ter medo. – sussurrou Aiolia.
Com os olhos grudados nos de Aiolia, Mu entreabriu os lábios, ofegante. O coração batendo rápido e a constatação que nem quando lutara na arena, ficara assim, tão descompassado...
— Não tema... Eu sou seu. – disse Mu fixando o olhar nos olhos tempestuosos do centurião.
Aiolia tomou-lhe a boca devagar, controlando a necessidade que pulsava dentro de si. Era um homem de desejos ardentes, mas sabia que Mu ainda não havia vivenciado o sexo. Acariciou-o com toques feitos para provocar, instigar o desejo... E quando sentiu que ele enterrava os dedos em seus cabelos e puxava-o para mais perto, só então aprofundou o beijo, sugando-lhe a língua em um toque aveludado e quente que disparou fagulhas no corpo de Mu.
Os braços fortes de Aiolia apertavam Mu contra o corpo, fazendo-o sentir o volume grande e rijo contra suas coxas. O jovem correspondia ao beijo, igualmente excitado e, instintivamente, esfregava-se contra o centurião, soltando gemidos baixos de prazer entre os beijos vorazes...
Não demorou muito para estarem nus e na intimidade do quarto. Mu não se mostrava receoso e isso fez Aiolia sorrir e levá-lo pela mão, beijando-o em todo o trajeto... Beijava-o nos lábios, queixo e faces. Mu permitia-se ousar e deslizava a mão sobre o membro rígido de Aiolia, sentindo a pulsação e antevendo o ato que seu corpo ansiava provar.
Aiolia soltou um gemido de prazer e puxou-o para a cama. Mu caiu sobre o corpo musculoso e levou a mão ao falo rijo que pulsava. No entanto, Aiolia interrompeu-lhe a carícia, segurando-o pelo pulso. O jovem que não era mais um gladiador, surpreendeu-se, mas não teve tempo para interrogações. Aiolia deitou-o de costas e se inclinou para beijar-lhe o pé.
Mu riu, a sensação ao mesmo tempo provocando cócegas e um intenso prazer. Aiolia continuou a exploração, roçando os lábios pela perna, a língua quente lambendo a parte interna da coxa... Uma resposta imediata explodiu no corpo de Mu. O coração parecia que ia explodir, ressoando em seus ouvidos, enquanto sua pele ardia ao contato com as mãos, lábios e língua de Aiolia.
Jogou-se de costas contra os travesseiros, aturdido. Sua existência parecia se desintegrar enquanto Aiolia seguia em lenta caminhada pelo seu corpo, explorando cada curva e reentrância em carícias prazerosas que beiravam à dor.
Aiolia parou quando Mu arqueou os quadris, sufocando uma risada na garganta e encolhendo-se em seguida ao senti-lo lamber e ofegar próximo à virilha. Olhou-o com luxúria e apossou-se do falo gotejante, tomando-o dentro da boca quente e fazendo-o gemer, agora sem rir...
De súbito, Mu percebeu que, em uma parte desconhecida de sua mente, habitava uma criatura lasciva que agora implorava, com gemidos enlouquecidos e com as mãos ávidas que Aiolia continuasse com a deliciosa sucção em seu membro.
A língua macia de Aiolia lambia toda a extensão, enquanto as mãos poderosas afastavam as pernas de Mu, fazendo-o ofegar e gemer, cada vez mais alto.
Quando sentiu que Mu já estava quase gozando, Aiolia intensificou a felação e recebeu o sêmen quente em sua boca e parte do rosto. O jovem gritou e seu ventre se contraiu em um forte espasmo. Liberou os cabelos de Aiolia para enterrar os dedos nas cobertas e contorcer-se com seu primeiro orgasmo.
Aiolia sorriu, sentindo seu falo pulsar com a visão deliciosa do prazer de Mu. Beijou-o com malícia, observando a reação dele ao sentir o gosto do sêmen, mas, para sua surpresa, Mu quase o devorou e o gemido, junto do pedido, que escapou-lhe dos lábios, fez seu membro enrijecer ainda mais.
— Quero você... Dentro... – murmurou o jovem, pressionando-se contra Aiolia.
A resposta do centurião foi segurar-lhe as nádegas com firmeza, pressionando-o contra si. Inseriu a língua entre seus lábios e começou uma exploração oral que deixou Mu em chamas. Em seguida, ondulou os quadris, roçando seu falo no de Mu, sentindo-o enrijecer, assim como os mamilos dele contra o seu peito.
O jovem mordiscou-lhe o lábio impacientemente e Aiolia sorriu, apertando as mãos em suas nádegas, e depois, deslizando a ponta de sua ereção até a entrada que pulsava.
Mu gemeu e apertou Aiolia junto ao corpo... Enlouquecido pelo desejo da possessão, sentiu as mãos de Aiolia em suas coxas, quadril e colou, ainda mais, seu corpo ao dele.
Apesar de também estar no limite, Aiolia o penetrou lentamente, centímetro por centímetro... Não iria machucar quem amava, mesmo que lhe custasse um esforço hercúleo e muito autocontrole.
