A Busca

2 Pedras pelo caminho


Notas iniciais
Prontinho, como prometido, aqui está o capítulo dois. Continuando a aventura de Oliver em prol de sua busca. O que será que o espera, e qual será o item que ele está procurando? Boa leitura!

–Chris... vamos parar, já ta bom... –Tobby estava ofegante. Chris então se deixou ficar e atendeu ao pedido do amigo. No momento que o fizera percebera que sua respiração também estava pesada em seu peito. –Por que corremos tanto se aquele cara estava dando cabo do Sapão e dos outros dois? –Perguntara Tobby, ainda ofegante, mas agora apoiando-se sobre a parede de uma casa.

–Pela Busca... –Chris respondera. –Ele não pode demorar muito... só tem até hoje.

–Busca? Que que é isso? –Perguntara um Tobby confuso

–A Busca é a Busca... –Respondera Chris em tom sério, mas quando olhou para Tobby ao seu lado não pode evitar rir, o garoto mordia o lábio com raiva e o olhava parecendo querer bater nele. Então Chris suspirou. –A Busca é um perdão, uma segunda chance para condenados...

–Condenados? Ele é um condenado? O que ele fez? –Tobby interrompera apressadamente, com um olhar medroso.

–Sim, Sim e algumas coisas boas, porém mal vistas... Mas isso não importa, vai me deixar continuar?

Tobby balançou a cabeça em um sim mudo.

–Bem... a Busca é organizada a todo ano, mas depende de cada vila... Umas o fazem no final, outras no meio. Mas sempre a fazem, esta é a regra. E para fazê-las qualquer condenado pode se voluntariar, e por condenados digo alguém que iria ser obrigado a enfrentar uma árdua pena e traria a desgraça para sua família e casa. –Tobby se sentara agora, ainda com suas costas na parede, mas o fizera em silêncio, ouvindo atentamente. Chris então continuara. –Ela tem esse nome devido a sua natureza. Aos voluntários são dados missões. Recuperar algum documento, Achar algum tesou, Pesquisas e coisas do gênero. Em geral muitos conseguem, mas há aqueles também que não. Alguns desistem, outros não cumprem com suas palavras e tentam se dar bem do mesmo jeito, outros ainda não conseguem fazer o que os fora pedido. Porém tem mais um tipo de caso...

–Qual? –Tobby se apressara em perguntar quando percebera a pausa de Chris.

–São missões que são atribuídas aos condenados certo? –Tobby balançou concordando. –O que você acha que acontece se a mesma missão é atribuída a mais de um condenado? –Tobby parou para refletir por um momento.

–Eles... se enfrentam...? –Tobby pareceu levemente assustado quando Chris concordou com a cabeça. –Mas... mas... e se isso acontecer com aquele cara lá atrás? Ele vai ficar bem?

–Oliver, o nome dele é Oliver. E creio que sim... Pode não parecer, mas ele é acostumado a isso, está em sua terceira Busca. –Tobby pareceu surpreso.

–Para onde ele foi mandado? Que missão lhe deram?

–Você acha que eu saberia? Estas missões são dadas por Mestres e anciões das grandes casas para eles...

Tobby então olhou para Chris fixamente nos olhos, parecendo procurar algo. Olhou para seus lábios, em seguida para suas bochechas e por ultimo para suas sobrancelhas, só depois voltando-se novamente para os olhos do companheiro.

–Ah claro... Foi total sorte e coincidência ele nos salvar naquele momento... ele passando por ali no ultimo dia da Busca, total coincidência. –Tobby sorriu de leve. Chris se viu forçado a sorrir também, seu plano acabara de ter sido descoberto.

–Um livro... Oliver está atrás de um livro... –Chris cedeu por fim.

Algumas horas mais tarde...

Oliver andava entre estantes de livros que se erguiam para o alto e além. Seus passos ecoavam pela biblioteca, parecendo se repetirem conforme o som subia em direção ao teto abobadado. As estantes eram gigantes, deviam passar dos dez metros de altura e escadas se apoiavam nelas. Oliver olhava para seu lado direito, ele estava junto a estante e sua mão se estendia, fazendo com que seus dedos passassem sobre os livros ali guardados. Seus olhos se apertavam tentando ler os nomes sobre as capas, somente iluminadas por alguns archotes postos na parece. Ele pensara em trazer uma candeia com uma vela, mas era proibido ali, os velhos anciões queriam seus antigos conhecimentos protegidos de qualquer perigo, por isso até os archotes eram postos afastados das estantes e/ou em pequenos vãos cercados por mármore, para que o fogo ali não se propagasse. Oliver continuou a ler os nomes dos livros, “Segredos de Curandeiros”; “Sobrevivendo a...” (a ultima palavra estava meio apagada, mas ele não deu importância, não era aquele que buscava.) Nenhum deles era o que ele queria encontrar. Mas era de se esperar a ala não era a certa. Ele então continuou andando para frente por alguns instantes, ou seriam minutos? Não fazia diferença. Depois de mais alguns passos ele finalmente chegou ao fim da estante. Mas quando cegou lá somente pode ver mais e mais estantes o cercando, pode todos os lados elas se estendiam, tão imensas quanto a que ele acabara de deixar para trás.

