A Bússola Dos Sonhos

3 Mundo invisível


Notas iniciais
Um sonho? Ou mais além?
...
Continuem mandando suas opiniões, para me ajudarem a melhorar cada vez mais! Obrigada
Boa leitura!

Antes que a Consciência pudesse dizer qualquer coisa a respeito da bússola, Luíza ouve um som ensurdecedor, de algo como uma pancada forte ao seu lado. Ela abre os olhos e vê o professor parado em frente a sua carteira, batendo uma enorme régua em sua mesa.

-Dormindo em sala de aula, mocinha? — ele diz

-Am... -ela ainda não se dava conta do que estava acontecendo- professor? Cadê ela?

-Ela quem?

-A gêmea... A...

Luíza olha ao seu redor, estava novamente na superfície, estava acordada. Todos a olhavam com caras de espanto, “Do que ela está falando?”, “Ficou maluca?”, muitos cochichavam.

A menina ainda estava meio zonza, o que fora aquilo tudo que acabara de acontecer? Tudo um sonho? É claro que sim, mas... Será que aquilo tudo era verdade? As gêmeas, o sumiço da Alma, sua vida em perigo...

Queria acreditar que não. Mas algo a dizia que devia se preocupar, não podia ser mentira, não. Era absurdo demais, absurdo demais para ser coisa de sua cabeça. Ela não tinha uma imaginação tão fértil assim...

-E então, Luíza, pode me explicar por que a senhorita estava dormindo no meio da aula? — o professor pergunta novamente

-Ah... Professor, me desculpa mesmo, é que... Eu não dormi muito bem essa noite.

-Sei... Ao menos fez a redação?

-Er... -Luíza se lembra da folha de redação, com o desenho da bússola. Se ainda fosse um trabalho para a aula de artes, poderia enganar, mas nem de longe aquilo se parecia com uma redação- Desculpa, não fiz

-Olhe lá, hem mocinha? Dormindo em sala de aula, não fazendo os deveres... O que está acontecendo com você?

Mas nem Luíza sabia o que estava acontecendo realmente.

Estava muito confusa, sem saber como agir. Será que deveria pedir ajuda? Mas para quem? Talvez a um psicólogo... Não, acabariam a mandando para o hospício mais próximo. Mas então, quem poderia a ajudar?

Um nome lhe vem a cabeça, sim, era a pessoa ideal.

Ludmila era a menina mais lunática de todas as suas amigas, a morena, de longos cabelos negros avermelhados, era mestre em cultura inútil. Seriados de tevê, horóscopo, games, esoterismo e vários outros assuntos aleatórios. Dizia até mesmo saber ver a sorte nas estrelas e contar o significado dos sonhos. Se havia alguém que poderia ajudar Luíza, esse alguém era Ludmila.

Resolveu procurar a menina no final da aula, após alguns minutos vasculhando os corredores do colégio, encontra a menina rodeada por um pequeno grupo de pessoas que a ouviam atentamente.

-Eu to dizendo, é verdade- Fala Ludmila- eu vi mesmo!

-Ah Lud! — Fala Izabella, uma menina loirinha, que escutava desacreditada as palavras da amiga- Essas coisas não existem!

-É o que vocês pensam! É o que elas querem que todos nós pensemos!

-Elas quem? -pergunta Luíza, entrando na conversa

-As entidades! Elas estão entre nós! Aqui, agora!- responde Ludmila

-Você ta delirando menina!- Fala Izabella, ainda sem acreditar nas palavras da menina

-Pense o que quiser!- responde Ludmila- Eu acredito e pronto! — a menina vai se afastando do grupo, desapontada por não terem acreditado em sua história.

Luíza vai atrás da menina.

-Ei Lud! Espera!

-O que foi?

-Me conta essa história de “entidade” de que você estava falando.

-Bem, você sabe que a coisa que eu mais gosto de fazer é ler não é? Então, eu estava na biblioteca municipal ontem, usando os computadores que tem no café de lá, lendo meu horóscopo e ...

-Vai direto ao assunto Lud!

-Calma! Bom, como eu dizia, eu cansei de ficar no computador, então resolvi procurar algum livro para passar o tempo, e então, no meio daquela poeira toda eu encontrei um livro esquisito

-Esquisito como?

-Esquisito, esquisito ué! Era todo velho, com as páginas amareladas, parecia que ninguém mexia nele há anos. E você sabe que eu adoro coisas desse tipo Né? Porque eu...