O tremor das mãos fortes em seus quadris e das coxas grossas contra as suas, disse a Mu o quanto a contenção custava ao leonino. Mesmo se sentindo honrado em ser tratado com tanta consideração, Mu não queria aquilo devagar, apesar de tudo era um guerreiro e, mesmo sem entender porque, precisava de Aiolia dentro de si com força. Abriu mais as pernas e, em seguida, circundou-lhe os quadris com elas.
— Não vai me machucar... – disse com a voz rouca, enquanto sentia o sexo potente de Aiolia invadi-lo profundamente.
Um gemido profundo e prazeroso escapou da garganta de Aiolia, enquanto Mu jogava a cabeça para trás, arfando e glorificando-se no prazer sensual de ser preenchido completamente. Havia dor, mas também deleite naquela pressão que se construía em seu interior e descortinava um sentimento poderoso.
Mu sentia a mudança no corpo de Aiolia, a tensão dos músculos, o tremor da pele, os dedos másculos se enterrando quase com desespero em suas nádegas.
Após um momento, ambos começaram a se mover, o choque delicioso dos corpos, os gemidos e ofegos urgentes, entrecortados, o vai e vem que os tornava um...
Os quadris de Aiolia se moviam com força, ritmo e adentrava as profundezas do corpo de Mu com uma paixão que ele jamais vivenciara. Sentia-se sugado e esmagado entre as paredes quentes e escuras várias e várias vezes...
Mu sentia a pulsação do corpo de Aiolia e do membro adentrando, rompendo, fazendo-o gritar não mais de dor, mas de êxtase. Algo dentro de si era tocado de forma intensa e o gozo, mais uma vez irrompia em violentas ondas, levando-o a vivenciar o orgasmo de forma mais completa, quase amedrontador...
Aiolia grunhiu ao sentir seu falo ser tragado pelas contrações de Mu e derramou-se dentro dele em jatos quentes e abundantes. Logo a seguir, foi a vez de Mu sentir-se derramar no ventre de Aiolia entre espasmos brutais e ofegos profundos.
Por um longo instante, Mu ficou atordoado, quase inconsciente... Então, vagamente, percebeu que Aiolia o puxava para o lado, apoiando-lhe a cabeça no braço com a marca da legião. Sorriu e deixou-se dominar pela pesada lassidão que lhe invadia o corpo, aconchegando-se ao corpo suado e ofegante de Aiolia.
Sentindo-se, totalmente leve e feliz, Aiolia estreitou-o, ainda mais junto ao corpo e também sorriu, fechando os olhos e entregando-se àquele momento singular.
Ao recuperar a consciência, Mu percebeu que estava nos braços de Aiolia. O coração de seu amado vibrava contra seu peito, a respiração dele aquecia-lhe os cabelos. Ergueu os olhos e viu, no rosto adormecido, um ligeiro sorriso. Tocou nos lábios carnudos e Aiolia abriu os olhos.
— Está tudo bem? – perguntou o centurião acariciando-o na face.
— Sim, está. Nunca pensei que... fosse possível sentir tanto prazer numa primeira vez. – respondeu Mu com aquele sorriso tímido e encantador.
— Você é... incrivelmente delicioso... Pena que, devido à missão que tenho a cumprir, nosso tempo, juntos, seja pouco. – disse Aiolia beijando-o de leve.
— Então vamos usufruir desse tempo que temos... intensamente. – falou Mu tomando o rosto de Aiolia nas mãos para aprofundar o beijo.
Entre risos e algumas taças de vinho, logo ambos estavam, novamente, vivenciando uma explosão de êxtase com os dedos, a língua e o sexo.
Durantes as horas fugazes daquela noite, curta demais, Aiolia levou Mu às alturas e experimentou uma alegria que parecia não ter fim. Amaram-se de diversas formas e adormeceram, até o sol despontar no horizonte exigindo um tributo à realidade...
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— E então? Ela lhe deu? – perguntou Hades para o homem encapuzado.
— Sim, dominus. – respondeu o homem estendendo um pergaminho para o cônsul.
Hades abriu o pergaminho contendo a rotina completa de Saga e seus empregados. Um sorriso cruel brindou-lhe os lábios e ele dispensou o homem, dando-lhe alguns trocados. Calmamente, sentou-se para ler, detalhadamente, cada item e então planejar o que faria.
Mantivera-se longe das lutas e contratara Radamanthys para fingir ser proprietário de uma ludus. Assim, sabia cada passo dos lutadores de Gemini, principalmente de Milo. O gladiador continuava invicto e sabia que o imperador o desejava para a Ludus máxima.
Por vontade própria, Milo jamais deixaria Gemini, mas isso também iria mudar quando ele não tivesse mais por quem lutar e quando perdesse aquilo que mais prezava em sua vida miserável...
O rosto de Hades se fechou em uma expressão insana e fria. Todos achavam que estavam seguros e felizes...
Ledo engano! Quando a Lupercalia, finalmente, chegasse ele daria início à vingança, saboreando cada derrota e cada perda do inimigo como se desfrutasse de um corpo voluptuoso...
Tudo seria lento, intenso e muito doloroso!
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