–Civilizações antigas, civilizações antigas... –Oliver continuou andando, agora olhando para cima conforme passava pelos corredores. Matemática, Política, Biologia, Animais místicos, e História de grandes reinos, este ultimo indicando que estava perto do que procurava, mais alguns passos e então a placa na entrada do corredor indicou. “Civilizações antigas”. Ele então sorriu de satisfação e entrou pelo corredor a passos largos, mas depois de percorrer alguns passos começou a caminhar mais lentamente. Com o olhar fixo na prateleira ele continuou a caminhar, atentando-se aos nomes dos livros, a grande maioria em letras e símbolos que ele não conhecia. Ele passava a mão sobre as laterais dos livros, sentindo o relevo de cada caractere. Murmurando as sílabas que conseguia entender. Durante duas vezes ele parou, pensando ter achado o que procurava, mas não eram, eram apenas volumes similares e depois de folheá-los rapidamente pode verificar que os volumes eram bem menores, tendo menos da metade de páginas do que deveriam, e isso o fez botá-los de volta em seus lugares e continuar a procurar seu objetivo.

Depois de algumas horas procurando ele ainda não havia encontrado o que procurava, percorrera todo o corredor indo e voltando duas ou três vezes, desde sua entrada até o final, que dava em uma parede, fazendo daquilo um corredor sem saída. Achara mais alguns livros parecidos, mas ao abri-los viu que não tinham nenhuma das informações que esperava encontrar, o dia passava rápido e pelo visto somente aquele livro serviria... A aflição começava a crescer dentro e Oliver.

–Tenho que achá-lo... –Murmurou para si mesmo, e com essas palavras se pós a subir as escadas, somente para descê-las em seguida e movê-las um pouco para o lado em seguida e se pôr a subi-las de novo.

Mais tempo se passou. De cima das escadas Oliver via pequenas pessoas passando junto a base da estante, algumas se demoravam, outras simplesmente continuavam a seguir seus caminhos. Podia jurar que vira um homem, talvez da mesma idade que ele, com o cabelo penteado para trás e trajando uma armadura leve e um manto que a cobria os ombros, passar umas três ou quatro vezes. Mas ele não devia se preocupar com isso, o tempo passava e ele precisava do livro cada vez mais. Desceu as escadas e empurrou-as para o lado por uns três metros e em seguida voltou a subi-la, passando lentamente pelos andares da estante, olhando cada caractere das laterais dos livros que passavam. Seguindo rumo ao topo da escada ele passou olhando para os livros, subindo e subindo. E então ele chegou ao topo, finalmente, seus olhos já estavam cansados e sua cabeça parecia pesar. Lentamente ele começou a levantar a cabeça. Mais caracteres que ele não entendia, ou que entendia muito pouco para que pudesse afirmar que sabia decifrá-los, pode identificar a palavra que significara “Guerra” em alguma língua que já esquecera até a pronuncia, mas sabia aquela palavra.

E então ele o viu, em meio a livros das mais variadas línguas, lá estava o seu objetivo “Grandes Reinos e seus peculiares povos, uma volta no tempo”. Quando mandaram que ele procurasse tal livro para sua Busca ele se surpreendera com o nome, parecia coisa muito simplória, mas as mais de 700 páginas que compunham o estudo pareciam contradizer isso, se tratava de uma pesquisa histórica antropológica e com até referencias a topografia de cada uma das regiões onde as civilizações estudadas viviam, e isso fazia do livro um volume quase único, Oliver havia passado por dezenas de bibliotecas, procurando aquele livro ou volumes e outros livros com informações parecidas, mas pelas informações que o passaram parecia que só aquele livro realmente servia. Oliver não conseguiu se segurar e pegou o livro apressadamente soltando um pequeno grito de satisfação, ele se segurou, ainda estava em uma biblioteca. E rapidamente se pós a descer as escadas, os pés não se demorando nos degraus e se pondo a irem para o próximo assim que o pé oposto se firmava na madeira, e assim ele foi descendo, até chegar quase no 15° degrau, quando ele estava no 16° seu pé pisou em falso e o outro já havia saído também do degrau acima, Oliver foi direto ao chão, batendo com um baque estrondoso e largando o livro com o impacto, o livro saiu deslizando pelo chão, conforme Oliver se contorcia de dor.