-Lud!

-Ah é! Como eu estava dizendo, eu comecei a folhear o livro, como era o nome? Ah, era “Mundo invisível”. O livro descrevia a existência de entidades que nos rodeiam e que compõe a nossa essência. O autor diz ter feito várias pesquisas, mas nunca conseguiu chegar a conclusão de o que eram essas entidades.

-Compõe...a nossa... Essência? — Luíza se lembra da fala que havia ouvido em seu mais recente sonho, a Consciência lhe falando que ela e a Alma eram as essência que compunham seu espírito.- Me fala mais desse livro.

-Jura que você se interessou? -Ludmila fala entusiasmada- A Bella nem ligou quando eu falei

-Me interessei sim, muito!

-Por que?

-Ah, sei lá...- preferiu não contar de seus sonhos, por enquanto...

-Bem, continuando, parece que o cara descobriu a existência dessas entidades em um sonho, ele sonhou com a presença delas, e desde então começou suas pesquisas, procurou outras pessoas que haviam conhecido essas entidades e baseou seus estudos nelas. Mas parece que a sociedade científica não se interessou por suas pesquisas, porque não era nada “cientificamente comprovado”, entende?

-Sim... Entendo.

-Bom, aí o cara decidiu escrever o livro, assim pelo menos poderia deixar seus relatos, caso alguém se interessasse no futuro por suas pesquisas. É, acho que é só isso, eu não li o livro todo, só algumas páginas, foi o que deu para entender.

-Uhum, como é mesmo o nome do livro?

-Mundo invisível, por que?

-Curiosidade. Bom, tenho que ir Lud, obrigada por me contar a história

-De nada. Mas sabe, eu acredito na teoria desse cara, acho que ele tem razão. É claro que temos um espírito, uma alma que nos compõe, mas não é só isso...

-São coisas diferentes!

-O que disse?

-Espírito e alma, são coisas diferentes!

-Am? Como assim?

Luíza se dá conta de que acabara falando demais.

-Nada, nada, só me confundi

-Ah bom.

-Tenho que ir Lud, a gente se fala amanhã!

-Tá legal, até amanhã então.

-Tchau!

Luíza segue pela rua, decidida a ir na biblioteca municipal e ler o tal livro de que Ludmila havia lhe falado, atravessa um ou dois cruzamentos, algumas ruas, alguns esbarrões com os mais destraídos, e, enfim, chega a velha biblioteca municipal. Uma construção antiga, cercada por pilares que lembrava muito um templo grego.

Ela sobe as escadas de gesso e passa pela grande entrada da biblioteca. Ao chegar, a recepcionista a atende.

-Boa tarde, posso ajudar?

-Sim, eu estou procurando um livro.

-Qual?

-O nome é “mundo invisível”, pode procurar pra mim?

-Um instante, vou ver nos registros.

A atendente se afasta por alguns minutos, e, logo em seguida, volta a recepção.

-Lamento, mas não temos nenhum livro com esse título.

-Mas... A minha amiga, ela esteve aqui ontem, ela disse que leu esse livro.

-Tem certeza? Bem, se quiser pode procurar, talvez algum livro tenha passado despercebido de nossos registros.

Mas Luíza olha para o relógio em seu pulso, 13:45, a essa hora a mãe já estaria arrancando os cabelos, querendo saber onde a filha estava, e seu estômago começava a se revirar de fome. Com certeza, gastaria horas procurando pelo livro. Era melhor voltar outra hora.

-Eu volto depois para procurar.

-Tudo bem, esteja a vontade- a recepcionista diz, com um sorriso forçado

Luíza caminha de volta para sua casa. Ao chegar, já sabia o que lhe aguardava. Um sermão de quase uma hora da mãe, lhe dizendo que não podia sair sem avisar, que era perigoso... Sim, todas as mães são assim, a de Luíza não era diferente, embora Luíza sempre achasse que a dela era mais do que as outras mães. Sim, todos os filhos pensam assim...

Depois de comer o almoço esquentado no microondas, ela se troca e deita em sua cama. Ela sabia exatamente o que deveria fazer e, embora tivesse medo do que a aguardava dali pra frente, sabia que era a coisa certa a ser feita, pois era o único modo de descobrir o que realmente estava acontecendo...

Fechou os olhos, e adormeceu...

Notas finais
O real e o psicológico, prestes a se fundirem numa grande aventura! Agora sim, bem vindos aos sonhos!