–Nossa... Finalmente te achei. –Uma voz ecoou pelo corredor. Oliver então se virou de leve, ainda deitado no chão e viu um homem se inclinar e pegar o livro que estava em sua frente e encostado em seu pé. –É ótimo quando as coisas vêm até você sozinhas não é? –O homem então se curvou e pegou o livro, folheando-o em seguida. -“Grandes Reinos e seus peculiares povos, uma volta no tempo” Como procurei por você...

Oliver já se levantava, com uma mão sobre uma de suas coxas, a direita, que havia batido no chão antes do resto de seu corpo e agora latejava.

–Tire suas mãos dele, eu o achei. –Falou Oliver já de pé, mas ainda meio curvado e massageando a coxa com a palma da mão se movendo em círculos, enquanto levava a outra mão ao bolso em seu manto. –Essa é a minha Busca! –Exclamou Oliver, retirando um pergaminho de seu bolso e então o estendendo para o homem. O homem fitou o papel aberto a sua frente durante alguns instantes. –Eu tenho preferência sobre esse livro, é parte da regra dos Buscadores.

–Ohh é verdade... Então, nesse caso acho que devo entregá-lo para você. –O homem então estendeu a mão que segurava o livro para Oliver, que quando viu o movimento se pós a guardar o pergaminho em seu bolso novamente e então estendeu a outra mão para o livro, deixando-a a centímetros do objeto e esticando os dedos, mas quando os dedos se fecharam agarraram somente o vento, pois a mão do homem pareceu ser puxada para trás no ultimo momento. O homem então colocou a mão no bolso de sua calça, em seguida tirando de lá um pergaminho enrolado com uma fita, com um simples puxão ele a tirou e deixou-a cair no chão e o papel desenrolar em sua mão, em seguida o estendendo para Oliver. “Mandado de Busca” ele dizia. –Tinha me esquecido... Mas eu também sou um buscador.

O rosto de Oliver então ficou sombrio, um buscador procurando o mesmo artefato que ele, ele sabia no que isso iria resultar e já tinha certeza que seu rival também. Lentamente Oliver moveu sua mão para sua cintura, o manto cobria metade dela, de modo que não se pudesse ver a espada em sua anca. Como parte da regra da biblioteca ele teve que entregar seus outros pertences para os Gigantes que guardava as portas e os livros, mas foi-lhe concedido o direito de portar a espada, desde que não fizesse nenhum mal aos livros ali guardados. Bem... agora ele não planejava fazer mal aos livros.

Rapidamente Oliver desembainhou sua espada, movendo-a para cima e em seguida descendo-a com seu braço a puxando para baixo em arco. A espada desceu com um assobio enquanto cortava o ar, mas o som que veio em seguida foi ainda mais alto. O baque metálico de duas lâminas se encontrando com ferocidade. O homem havia puxado uma espada curta e a erguera, a posicionando logo acima de seu corpo, parando o ataque de Oliver.

–Ora ora... Desistiu de argumentar? Então está bem... –O homem então impulsionou o braço levemente, de maneira a fazer a espada de Oliver ser jogada levemente para o alto, lhe dando espaço. Oliver deixou seu braço ser jogado levemente para trás, mas no momento seguinte impulsionou-o novamente para frente, usando o peso para aumentar a força. Em seguida então seu rival retesou os joelhos e deu um passo para o lado, fazendo o golpe de Oliver passar ao seu lado sem nem tocá-lo. O homem então desferiu um ataque, estendendo o braço em uma estocada, mas Oliver rapidamente pulou para o lado, escapando da lâmina e soltando um leve suspiro ao se firmar de novo no chão. –Ohh, você até que é rápido hein? Ou isso foi só um golpe de sorte? –Oliver não respondeu. O homem então levou o livro a sua bolsa e o guardou ali. –Bem... Vamos descobrir! –O homem então se pós em ataque, com um passo a frente e movendo sua espada curta em uma estocada.

Oliver se moveu por reflexo, seu braço se moveu para a direita, fazendo a lamina de sua espada fizesse o movimento contrário. A espada de Oliver descreveu um arco horizontal, de baixo para cima e se encontrou com a lamina de seu adversário quando ela estava a um pouco mais de 10cm de seu tronco. A espada do seu antagonista então foi desviada e o golpe foi lançado ao ar.

–Minha vez! –Exclamou Oliver, investindo em um golpe diagonal, vindo de baixo e indo para cima, no contra pé do homem. Mas ele foi mais rápido, com um pulo para trás ele desviou do golpe e voltou a ficar em guarda, com a espada a frente do corpo e esticada para frente. Uma postura parecida com esgrima, naquela situação não era muito usual, a espada dele era mais curta que a de Oliver, então tornava essa postura menos efetiva, assim como seus ataques. Mas de certo modo fazia ele aumentar seu alcance, de modo arriscado claro, mas o fazia.

Ambos então deram um passo para o lado, e depois outro e mais outro, logo estavam se rodeando. Dando um passo após o outro, lentamente descrevendo um círculo no corredor. Os olhos dos dois estavam atentos, observando seus respectivos adversários, cada mínimo movimento, os dedos se retesando sobre os cabos das espadas, o tecido das calças e o couro leve das botas se contraindo a cada passo. O silêncio havia tomado conta do corredor, somente os leves ruídos dos passos e a respiração ritmada dos dois rivais podiam ser ouvidos, mas os sons eram tão baixos que nem eco faziam, mesmo com o teto abobadado.

Mas então um passo mal calculado ocorreu. Oliver aumentara o tamanho de seus passos sem perceber e quando tentou dar outro passo seu pé somente encontrou a estante de livros, por impulso seu olhar se desviou e foi em direção ao o que encostara em seu pé, um grande erro. Assim que seu olhar se desviou seu oponente aproveitou a chance, ele investiu em um ataque rápido, com uma estocada . Quando Oliver voltou-se novamente para frente, percebendo o a brecha que havia aberto somente conseguiu ver a ponta da espada aproximando-se. Por um instante ele não soube o que fazer, mas no ultimo segundo ele pareceu “acordar” e se jogou para o lado, a espada de seu oponente passou raspando pelo vão entre sua orelha e a cabeça, abrindo um corte no local. Oliver se jogou no chão em seguida, rolando e levando a mão esquerda a orelha esquerda.

–Essa foi por pouco... –Oliver suspirou depois de proferir as palavras, levantando-se enquanto seu oponente retirava a espada que havia se fincado na madeira da estante. Ele aproveitou esse tempo para tirar a mão de cima da orelha e ver o estrago. Apenas alguns filetes de sangue corriam por seus dedos, o corte não fora grande, pelo que parecia. Oliver então flexionou os dedos, os fechando até se estalarem e em seguida abrindo a mão novamente, só para levá-la até a sua espada e passar a segurá-la com ambas as mãos. Observou enquanto seu rival tentava tirar a espada da madeira com puxões. –Essa é a minha chance. –E murmurando isso Oliver puxou ar para dentro de seus pulmões e investiu em um ataque, correndo em direção ao seu oponente. Conforme Oliver se aproximava ele via o terror começar a brotar nos olhos de seu oponente, mas ao invés de correr ou se abaixar ele não se movia e até parara de puxar a espada, era como se tivesse desistido e aceitado a derrota. Oliver permaneceu com o olhar fixo nos olhos do que antes era seu rival, tentando captar algo que o escapara, a postura daquele homem havia mudado drasticamente de uma hora pra outra. Mas tudo que via dentro dos olhos dele era apenas seu reflexo e nada mais, nada mais além que... Uma sombra.

Oliver pulou para o lado no exato momento que a mãos da Coisa passou por onde ele estava. A Coisa recolheu o braço e deu um passo a frente, se aproximando de Oliver. Ele então pode vê-lo, não a coisa inteira, mas sim suas pernas, ele teve que levantar sua cabeça para que pudesse ver o que se aproximava totalmente. Era enorme, passava fácil dos três metros e devia quase chegar a quatro, ou talvez até passasse disso também. Estava com uma toga azul, que cobria tudo desde seu peito até o peito de seus pés.

–Um gigante... –Oliver sussurrou dando um passo para trás, as coisas estavam se complicando.

Notas finais
E agora só falta o último capítulo, trazendo o desfecho dessa aventura. Devo postá-lo ainda essa semana, fiquem no aguardo. E como sempre, não se esqueçam das reviews, falando o que gostaram e o que não gostaram no capitulo. É isso ai pessoal, até a próxima.